Saiba como realizar um bom atendimento de pessoas com deficiência visual
O atendimento a pessoas com deficiência visual exige uma abordagem sensível, acolhedora e bem-informada. Nesta edição, o Sementes da Inclusão traz informações e dicas para auxiliar no atendimento mais inclusivo, acessível, respeitoso e humanizado.
Mais do que o cumprimento das normas legais, o atendimento à pessoa com deficiência visual envolve comprometimento genuíno com a acessibilidade, o respeito e a valorização da autonomia. A premissa principal, e que vale a todos os tipos de deficiência, é que a deficiência não define a totalidade do indivíduo, sendo apenas uma das características.
Antes de começar o atendimento, lembre-se: é importante interagir de forma respeitosa, dirigindo-se diretamente à pessoa com deficiência visual — nunca falando apenas com o acompanhante, por exemplo. O uso de linguagem objetiva e cotidiana, no tom normal de voz, sem infantilização ou superproteção, e o oferecimento de ajuda de forma assertiva (sempre perguntando antes se a pessoa deseja apoio) são pontos essenciais para uma abordagem inclusiva.
Confira algumas acessibilidades importantes para atendimento da pessoa com deficiência visual:
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Comunique a sua aproximação, que pode ser feita com um cumprimento, em distância confortável, fazendo a pessoa com deficiência visual perceber a sua chegada. Isso evita que a aproximação abrupta possa gerar sustos ou desconfortos.
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Identifique-se! Diga seu nome. Mesmo que você seja uma pessoa conhecida, a pessoa com deficiência visual não necessariamente reconhecerá sua voz, principalmente se vocês não se encontram com frequência ou se estiverem em ambiente ruidoso.
Forneça sua autodescrição e a audiodescrição do ambiente em que se encontram. Isso ajuda a pessoa com deficiência visual a obter uma noção espacial do lugar. É importante informar sobre desníveis, degraus, sanitários e saídas de emergência, sempre referenciando a localização à pessoa com deficiência. Exemplo: “Para chegar ao sanitário, você deverá descer três degraus que estão a sua direita.”
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Durante o atendimento, se esse envolver deslocamento, ofereça o braço, mantendo-o próximo a seu próprio corpo, para que a pessoa com deficiência visual possa ela mesma segurá-lo, acima do cotovelo ou em seu ombro, e deslocar-se com a sua ajuda. Essa posição favorece que ela perceba obstáculos e desníveis a partir da movimentação natural do seu corpo, ao subir ou descer degraus, por exemplo. Informe ainda sobre os obstáculos e sobre os acontecimentos visuais de maneira objetiva durante o deslocamento.
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Ao se afastar da pessoa com deficiência visual, despeça-se e informe que irá se retirar da proximidade. Isso evita que a pessoa com deficiência visual fale ou gesticule sozinha acreditando estar acompanhada de sua presença.
Sinalização do ambiente
Para garantir a autonomia da pessoa com deficiência visual, o ambiente deve contar com a sinalização em braile e com pisos táteis.
Os computadores devem possuir leitores de tela, aplicativos de navegação assistida e softwares de reconhecimento de texto de forma a ampliar a independência de pessoas com deficiência visual.
O TJDFT disponibiliza, nos polos de atendimento aos jurisdicionados, leitores de tela atualizados. Eles podem ser configurados para uso dos(as) servidores(as) e da população em geral.
Atendimentos virtuais
Em relação aos atendimentos virtuais, vale lembrar que as pessoas com deficiência visual utilizam os seus próprios leitores de tela, que, por vezes, serão ouvidos pelos demais participantes. Esse recurso é essencial para que a pessoa se manifeste e tenha acesso a todas as informações que julgar importantes para a sua ampla participação.
Em relação à produção de documentos que envolvam gráficos e imagens, é importante que seja feita a audiodescrição das imagens e dos gráficos em texto alternativo. O arquivo deve ser salvo em formato que seja compatível ao leitor de tela usado pela pessoa com deficiência.
Lembre-se: perguntar à pessoa em qual formato o documento deve ser salvo para facilitar a acessibilidade faz parte do bom andamento do atendimento e da inclusão da pessoa com deficiência visual. Arquivos em PDF, por exemplo, precisam ser salvos em configuração acessível e não em formato de imagem não editável.
Locomoção
É importante ainda conhecer os significados das cores das bengalas utilizadas para a locomoção das pessoas com deficiência visual:
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Bengala Branca -identifica pessoas cegas, ou seja, com ausência total ou percepção visual mínima.
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Bengala Verde - sinaliza pessoas com baixa visão e que possuem alguma capacidade visual residual.
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Bengala Vermelha e Branca - indica pessoas surdocegas, que possuem comprometimento tanto da audição quanto da visão. Nesse caso, entre os recursos de acessibilidade a serem ofertados, pode haver a necessidade de intérpretes de Libras para comunicação tátil.
Promover a inclusão é um processo contínuo de aprendizado, escuta ativa e transformação de atitudes. Ao reconhecermos e valorizarmos a diversidade, estamos não apenas garantindo direitos, mas construindo uma sociedade mais justa para todos. A empatia é a base de qualquer relação verdadeiramente inclusiva.
Clique aqui e confira as Sementes da Inclusão publicadas pelo TJDFT.