Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios
Elisa Walleska Krüger

Elisa Walleska Krüger

Voluntariado: experiência recompensadora

por Alessandra — publicado 10/03/2016

Voluntária da Rede Solidária Anjos do Amanhã desde 2010, Elisa Walleska Krüger afirma que a experiência tem sido recompensadora. “É um erro achar que o voluntário trabalha de graça. O que recebemos em termos de reconhecimento e aprendizado, entre outras coisas, é infinitamente superior a qualquer tipo de remuneração financeira”, afirma.

Elisa conheceu o programa de voluntariado da Vara da Infância e da Juventude do DF – VIJ pelo site do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios – TJDFT e decidiu se cadastrar. Doutora em Psicologia Clínica e Cultura e especialista em Psicologia Jurídica,a voluntária realiza avaliações psicológicas, perícias e laudos que dão suporte aos processos da VIJ. No início, Elisa prestava atendimento como psicoterapeuta individual para alguns jovens que cumpriam medida socioeducativa no antigo Caje. 

“Minha experiência com adolescentes em conflito com a lei foi um divisor de águas para que eu me tornasse perita forense. Acho que nossos jovens precisam de um olhar humanizado, que pense os contextos do desenvolvimento da violência. A atuação com famílias em processos de guarda também me sensibiliza muito. E a troca de experiências com os colegas profissionais é extremamente enriquecedora”, relata a voluntária. 

Na visão de Elisa, o voluntariado não é uma forma de suprir deficiências do governo, mas uma filosofia de vida. “É quando nos colocamos à disposição dos outros, numa troca humanitária”, diz. Na Rede Solidária Anjos do Amanhã, a voluntária quis atuar principalmente com jovens em conflito com a lei. “Creio que precisamos de mais cuidado e atenção com eles e não de leis mais duras e rígidas. Nossa juventude tem pedido socorro”, ressalta. 

Recentemente, ela ministrou para servidores da Justiça Infantojuvenil do DF o curso “HCR-20 – Avaliação de risco de violência”, também como voluntária. Segundo Elisa, a partir desse curso, surgiu a ideia de manter a regularidade dessas aulas. A intenção é oferecer turmas semestrais, com temas voltados ao interesse desses servidores e dos demais serviços interligados à Justiça da Infância e da Juventude, como as entidades de acolhimento e as unidades de medidas socioeducativas.

Durante o tempo em que cursou o ensino médio na Europa, Elisa percebeu que lá o voluntariado é algo presente entre a população. “Adotei esta filosofia e fui voluntária de algumas instituições no Brasil”, diz. Ela já foi voluntária no Hospital de Clínicas de Curitiba e no Hospital Israelita Albert Einstein em São Paulo. Hoje em dia, coordena o Grupo Personna, que atua prestando diversos serviços voluntários para o sistema judiciário do DF, especialmente para o Ministério Público – MPDFT e o TJDFT. 

“Uma das minhas grandes alegrias foi ter conseguido transmitir esta noção para minha filha, advogada criminalista no Rio de Janeiro, que atuava junto à população carente em conflito com a lei”, conta. Para Elisa, o mundo carece de muita solidariedade, fraternidade e humanidade. “Vemos, hoje, toda uma geração que posta compaixão e bondade nas redes sociais, mas que é incapaz de uma atitude concreta e real”, pondera. 

Segundo Elisa, é preciso resgatar o amor ao próximo, a ética e o compromisso social. “Estamos nos desumanizando”, alerta. “Fazemos parte de uma comunidade e é nosso dever maior nos envolvermos com o próximo. Não basta rezar, é preciso agir”, afirma. 

Com a convicção de quem faz o que gosta, Elisa diz aos que pretendem seguir o voluntariado para não pensarem no quanto terão que dispor de seu tempo, sua energia, seus recursos, e sim em tudo o que vão receber. “Voluntariado faz bem para a saúde mental e emocional. Hoje, eu não saberia mais viver sem ajudar”, conclui.