Clarissa D'Almeida
"Não tem reconhecimento maior do que ver a evolução de uma criança"
A vocação para o serviço voluntário faz parte do perfil da fonoaudióloga Clarissa D’Almeida. Ela atende crianças e adolescentes do programa social da Rede Solidária Anjos do Amanhã, desenvolvido pela Vara da Infância e Juventude do Distrito Federal (VIJ-DF). Formada fonoaudióloga pela Universidade Católica de Pernambuco, Clarissa sempre teve uma atuação voltada para o voluntariado. Depois de sair de sua terra natal e vir para Brasília, sentiu falta do trabalho voluntário, e o programa Anjos do Amanhã lhe abriu as portas para o retorno à atividade que tanto gosta.
“Já há um tempo que eu não trabalhava como voluntária. Por questão mesmo do tempo que eu não tinha para isso. Quando eu vi a facilidade de auxiliar uma criança que precisava de um atendimento fonoaudiólogo, no meu consultório, eu achei fantástico”, comenta Clarissa.
Ela começou como recreadora para crianças com deficiência, na capital de Pernambuco. Essa atividade fez surgir uma paixão: trabalhar para a reabilitação de crianças deficientes. Já em Brasília, atuou em uma instituição voltada para pessoas com Síndrome de Down, em Águas Claras, com o pessoal da ONG Aconchego, que desenvolve ações em prol da convivência familiar e comunitária de crianças e adolescentes em acolhimento institucional. Ao todo, Clarissa é como voluntária há mais de 16 anos.
Ela começou o seu trabalho como voluntária para adquirir experiência nos atendimentos clínicos; mas ao perceber a satisfação das pessoas que atendia e que não teriam condições de arcar financeiramente com o tratamento, além de ver o seu trabalho reconhecido, acabou optando por manter o trabalho voluntário. “As crianças chegam sorrindo tristes no consultório, por uma séria de questões, mas já na segunda sessão você vê uma criança diferente, porque o acolhimento para ela faz toda a diferença. É realmente uma resposta à minha profissão e isso me faz me sentir uma boa profissional”, comenta Clarissa.
A fonoaudióloga elogia o programa Anjos do Amanhã. “Eu percebi que há uma estrutura muito boa nesse projeto, existe uma facilidade na rede de contatos. Uma das crianças que atendo não teria condição de vir de carro porque mora longe. Mas o projeto dá um jeito para isso. O trabalho não é só o meu, há uma equipe por trás disso, e isso me fascinou. Uma estrutura forte. Às vezes eu não consigo falar com o paciente e o projeto faz o contato, há um suporte. Foi o que me fez continuar”.
Clarissa não poupa elogios à equipe do Anjos do Amanhã. “Eu vejo nas pessoas envolvidas um cuidado com a criança, que passa a ter uma identidade. Ela não é apenas uma paciente, não é uma folha, não é um papel, tem todo um cuidado. Antes mesmo da criança chegar aqui, eu já a conhecia. Tem esse diferencial, o meu paciente é cuidado antes de chegar aqui. Ele passa por uma avaliação, tem tratamento paralelo, tem psicoterapia. Isso faz muita diferença e nos motiva a continuar a desenvolver esse trabalho voluntário”.
“Não tem reconhecimento maior do que ver a evolução de uma criança. Uma das meninas que comecei a atender chegou aqui sem falar, com trauma, e hoje eu até brinco: pode parar de falar. Então essa é a diferença, de você ver a evolução da criança, é aí que está o reconhecimento do seu trabalho”, comenta emocionada a fonoaudióloga Clarissa.