Adoção dá novo sentido ao Dia das Crianças de famílias do DF

por Daphne Arvellos e João Aurélio de Abreu — publicado 2019-10-11T17:35:17-03:00

Dia das crianças.jpgEm 2019, 48 crianças e adolescentes foram adotados até o momento no Distrito Federal e terão um Dia das Crianças diferente neste ano. Eles se somam a histórias de adoção intermediadas pela Vara da Infância e da Juventude do DF (VIJ-DF) que permitem novos sentidos à data. São casos como o do menino José Mateus, que vai passar o primeiro Dia das Crianças com sua nova família, o casal Roseane e Vilson João Badu.

“Antes de termos nosso pequeno, o Dia das Crianças era um dia a ser celebrado junto com as famílias de parentes e amigos, com foco nas crianças deles. O dia 12 de outubro era um dia de assistirmos a felicidade dos outros com seus filhos”, relatam. A situação mudou com a chegada do José Mateus, adotado pelo casal com apenas oito meses de idade, portador de esquizencefalia de lábios abertos. “Esperamos pacientemente por 20 anos para podermos vivenciar este dia de forma plena, como protagonistas desta tal felicidade”, comemora Roseane.

Depois da longa espera, provocada pelos afazeres profissionais, o casal só pensa em promover alegria e bem-estar para seu filho: “Queremos sim festejar este primeiro Dia das Crianças de José Mateus com brinquedos novos, festas, parentes, amigos e muitas crianças”. No entanto, ele ganhará muito mais que brinquedos: “Queremos, acima de tudo, que ele perceba o quão é amado. O quão foi desejado e esperado. Ele chegou para transformar nossos dias em dias coloridos como num constante Dia das Crianças”, comenta emocionada a mãe do menino.

Além do que se vê

familia_erivaldoejoao.jpgA data também ganhou marca na família de Erivaldo Peixoto e João Ramalho. Em 2017, o casal adotou os irmãos Leonardo (hoje com 10 anos) e Maria Clara (hoje com 13). “Quando a gente estava na fila, o Dia das Crianças não era um dia sobre o qual a gente pensava; não tinha um significado tão forte pra gente como o Dia dos Pais, por exemplo”. Como as crianças chegaram ao novo lar em agosto, o Dia das Crianças daquele ano foi escolhido para aproximá-los da família e de amigos, com um evento em casa. “O pessoal veio conhecer o Léo e a Maria Clara, trouxeram seus filhos, eles brincaram bastante, fizeram os amiguinhos e a apresentação foi natural”, conta Erivaldo.  

O pai relata que a data não é associada a brinquedos na família. Aproveitam para fazer o que as crianças gostam, como brincar, ir à praia. “Eles nem pedem muito brinquedo não. A gente não incentiva isso. Na verdade, criança gosta de festa, de bagunça. Isso que anima, mais que o presente, que a data em si, é estar sempre brincando”, completa Erivaldo.

renata.JPGNa casa de Renata Pereira, os presentes também são secundários. Ela conta que os momentos são mais valorizados, em todas as circunstâncias, assim como na data comemorativa. “Até trocamos presentes, mas valorizamos muito mais as experiências”, relata. Ela e o marido, Bernardo Filho, adotaram, em 2018, um grupo de quatro irmãos: Davi (11), Samira (10), Raphael (7) e Gabriel (5) – idades atuais. Isso não quer dizer que o Dia das Crianças não seja representativo para eles: “Agora é diferente, a casa cheia, a família completa”, afirma Renata.

A data este ano vem com mais experiências. “Os meninos vão comemorar o Dia das Crianças lá no trabalho. Brincar, ter atividades, conhecer as estações de trabalho. No colégio também tem uma semana diferenciada”, conta. Em casa, também terão uma vivência especial. “Não vamos dar presente. Daremos um dinheirinho para cada um comprar “coisas gostosas” no supermercado. Aqueles doces, chips ou biscoitos que normalmente não compramos”, brinca a mãe.

Conheça as famílias no vídeo: 

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Aproximando sonhos de famílias

Kaleb com play.jpgAs escolhas de adoção das famílias desta matéria não correspondem à da maioria dos pretendentes no Distrito Federal, que esperam por recém-nascidos, crianças saudáveis e sem irmãos. Para sensibilizar famílias que sejam aptas para adoção tardia, de grupos de irmãos e daqueles com problemas de saúde, a VIJ-DF lançou, em maio deste ano, o projeto Em Busca de um Lar.

Das sete crianças e adolescentes já cadastrados na iniciativa, cinco estão em estágio de aproximação com famílias interessadas em adotá-los. Outras cinco famílias entraram com processo de habilitação para perfis semelhantes aos dos inseridos no projeto. Atualmente integram o projeto, e ainda não têm famílias pretendentes, o adolescente Mateus, de 14 anos, e o menino Kalleb, de 6.

Matheus_play.JPGNa busca desse propósito, o projeto trabalha com a produção de vídeos e imagens para serem veiculados no site do TJDFT e nas redes sociais da iniciativa, em que há o protagonismo de crianças e adolescentes aptos para adoção, compartilhando os seus desejos e sonhos com a sociedade.

Todo material de divulgação conta com a prévia preparação emocional e concordância dos participantes e de seus guardiões institucionais, além de expressa autorização judicial. Conheça os resultados do Em Busca de um Lar e acompanhe as novidades na página, no Facebook e no YouTube do projeto.