Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios
Gabriel Ravi, Oficial de Justiça, fala sobre suas vivências como homem trans
Fundo nas cores da bandeira trans, faixas em azul claro, rosa claro e branco. O Oficial de Justiça Gabriel Ravi, homem trans de cabelo curto e barba, usando óculos e camisa social branca, dá seu depoimento em comemoração ao Dia da Visibilidade Trans: Gostaria que as pessoas tivessem consciência de que não somos corpos, mas somos pessoas, com sentimentos muito profundos e que a decisão por uma transição não é fácil. Assinatura do TJDFT em conjunto com o Núcleo de Inclusão. Sementes da Equidade. #Pró-Equidade

Gabriel Ravi, Oficial de Justiça, fala sobre suas vivências como homem trans

por Vicente Junqueira Moragas - NUICS — publicado 29/01/2024

Gabriel Ravi, 35 anos, é servidor do TJDFT e atua como Oficial de Justiça. “Quando não estou trabalhando, certamente irão me encontrar treinando na academia ou na aula de natação. Gosto de fazer trilha, tomar banho de cachoeira e renovar minhas energias na natureza. 

 

Gostaria que as pessoas tivessem consciência de que não somos corpos, mas somos pessoas, com sentimentos muito profundos e que a decisão por uma transição não é fácil. Envolve abrir mão de muitas coisas e, em alguns casos, também de pessoas que amamos. Se pudessem nos ver apenas como pessoas para além de corpos físicos, entenderiam que existe alma em nós. E entenderiam também que homens trans e transmasculinos são homens e que para ser homem não é necessário performar masculinidade ou reproduzir machismo. O nosso entendimento sobre quem somos vai além de conformações sociais.”

 

Gabriel explica que, por meio das notícias divulgadas na intranet, tomou conhecimento sobre a possibilidade de uso de nome social e logo buscou a alteração do nome no TJDFT.  De qualquer forma, decidiu fazer alteração do registro civil no cartório e alterar toda a sua documentação. Gabriel reconhece que sua realidade de inserção profissional como servidor público, com rede de apoio e afeto, é diferente da maioria da população trans, que enfrenta situações de muita vulnerabilidade e dificuldades de emprego por conta do preconceito. E prossegue: “Infelizmente não tenho conhecimento sobre nenhuma pessoa trans que seja magistrada, mas tenho uma amiga servidora e fiquei muito feliz ao saber que há outros como eu ocupando esses espaços”.

 

E complementa: “Entendo que somos mais que a transgeneridade e há muito mais a meu respeito a ser conhecido e apreciado. Abordo apenas quando estou conhecendo alguém com interesse em me relacionar, até como forma de me resguardar de ofensas ou agressões. É certo que a passabilidade me permite não precisar me identificar como pessoa trans cada vez que conheço alguém. Nem toda pessoa trans busca ou se importa com passabilidade, mas eu confesso que muito me aproveito dela para que não tenha que abrir minha vida a pessoas desconhecidas.”

 

Nesta segunda-feira, 29/1, Dia da Visibilidade Trans, o TJDFT agradece o depoimento de Gabriel Ravi. O Tribunal acredita na inclusão e no respeito à diversidade como pilares de uma Justiça acessível para todas as pessoas.