Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios

Informativo de Jurisprudência nº 140

As notas aqui divulgadas foram colhidas nas sessões de julgamento e elaboradas pelo Grupo de Apoio da SUDJU, não se constituindo repositório oficial da jurisprudência deste Tribunal. O conteúdo efetivo das decisões resumidas deverá ser obtido quando das publicações no Diário da Justiça.

Período: 07 de janeiro a 15 de fevereiro de 2008

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Conselho Especial

AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE - LEI COMPLEMENTAR DISTRITAL

É privativa do Governador do Distrito Federal a iniciativa de leis que interferem na administração dos bens do DF. Desse modo, o Tribunal declarou a inconstitucionalidade formal da Lei Complementar Distrital nº 393/2001 de autoria de Deputado Distrital que dispôs sobre elaboração de Projeto Urbanístico Especial na Região Administrativa de Ceilândia/DF, alterando a destinação de áreas públicas para uso de estacionamento, residência e doações para diversas igrejas. A inconstitucionalidade material também foi reconhecida por violação ao princípio da obrigatoriedade de licitação, bem como por ofensa ao princípio da impessoalidade consubstanciada na indevida dispensa de processo licitatório para a doação de áreas públicas para várias igrejas.

 

20040020051978ADI, Rel. Des. VAZ DE MELLO. Data do Julgamento 29/01/2008.

Câmara Criminal

CONFLITO DE COMPETÊNCIA - CRIME CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA

Havendo divergências quanto à tipificação da conduta dos delitos descritos na Lei nº 8.137/1990, há que se averiguar se houve ou não a consumação do fato, já que a conduta prevista no art. 2º, I, do referido diploma legal é modalidade de tentativa de supressão ou redução de tributos descritos nos incisos do art. 1º da supracitada lei. Entretanto, se o fato noticiado chegou a constituir inscrição na dívida ativa é porque o fato se consumou. Assim sendo, a conduta supostamente praticada enquadra-se naquela descrita no art. 1º, IV, da aludida lei, sendo competente para a sua apreciação a Vara Criminal comum em razão da pena máxima prevista em abstrato.

 

20070020144457CCP, Relª. Desa. Convocada GISLENE PINHEIRO. Data do Julgamento 21/01/2008.

1ª Câmara Cível

VEÍCULO ZERO QUILÔMETRO - INDENIZAÇÃO POR DESVALORIZAÇÃO DO VEÍCULO DECORRENTE DE DEFEITO DE FÁBRICA

A ausência de comprovação da depreciação de veículo zero quilômetro adquirido com pequenos defeitos de fábrica impede a concessão de indenização, pois, constatados os vícios no acabamento do automóvel, esses não são suficientes para gerar a sua desvalorização. O voto minoritário foi no sentido de conceder a indenização, haja vista que por mais que a depreciação seja mínima não significa que seja irrisória, sendo, desse modo, devida no patamar de 20% do valor de mercado do veículo. Maioria.

 

20010110392563EIC, Rel. Des. NATANAEL CAETANO. Des. Convocado LUÍS GUSTAVO - voto minoritário. Data do Julgamento 28/01/2008.

1ª Turma Criminal

PRONÚNCIA - CABIMENTO DA QUALIFICADORA DE RECURSO QUE IMPOSSIBILITOU A DEFESA DA VÍTIMA

A qualificadora do crime de homicídio somente pode ser excluída da sentença de pronúncia quando, de forma incontroversa, for manifestamente improcedente. Assim, restando evidenciado que, na ocasião dos disparos, a vítima foi alvejada nas costas e encontrava-se sentada no banco do motorista do veículo, fazendo algumas anotações, cabível é qualificadora do recurso que impossibilitou a defesa da vítima, devendo a incerteza sobre a situação fática - ocorrência ou não da qualificadora - ser dirimida pelo Tribunal do Júri.

 

20071010033889RSE, Rel. Des. Convocado CÉSAR LOYOLA. Data do Julgamento 24/01/2008.

VIOLÊNCIA DOMÉSTICA - CONDIÇÃO DE PROCEDIBILIDADE

Considerando que o art. 16 da Lei n° 11.340/2006 disciplina que a renúncia à representação só será admitida perante o juiz, em audiência especialmente designada para tal finalidade, antes do recebimento da denúncia e ouvido o Ministério Público, necessária é a representação da vítima como condição de procedibilidade. Entretanto, na espécie, verificando-se que no inquérito policial não havia representação da vítima e que ao comparecer em juízo declarou não ter interesse no prosseguimento do feito, deve ser reconhecida a ausência de condição de procedibilidade para o exercício da ação penal.

 

20070020152921HBC, Relª. Desa. Convocada GISLENE PINHEIRO. Data do Julgamento 31/01/2008.

2ª Turma Criminal

CRIMES MILITARES PRATICADOS CONTRA CIVIL - INAPLICABILIDADE DE SUSPENSÃO CONDICIONAL DO PROCESSO E DO PERDÃO JUDICIAL

A Emenda Constitucional nº 45/2004, ao acrescentar o § 5º no art. 125 da Constituição da República, delegou a competência para processamento e julgamento dos crimes militares praticados contra civil da esfera colegiada das Auditorias Militares para a esfera singular do juiz de direito do juízo militar, permanecendo a matéria no âmbito da Justiça Militar. Sendo assim, não há que se falar em suspensão condicional do processo, vez que incólume a inaplicabilidade das disposições da Lei dos Juizados Especiais no âmbito da Justiça Castrense (art. 90-A da Lei nº 9.099/1995). Quanto ao pleito referente ao perdão judicial também deve ser afastado, vez que o instituto supracitado, previsto no § 5º do art. 121 do Código Penal, constitui figura estranha ao Direito Penal Militar, conforme já decidido pelo Superior Tribunal Militar.

 

20050110601036APR, Rel. Des. VAZ DE MELLO. Data do Julgamento 31/01/2008.

AUTORIZAÇÃO DE VISITAS DE MENORES - COMPANHEIRO DA GENITORA

A Portaria nº 002/2002-VEC/DF permite o acesso de crianças maiores de 5 anos a estabelecimentos prisionais para visitar o pai ou a mãe presos, desde que acompanhadas por um dos genitores ou por quem detenha a guarda legal, e que sejam apresentados ao diretor do presídio os documentos que comprovem tais circunstâncias. No caso de menores que desejem visitar o padrasto, companheiro da genitora, a autorização de visitas fica condicionada à comprovação, perante a autoridade competente, da filiação e idade dos enteados, bem como da convivência em união estável entre o preso e a mãe das crianças.

 

20070020012325RAG, Rel. Des. Convocado CÉSAR LOYOLA. Data do Julgamento 07/02/2008.

1ª Turma Cível

DESCONSIDERAÇÃO INVERSA DA PERSONALIDADE JURÍDICA - MEDIDA EXCEPCIONAL

Admite-se a desconsideração inversa da personalidade jurídica para atingir os bens da sociedade que foi utilizada como escudo para manobras fraudulentas dos seus sócios no intuito de prejudicar direitos de terceiros. No entanto, em face da excepcionalidade, tal medida somente é admitida ante a comprovação da fraude, simulação ou do abuso do direito por parte dos sócios. O voto minoritário foi no sentido de que ao decidir pedidos de desconsideração formulados em sede de processo de execução, não parecem exigíveis sequer provas ou indícios que dependam de cognição. Bastaria a simples demonstração da plausibilidade do pedido de desconsideração. Desse modo, o princípio da ampla defesa e o contraditório, com os meios de provas a eles inerentes, terminariam por atender ao interesse processual do credor insatisfeito e assim restaria observado o primado constitucional agasalhado pelo art. 5º, inc. XXXV. Maioria.

 

20070020129032AGI, Rel. Des. NATANAEL CAETANO. Des. Convocado CARLOS RODRIGUES - voto minoritário. Data do Julgamento 30/01/2008.

3ª Turma Cível

ALTERAÇÃO UNILATERAL DE CONTRATO DE PREVIDÊNCIA PRIVADA - DANO MORAL

Entendeu-se, na espécie, que a alteração unilateral de contrato de previdência privada complementar, transformando-o em contrato de seguro de vida, sem fazer a devida comunicação aos interessados, gerou dano moral. Apesar de tratar-se de inadimplemento contratual, que, em regra, não gera dano moral, "in casu", o mal causado teria extrapolado o mero desconforto ou dissabor, vez que a contratante pagou durante trinta anos o que acreditava ser um plano de previdência privada e, no momento de aposentar-se, viu frustrada a expectativa de receber a complementação financeira de seus rendimentos após sua aposentadoria. O voto minoritário foi no sentido de que o mero descumprimento contratual, por si só, não gera indenização por danos morais, porquanto o dano moral indenizável é aquele capaz de ocasionar ofensa fora do normal à personalidade. Maioria.

 

20060110157189APC, Relª Designada Desa. NÍDIA CORRÊA LIMA. Des. MARIO-ZAM BELMIRO - voto minoritário. Data do Julgamento 30/01/2008.

4ª Turma Cível

EMBARGOS À ARREMATAÇÃO - ROL TAXATIVO

A ausência de intimação do cônjuge do devedor sobre a data da hasta pública não constitui previsão ensejadora do manejo de embargos à arrematação. Desse modo, ajuizados, pois, sob esse fundamento, devem ser liminarmente rejeitados, em observância ao rol taxativo da lei processual civil. O voto minoritário entendeu que os embargos à arrematação, visando desconstituí-la, sob alegação de nulidades, têm natureza de ação cognitiva, semelhante à da ação anulatória, devendo ser recebidos e processados como ação autônoma, em homenagem aos princípios da instrumentalidade das formas e da economia processual. Maioria.

 

20060110810352APC, Relª. Desa. MARIA BEATRIZ PARRILHA. Des. CRUZ MACEDO - voto minoritário. Data do Julgamento 12/12/2007.

5ª Turma Cível

PENHORA - FUNDO PARTIDÁRIO

Não há na legislação de regência dos partidos políticos - Lei nº 9.096/1995, alterada pela Lei nº 9.259/1996 - proibição de bloqueio judicial dos recursos depositados em fundo partidário, vez que à Justiça Eleitoral compete, tão-somente, a distribuição dos recursos depositados na conta especial dos partidos políticos. Assim sendo, determinou-se que a penhora seja limitada a 30% (trinta por cento) do montante depositado no aludido fundo, de modo a não restar inviabilizada a atuação do partido político.

 

20070020116457AGI, Rel. Des. LECIR MANOEL DA LUZ. Data do Julgamento 28/11/2007.

MINISTÉRIO PÚBLICO - EXCEÇÃO DE INCOMPETÊNCIA RELATIVA

O Ministério Público não tem legitimidade para a oposição de exceção de incompetência relativa nos processos em que atua como "custus legis" e em que as partes são maiores e plenamente capazes.

 

20070020101432AGI, Relª. Desa. HAYDEVALDA SAMPAIO. Data do Julgamento 05/12/2007.

Legislação

FEDERAL

No DOU do dia 28 de dezembro de 2007 foi publicada a Lei nº 11.636, que dispõe sobre as custas judiciais devidas no âmbito do Superior Tribunal de Justiça - STJ. Dentre outras disposições, de acordo com o seu art. 5º, exceto em caso de isenção legal, nenhum feito será distribuído sem o respectivo preparo, nem se praticarão nele atos processuais, salvo os que forem ordenados de ofício pelo relator.




Publicada no dia 22 de janeiro de 2008 a Medida Provisória nº 415, que proíbe a comercialização de bebidas alcoólicas em rodovias federais.



Publicada no dia 1º de fevereiro de 2008 a Medida Provisória nº 417, que altera e acresce dispositivos à Lei nº 10.826, que dispõe sobre registro, posse e comercialização de arma de fogo e munição, sobre o SINARM e define crimes.

DISTRITAL

No DODF do dia 21 de dezembro de 2007 foi publicado o Decreto nº 28.606, que regulamenta os serviços funerários do Distrito Federal.


Foi publicada no dia 24 de novembro a Lei nº 4.057, que torna obrigatória a instalação de equipamentos de informática adequados ao uso de pessoas portadoras de necessidades especiais nas agências e postos bancários do Distrito Federal.

No mesmo dia 24 foi publicada a Lei nº 4.058, que dispõe sobre o uso obrigatório do sistema de segurança baseado em monitoramento por meio de câmeras de vídeo nas escolas públicas do DF, ficando vedada, de acordo com o art. 3º, a instalação em banheiros, vestuários ou dos locais reservados a privacidade individual, bem como em salas de aulas, salas de professores, secretarias, cantinas e outros ambientes de acesso restrito.

Ainda no mesmo dia foi publicada a Lei nº 4.060, que define sanções a serem aplicadas pela prática de maus-tratos a animais. De acordo com o art. 1º, a prática de maus-tratos a animais verificada em local público ou privado, seja o infrator proprietário ou não, resultará na aplicação de multa, sem prejuízo de outras cominações legais.



No DODF do dia 31 de dezembro de 2007 foi publicada a Lei nº 4.067, que dispõe sobre a cobrança proporcional ao tempo efetivamente utilizado pelo serviço de estacionamento de veículos em estabelecimento destinado ao aluguel de vagas. De acordo com o art. 1º, a proporcionalidade será calculada de acordo com a fração de hora utilizada.



Ainda no mesmo dia foi publicada a Lei nº 4.075, que dispõe e reestrutura a carreira de magistério público do Distrito Federal.



No dia 07 de janeiro de 2008 foi publicada no DODF a Lei nº 4.079, que dispõe sobre a reserva de vagas para apenados em regime semi-aberto e egressos do sistema penitenciário nas contratações para prestação de serviços com fornecimento de mão-de-obra à Administração Pública do DF.



No mesmo dia foi publicada a Lei nº 4.081, que dispõe sobre a qualificação de entidades como Organizações Sociais no âmbito do Distrito Federal.



Ainda no mesmo dia foi publicada a Lei nº 4.083, que proíbe a cobrança de taxa por emissão de carnê ou boleto bancário por instituições como imobiliárias, escolas, condomínios, empresas de fornecimento de água, energia e telefonia, entre outras.




No dia 29 de janeiro de 2008 foi publicada a Lei Complementar nº 755, que define critérios para ocupação de área pública no DF mediante concessão de direito real de uso e concessão de uso.




Publicada no dia 1º de fevereiro de 2008 a Lei nº 4.088, que proíbe o ingresso de menores de 18 anos em eventos de qualquer natureza, denominados open bar, que permitam a livre distribuição de bebidas alcoólicas. De acordo com o disposto no parágrafo único do art. 1º, a proibição de que trata a Lei não se aplica ao menor devidamente acompanhado pelos pais ou responsáveis legais.



Ainda no mesmo dia foi publicada a Lei nº 4.092, que dispõe sobre controle da poluição sonora, os limites máximos de intensidade da emissão de sons e ruídos resultantes de atividades urbana ou rurais no âmbito do DF.

Informativo

VICE-PRESIDÊNCIA

VICE-PRESIDÊNCIA - DES. ROMÃO CÍCERO DE OLIVEIRA
Secretaria de Jurisprudência e Biblioteca/SEBI - BRUNO ELIAS DE QUEIROGA
Subsecretaria de Doutrina e Jurisprudência/SUDJU - LÍDIA MARIA B MOURA
Grupo Responsável pelo Informativo de Jurisprudência:
Adriana Aparecida Caixeta / Alessandro Soares Machado / Ana Cláudia Nascimento Trigo de Loureiro / Cleomirce Heroína de Oliveira / Débora Raquel da Silva Dias / Flávia de Castro Moraes / Francisco Martins Costa / Isabella Debs Goulart / Judith de Andrade Zoehler Santa Helena / Lucicleide Maria de Lima Santos Rios / Marcelo Fontes Contaefer /Maria de Fátima Pontes Leal Dias / Maurício Dias Teixeira Neto / Michelle Soares de Loiola / Milene Marins Ramos da Silva / Patrícia Lopes da Costa / Rafael Arcanjo Reis / Raquel Papandrea Vieira / Susana Moura Macedo / Suzana Chagas Vasconcelos / Virgínia Nunes Feu Rosa Pedrosa / Waldir Monteiro da Silva Júnior.

E-mail: jurisprudencia@tjdf.gov.br

 

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