Pílulas de Saúde
Celebrado em 4 de março, o Dia Mundial da Obesidade reforça a necessidade de compreender que essa condição envolve mecanismos complexos, incluindo alterações hormonais e inflamatórias, além de uma relação bidirecional com a saúde mental. Por isso, seu manejo exige uma abordagem integrada, não estigmatizante e voltada para resultados sustentáveis a longo prazo.
Outubro Rosa: informação e atenção ao próprio corpo fortalecem o diagnóstico precoce do câncer de mama.
No Outubro Rosa, campanha de conscientização promovida pelo Ministério da Saúde, a atenção se volta à prevenção e à detecção precoce do câncer de mama. Conhecer os fatores de risco, perceber mudanças nas mamas e realizar os exames indicados e perfil de risco são medidas que ampliam as possibilidades de identificar a doença em fases iniciais e eliminá-la.
O câncer de mama ocorre quando células da mama passam a se multiplicar de forma desordenada, podendo formar um tumor maligno e, em alguns casos, atingir outros tecidos e órgãos. Embora seja muito mais frequente entre as mulheres, também pode ocorrer em homens. Entre os principais sinais de alerta estão nódulo ou área endurecida na mama ou na axila, alteração no formato ou no tamanho da mama, retração do mamilo, saída espontânea de secreção e mudanças na pele, como vermelhidão, espessamento ou aspecto semelhante ao de “casca de laranja”. O surgimento de uma alteração persistente deve motivar avaliação profissional, independentemente da idade.
O desenvolvimento da doença não costuma ter uma causa única. O risco é multifatorial, mas aumenta com a idade e pode estar relacionado a fatores hormonais e reprodutivos, excesso de peso, consumo de bebidas alcoólicas, sedentarismo, maior densidade mamária e histórico familiar, além de determinadas alterações genéticas hereditárias. Ter um ou mais fatores de risco, porém, não significa que a pessoa necessariamente desenvolverá câncer de mama; da mesma forma, a doença também pode surgir em quem não apresenta fatores de risco conhecidos.
Mulheres com sintomas ou risco elevado devem ser avaliadas individualmente, sem esperar atingir determinada idade. Em relação ao antigo “autoexame das mamas”, a recomendação atual, de acordo com o INCA (Instituto Nacional do Câncer) não é realizar uma técnica padronizada em determinado dia do mês como método de rastreamento. A orientação é que a mulher conheça suas mamas e esteja atenta a mudanças durante situações habituais, como o banho ou a troca de roupa, procurando avaliação diante de algo diferente.
Para mulheres sem sinais ou sintomas e com risco habitual, o Ministério da Saúde recomenda mamografia de rastreamento a cada dois anos dos 50 aos 74 anos, mas mulheres de 40 a 49 anos também têm acesso à mamografia, após orientação sobre seus possíveis riscos e benefícios e decisão compartilhada com o profissional de saúde.
Quando o câncer de mama é diagnosticado, o tratamento é definido de acordo com características como o tipo e a extensão do tumor e pode incluir cirurgia, radioterapia, quimioterapia e terapia hormonal, entre outras abordagens. A identificação precoce favorece tratamentos mais oportunos e melhores resultados.
A prevenção, por sua vez, envolve justamente reduzir os fatores modificáveis. Manter o peso corporal adequado, praticar atividade física regularmente, ter alimentação equilibrada e evitar ou reduzir o consumo de bebidas alcoólicas contribuem para diminuir o risco de câncer. A amamentação também exerce efeito protetor contra o câncer de mama. Essas medidas não eliminam completamente a possibilidade de adoecimento, mas fazem parte de uma estratégia de cuidado que deve se estender por toda a vida.
Nesse contexto, o Outubro Rosa também ajuda a desfazer a ideia de que o cuidado com as mamas deve começar somente depois dos 40 ou 50 anos: a reportagem a seguir chama a atenção justamente para a ocorrência da doença em mulheres jovens e para a importância de não ignorar alterações suspeitas.
Outubro Rosa: HCP alerta que câncer de mama também pode atingir mulheres antes dos 40 anos
Francine Nascimento
30 de setembro de 2026
O câncer de mama não é uma doença restrita às mulheres mais velhas. Embora a idade seja um dos principais fatores de risco e a maioria dos casos ocorra após os 50 anos, mulheres jovens também podem receber o diagnóstico. É a partir desse alerta que o Hospital de Câncer de Pernambuco (HCP) desenvolve, neste ano, sua campanha de Outubro Rosa, com o mote “O câncer de mama não espera os 40. Você também não deve esperar”. Ao longo de outubro, serão divulgados conteúdos informativos sobre a doença no site hcp.org.br.br e redes sociais @sigahcp. A abertura da campanha contará com uma apresentação musical especial no jardim do HCP. Dois corais participantes do Festival Nacional de Corais estarão na instituição para um momento de música e integração com pacientes, acompanhantes, profissionais e colaboradores. Entre os grupos confirmados estão o Coral HLB-PE e o Coral Assut Bahia. Referência no atendimento oncológico, o HCP recebeu, segundo dados do Registro Nacional de Câncer, 1.139 pacientes com câncer de mama em 2023. No Brasil, o câncer de mama é o tipo de câncer mais incidente entre as mulheres, desconsiderando os tumores de pele não melanoma. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), são estimados 78.610 novos casos por ano no triênio 2026-2028, o equivalente a uma taxa de 71,57 casos novos para cada 100 mil mulheres. No cenário mundial, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que cerca de 2,3 milhões de pessoas foram diagnosticadas com a doença em 2022. Entre os sinais, estão o surgimento de nódulo ou caroço na mama ou na axila, alterações no formato ou tamanho da mama, retração ou inversão do mamilo, saída espontânea de secreção pelo mamilo e mudanças na pele, como vermelhidão, espessamento ou aspecto semelhante à “casca de laranja”. Alterações persistentes devem ser avaliadas por um profissional de saúde.
Um diagnóstico aos 29 anos
A paciente do HCP, Maria Carolina, de 30 anos, recebeu o diagnóstico de câncer de mama com 29 anos. Enquanto se auto examinava, sentiu um caroço estranho na mama esquerda. De imediato, veio o medo. “Eu fiquei muito assustada e rapidamente procurei um médico e exames para fazer. Pouco tempo depois, veio a certeza de que era o câncer de mama. Com a biópsia, fui encaminhada ao Hospital de Câncer, onde recebi todo o tratamento”. Carolina passou por quimioterapia e radioterapia. Durante o tratamento, enfrentou a queda dos cabelos e a redução da disposição física, mas seguiu em frente até concluir as etapas previstas. Importante ressaltar que o autoexame não substitui os exames de rastreio, como mamografia e ultrassonografia. No HCP, pessoas a partir dos 40 anos de idade podem fazer o exame de mamografia sem precisar ser paciente. O agendamento é feito online pelo site: hcp.org.br/outubrorosa.
Exames de rastreio
O rastreio é feito principalmente pela mamografia anual, indicada a partir dos 40 anos, enquanto mulheres mais jovens devem iniciar a avaliação com ultrassom mamário e, se houver histórico familiar, seguir orientação médica para exames complementares. Apesar de raro, o câncer de mama em homens representa cerca de 1% dos casos, com sintomas semelhantes.
Sobre o HCP
É uma instituição privada, sem fins lucrativos, referência no tratamento oncológico pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Como hospital filantrópico, depende de doações para manter a qualidade no atendimento, modernizar suas instalações e garantir o melhor tratamento aos pacientes. Para saber como ajudar, acesse: www.hcp.org.br.
Disponível em:
Demais referências:
- https://www.gov.br/inca/pt-br/assuntos/gestor-e-profissional-de-saude/controle-do-cancer-de-mama/acoes/deteccao-precoce
- https://www.gov.br/saude/pt-br/campanhas-da-saude/planos-de-midia/2025/campanha-outubro-rosa
- https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/c/cancer-de-mama
- https://www.gov.br/saude/pt-br/campanhas-da-saude/2025/outubro-rosa/acesse-as-pecas/cartaz-horizontal-campanha-outubro-rosa-mama-64x46cm.pdf
- https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/c/cancer/prevencao
- https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/pcdt/c/cancer-de-mama/view
Câncer entre jovens cresce de forma expressiva, com destaque para os tumores do intestino
Durante o mês da campanha de conscientização sobre o câncer de intestino (setembro verde), o crescimento dos diagnósticos entre adultos com menos de 50 anos reforça a necessidade de conhecer os fatores de risco, observar sinais persistentes e adotar hábitos que contribuam para a prevenção da doença.
O câncer colorretal, também chamado de câncer de intestino, compreende os tumores que se desenvolvem no cólon e no reto, partes do intestino grosso. Em muitos casos, a doença começa a partir de pólipos, que são alterações inicialmente benignas capazes de se transformar ao longo do tempo. Quando identificadas e retiradas precocemente, essas lesões podem impedir a evolução do tumor. A doença também apresenta maiores possibilidades de cura quando é diagnosticada antes de se espalhar para outros órgãos.
Entre os principais sinais de alerta estão a presença de sangue nas fezes, mudanças persistentes no funcionamento do intestino, como diarreia ou prisão de ventre, dor ou desconforto abdominal, sensação de evacuação incompleta, fraqueza, anemia e perda de peso sem causa aparente. Esses sintomas também podem ocorrer em condições benignas, mas precisam ser avaliados quando persistem, pioram progressivamente ou aparecem associados. A pouca idade não deve ser motivo para adiar a investigação médica.
O desenvolvimento do câncer colorretal pode estar relacionado à combinação de predisposição genética, histórico familiar, doenças inflamatórias intestinais e fatores ambientais ou comportamentais. Excesso de peso, sedentarismo, tabagismo, consumo de bebidas alcoólicas e alimentação com de carnes processadas e produtos ultraprocessados estão associados ao aumento do risco. Por outro lado, uma alimentação rica em frutas, verduras, legumes, cereais integrais e outras fontes de fibras contribui para a proteção da saúde intestinal.
Quando não é diagnosticada precocemente, a doença pode avançar, comprometer estruturas próximas e atingir outras regiões do organismo, processo denominado metástase. O tratamento é definido conforme a localização, o estágio do tumor e as condições clínicas de cada pessoa. Pode envolver cirurgia, quimioterapia, radioterapia, medicamentos direcionados a características específicas do tumor e imunoterapia. Em fases iniciais, a cirurgia pode ser suficiente, enquanto quadros mais avançados geralmente exigem a combinação de diferentes modalidades terapêuticas.
Assim, manter uma alimentação equilibrada, praticar atividade física regularmente, controlar o peso, não fumar, limitar o consumo de bebidas alcoólicas e de carnes processadas, bem como realizar o acompanhamento indicado conforme a idade e os fatores individuais são medidas importantes na redução do risco. Pessoas com casos de câncer colorretal na família ou condições que aumentam a predisposição à doença devem conversar com um profissional de saúde sobre a necessidade de iniciar a investigação mais cedo. Da mesma forma, qualquer sangramento ou alteração intestinal persistente deve ser avaliado, pois o diagnóstico precoce amplia as possibilidades de tratamento e cura.
Câncer em jovens: por que estão crescendo os casos antes dos 50 anos?
Por Bruno Bucis, da Agência Einstein
Diagnósticos em adultos crescem globalmente, e tudo indica que hábitos de estilo de vida são os principais fatores por trás do aumento
Os índices de câncer em pessoas jovens sobem a cada ano, e essa guinada tem colocado em xeque o fator de risco “idade” quando se pensa na prevenção da doença.
Embora a literatura científica ainda indique que a maioria dos tumores é mais incidente na população acima dos 50 anos, essa fronteira temporal parece estar se desmanchando.
O aumento de casos antes da quinta década de vida já é notado no Brasil. O Painel Oncologia BR, ferramenta do Ministério da Saúde, mostra um crescimento expressivo de diagnósticos em adultos, especialmente naqueles entre 40 e 50 anos.
De 2013 a 2025, o número de pacientes oncológicos triplicou no país, segundo a plataforma. Na população de 40 a 44 anos, os casos saltaram de 10.171 para 33.412 nesse período. Na faixa etária de 45 a 49 anos, o crescimento também foi significativo: de 15.213 para 39.906 casos em pouco mais de uma década.
Esse crescimento é registrado também em outros países. Um estudo publicado em abril na revista BMJ Oncology analisou a população inglesa entre 2001 e 2019 e descobriu que a incidência de 11 tipos de câncer tem aumentado em média entre 1% e 4% ao ano em adultos com menos de 50 anos.
O câncer colorretal teve o maior aumento proporcional: ocorria em menos de uma pessoa (0,9) a cada 100 mil e agora se manifesta em 1,6 a cada 100 mil.
Outro trabalho publicado no BMJ Oncology, esse em 2023, analisou 29 tipos de câncer em 204 países e identificou crescimento de 79% na incidência da doença em pessoas com menos de 50 anos, entre 1990 e 2019.
No mesmo período, as mortes relacionadas ao câncer antes dessa idade aumentaram 28%. Tumores de mama, pulmão, estômago e colorretal (intestino) são os que causam mais mortes nessa faixa etária, segundo a investigação.
Para especialistas, esses números mostram uma mudança epidemiológica que não pode ser atribuída apenas ao crescimento populacional ou à melhora nos sistemas de diagnóstico.
“O que estamos vendo é provavelmente uma mudança no perfil de algumas neoplasias. Até antes de 1980, o câncer era visto como um problema de idosos. Esse cenário vem se modificando, mas houve recentemente uma aceleração dessa transformação”, analisa o oncologista Oren Smaletz, do Einstein Hospital Israelita.
Ele destaca como exemplo o câncer colorretal. “Nos últimos dez anos, deixou de ser um tumor raro em pessoas de 20 a 49 anos para se tornar o câncer que mais causa mortes nessa faixa etária em homens nos Estados Unidos. Para as mulheres, fica atrás apenas do câncer de mama”, destaca.
O que está por trás do aumento?
Alguns tipos de tumor têm sido mais associados ao crescimento geral de casos, segundo pesquisa publicada na revista Military Medical Research em 2025 e que analisou dados de 36 países entre 2000 e 2017.
Em mulheres jovens, o crescimento foi mais expressivo em cânceres colorretal, de pâncreas e mieloma múltiplo. Em homens, o aumento foi mais observado em tumores de próstata, colorretal e renal. De acordo com a investigação, desde a virada do milênio, 10% dos casos globais da doença passaram a ocorrer em pessoas abaixo dos 50 anos, com projeção de crescimento contínuo para a próxima década.
Fatores de risco ligados ao estilo de vida pesam diretamente nessa realidade. “Provavelmente esse crescimento tem alguma relação com a expansão de vários fatores de risco, como a obesidade, o sedentarismo, o maior consumo de alimentos ultraprocessados, de álcool e outros carcinógenos na dieta”, observa a oncologista Clarissa Baldotto, presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC).
Novamente, o tumor colorretal ilustra bem a influência dos hábitos alimentares e de atividade física que influenciam na incidência do câncer. “A dieta mais ocidental, com suas carnes processadas, consumo de refrigerantes, bebidas açucaradas, tudo isso está comprovado em numerosos estudos que acaba aumentando o risco de ter câncer colorretal. Além do papel da obesidade, sedentarismo e até do tabagismo”, aponta o oncologista do Einstein.
Dieta pobre em fibras, com baixo consumo de frutas e verduras, e o aumento de pessoas com diabetes tipo 2 também têm sido associados ao disparo nos casos de câncer de intestino. O Instituto Nacional de Câncer (Inca) estima que 13% dos casos de câncer no Brasil estão relacionados ao excesso de peso.
Um estudo publicado na Cancer Epidemiology por pesquisadores do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp) em 2024 indica que dietas com alto teor de ultraprocessados aumentam em até 25% o risco de tumores digestivos.
A análise também revela uma mudança no perfil do câncer de mama no Brasil: a proporção de casos em mulheres com menos de 40 anos passou de 8% em 2009 para 22% em 2020, outra doença que acomete cada vez mais jovens.
Diagnóstico tardio e rastreamento inadequado
Além do aumento de casos em pessoas mais jovens, os estudos indicam que muitos recebem o diagnóstico em fases mais avançadas da doença. A explicação para isso vai além da biologia tumoral.
Pessoas mais jovens não estão inseridas nas faixas etárias contempladas pelos programas de rastreamento tradicionais. Apenas em 2025, por exemplo, o Sistema Único de Saúde (SUS) ampliou o acesso à mamografia para mulheres de 40 a 49 anos.
A ausência de protocolos específicos para adultos com menos de 50 anos cria uma janela em que sintomas são subestimados tanto por pacientes quanto por médicos. “A maioria das estratégias clínicas de prevenção era indicada para acima dessa idade”, explica Baldotto. “Isso levou uma boa parte da população mais jovem a se preocupar menos com câncer e, por isso, temos nos esforçado em divulgar sinais e fatores de risco além da idade.”
Muitas vezes, os jovens também ignoram sintomas clássicos e demoram a fazer investigações complementares. “No caso do câncer colorretal, recebemos pacientes com 35, 40 anos, há várias semanas observando sangramento retal, mas não se imagina que possa ser câncer. Até mesmo no atendimento médico, muitos especialistas tomam esse sinal como hemorroidas e deixam de fazer os exames apropriados nesses pacientes mais jovens”, analisa Oren Smaletz.
Além dos bons hábitos, é importante que pessoas com histórico familiar de câncer façam acompanhamento com maior frequência e relatem esse histórico em seus atendimentos. Isso também vale para aqueles com condições que elevam o risco de tumores, como doenças inflamatórias crônicas, obesidade, ou que tenham o hábito de fumar e beber.
Manifestações persistentes nunca devem ser descartadas sem investigação. “Sintomas que aparecem e vão se agravando ao longo do tempo não podem nunca ser ignorados. É importante ter um acompanhamento do médico regular que consiga te avaliar para fazer um diagnóstico mais precoce, já que isso aumenta as chances de cura em todos os casos”, afirma a presidente da SBOC.
Além disso, tão válido quanto o check-up é que médicos de diversas especialidades se atentem a possíveis casos. “Os médicos que atendam pacientes jovens com queixas que possam ser de câncer colorretal devam pensar neste diagnóstico como uma possibilidade e pedir os exames apropriados para confirmar ou descartar essa hipótese o mais rápido possível”, observa o médico do Einstein.
Disponível em:
Demais referências:
• Instituto Nacional de Câncer. Câncer de intestino.
https://www.inca.gov.br/tipos-de-cancer/cancer-de-intestino
• Instituto Nacional de Câncer. Câncer de intestino: versão para profissionais de saúde.
https://www.gov.br/inca/pt-br/assuntos/cancer/tipos/intestino/versao-para-profissionais-de-saude
• Organização Mundial da Saúde. Colorectal cancer.
https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/colorectal-cancer
• Organização Mundial da Saúde – Escritório Regional para a Europa. Prevenção e detecção precoce do câncer colorretal de início precoce.
https://www.who.int/europe/news-room/feature-stories/item/young-voices-in-science--tackling-early-onset-colorectal-cancer
Após registrar recorde em transplantes, Brasil segue firme na missão de engajar doadores.
Durante o Setembro Verde, campanha de conscientização promovida pelo Ministério da Saúde, a doação de órgãos ganha destaque como uma decisão capaz de salvar vidas. Apesar do recorde de transplantes alcançado pelo Brasil, a recusa familiar, as limitações estruturais e a necessidade de ampliar o diálogo sobre o tema ainda representam desafios para reduzir tempo de espera e salvar vidas de milhares de pessoas.
O transplante é um procedimento indicado quando um órgão ou tecido apresenta comprometimento grave e outros tratamentos já não são suficientes para preservar a vida ou recuperar determinada função. Rins, fígado, coração, pulmões, pâncreas e córneas estão entre os órgãos e tecidos que podem ser transplantados, de acordo com a condição clínica do paciente e com critérios técnicos definidos pelas equipes responsáveis.
Embora muitas pessoas relacionem o assunto apenas ao ambiente hospitalar, a necessidade de um transplante pode modificar profundamente o cotidiano de pacientes, familiares e trabalhadores. Consultas frequentes, exames, internações, tratamentos como a hemodiálise e períodos de afastamento profissional podem fazer parte da rotina de quem aguarda um órgão. Além do impacto físico, a espera costuma provocar insegurança, desgaste emocional e mudanças na organização financeira e familiar.
Nesse contexto, a prevenção e o acompanhamento adequado de doenças crônicas também merecem atenção. Controlar a pressão arterial e o diabetes, evitar o consumo de tabaco, moderar a ingestão de bebidas alcoólicas, praticar atividade física, manter uma alimentação equilibrada e realizar consultas periódicas são medidas que ajudam a proteger órgãos como, por exemplo. rins, coração e fígado. Embora esses cuidados não impeçam todas as condições que podem levar a um transplante, contribuem para reduzir riscos evitáveis e favorecer o diagnóstico precoce.
Ao mesmo tempo, ampliar o número de transplantes depende da identificação dos potenciais doadores, da existência de equipes e estruturas adequadas, da agilidade no transporte dos órgãos e, principalmente, da autorização familiar. No Brasil, manifestar em vida o desejo de ser doador não é suficiente para garantir a doação após a morte. Mesmo tendo a intenção de doação manifestada, após a morte, os médicos confirmam com os familiares a doação ou não. Por isso, conversar claramente com familiares é uma das atitudes mais importantes para que essa vontade seja conhecida e respeitada.
O Setembro Verde, que tem como marco o Dia Nacional da Doação de Órgãos, celebrado em 27 de setembro, reforça a importância desse diálogo. A reportagem apresentada a seguir mostra que o País recuperou sua capacidade de realizar transplantes após os efeitos da pandemia e alcançou um resultado histórico, mas ainda precisa enfrentar obstáculos antigos para transformar potenciais doações em novas oportunidades de vida para muitos.
Brasil registra recorde de transplantes após pandemia, mesmo com velhos problemas
Por Joyce Pezzato
Estagiária sob supervisão de Ferraz Junior e Gabriel Soares
Especialistas apontam que, apesar dos investimentos públicos e avanços tecnológicos, a recusa familiar e a falta de estrutura ainda limitam o acesso aos procedimentos
Mesmo com o recorde de transplantes, cerca de 45% das famílias ainda recusam a doação de órgãos
O Brasil alcançou, em 2025, um marco histórico na saúde pública ao realizar mais de 31 mil transplantes, o maior número já registrado no País. Entre os procedimentos, o transplante de córnea liderou as estatísticas, com mais de 17 mil cirurgias realizadas. Os números refletem a recuperação do Sistema Nacional de Transplantes (SNT) após os impactos provocados pela pandemia de covid-19 e os investimentos realizados nos últimos anos para ampliar a captação de órgãos, fortalecer as equipes e aprimorar a logística de distribuição em todo o território nacional. Apesar do avanço, velhos problemas ainda atrapalham.
Segundo o professor da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP e líder do Núcleo de Pesquisa em Fisiopatologia Ocular, Eduardo Melani Rocha, a pandemia provocou uma interrupção quase completa dos transplantes de córnea no País. “Nos anos da pandemia, principalmente em 2020, o número de doações, e consequentemente de transplantes de córnea, foi reduzido a quase zero. Havia o desconhecimento inicial sobre a possibilidade de transmissão da covid-19 para pacientes receptores e também para as equipes de saúde.”
O pesquisador explica que a retomada ocorreu de forma gradual e exigiu um grande esforço conjunto das equipes médicas e dos gestores públicos. “A recuperação foi lenta, gerando um enorme esforço das equipes e do governo para suprir a demanda reprimida. A fila também aumentou por causa do período parado. Houve demanda reprimida, aumento natural da demanda e um esforço para responder a esses problemas, o que acabou resultando nesse bom desempenho observado em 2025.”
Além da reorganização do sistema, o avanço tecnológico também contribuiu para ampliar o número de procedimentos. De acordo com Rocha, novas técnicas cirúrgicas permitiram tornar o transplante mais seguro e menos invasivo. “A tecnologia que permite fazer um transplante apenas da camada da córnea que está doente abreviou o tempo de cirurgia e também a recuperação pós-operatória. Isso encorajou médicos e pacientes a recorrerem a essa forma de tratamento para recuperar a visão.”
Na avaliação do médico intensivista e coordenador da Organização de Procura de Órgãos (OPO), complexo do Hospital das Clínicas da FMRP (HCFMRP-USP), Marcelo Bonvento, o desempenho histórico registrado em 2025 também é resultado da capacidade de resposta do sistema público brasileiro. “O sistema brasileiro de transplantes é extremamente ativo. Ele conta com profissionais e equipes que trabalham 24 horas por dia, garantindo assistência e apoio logístico para que os transplantes aconteçam.”
Segundo Bonvento, ainda durante a pandemia, o Sistema Nacional de Transplantes optou por manter os programas em funcionamento, diferentemente do que ocorreu em diversos países. “A recomendação foi que os transplantes fossem minimizados, mas não interrompidos. Essa estratégia foi fundamental para que o sistema pudesse se recuperar rapidamente e alcançar os resultados que vemos hoje.”
Dificuldades
Apesar do recorde, especialistas alertam que o sistema ainda enfrenta obstáculos importantes. Entre eles estão a elevada recusa familiar à doação de órgãos e tecidos e as desigualdades na oferta de bancos de olhos entre as diferentes regiões brasileiras.
Mesmo com os avanços, a recusa familiar ainda representa o principal desafio para ampliar o número de transplantes no País. Segundo Bonvento, cerca de 45% das famílias recusam a doação de órgãos. “Essa ainda é a nossa maior limitação. Precisamos sensibilizar a população, discutir o tema e mostrar o impacto que um transplante pode ter na vida de quem está esperando.”
O especialista destaca que o Brasil possui o maior sistema público de transplantes do mundo e reforça que conversar sobre doação ainda em vida é fundamental. “A chance de uma pessoa precisar de um transplante é cinco vezes maior do que a possibilidade de se tornar um doador. Por isso, é importante conversar com a família e deixar claro esse desejo. No momento da decisão é ela quem poderá autorizar a doação”, explica Bonvento.
Segundo Eduardo Melani Rocha, grandes centros urbanos ainda não possuem estrutura suficiente para realizar a captação de córneas. Além disso, o curto intervalo entre o óbito e a retirada do tecido torna essencial que a decisão da família seja rápida. “Uma pessoa, seja criança, adulta ou idosa, independentemente da causa da morte, pode doar as córneas e recuperar a visão de pelo menos duas outras pessoas. Mas essa decisão precisa acontecer em menos de 12 horas.”
Para reduzir as filas de espera, Rocha defende investimentos em três frentes principais: ampliar o funcionamento dos bancos de olhos, melhorar a logística de transporte de córneas entre diferentes regiões e fortalecer as equipes responsáveis pela captação. “É importante capacitar e incentivar essas equipes para que haja menos rotatividade profissional e mais valorização dessa atividade.”
Disponível em:
Demais referências:
• Ministério da Saúde. Campanha de Doação de Órgãos. Disponível em:
https://www.gov.br/saude/pt-br/campanhas-da-saude/2024/doacao-de-orgaos
• Ministério da Saúde. Campanha de doação de órgãos e tecidos alerta para a necessidade de diálogo sobre o assunto. Disponível em:
https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2024/setembro/campanha-de-doacao-de-orgaos-e-tecidos-alerta-para-a-necessidade-de-dialogo-sobre-o-assunto
• Ministério da Saúde. Com mais de 14 mil transplantes no primeiro semestre, SUS bate novo recorde em 2024. Disponível em:
https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2024/setembro/com-mais-de-14-mil-transplantes-no-primeiro-semestre-sus-bate-novo-recorde-em-2024
Ombro congelado: você sabe o que é?
Conhecida como “ombro congelado”, a capsulite adesiva pode dificultar atividades pessoais e profissionais e evoluir durante meses. Reconhecer os sinais e procurar avaliação precocemente ajudam a controlar a dor, preservar a funcionalidade e evitar limitações desnecessárias.
Ombro congelado: você sabe o que é?
Dor no ombro que persiste e, aos poucos, vem acompanhada de dificuldade para movimentar o braço pode ser sinal de capsulite adesiva, conhecida popularmente como “ombro congelado”.
A condição ocorre quando a cápsula que envolve a articulação do ombro sofre alterações que provocam dor, rigidez e perda progressiva de movimento. É mais frequente entre os 40 e 60 anos e ocorre tanto em homens quanto em mulheres, com maior frequência descrita entre elas.
E a menopausa?
A capsulite é frequente em mulheres na faixa etária em que ocorre a transição para a menopausa. Porém, não é possível afirmar que a menopausa, isoladamente, cause o ombro congelado.
Diabetes e alterações da tireoide também estão associadas a uma maior ocorrência da condição.
Fique atento aos sinais:
Observe se está ficando mais difícil:
• levantar o braço;
• vestir uma roupa ou pentear os cabelos;
• alcançar objetos acima da cabeça;
• colocar a mão atrás das costas.
Dor acompanhada de perda progressiva de movimento merece avaliação.
Cuidados no dia a dia
Não ignore uma perda de movimento que está piorando. Procure avaliação antes que a limitação passe a interferir nas atividades diárias.
Não force o ombro por conta própria. Movimentos agressivos podem aumentar a dor. Os exercícios devem respeitar a condição e a tolerância de cada pessoa.
Mantenha-se ativo dentro do que for confortável. Em casos de lesão, cirurgia ou imobilização, siga as orientações da equipe de saúde sobre quando e como movimentar o ombro.
Evite adaptar seus movimentos por muito tempo por causa da dor. Se você percebe que está usando cada vez menos um dos braços, procure orientação.
E a fisioterapia?
A fisioterapia pode contribuir para reduzir sintomas, recuperar movimentos e melhorar a função, com exercícios e estratégias escolhidas de acordo com a fase da condição e as características de cada pessoa. Seu ombro está doendo ou perdendo movimento? Não espere a limitação aumentar. Procure avaliação.
Prevenção ao suicídio: acolhimento e cuidado ganham novas diretrizes no Distrito Federal
O Setembro Amarelo é dedicado à conscientização sobre a prevenção do suicídio e à valorização da vida. Durante o mês, o Ministério da Saúde reforça a importância de reconhecer sinais de sofrimento emocional, oferecer escuta sem julgamentos e facilitar o acesso ao cuidado profissional. A prevenção envolve atenção a fatores como depressão, isolamento social, perdas, conflitos, dificuldades financeiras, doenças crônicas e uso prejudicial de álcool ou outras substâncias, além do fortalecimento dos vínculos familiares, sociais e institucionais.
O suicídio é um fenômeno que combina de fatores emocionais, sociais, familiares, econômicos e de saúde. Situações de perda, solidão, violência, conflitos interpessoais, adoecimento, dificuldades financeiras e exposição prolongada ao estresse podem aumentar a vulnerabilidade de uma pessoa, especialmente quando ela não encontra apoio ou atendimento adequado.
Entre as condições que exigem maior atenção está a depressão, que pode provocar tristeza persistente, perda de interesse pelas atividades habituais, alterações do sono e do apetite, falta de energia, dificuldade de concentração, sentimento de culpa, desesperança e pensamentos relacionados à morte. Entretanto, nem toda pessoa com comportamento suicida apresenta um diagnóstico conhecido, razão pela qual mudanças intensas de humor, isolamento, falas de despedida ou manifestações de falta de sentido para continuar vivendo nunca devem ser minimizadas.
Fatores como desemprego ou sobrecarga de trabalho, conflitos no ambiente profissional, assédio, exposição a situações de sofrimento, inabilidades para conciliar vida profissional e pessoal e ausência de apoio tendem a agravar quadros emocionais já existentes. Além disso, a situação pode se retroalimentar: o sofrimento psíquico compromete a concentração, a memória, a tomada de decisões, o relacionamento com colegas e clientes, a produtividade e a capacidade de cumprir tarefas habituais.
Diante desses sinais, são medidas importantes acolher a pessoa com respeito, escutar sem críticas ou julgamentos, evitar respostas que diminuam sua dor e incentivar a procura por profissionais de saúde mental. Psicólogos e médicos psiquiatras podem avaliar cada situação, identificar transtornos como a depressão e indicar as intervenções adequadas, que podem incluir desde psicoterapia e acompanhamento médico a tratamento medicamentoso e participação da rede de apoio.
Além do atendimento individual, políticas públicas permanentes podem ampliar a prevenção, integrar diferentes instituições e oferecer suporte também aos familiares, colegas e demais pessoas afetadas por uma tentativa ou morte por suicídio. Nesse contexto, a proposta aprovada pela Câmara Legislativa do Distrito Federal busca estabelecer diretrizes contínuas para o acolhimento, a prevenção e o apoio psicossocial às famílias enlutadas.
CLDF aprova projeto que cria Política de Prevenção ao Suicídio e Apoio às Famílias
Marco Túlio Alencar - Agência CLDF
Projeto estabelece princípios e diretrizes com intuito de reduzir os índices de suicídio e oferecer suporte às pessoas afetadas direta ou indiretamente. Projeto aprovado inclui estratégias de acolhimento para familiares e sobreviventes.
Uma das mais graves questões de saúde pública da contemporaneidade, de acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), o suicídio, pode ser evitado com ações preventivas e cuidados com a saúde mental.
O deputado Pepa (PP) propôs e a Câmara Legislativa aprovou o Projeto de Lei nº 1.861/2025, que institui a Política Distrital de Prevenção do Suicídio e de Apoio Psicossocial às Famílias Enlutadas.
Ao justificar a proposição, o parlamentar observou que ações nesse sentido vêm sendo desenvolvidas pelo governo do Distrito Federal, embora “de forma fragmentada e sem respaldo legal”. Para isso, o projeto estabelece princípios e diretrizes, com o objetivo de “reduzir os índices de suicídio e oferecer suporte às pessoas afetadas direta ou indiretamente”. Nesse sentido, inclui estratégias de acolhimento para familiares e sobreviventes. “A formalização desta política, por meio de lei distrital, é essencial para garantir continuidade institucional, mesmo com possíveis mudanças administrativas, assegurar previsibilidade orçamentária e estabelecer obrigações legais intersetoriais entre as áreas de Saúde, Educação, Segurança Pública, Assistência Social e demais órgãos do GDF”, explicou o distrital.
Para o deputado Pepa, o projeto de lei – que, aprovado na noite desta terça-feira (30), segue para sanção da governadora – “reafirma o compromisso do Poder Legislativo com a vida, a saúde mental e o amparo humanizado às famílias do Distrito Federal”. O texto ainda estabelece que após se tornar lei, o Poder Executivo do DF terá 90 dias para regulamentar a norma.
Disponível em: https://www.cl.df.gov.br/-/cldf-aprova-projeto-que-cria-politica-de-prevencao-ao-suicidio-e-apoio-as-familias
Demais referências:
• BRASIL. Ministério da Saúde. Suicídio: prevenção. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/s/suicidio-prevencao
• BRASIL. Ministério da Saúde. Setembro Amarelo: precisamos falar sobre a saúde mental. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-brasil/eu-quero-me-exercitar/noticias/2022/setembro-amarelo-precisamos-falar-sobre-a-saude-mental
• ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Suicide prevention. Disponível em: https://www.who.int/health-topics/suicide
• ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Depressive disorder (depression). Disponível em: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/depression
Dia Nacional de Combate ao fumo 2026
A campanha do Dia Nacional de Combate ao Fumo 2026 destaca que exercício físico não combina com tabagismo, enfatizando a incompatibilidade entre o uso de tabaco/nicotina e a prática de atividades físicas para reforçar a prevenção da saúde.
A campanha do Dia Nacional de Combate ao Fumo 2026 destaca que exercício físico não combina com tabagismo, enfatizando a incompatibilidade entre o uso de tabaco/nicotina e a prática de atividades físicas para reforçar a prevenção da saúde.
Criado em 1986 pela Lei Federal nº 7.488, o Dia Nacional de Combate ao Fumo, comemorado em 29 de agosto, tem como objetivo reforçar as ações nacionais de sensibilização e mobilização da população brasileira para os danos à saúde, sociais, políticos, econômicos e ambientais causados pelo consumo de produtos derivados de tabaco. Esta foi a primeira legislação em âmbito federal relacionada à regulamentação do tabagismo no Brasil. Neste momento, foi inaugurada a normatização voltada para o controle do tabagismo como problema de saúde coletiva.
De acordo com a Lei, “O Poder Executivo, através do Ministério da Saúde, promoverá, na semana que anteceder aquela data, uma campanha de âmbito nacional, visando a alertar a população para os malefícios advindos com o uso do fumo”. Desde então, o Ministério da Saúde — por meio do INCA — tem promovido ações de conscientização para celebrar a data em conjunto com estados e municípios.
Tema do Dia Nacional de Combate ao Fumo 2026
A campanha do Dia Nacional de Combate ao Fumo 2026 tem o seguinte tema: “Atividade física e saúde: treinar não combina com fumar”. O tema escolhido busca destacar a incompatibilidade entre a atividade física e o uso de produtos de tabaco e nicotina, reforçando a relevância da prevenção do tabagismo para a promoção da saúde. A atividade física melhora a capacidade cardiorrespiratória, o desempenho, a recuperação e a qualidade de vida, ao passo que o tabagismo compromete essas funções e aumentando o risco de doenças crônicas não transmissíveis.
O tema “Atividade física e saúde: treinar não combina com fumar” é especialmente relevante porque aproxima a prevenção do tabagismo do universo de adolescentes e jovens, utilizando uma linguagem positiva e focada na promoção da saúde. Em vez de se limitar aos danos do tabaco, a campanha destaca os benefícios de hábitos saudáveis e reforça que o bem-estar, a qualidade de vida e até mesmo o desempenho esportivo, quando pertinente, são incompatíveis com o uso de nicotina.
Adicionalmente, a abordagem ganha força diante do aumento da experimentação de dispositivos eletrônicos para fumar (DEFs) e de outros derivados do tabaco por esse público. Ainda existe a falsa percepção de que os cigarros eletrônicos causam menos danos ou não interferem no condicionamento físico. No entanto, a nicotina compromete o sistema cardiovascular, eleva a frequência cardíaca e a pressão arterial, reduz a capacidade de recuperação após os exercícios e gera dependência. Somado a isso, a fumaça e os aerossóis inalados prejudicam a função pulmonar, diminuindo drasticamente a resistência.
O tabagismo é um problema de saúde pública mundial que contribui diretamente para o aumento das Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNTs). Por outro lado, a prática de atividade física — especialmente as aeróbicas como caminhada, corrida, ciclismo e natação — é uma importante aliada tanto para quem deseja parar de fumar quanto para quem busca uma vida mais saudável (ARAÚJO, 2018).
Embora a atividade física seja amplamente reconhecida como uma estratégia eficaz de prevenção a problemas de saúde, os seus benefícios são significativamente comprometidos pelo uso de tabaco e nicotina. O tabagismo interfere no desempenho físico por meio de diversos mecanismos:
- vasoconstrição — a nicotina contrai os vasos sanguíneos, diminuindo o fluxo de sangue para os músculos e órgãos;
- privação de oxigênio — o monóxido de carbono da fumaça reduz a capacidade do sangue de transportar oxigênio, privando os músculos desse elemento essencial durante o esforço;
- prejuízo pulmonar — a fumaça inflama as vias aéreas e reduz a função pulmonar, dificultando a respiração; e
- sobrecarga energética — o esforço físico torna-se maior para realizar atividades que exigiriam menos energia de uma pessoa não fumante.
Como consequência, fumantes costumam apresentar menor resistência física, fadiga precoce, recuperação mais lenta após os treinos e maior risco de lesões ou complicações cardiovasculares durante atividades intensas. Fica evidente, portanto, que a atividade física e o tabagismo produzem efeitos totalmente opostos no organismo. Enquanto a atividade física fortalece os sistemas cardiovascular, respiratório e muscular, o uso de derivados do tabaco compromete essas funções, reduz o desempenho físico e eleva o risco de doenças crônicas.
Pode-se afirmar, então, que a atividade física desempenha um papel fundamental tanto na prevenção do tabagismo quanto no apoio à sua cessação, consolidando-se como uma estratégia complementar relevante nas políticas de promoção da saúde. Afinal, os exercícios são amplamente reconhecidos como fatores de proteção e controle para diversas doenças, em especial as crônicas não transmissíveis.
Portanto, associar esse tema ao controle do tabagismo potencializa o alcance de três objetivos estratégicos do Programa Nacional de Controle do Tabagismo (PNCT):
- Prevenir a iniciação
- A atividade física atua como proteção, ajudando a manter crianças e jovens afastados de produtos que causam danos à saúde.
- Promover a cessação do tabagismo
- A atividade física reduz a ansiedade e os sintomas de abstinência, auxiliando ativamente quem está no processo de parar de fumar.
- Proteger ambientes livres da fumaça do tabaco
- Fortalece a disseminação da Lei nº 12.546/11, que proíbe o fumo em recintos coletivos — com destaque para locais de práticas esportivas, como estádios e ginásios —, reiterando que o tabagismo é uma doença coletiva.
A atividade física tem papel de destaque na prevenção da iniciação ao tabagismo. A participação em atividades físicas e esportes atua diretamente para:
- fortalecer comportamentos saudáveis desde cedo;
- melhorar a autoestima e a saúde mental;
- favorecer a sociabilidade e a convivência positiva;
- reduzir a exposição a comportamentos de risco;
- incentivar o autocuidado e o respeito pelo próprio corpo.
Além de prevenir o início do tabagismo, a atividade física é uma forte aliada no controle da fissura pelo cigarro, um dos sintomas mais comuns da abstinência de nicotina. Exercícios podem ajudar a distrair e a manter a pessoa focada até que o desejo passe. Mesmo curtos períodos de atividades aeróbicas (como caminhada, corrida, dança, ciclismo ou natação) e esportes coletivos (como futebol, basquete e vôlei) reduzem significativamente a vontade de fumar. Em geral, os sintomas de abstinência e o desejo por cigarros diminuem durante a realização da atividade física e até 50 minutos após o término (CARVALHO, 2022).
Não obstante, cabe lembrar que a indústria do tabaco, ao longo de sua história, associou a atividade física, em especial por meio do esporte, ao uso de produtos de tabaco, principalmente de cigarro, de forma enganosa e sedutora principalmente para os jovens, por meio de estratégias de marketing. Este fato corrobora a importância de evidenciarmos que treinar não combina com o uso de produtos derivados de tabaco ou com outros tipos de nicotina.
Quer parar de fumar? Entre em contato conosco pelo sesa.cam@tjdft.jus.br
AME: quanto mais cedo, mais possibilidades
Chegamos à última semana do mês de agosto, que é o mês de conscientização sobre a Atrofia Muscular Espinhal (AME), condição genética rara que compromete os neurônios motores e pode provocar fraqueza muscular progressiva. A AME é causada por alterações genéticas que comprometem a produção de uma proteína essencial à sobrevivência dos neurônios motores. Por se tratar de uma condição hereditária, não há uma forma convencional de prevenção da doença, mas o aconselhamento genético e, principalmente, a identificação precoce podem contribuir para o planejamento dos cuidados e para o início oportuno do tratamento.
A Atrofia Muscular Espinhal é uma doença genética rara que pode se manifestar em diferentes fases da vida e comprometer movimentos importantes, como sentar, caminhar, engolir e respirar. A intensidade dos sintomas varia conforme o tipo da doença e a idade de início, o que torna o reconhecimento dos primeiros sinais especialmente importante. Quanto mais cedo a condição é identificada, maiores são as possibilidades de organizar o acompanhamento adequado e preservar funções motoras.
Além da origem genética, outro aspecto fundamental é o caráter progressivo da AME. A perda dos neurônios motores pode levar à redução gradual da força muscular e afetar paulatinamente atividades cotidianas, autonomia e qualidade de vida. Em bebês, sinais como hipotonia, dificuldade para sustentar a cabeça, mamar ou respirar merecem avaliação especializada. Em crianças, adolescentes e adultos, dificuldades progressivas para caminhar, subir escadas ou realizar atividades habituais também podem indicar a necessidade de investigação.
Nesse contexto, o diagnóstico precoce assume papel fundamental. A triagem neonatal e a identificação da doença antes do surgimento de perdas motoras significativas podem favorecer intervenções mais rápidas. A Faculdade de Medicina da USP destaca que o momento do diagnóstico e do início do tratamento pode modificar de maneira importante a evolução clínica da doença.
Os avanços científicos dos últimos anos também ampliaram as possibilidades terapêuticas para pessoas com AME. Embora os tratamentos não revertam os neurônios motores que já foram perdidos, existem estratégias capazes de retardar a progressão da doença e preservar funções que ainda estão presentes. Por isso, o acompanhamento multidisciplinar, a avaliação neurológica e o acesso oportuno às terapias são elementos importantes para o cuidado. Nesse sentido, conscientização, diagnóstico precoce e acesso ao tratamento são caminhos importantes para ampliar a qualidade de vida e a inclusão.
Diagnóstico precoce da AME é divisor de águas, afirma paciente
Por Patrícia Serrão – Repórter da Radioagência Nacional
O Dia Nacional da Atrofia Muscular Espinhal (AME), celebrado neste sábado (8), reforça a importância do diagnóstico precoce e do início rápido do tratamento para pessoas com a doença. A AME é uma doença genética e degenerativa que afeta os neurônios responsáveis pelos movimentos do corpo.
“O diagnóstico é um divisor de águas. Ele é que vai traçar o plano do que deve, do que não deve ser feito. Sempre visando uma melhor qualidade de vida do paciente”, afirma Sérgio Fernando Nardini, escritor, palestrante e criador do projeto “Pai de Rodinhas”. Ele convive com a AME desde a infância, mas só recebeu o diagnóstico correto depois dos 40 anos.
Segundo o neurologista Paulo Sgobbi, diretor médico da PSEG Centro de Pesquisa Clínica, o tempo é um fator decisivo para preservar a função motora.
“Cada dia, na verdade, cada segundo conta na atrofia muscular espinal. É porque eu tenho neurônios que estão morrendo e, infelizmente, esses neurônios que morrem, por mais que hoje a doença tenha tratamentos, os neurônios que morreram, eu não sou capaz de recuperar. Eu só sou capaz de tratar os que ainda estão vivos.”
A AME pode se manifestar nos primeiros meses de vida ou aparecer posteriormente, na infância, adolescência ou idade adulta. Em bebês, os principais sinais incluem dificuldade para sustentar a cabeça, mamar, respirar e alcançar os marcos do desenvolvimento.
Em crianças maiores e adultos, a fraqueza muscular pode surgir de forma gradual e dificultar atividades como correr, subir escadas ou caminhar.
Atualmente, existem tratamentos capazes de retardar a progressão da doença e preservar a função motora. Por isso, especialistas defendem que o diagnóstico seja feito cada vez mais cedo, inclusive por meio da ampliação da triagem neonatal, com a inclusão da AME no teste do pezinho do Sistema Único de Saúde (SUS).
Para Sérgio Nardini, a realidade das pessoas diagnosticadas com AME mudou nos últimos anos, com maior acesso à informação, redes de apoio e novas terapias.
“Hoje a gente vive um novo tempo. Nós temos hoje uma rede de apoio, mesmo que seja virtual. Sem falar de pesquisas, de desenvolvimento de novas terapias, de novos medicamentos. Outra coisa importante que nós temos hoje: visibilidade. O pessoal que tem AME agora é visto, é escutado.”
Apesar dos avanços, Nardini destaca que pessoas com deficiência ainda enfrentam preconceito e falta de informação. Para as famílias que recebem o diagnóstico, ele defende uma mudança na forma de encarar a doença.
“Em vez de ficar perguntando por que o meu filho é assim, eu acho que poderia mudar a pergunta. Vamos perguntar assim: 'O que que eu posso fazer para melhorar a qualidade de vida, para oferecer uma qualidade de vida boa para o meu filho? Do jeito que ele é, como que ele pode ser feliz? O que eu posso fazer para ajudar?'”
A estimativa é que a Atrofia Muscular Espinhal atinja uma em cada 8 mil pessoas. Apesar de rara, a doença tem hoje perspectivas diferentes das de alguns anos atrás, com avanços no diagnóstico e no tratamento. O desafio é ampliar o acesso a essas possibilidades para todos os pacientes.
Disponível em: Agência Brasil – Diagnóstico precoce da AME é divisor de águas para qualidade de vida
Demais referências:
- Ministério da Saúde – Calendário da Saúde: Agosto
- Faculdade de Medicina da USP – Atrofia Muscular Espinhal: a doença genética e rara cujo diagnóstico precisa ser feito antes de surgirem os primeiros sintomas
- Lei nº 14.062/2020 – Dia Nacional da Pessoa com Atrofia Muscular Espinhal
Agosto Laranja: ampliação de tratamentos traz novas possibilidades para jovens com esclerose múltipla
Durante o Agosto Laranja, período dedicado à conscientização sobre a esclerose múltipla, o dia 30 de agosto é celebrado no Brasil como o Dia Nacional de Conscientização sobre a Esclerose Múltipla, instituído pela Lei nº 11.303/2006. A doença tem origem multifatorial, resultante da interação entre predisposição genética e fatores ambientais, e ainda não possui uma forma comprovada de prevenção. Por isso, reconhecer os sintomas e buscar avaliação médica precocemente são medidas fundamentais para permitir o diagnóstico e o início oportuno do tratamento. Nesse contexto, ganha destaque uma nova medida da Anvisa que amplia as possibilidades terapêuticas para crianças e adolescentes.
A esclerose múltipla é uma doença crônica e inflamatória, causada por um desequilíbrio no sistema imunológico. Trata-se de uma doença autoimune. Na esclerose múltipla, o próprio sistema de defesa do corpo passa a atacar estruturas do sistema nervoso central - especialmente o cérebro e a medula espinhal. O principal alvo desse ataque é a mielina, uma camada protetora que envolve e protege as fibras nervosas. Quando a mielina é danificada, a transmissão dos impulsos nervosos fica prejudicada tornando a comunicação entre o cérebro, a medula e o resto do corpo mais lenta ou interrompida - o que pode causar diversos sintomas neurológicos. Ainda não se conhece a causa exata da doença. Sabe-se, porém, que ela resulta da combinação de fatores genéticos (predisposição herdada) e ambientais.
Por atingir diferentes áreas do sistema nervoso, a esclerose múltipla pode se manifestar de maneiras bastante variadas. Entre os sintomas possíveis estão alterações da visão, formigamentos e outras mudanças de sensibilidade, fraqueza muscular, dificuldades de coordenação e equilíbrio, fadiga, rigidez muscular, dor neuropática e alterações urinárias, intestinais ou cognitivas. Em algumas pessoas, esses sinais aparecem em surtos, com períodos de melhora parcial ou completa; em outras, a evolução pode assumir características progressivas.
A forma de progressão também varia entre os pacientes. Quando não adequadamente controlada, a doença pode provocar limitações neurológicas progressivas e repercutir sobre mobilidade, autonomia, desempenho escolar ou profissional e qualidade de vida. Por essa razão, o diagnóstico precoce e o acompanhamento especializado são particularmente relevantes. Em 2025, novas orientações publicadas no periódico The Lancet Neurology passaram a incluir marcadores mais modernos, tornando os exames mais precisos e permitindo diagnosticar a esclerose múltipla mais cedo, antes mesmo do aparecimento de sintomas.
Embora ainda não exista cura, há tratamentos capazes de modificar o curso da esclerose múltipla, reduzir a frequência e a gravidade dos surtos, bem como diminuir o risco de progressão da incapacidade. A escolha da terapia depende da forma e da atividade da doença, da idade e das características individuais do paciente. O cuidado pode envolver medicamentos modificadores do curso da doença, tratamento específico dos surtos, controle dos sintomas e acompanhamento multidisciplinar, incluindo medidas de reabilitação quando necessárias.
Não há, atualmente, uma estratégia capaz de impedir de forma comprovada o aparecimento da esclerose múltipla. Por isso, a conscientização se concentra especialmente na informação, no reconhecimento de manifestações suspeitas e na procura por avaliação médica, evitando atrasos diagnósticos. Nesse contexto, a ampliação das opções terapêuticas para pacientes mais jovens é particularmente relevante, já que a esclerose múltipla pediátrica é menos frequente, mas pode apresentar atividade inflamatória importante. Em julho de 2026, a Anvisa ampliou a indicação do ocrelizumabe para pacientes com esclerose múltipla remitente-recorrente a partir dos 12 anos e com peso corporal igual ou superior a 40 kg.
Lúpus e esclerose múltipla: Agência aprova ampliação de uso de medicamentos para crianças e adolescentes
Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)
Pacientes mais jovens contam com menos opções terapêuticas para tratamento
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou nesta segunda-feira (20/7) a ampliação de uso do medicamento Benlysta®️ (belimumabe) para adolescentes e crianças a partir de 5 anos com lúpus eritematoso sistêmico (LES) ativo.
A aprovação do uso como terapia adjuvante (tratamento complementar) contempla exclusivamente as apresentações em caneta aplicadora/autoinjetora para pacientes com alto grau de atividade da doença. Eles também precisam estar em tratamento padrão com corticosteroides, antimaláricos, anti-inflamatórios não esteroides ou outros imunossupressores (medicamentos que inibem a atividade do sistema imunológico, usados por pacientes que passaram por transplantes de órgãos ou têm doenças autoimunes).
Embora a formulação intravenosa do medicamento já esteja aprovada para pacientes pediátricos, disponibilizar uma alternativa subcutânea (aplicada abaixo da pele) pode reduzir a necessidade de deslocamentos a centros de infusão, favorecendo a conveniência do tratamento e maior conforto dos pacientes.
O lúpus eritematoso sistêmico (LES) pediátrico é uma doença autoimune crônica, potencialmente grave, frequentemente associada a maior atividade inflamatória, maior carga sistêmica da doença e maior risco de dano orgânico ao longo do tempo quando comparado ao lúpus em adultos.
Esclerose múltipla
Outro medicamento que teve ampliação de uso aprovada para a faixa etária pediátrica é o Ocrevus® (ocrelizumabe), destinado ao tratamento da esclerose múltipla remitente-recorrente (EMRR). O registro também foi publicado no Diário Oficial da União (DOU) nesta segunda-feira (20/7).
Agora, o medicamento pode ser indicado para pacientes com 12 anos ou mais e peso corporal igual ou superior a 40 kg. O produto é um anticorpo monoclonal recombinante que contribui para a redução da atividade inflamatória associada à doença.
A esclerose múltipla é uma doença crônica, progressiva e potencialmente incapacitante. É considerada uma condição rara no público pediátrico, correspondendo a aproximadamente 3% a 5% dos casos.
Embora menos frequente do que na população adulta, a doença costuma apresentar atividade inflamatória significativa nos pacientes mais jovens, maior frequência de surtos e potencial impacto sobre o desenvolvimento cognitivo, educacional e social, tornando importante o acesso precoce a terapias modificadoras da doença.
Disponível em:
Demais referências:
• https://www.gov.br/conitec/pt-br/midias/protocolos/resumidos/PCDTResumidoEscleroseMltipla.pdf
• https://bvsms.saude.gov.br/30-8-dia-nacional-de-conscientizacao-sobre-a-esclerose-multipla/
Agosto Azul e Vermelho: prevenção e combate a doenças vasculares.
Agosto terá um período de conscientização sobre a saúde vascular no Brasil, especialmente em torno do Dia Nacional da Consciência Vascular, 17 de agosto. A proposta é ampliar o conhecimento sobre doenças que atingem artérias e veias, muitas vezes associadas ao sedentarismo, ao tabagismo, à obesidade e ao controle inadequado da pressão arterial, da glicose e do colesterol. Reconhecer os sintomas, adotar medidas preventivas e procurar atendimento no momento adequado pode evitar complicações graves, como embolia pulmonar, infarto, acidente vascular cerebral, amputações e rompimento de aneurismas.
Saúde vascular envolve o funcionamento das artérias e veias. As artérias levam o sangue bombeado pelo coração aos órgãos e as veias fazem o caminho de volta, conduzindo o sangue novamente ao coração. Por isso, embora as doenças das veias não sejam necessariamente doenças do próprio músculo cardíaco, todo o sistema está conectado. Assim sendo, dor ou pressão intensa no peito, falta de ar súbita, desmaio, inchaço doloroso em apenas uma perna, palidez e esfriamento repentino de um membro, perda repentina de força, dificuldade para falar e dor muito intensa e de início súbito no abdome ou nas costas são sinais que exigem atendimento imediato.
As varizes são veias dilatadas e tortuosas, comuns nas pernas, que aparecem quando as válvulas deixam de funcionar bem e o sangue retorna, em vez de seguir (volta a descer em vez de subir). Quando esse problema progride, pode ocorrer insuficiência venosa crônica, caracterizada por dificuldade persistente de o sangue retornar ao coração. Dor, peso, cansaço, coceira, queimação, inchaço ao final do dia, manchas escuras e feridas próximas aos tornozelos estão entre as manifestações possíveis. Hereditariedade, envelhecimento, gravidez, obesidade e permanência prolongada em pé ou sentado favorecem seu desenvolvimento. O tratamento pode envolver atividade física, elevação das pernas, controle do peso, meias de compressão (prescritas após avaliação), medicamentos e procedimentos como escleroterapia, laser, radiofrequência ou cirurgia, conforme a gravidade.
A trombose venosa profunda, por sua vez, ocorre quando um coágulo se forma em uma veia mais profunda, principalmente nas pernas. Pode causar inchaço de apenas um lado, dor, aumento da temperatura local, vermelhidão ou endurecimento da panturrilha, embora alguns casos apresentem poucos sintomas. Imobilidade prolongada, cirurgias, internações, câncer, gravidez, uso de estrogênio, obesidade, tabagismo e alterações da coagulação aumentam o risco. A complicação mais perigosa é a embolia pulmonar, que acontece quando parte do coágulo se desprende e obstrui a circulação dos pulmões. O tratamento costuma incluir anticoagulantes e, em situações selecionadas, procedimentos para remover ou dissolver o coágulo. Casos não tratados também podem deixar dor, inchaço e alterações permanentes na perna.
A doença arterial periférica já resulta principalmente do acúmulo de placas de gordura e colesterol nas artérias que levam sangue às pernas. Um sintoma típico é a dor ou o cansaço na panturrilha ao caminhar, que melhora com o repouso e retorna quando a pessoa volta a andar. Com o avanço da obstrução, podem surgir pés frios, pele pálida, redução dos pelos, feridas que não cicatrizam e dor mesmo em repouso. Tabagismo, diabetes, pressão alta, colesterol elevado, envelhecimento e doença renal são fatores importantes. Além de ameaçar a circulação do membro e, nos casos graves, levar à amputação, a doença indica maior risco de infarto e acidente vascular cerebral. O tratamento inclui parar de fumar, praticar exercícios orientados, controlar os fatores de risco, utilizar medicamentos e, quando necessário, realizar angioplastia, colocação de stent ou cirurgia.
Uma quarta modalidade comum de acometimento da saúde vascular seria o aneurisma, que é a dilatação anormal da parede de uma artéria, sendo a aorta, principal artéria do organismo, um dos locais mais preocupantes. Muitos aneurismas crescem silenciosamente e são descobertos em exames realizados por outros motivos. Quando apresentam sintomas, podem causar dor persistente no abdome, nas costas ou no peito e sensação de pulsação abdominal. Tabagismo, pressão alta, idade avançada, aterosclerose e histórico familiar aumentam o risco. O rompimento pode provocar hemorragia interna grave e morte, exigindo atendimento emergencial. A conduta depende do tamanho, da localização e da velocidade de crescimento, podendo variar entre acompanhamento periódico, controle rigoroso da pressão e cirurgia aberta ou endovascular.
Os registros observados desde 2020 exigem atenção, mas devem ser interpretados com cuidado, pois as diferentes doenças vasculares não aumentaram necessariamente na mesma proporção. A pandemia favoreceu a redução da atividade física, a permanência prolongada em casa, o adiamento de consultas e a interrupção do acompanhamento de pessoas com doenças crônicas. A própria Covid-19 também foi associada a alterações da coagulação e a eventos trombóticos.
No tocante às medidas de prevenção, permanecer sentado por muitas horas reduz o trabalho da musculatura das pernas e favorece a lentidão do fluxo venoso. Em viagens, expedientes prolongados ou períodos de muitos estudo, são medidas eficazes levantar-se regularmente, caminhar por alguns minutos e movimentar tornozelos e panturrilhas. Pessoas com risco elevado de trombose precisam de orientação individualizada e não devem usar anticoagulantes ou meias de compressão por conta própria. Nesse contexto, a atividade física regular comprovadamente melhora a circulação, fortalece a musculatura da panturrilha, ajuda o sangue a retornar ao coração e contribui para controlar peso, glicose, pressão arterial e colesterol.
A pressão alta, por sua vez, pode lesar lentamente a parede das artérias. A glicose elevada, especialmente no diabetes, danifica vasos e nervos, dificulta a cicatrização e aumenta o risco de doença arterial e pé diabético. No colesterol, de forma simplista poderíamos dizer que o LDL é conhecido como “ruim” porque, quando está elevado, facilita o depósito de gordura nas artérias; e o HDL é chamado de “bom” porque participa do transporte do excesso de colesterol para o fígado, onde poderá ser eliminado.
Em suma, são formas de promoção da saúde do sistema circulatório: manter-se fisicamente ativo, evitar o tabaco, controlar o peso, adotar alimentação equilibrada, acompanhar a pressão arterial, a glicemia e o colesterol, interromper longos períodos de imobilidade e realizar avaliação médica quando houver sintomas ou fatores de risco. Mas a conscientização da população e o diagnóstico precoce ganham agora um novo instrumento nacional: a Lei 15.470/26, que institui a Semana Nacional da Saúde Vascular.
Lei cria a Semana Nacional da Saúde Vascular
Da Agência Senado – ND - Fonte: Agência Câmara de Notícias
A Lei 15.470/26, publicada no Diário Oficial da União de sexta-feira (17), cria a Semana Nacional da Saúde Vascular, a ser celebrada anualmente na semana do dia 17 de agosto.
A norma estabelece que, durante essa semana, serão desenvolvidas atividades educativas, informativas, de promoção e de conscientização sobre a importância da prevenção, do controle e do diagnóstico das doenças vasculares.
A nova legislação teve origem no Projeto de Lei 5824/13, do deputado Geraldo Resende (União-MS), aprovado pela Câmara e pelo Senado.
Segundo o Ministério da Saúde, o infarto agudo do miocárdio é a maior causa de mortes no país. Estima-se que, no Brasil, ocorram de 300 mil a 400 mil casos anuais de infarto e que, a cada 5 a 7 casos, ocorra um óbito.
O Plano de Ações Estratégicas para o Enfrentamento das Doenças Crônicas e Agravos Não Transmissíveis (2021-2030) orienta a promoção da saúde, a prevenção e a organização do cuidado, reconhecendo que essas doenças são responsáveis por mais da metade dos óbitos no país.
Disponível em:
https://www.camara.leg.br/noticias/1292689-lei-cria-a-semana-nacional-da-saude-vascular/
Demais referências:
• BRASIL. Ministério da Saúde. Prevenção é uma das maneiras mais eficientes para controle de doenças cardiovasculares. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2022/agosto/prevencao-e-uma-das-maneiras-mais-eficientes-para-controle-de-doencas-cardiovasculares
• BRASIL. Ministério da Saúde. Trombose. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/t/trombose
• EMPRESA BRASILEIRA DE SERVIÇOS HOSPITALARES. HUPAA reforça importância da saúde cardiovascular durante o Agosto Azul Vermelho. Disponível em: https://www.gov.br/hubrasil/pt-br/hospitais-universitarios/regiao-nordeste/hupaa-ufal/hupaa-reforca-importancia-da-saude-cardiovascular-durante-201cagosto-azul-vermelho201d
• ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Cardiovascular diseases. Disponível em: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/cardiovascular-diseases-%28cvds%29
• SOCIEDADE BRASILEIRA DE ANGIOLOGIA E DE CIRURGIA VASCULAR. Pesquisa sobre a relação entre Covid-19 e trombose. Disponível em: https://sbacv.org.br/sbacv-divulga-pesquisa-sobre-a-relacao-entre-covid-19-e-a-trombose/
• SOCIEDADE BRASILEIRA DE ANGIOLOGIA E DE CIRURGIA VASCULAR – REGIONAL RIO GRANDE DO NORTE. Aumento de casos de trombose venosa preocupa especialistas. Disponível em: https://sbacvrn.com.br/news/aumento-de-casos-de-trombose-venosa-preocupa-especialistas/
• SOCIEDADE BRASILEIRA DE ANGIOLOGIA E DE CIRURGIA VASCULAR – REGIONAL SÃO PAULO. Agosto Azul e Vermelho reforça a prevenção e os cuidados com a saúde vascular. Disponível em: https://sbacvsp.com.br/campanha-agosto-azul-e-vermelho-reforca-a-prevencao-e-cuidados-com-a-saude-vascular/
Agosto Dourado: amamentação também é comunicação, vínculo e desenvolvimento
Celebrado no Brasil como Agosto Dourado, o mês de agosto é dedicado à promoção, à proteção e ao apoio ao aleitamento materno. A mobilização acompanha a Semana Mundial da Amamentação, realizada de 1º a 7 de agosto com apoio da Organização Mundial da Saúde, do UNICEF e de ministérios da Saúde de diversos países. Além de oferecer nutrientes e proteção imunológica, a amamentação favorece o vínculo, a comunicação e o desenvolvimento integral do bebê.
O leite materno é um alimento vivo, produzido pelo organismo da mulher, cuja composição varia de acordo com as necessidades do seu bebê. Nos primeiros dias após o nascimento, é liberado o colostro, um leite geralmente mais espesso e amarelado, rico em componentes de defesa. Com o passar do tempo, sua composição se modifica, acompanhando o crescimento e as novas exigências nutricionais da criança. Por isso, o leite oferecido a um recém-nascido não apresenta exatamente as mesmas características daquele produzido meses depois.
Também ocorrem mudanças durante a própria mamada. No início, o leite costuma ter maior quantidade de água e ajuda a hidratar o bebê. À medida que a mamada prossegue, aumenta a proporção de gordura, importante para fornecer energia e favorecer a saciedade. Essa variação mostra por que é recomendável permitir que a criança mame de forma ativa e esvazie adequadamente uma mama antes de receber a outra, sempre respeitando suas necessidades e as orientações dos profissionais que acompanham a família.
A composição do leite também pode variar conforme o horário. Pesquisas identificam diferenças entre o leite produzido durante o dia e aquele produzido à noite, especialmente na concentração de hormônios e substâncias relacionadas aos ritmos biológicos. A melatonina, por exemplo, aparece em níveis mais elevados no período noturno e pode participar da organização gradual do ciclo de sono e vigília do bebê. Essas descobertas ajudam a compreender o leite materno como um alimento dinâmico, capaz de transmitir informações sobre o ambiente e o momento do dia.
Durante a amamentação, a sucção estimula a liberação de ocitocina no organismo materno. Esse hormônio participa da ejeção do leite, favorece as contrações do útero após o parto e está relacionado a respostas de tranquilidade, proximidade e cuidado. A experiência, entretanto, não depende apenas de processos hormonais. Dor, cansaço, insegurança, estresse e dificuldades na pega podem interferir na amamentação, tornando importante o apoio oferecido pela família e por profissionais capacitados.
Além de alimentar, a amamentação cria oportunidades de contato próximo. O bebê percebe a voz, o cheiro, o toque, a temperatura e as expressões da mãe, enquanto ela aprende a reconhecer seus movimentos, olhares e vocalizações. Essa troca ajuda a mostrar que, desde o início da vida, o bebê não participa da mamada de maneira passiva. É justamente essa dimensão comunicativa do aleitamento materno que orienta o estudo apresentado a seguir.
Comunicação do bebê com enfoque no processo do aleitamento materno
Stephany da Silva Andrade; Érika Parlato-Oliveira e Erika de Sá Vieira Abuchaim
O estudo se trata de uma revisão integrativa da literatura que analisou como os bebês se comunicam durante o aleitamento materno e de que maneira as mães e outros cuidadores percebem e respondem a esses sinais. A pesquisa parte da compreensão de que a comunicação do bebê não depende de palavras, pois começa desde os primeiros momentos de vida por meio do olhar, dos movimentos corporais, das expressões faciais, do toque, dos gestos e das vocalizações.
Segundo as autoras, o bebê não deve ser visto apenas como alguém que recebe alimento e cuidados. Durante a amamentação, ele participa ativamente da interação, demonstrando necessidades, interesses, conforto, desconforto e estados emocionais. A mãe, por sua vez, observa essas manifestações, atribui significados a elas e ajusta suas ações, criando uma espécie de conversa sem palavras.
Essa comunicação do bebê durante a amamentação é de natureza multimodal, manifestando-se por meio de olhares, gestos, expressões faciais e vocalizações, que sinalizam necessidades, interesses e estados afetivos, influenciando de maneira significativa o desenvolvimento emocional, afetivo e social. Este estudo teve como objetivo analisar as evidências científicas sobre os sinais de comunicação do bebê no processo de aleitamento materno e como o entorno os percebe. Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, realizada a partir de buscas em sete bases de dados nacionais e internacionais, seguindo as recomendações do Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses (PRISMA). Os resultados indicam que a amamentação constitui um contexto privilegiado de interação mãe-bebê, no qual o bebê se apresenta como sujeito ativo da comunicação, emitindo sinais multimodais aos quais o adulto responde de forma sensível e ajustada. As evidências analisadas convergem ao apontarem que essas trocas interacionais desempenham papel fundamental na constituição da subjetividade do bebê e no fortalecimento do vínculo relacional. O estudo enfatiza a relevância de identificar e compreender os sinais comunicativos do bebê durante a amamentação, uma vez que a escuta atenta e sensível pode abrir importantes janelas de oportunidades para a promoção do desenvolvimento integral na primeira infância, ao mesmo tempo em que evidencia a escassez de publicações científicas específicas sobre os sinais de comunicação do bebê nesse contexto.
Para realizar a revisão, foram pesquisadas sete bases de dados nacionais e internacionais. Ao todo, foram identificadas 1.987 publicações, mas somente três estudos atenderam a todos os critérios estabelecidos pelas pesquisadoras. Os três trabalhos foram realizados no Brasil e publicados entre 2004 e 2016, o que mostra que ainda existem poucas pesquisas voltadas especificamente para a comunicação do bebê durante a amamentação.
Os resultados indicaram que a amamentação constitui um momento especialmente favorável para a interação entre mãe e bebê. A proximidade física, o contato visual, o toque, a voz materna e o tempo compartilhado facilitam as trocas afetivas. Os bebês observados nos estudos foram considerados participantes ativos, capazes de iniciar interações e de responder aos estímulos oferecidos pelas mães.
A pesquisa também mostrou que as mães aprendem progressivamente a reconhecer as formas particulares de comunicação de seus filhos. Elas ajustam o modo de falar, tocar, segurar e olhar conforme as respostas do bebê, ajudando-o a manter a atenção e a participar da interação. Essas trocas contribuem para o fortalecimento do vínculo, para o desenvolvimento emocional e social e para a construção das primeiras formas de relacionamento da criança.
Por fim, o estudo conclui que a amamentação vai muito além da alimentação, pois também representa um importante espaço de comunicação, afeto e desenvolvimento. Reconhecer e acolher os sinais emitidos pelo bebê pode favorecer um cuidado mais sensível e ajudar profissionais e familiares a perceberem precocemente possíveis dificuldades. As autoras destacam, entretanto, a necessidade de novas pesquisas, especialmente em diferentes países e contextos culturais, para ampliar o conhecimento sobre o tema.
Disponível em:
https://periodicos.unespar.edu.br/revistaeduclings/article/view/11048
Demais referências:
• Organização Mundial da Saúde. Semana Mundial da Amamentação:
https://www.who.int/campaigns/world-breastfeeding-week
• Organização Mundial da Saúde. Informações sobre aleitamento materno:
https://www.who.int/health-topics/breastfeeding
• Circadian Variation in Human Milk Composition, a Systematic Review:
https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC7468880/
• Breast Milk and the Importance of Chrononutrition:
https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC9133889/
• Variations in Melatonin Levels in Preterm and Term Human Breast Milk:
https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC6884443/
• Oxytocin, Drugs and Lactation Database:
https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK501490/
• The Role of Oxytocin and the Effect of Stress During Childbirth:
https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC8578887/
Hepatites virais: prevenção, diagnóstico precoce e cuidado com a saúde do fígado
O Dia Mundial de Luta Contra as Hepatites Virais se celebra em 28 de julho, mês marcado pela campanha Julho Amarelo, iniciativa de conscientização sobre as hepatites virais, com foco na prevenção, no diagnóstico precoce e no tratamento adequado. Como essas infecções podem evoluir de forma silenciosa, reconhecer formas de transmissão, manter a vacinação em dia, adotar medidas de proteção e realizar exames quando indicado são passos importantes para evitar complicações e preservar a saúde do fígado.
As hepatites virais são infecções que causam inflamação no fígado, órgão essencial para o metabolismo, a digestão de gorduras, o armazenamento de nutrientes e a eliminação de substâncias tóxicas do organismo. Elas podem ser provocadas por diferentes vírus, classificados principalmente como hepatites A, B, C, D e E, cada um com formas específicas de transmissão, evolução e prevenção.
Uma das principais características dessas doenças é o fato de que muitas pessoas podem permanecer sem sintomas por longos períodos. Quando os sinais aparecem, podem incluir cansaço, febre, enjoo, dor abdominal, perda de apetite, urina escura, fezes claras e coloração amarelada da pele e dos olhos. A ausência de sintomas, no entanto, não significa ausência de risco, pois algumas formas da doença podem evoluir lentamente e comprometer o funcionamento do fígado.
As causas e formas de transmissão variam conforme o tipo de hepatite. As hepatites A e E costumam estar relacionadas à ingestão de água ou alimentos contaminados e a condições inadequadas de higiene. Já as hepatites B, C e D podem ser transmitidas pelo contato com sangue ou fluidos corporais contaminados, pelo compartilhamento de objetos perfurocortantes, por relações sexuais desprotegidas e, em alguns casos, da mãe para o bebê durante a gestação ou o parto.
Quando não diagnosticadas e acompanhadas adequadamente, algumas hepatites podem se tornar crônicas e levar a complicações como cirrose, insuficiência hepática e câncer de fígado. O tratamento depende do tipo de vírus, da fase da doença e das condições clínicas de cada pessoa. Em determinadas situações, há cura; em outras, o acompanhamento contínuo ajuda a controlar a infecção e reduzir o risco de agravamento.
A prevenção envolve medidas simples e eficazes, como lavar bem as mãos, consumir água tratada, higienizar alimentos, não compartilhar lâminas, alicates, seringas ou outros objetos cortantes, utilizar preservativo e manter a vacinação contra hepatite A e hepatite B em dia. A realização de exames também é fundamental, especialmente porque o diagnóstico precoce permite iniciar o cuidado antes que ocorram danos importantes ao fígado.
Silenciosas, hepatites virais exigem atenção e diagnóstico precoce, alerta médica do Instituto Curitiba de Saúde – ICS. Doenças atingem o fígado e podem ter diferentes causas, mas as virais estão entre as mais comuns.
As hepatites virais são doenças que atingem o fígado e, na maioria das vezes, evoluem de forma silenciosa, sem apresentar sintomas aparentes. Durante o Maio Vermelho, campanha dedicada à conscientização sobre as hepatites virais, o ICS reforça a importância da prevenção, do diagnóstico precoce e do acompanhamento médico, especialmente por meio da Atenção Primária à Saúde.
De acordo com a médica de Família e Comunidade do ICS, Heidi Kruklis, as hepatites podem ter diferentes causas, mas as virais estão entre as mais comuns. “As hepatites são doenças que provocam inflamação das células do fígado, podendo ser causadas pelo consumo excessivo de álcool, excesso de medicamentos ou, mais comumente, por vírus”, explica.
As hepatites virais são classificadas em cinco tipos: A, B, C, D e E. No Brasil, os tipos mais frequentes são as hepatites A, B e C. “A maioria das hepatites virais é doença silenciosa, que muitas vezes não provoca sintomas. Por isso, a avaliação médica e os exames são fundamentais para o diagnóstico precoce”, destaca médica Heidi Kruklis.
Formas de transmissão
As formas de transmissão variam conforme o tipo do vírus. As hepatites A e E são transmitidas principalmente por via fecal-oral, podendo ocorrer por contato entre pessoas ou por alimentos e água contaminados.
Já as hepatites B e D podem ser transmitidas por contato com fluidos corporais contaminados, relações sexuais desprotegidas e compartilhamento de objetos perfurocortantes, como seringas e lâminas. A hepatite C, por sua vez, ocorre principalmente pelo contato com sangue contaminado e também pode acontecer por transmissão sexual.
Sintomas das hepatites virais
Embora possam não apresentar sinais no início, alguns sintomas podem surgir conforme a evolução da doença. “Principalmente as hepatites virais podem provocar sintomas como cansaço, fadiga, febre, dor abdominal, náusea e até pele e olhos amarelados”, afirma a médica.
Outros sintomas que merecem atenção incluem:
– urina escura;
– fezes claras;
– perda de apetite;
– mal-estar geral.
Diagnóstico e tratamento
O diagnóstico das hepatites virais é realizado por meio da avaliação clínica e de exames de sangue. Quando identificadas precocemente, as chances de controle e tratamento adequado aumentam significativamente. “É importante procurar avaliação médica por causa do risco de cronicidade das hepatites virais, que podem acabar danificando o fígado, um órgão vital”, alerta Heidi.
O tratamento varia de acordo com o tipo da hepatite e o estágio da doença. Em alguns casos, há cura completa; em outros, o acompanhamento contínuo é essencial para evitar complicações mais graves, como cirrose e câncer hepático.
Como prevenir as hepatites virais
A prevenção continua sendo a principal forma de combate às hepatites. Algumas medidas simples ajudam a reduzir os riscos de transmissão:
– manter a higiene frequente das mãos;
– higienizar corretamente alimentos e água;
– não compartilhar objetos perfurocortantes;
– utilizar preservativo nas relações sexuais;
– evitar contato com sangue contaminado;
– manter a vacinação em dia contra a hepatite A e B.
Demais referências:
• Ministério da Saúde. Julho Amarelo: entenda a importância da prevenção e controle das hepatites virais. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-com-ciencia/noticias/2024/julho/julho-amarelo-entenda-a-importancia-da-prevencao-e-controle-das-hepatites-virais
• Ministério da Saúde. Hepatite B. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/h/hepatites-virais/hepatite-b
• Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde. Julho Amarelo: mês de luta contra as hepatites virais. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/julho-amarelo-mes-de-luta-contra-as-hepatites-virais-3/
• Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde. 28/7 – Dia Mundial de Luta Contra Hepatites Virais. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/28-7-dia-mundial-de-luta-contra-hepatites-virais-investir-na-eliminacao-da-hepatite/
Cansaço, estresse e falta de atenção: inimigos silenciosos da prevenção de acidentes
Em julho, mês em que se celebra o Dia Nacional da Prevenção de Acidentes do Trabalho, em 27 de julho, o cuidado com a saúde física e mental ganha destaque como parte essencial da segurança. Sono insuficiente, estresse, sobrecarga emocional e redução da atenção podem favorecer erros, quedas, colisões e outros acidentes. Reconhecer os sinais de desgaste, respeitar pausas, evitar a pressa e buscar avaliação de saúde quando necessário são formas de prevenção.
A prevenção de acidentes costuma ser associada à manutenção dos espaços, à sinalização e ao cumprimento de procedimentos de segurança. Esses cuidados são indispensáveis, mas não abrangem todos os fatores envolvidos. O estado físico, mental e emocional das pessoas também pode influenciar a percepção de riscos, a tomada de decisões e a capacidade de reagir diante de situações inesperadas.
No cotidiano dos servidores públicos, o cansaço e a desatenção podem contribuir para tropeços, quedas em escadas, choques contra objetos, acidentes em estacionamentos e falhas durante deslocamentos. Caminhar olhando para o celular, realizar várias tarefas ao mesmo tempo, movimentar-se com pressa ou continuar uma atividade mesmo sob forte sonolência são comportamentos que reduzem a percepção do ambiente.
Para os oficiais de justiça e demais profissionais que realizam atividades externas, a atenção às próprias condições de saúde é ainda mais importante. Deslocamentos frequentes, trânsito, exposição a ambientes desconhecidos, pressão por prazos e situações potencialmente tensas exigem concentração, equilíbrio emocional e capacidade de avaliar rapidamente os riscos presentes em cada local.
O estresse prolongado, a privação de sono e a sobrecarga mental podem diminuir a concentração e tornar as reações mais lentas. Em algumas situações, a pessoa se acostuma ao desgaste e deixa de perceber o quanto seu desempenho está comprometido. Irritabilidade, esquecimentos frequentes, dificuldade de manter o foco, sensação de exaustão e sonolência durante o dia merecem atenção.
Prevenir também significa respeitar os limites do corpo e da mente. Dormir adequadamente, fazer pausas, evitar deslocamentos quando houver sonolência intensa, manter exames de saúde atualizados, organizar as tarefas e pedir apoio quando a sobrecarga estiver comprometendo a atenção são cuidados que ajudam a proteger o próprio trabalhador e as pessoas ao seu redor.
O estudo também destaca a relevância das avaliações médicas regulares, que permitem identificar precocemente problemas de saúde capazes de afetar a segurança ao dirigir. O acompanhamento contínuo ajuda a prevenir acidentes, preservar vidas e proteger tanto os trabalhadores quanto os demais.
Estudo associa mais de um milhão de sinistros às condições de saúde dos motoristas
Autoria: Revista CIPA & Incêndio
Estudo publicado pela Associação Brasileira de Medicina de Tráfego, elaborado com dados da Polícia Rodoviária Federal, identificou que mais de 1,2 milhão de sinistros ocorridos nas rodovias brasileiras entre 2014 e 2024 tiveram como fator associado algum comprometimento físico, mental ou comportamental dos condutores.
Entre as condições relacionadas aos registros estão sono, falta de atenção, ausência de reação, mal súbito, transtornos mentais, uso de substâncias, doenças oculares, limitações motoras e alterações neurológicas que podem comprometer a condução segura.
Segundo o levantamento, falhas de infraestrutura, como problemas de sinalização, pavimentação ou geometria das pistas, representaram aproximadamente 8% das ocorrências. Os fatores relacionados às condições de saúde dos motoristas, por outro lado, estiveram presentes de forma recorrente durante toda a série histórica analisada.
Minas Gerais apresentou o maior número de ocorrências relacionadas a fatores clínicos dos condutores, seguido por Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e São Paulo. Os resultados reforçam a necessidade de ampliar os cuidados com a saúde física e mental de profissionais que passam grande parte da jornada nas estradas.
Representantes do setor de transporte destacaram que a segurança viária não depende somente das condições dos veículos, das estradas, da sinalização e da fiscalização. A capacidade do motorista de manter atenção, reflexos e desempenho adequados durante a jornada também exerce influência direta sobre os riscos.
O desgaste acumulado foi apontado como um fator silencioso. Cansaço, estresse e problemas de saúde ainda não diagnosticados podem diminuir a atenção e os reflexos sem que o próprio profissional perceba claramente essa redução.
O estudo ressalta, ainda, a importância das avaliações médicas periódicas para a identificação precoce de condições que possam comprometer a condução. O acompanhamento da saúde contribui para reduzir riscos, preservar vidas e proteger tanto os trabalhadores quanto as demais pessoas que compartilham as vias.
Disponível em:
Demais referências:
• Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde. 27 de julho: Dia Nacional de Prevenção de Acidentes do Trabalho.
https://bvsms.saude.gov.br/27-7-dia-nacional-da-prevencao-de-acidentes-do-trabalho-8/
• Fundacentro. 27 de julho é o Dia Nacional da Prevenção de Acidentes do Trabalho.
Julho verde-e-amarelo: um mês para torcer pela vida
Em julho, mês em que o Brasil celebra o Dia Nacional do Futebol (19 de julho), o verde e o amarelo costumam remeter à paixão nacional pelo esporte, especialmente em ano de Copa do Mundo. Mas essas cores também podem carregar outro significado: o cuidado com a vida. O Julho Verde chama atenção para o câncer de cabeça e pescoço, enquanto o Julho Amarelo reforça a importância da conscientização sobre o câncer ósseo. Em ambos os casos, reconhecer sinais persistentes e buscar avaliação médica em tempo oportuno pode fazer diferença no diagnóstico, no tratamento e na qualidade de vida.
O câncer de cabeça e pescoço é uma denominação ampla para tumores que podem surgir em diferentes regiões, como boca, língua, gengivas, bochechas, céu da boca, amígdalas, faringe, laringe, cavidades nasais, seios paranasais, glândulas salivares, tireoide, pele da face e do pescoço. Por envolver áreas relacionadas à fala, à respiração, à mastigação, à deglutição, à aparência e à convivência social, esse grupo de doenças pode ter impacto importante não apenas na saúde física, mas também na comunicação, na autoestima e na qualidade de vida.
Entre os principais fatores de risco estão o tabagismo e o consumo de bebidas alcoólicas, especialmente quando associados. Segundo dados divulgados pela Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço, fumar e ingerir bebidas alcoólicas pode potencializar em até 20 vezes o risco de uma pessoa saudável desenvolver algum tipo de câncer de cabeça e pescoço. O tabaco também tem forte relação com o câncer de laringe, e o álcool associado ao fumo aumenta de forma expressiva o risco de tumores nessa região. Além disso, a infecção pelo papilomavírus humano, conhecido como HPV, tem contribuído para o aumento de casos em pessoas mais jovens, especialmente em tumores da orofaringe.
Os sinais de alerta mais comuns incluem feridas na boca ou nos lábios que não cicatrizam por mais de 15 dias, manchas brancas ou avermelhadas na língua, gengivas, céu da boca ou bochechas, rouquidão persistente, dor ou dificuldade para engolir, sensação de algo preso na garganta, nódulo no pescoço, sangramento ou secreção persistente pelo nariz, dor de ouvido sem causa aparente, dificuldade para respirar ou falar e alterações que não melhoram com o passar dos dias. Embora muitos desses sintomas possam estar relacionados a condições benignas, sua persistência deve ser valorizada.
Um dos principais desafios do câncer de cabeça e pescoço é o diagnóstico tardio. Em muitos casos, os sintomas iniciais são confundidos com aftas, inflamações, rouquidão comum, problemas dentários ou infecções passageiras. Quando o diagnóstico ocorre em fases mais avançadas, o tratamento pode ser mais complexo e deixar sequelas, especialmente em funções como fala, mastigação, deglutição, olfato, audição e respiração. Por outro lado, quando a doença é identificada no início, as chances de controle e cura aumentam de forma significativa.
O tratamento depende do local do tumor, do tipo de câncer, do estágio da doença e das condições gerais de saúde da pessoa. Pode incluir cirurgia, radioterapia, quimioterapia, imunoterapia ou combinações dessas modalidades. Em muitos casos, o acompanhamento envolve uma equipe multiprofissional, com médicos, dentistas, fonoaudiólogos, nutricionistas, fisioterapeutas, psicólogos e outros profissionais, pois a reabilitação também faz parte do cuidado. O objetivo não é apenas tratar a doença, mas preservar funções, reduzir sequelas e favorecer a retomada da vida cotidiana.
A prevenção envolve medidas possíveis e importantes: não fumar, evitar produtos derivados do tabaco, reduzir ou evitar o consumo de bebidas alcoólicas, manter boa higiene bucal, realizar consultas odontológicas regulares, proteger-se da exposição solar excessiva, usar preservativo na prática do sexo oral, manter alimentação saudável, praticar atividade física e observar alterações persistentes na boca, na garganta, na voz e no pescoço. A vacinação contra o HPV, conforme as recomendações de saúde pública, também é uma estratégia relevante para reduzir infecções relacionadas a alguns tipos de câncer.
O câncer ósseo, por sua vez, ocorre quando há presença de células malignas no tecido ósseo. Ele pode ser primário, quando se origina no próprio osso, ou secundário, quando resulta de metástases de tumores que começaram em outros órgãos e se espalharam para os ossos. As metástases ósseas são mais frequentes do que os tumores ósseos primários e podem ocorrer, por exemplo, em pessoas com câncer de mama, próstata, pulmão, rim ou tireoide. Já entre os tumores ósseos primários estão o osteossarcoma, o condrossarcoma e o sarcoma de Ewing.
Embora seja menos comum que outros tipos de câncer, o câncer ósseo merece atenção porque pode comprometer a estrutura dos ossos, causar dor intensa, limitar movimentos e aumentar o risco de fraturas. Em crianças, adolescentes e adultos jovens, algumas dores podem ser confundidas com dores de crescimento, lesões esportivas ou traumas do dia a dia. Em adultos e idosos, a dor óssea também pode ser atribuída a problemas ortopédicos comuns. Por isso, sintomas persistentes precisam ser avaliados com cuidado, especialmente quando não melhoram com repouso ou medidas habituais.
Os principais sinais de alerta incluem dor óssea persistente, dor que piora à noite ou com o passar do tempo, inchaço ou sensibilidade em determinada região, presença de nódulo, dificuldade para movimentar uma articulação, fraturas após traumas leves, perda de peso sem explicação, cansaço excessivo e redução da capacidade de realizar atividades habituais. A dor contínua é um dos sintomas mais frequentes e não deve ser ignorada, principalmente quando surge sem causa clara ou se torna progressiva.
O diagnóstico do câncer ósseo começa com avaliação clínica, exame físico e investigação do histórico da pessoa. Dependendo do caso, podem ser solicitados exames de imagem, como radiografia, tomografia computadorizada, ressonância magnética e cintilografia óssea, além de exames laboratoriais. A confirmação geralmente exige biópsia, que permite identificar o tipo de tumor e orientar o tratamento mais adequado. Quando há suspeita de metástase óssea, também é necessário avaliar a doença de origem e sua extensão.
O tratamento varia conforme o tipo de câncer, o tamanho e a localização do tumor, a presença ou não de metástases e o estado geral de saúde do paciente. Pode incluir cirurgia, quimioterapia, radioterapia, terapias-alvo, medicamentos para fortalecimento ósseo, controle da dor e reabilitação física. Nos tumores ósseos primários, o tratamento busca controlar ou eliminar a doença sempre que possível. Nas metástases ósseas, o cuidado pode ter como foco controlar a progressão, reduzir dor, prevenir fraturas e preservar mobilidade e qualidade de vida.
A prevenção do câncer ósseo primário nem sempre é simples, pois muitos casos não têm causa claramente definida. Ainda assim, é possível agir de forma preventiva no sentido mais amplo: manter acompanhamento médico regular, investigar dores persistentes, não minimizar fraturas sem causa proporcional, seguir corretamente o tratamento de cânceres já diagnosticados e buscar atendimento diante de sintomas novos. No caso das metástases ósseas, o controle adequado do câncer de origem e o acompanhamento contínuo são fundamentais para reduzir complicações.
Em resumo, tanto o câncer de cabeça e pescoço quanto o câncer ósseo exigem atenção a sinais persistentes e mudanças que não devem ser naturalizadas. No primeiro caso, os principais fatores de risco incluem tabagismo, consumo de álcool, infecção pelo HPV, exposição solar sem proteção e higiene bucal inadequada; feridas na boca que não cicatrizam, rouquidão prolongada, dificuldade para engolir, nódulos no pescoço e alterações persistentes na garganta ou na cavidade oral merecem avaliação. No câncer ósseo, que pode surgir no próprio osso ou decorrer de metástases de outros tumores, dor óssea contínua, piora noturna, inchaço, fraturas sem trauma significativo, perda de peso e limitação de movimentos são sinais de alerta. A prevenção passa por escolhas saudáveis, vacinação contra o HPV quando indicada, proteção solar, abandono do tabaco, redução do álcool, acompanhamento médico regular e investigação precoce de sintomas persistentes. Informação, cuidado e atenção ao próprio corpo são aliados importantes: quanto mais cedo uma alteração é reconhecida, maiores podem ser as possibilidades de tratamento, recuperação funcional, qualidade de vida e esperança.
Referências
- Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço. Julho Verde. https://sbccp.org.br/julhoverde/
- Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço. O que é câncer de cabeça e pescoço e como prevenir? https://sbccp.org.br/julhoverde/o-que-e-cancer-de-cabeca-e-pescoco-e-como-prevenir/
- Hospital de Câncer de Pernambuco. Julho Verde: campanha reforça importância da prevenção e do diagnóstico precoce dos cânceres de cabeça e pescoço. https://www.hcp.org.br/2025/07/01/julho-verde-campanha-do-hcp-reforca-importancia-da-prevencao-e-do-diagnostico-precoce-dos-canceres-de-cabeca-e-pescoco/
- Instituto Nacional de Câncer. Causas e prevenção do câncer. https://www.gov.br/inca/pt-br/assuntos/causas-e-prevencao-do-cancer
- Grupo Luta Pela Vida. Julho Amarelo alerta para importância do diagnóstico precoce do câncer ósseo. https://grupolutapelavida.org.br/2025/06/24/julho-amarelo-alerta-para-importancia-do-diagnostico-precoce-do-cancer-osseo/
- CAPES. Julho Amarelo mobiliza população contra câncer ósseo e hepatites virais. https://intranet.capes.gov.br/noticias/10696-julho-amarelo-mobiliza-populacao-contra-cancer-osseo-e-hepatites-virais
- A.C.Camargo Cancer Center. Câncer nos ossos: conheça os tipos e saiba como fazer o diagnóstico precoce. https://accamargo.org.br/sobre-o-cancer/noticias/cancer-nos-ossos-conheca-os-tipos-e-saiba-como-fazer-o-diagnostico-precoce
Alergia respiratória à noite: entenda por que os sintomas pioram e como prevenir crises
As doenças alérgicas estão entre as condições crônicas mais frequentes no mundo e podem comprometer a pele, o sistema respiratório, o trato gastrointestinal e, em alguns casos, podem provocar reações mais graves, como a anafilaxia. Estimativas indicam que as alergias afetam cerca de 30% a 40% da população mundial, com a rinite alérgica alcançando índices semelhantes no Brasil, segundo a Associação Brasileira de Alergia e Imunologia. O Dia Mundial da Alergia, celebrado em 8 de julho, a importância da informação, do diagnóstico adequado e da prevenção, especialmente em quadros respiratórios como rinite alérgica e asma, que podem piorar à noite e prejudicar o sono, causando ainda outros problemas advindos de uma rotina de sono irregular.
As alergias acontecem quando o sistema imunológico reage de forma exagerada a substâncias que, para a maioria das pessoas, seriam inofensivas, como ácaros, poeira, mofo, pólen, pelos de animais, alimentos, medicamentos ou outros agentes ambientais. Essa resposta pode causar sintomas na pele, no aparelho digestivo ou nas vias respiratórias, dependendo do tipo de alergia e da sensibilidade de cada pessoa.
No caso das alergias respiratórias, a rinite alérgica é uma das manifestações mais comuns. Ela ocorre quando a mucosa do nariz inflama após o contato com determinados gatilhos, provocando nariz entupido, coriza, espirros, coceira e redução do olfato. Em algumas pessoas, também pode haver coceira nos olhos, lacrimejamento, tosse e piora importante da qualidade do sono.
A asma também pode estar relacionada a fatores alérgicos e ambientais. Entre os sintomas mais frequentes estão tosse, chiado no peito, aperto torácico e dificuldade para respirar. O Ministério da Saúde destaca que os sintomas da asma podem piorar à noite, nas primeiras horas da manhã, durante exercícios físicos, diante da exposição a alérgenos, da poluição ambiental ou de mudanças climáticas.
A prevenção passa, principalmente, pela identificação e redução dos gatilhos. Manter os ambientes limpos, ventilados e livres de acúmulo de poeira, lavar roupas de cama com frequência, evitar tapetes, cortinas pesadas e objetos que acumulem ácaros são medidas que podem ajudar. Também é importante evitar automedicação e procurar avaliação médica quando os sintomas são persistentes, intensos ou associados à falta de ar.
Quando não controladas, alergias respiratórias podem comprometer o sono, a disposição, a concentração e a qualidade de vida. O tratamento pode incluir controle ambiental, medicamentos para aliviar ou prevenir crises e, em alguns casos, imunoterapia, sempre com orientação profissional.
Tem alergia à noite? Veja dicas para dormir melhor
Simone Machado
Entenda por que sintomas como espirros, coceira e congestão nasal se intensificam no período noturno e o que pode ajudar a ter uma noite de sono melhor
Quem sofre com alergias respiratórias sabe que nem sempre à noite é hora de descanso. Tem dias que basta deitar a cabeça no travesseiro para o nariz entupir e começar as crises de espirros. Parece que o corpo escolhe exatamente essa hora para manifestar os sintomas. E essa sensação tem explicação.
À noite, o corpo passa por mudanças naturais. A produção de cortisol, hormônio que ajuda a controlar inflamações, diminui. Com isso, o sistema imunológico fica mais “livre” para reagir a estímulos alérgicos, o que pode agravar sintomas de rinite e asma. Além disso, a posição deitada facilita o acúmulo de secreções nas vias respiratórias e aumenta a sensação de congestão.
“Muitas vezes, o paciente percebe uma piora dos sintomas no período noturno também porque está um pouco mais relaxado, sem as distrações que ocorrem ao longo do dia. Além disso, existe um fator importante que pode influenciar a piora dos sintomas: a própria posição de dormir”, explica Fausto Yoshio Matsumoto, coordenador do Departamento Científico de Rinite da ASBAI – Associação Brasileira de Alergia e Imunologia.
Ao ficar deitado, os sintomas respiratórios nasais ou pulmonares podem piorar. Quando o corpo está nessa posição, há uma redistribuição natural do sangue, e a região da cabeça recebe um fluxo maior. Esse aumento faz com que os vasos da mucosa nasal se encham mais, provocando inchaço e dificultando a passagem do ar. Em quem já tem rinite, esse efeito se torna ainda mais evidente.
“Para quem tem asma, a posição deitada pode aumentar a resistência das vias aéreas inferiores, o que contribui para a sensação de falta de ar”, detalha a alergista Brianna Nicoletti.
Outro vilão noturno são os próprios ambientes internos. O quarto costuma ser um dos locais com maior concentração de ácaros, poeira e mofo, inimigos de quem tem alergia respiratória. Colchões, travesseiros e cobertores acumulam micropartículas que, com o tempo, se tornam verdadeiros depósitos de alérgenos. Até o ar-condicionado pode contribuir para a piora dos sintomas se o filtro não for limpo com frequência.
Para dormir melhor, é importante cuidar do ambiente e criar uma rotina de higiene que reduza o contato com gatilhos alérgicos. Usar capas antiácaro em travesseiros e colchões, lavar a roupa de cama com frequência, evitar tapetes e cortinas e manter o ambiente ventilado podem ajudar a reduzir os sintomas. Umidificadores e purificadores de ar também ajudam, desde que sejam limpos regularmente.
“O quarto precisa ser bem ventilado e livre de objetos que acumulam poeira, como tapetes, cortinas de tecido pesado e bichos de pelúcia. Animais de estimação não devem dormir no ambiente”, acrescenta Nicoletti.
Mas é importante relembrar que, no caso de sintomas de falta de ar ao deitar, é necessária uma avaliação médica, considerando outros problemas além da alergia, como apneia do sono e insuficiência cardíaca.
Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br/saude/tem-alergia-a-noite-veja-dicas-para-dormir-melhor/
Demais referências:
Junho Laranja “acende alerta” para anemia e leucemia
Junho Laranja é uma campanha nacional de conscientização sobre a anemia e a leucemia, duas doenças que afetam o sangue e podem apresentar sintomas semelhantes, como cansaço excessivo, palidez e fraqueza. Apesar da semelhança inicial, as duas condições possuem causas, tratamentos e graus de gravidade bastante diferentes. A Organização Mundial da Saúde (OMS) define anemia como uma condição em que os níveis de hemoglobina no sangue estão abaixo dos valores considerados adequados para a idade, sexo e condições fisiológicas da pessoa. Já o Ministério da Saúde reforça que o diagnóstico deve ser sempre confirmado por avaliação clínica e exames laboratoriais específicos. A campanha Junho Laranja busca alertar a população sobre a importância de reconhecer os sinais de alerta, procurar atendimento médico precoce, realizar os exames indicados e manter o acompanhamento adequado.
Embora anemia e leucemia possam apresentar sintomas semelhantes, elas não devem ser confundidas. A anemia é uma alteração do sangue que pode ter causas nutricionais, inflamatórias, genéticas ou hemorrágicas, enquanto a leucemia é uma neoplasia hematológica. Enquanto algumas formas de anemia podem ser prevenidas ou tratadas com alimentação equilibrada, investigação de possíveis perdas sanguíneas e correção de deficiências nutricionais (como ferro, vitamina B12 e ácido fólico), a leucemia, na maioria dos casos, não possui uma forma específica de prevenção. Por isso, o diagnóstico precoce torna-se essencial para aumentar as chances de sucesso no tratamento.
A anemia acontece quando o sangue perde parte da sua capacidade de levar oxigênio para o corpo. A sua causa mais comum é a falta de ferro, mas ela também pode ocorrer por deficiência de vitaminas, doenças crônicas, alterações genéticas ou perdas de sangue. Os sintomas mais frequentes são cansaço, palidez, fraqueza, tontura, falta de ar, sonolência e dificuldade de concentração. E, nesse contexto, o tratamento da anemia depende da sua causa (envolve reposição de ferro ou de outros nutrientes, ajustes na alimentação e investigação de possíveis sangramentos ou doenças associadas). Quando não tratada, a anemia pode prejudicar a qualidade de vida, reduzir a capacidade de trabalho e estudo, agravar doenças pré-existentes e, em situações mais graves, exigir cuidados especializados. A prevenção passa por alimentação adequada, acompanhamento de grupos de maior risco, realização de exames quando houver sintomas persistentes e tratamento correto das condições que favorecem perdas de sangue ou má absorção de nutrientes.
Já a leucemia, por sua vez, é um tipo de câncer que afeta o sangue e a medula óssea, parte do corpo responsável por produzir as células do sangue. Na leucemia, células doentes passam a se multiplicar de forma descontrolada e atrapalham a produção normal dessas células. Os sintomas podem incluir febre persistente, infecções frequentes, cansaço intenso, palidez, manchas roxas sem motivo aparente, sangramentos, dores nos ossos ou nas articulações, ínguas aumentadas, perda de peso e suor noturno. As causas nem sempre são conhecidas, mas alguns fatores podem aumentar o risco, como exposição a radiação, certas substâncias químicas, tratamentos anteriores contra câncer, algumas condições genéticas e histórico familiar em situações específicas. O tratamento pode incluir quimioterapia, imunoterapia, medicamentos específicos, transplante de medula óssea e acompanhamento com especialista.
Diante de sintomas persistentes como cansaço intenso, palidez, tontura, febre recorrente, manchas roxas sem explicação ou sangramentos, é importante procurar avaliação médica. O diagnóstico correto permite diferenciar alterações simples de condições mais graves e iniciar o tratamento adequado. Leia a reportagem completa e entenda por que anemia e leucemia exigem atenção, investigação e acompanhamento especializado.
Campanha Junho Laranja destaca importância do diagnóstico precoce da anemia e da leucemia
Por Alessandro Cavalcanti / Aleam
O mês de junho é marcado pela campanha Junho Laranja, movimento nacional de conscientização sobre a anemia e a leucemia, doenças que afetam milhares de brasileiros e exigem diagnóstico precoce para aumentar as chances de tratamento e recuperação. A iniciativa busca alertar a população sobre os principais sintomas, incentivar a prevenção e ampliar o debate sobre a importância do acompanhamento médico e da doação de sangue.
A campanha Junho Laranja também evidencia o papel da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) na construção de políticas públicas voltadas à promoção da saúde. Ao longo dos últimos anos, o Parlamento Estadual tem aprovado leis e projetos que fortalecem a assistência a pacientes com doenças do sangue, incentivam a doação voluntária e ampliam o acesso a tratamentos especializados em todo o estado.
Entre as iniciativas aprovadas pela Casa está a Lei nº 6.377/2023, proposta pelo Projeto de Lei (PL) nº 383/2021, do então deputado Roberto Cidade (UB), que garante atendimento prioritário a doadores de sangue raro e fenotipados convocados pelos bancos de sangue do Amazonas, contribuindo para a agilidade em emergências e para a manutenção dos estoques estratégicos de hemocomponentes.
“Pretendemos criar condições para que o sangue raro ou específico (fenotipado) chegue o mais rápido possível ao paciente que necessita transfusão ou que garanta estoque de reserva para possíveis emergências durante cirurgias”, justificou Cidade.
Talassemia
A atuação da Assembleia Legislativa também alcança pacientes que dependem de transfusões frequentes. A Lei nº 8.040/2026, sancionada através do PL nº 28/2025, da deputada Dra. Mayara Pinheiro Reis (Republicanos), assegura acesso prioritário a programas de doação e distribuição de sangue para pessoas diagnosticadas com talassemia, além de prever campanhas de conscientização e mecanismos de identificação para facilitar o atendimento desses pacientes.
“A lei propõe uma resposta direta às necessidades de saúde de uma população vulnerável, além de atuar de forma preventiva, assegurando que os pacientes com talassemia possam viver com mais segurança e dignidade”, explicou a parlamentar estadual.
Anemia e leucemia
A leucemia é um tipo de câncer que afeta o sangue e a medula óssea, tecido responsável pela produção das células sanguíneas. A doença ocorre quando células anormais passam a se multiplicar de forma descontrolada, comprometendo a produção de glóbulos brancos, vermelhos e plaquetas. Entre os sintomas mais comuns estão cansaço excessivo, palidez, febre frequente, sangramentos, manchas roxas pelo corpo e infecções recorrentes.
O diagnóstico precoce é fundamental para aumentar as chances de tratamento e cura.
Já a anemia é uma condição caracterizada pela redução da quantidade de hemoglobina no sangue, substância responsável por transportar oxigênio para os tecidos do corpo. A forma mais comum é a anemia por deficiência de ferro, conhecida como anemia ferropriva. Os principais sintomas incluem fadiga, fraqueza, tontura, falta de ar, sonolência e dificuldade de concentração. Embora possa ter diferentes causas, a anemia geralmente está relacionada à deficiência nutricional ou à perda de sangue.
Apesar de apresentarem sintomas semelhantes, como cansaço e palidez, leucemia e anemia são doenças diferentes. Em alguns casos, a anemia pode surgir como consequência da leucemia, já que a doença compromete a produção normal das células sanguíneas pela medula óssea.
Disponível em:
Demais referências:
- Ministério da Saúde - Biblioteca Virtual em Saúde - Anemia: https://bvsms.saude.gov.br/anemia/
- Ministério da Saúde - Conitec - Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas de Anemia por Deficiência de Ferro: https://www.gov.br/conitec/pt-br/midias/consultas/relatorios/2023/relatorio-tecnico-pcdt-anemia-por-deficiencia-de-ferro
- Instituto Nacional de Câncer - INCA - Detecção precoce do câncer: https://www.inca.gov.br/sites/ufu.sti.inca.local/files/media/document/deteccao-precoce-do-cancer.pdf
- Ministério da Saúde / Hospitais Universitários Federais - Campanha Junho Laranja destaca prevenção e tratamento de doenças sanguíneas: https://www.gov.br/hubrasil/pt-br/comunicacao/noticias/campanha-junho-laranja-destaca-prevencao-e-tratamento-de-doencas-sanguineas
Junho Vermelho promove ações esta semana pela doação de sangue em Brasília
Junho é o mês dedicado à conscientização sobre a importância da doação de sangue. A mobilização ganhou destaque em 14 de junho, dia em que se celebra o Dia Mundial do Doador de Sangue, data reconhecida internacionalmente pela Organização Mundial da Saúde para agradecer aos doadores voluntários e lembrar a necessidade contínua de estoques seguros de sangue. No Distrito Federal, o Hemocentro de Brasília lançou uma programação especial para o Junho Vermelho de 2026, com ações educativas, campanha nacional, coletas externas e a segunda edição da corrida “Tá no Sangue Run”. Entre as atividades previstas, estão coleta externa na Faculdade Mackenzie Brasília, em 25 de junho, das 9h às 16h, e a “Tá no Sangue Run”, marcada para 27 de junho, prevista para 17h30, no Memorial dos Povos Indígenas, com caminhada de 3 km e corrida de 6 km. Para doar sangue, é necessário estar saudável, ter entre 16 e 69 anos, pesar mais de 51 kg e apresentar documento oficial com foto. O agendamento é recomendado e pode ser feito pelo site: agenda.df.gov.br ou pelo telefone: 160, opção 2. A reportagem completa apresenta os detalhes da programação do Junho Vermelho no Distrito Federal, incluindo as ações educativas, os locais de coleta externa, a corrida “Tá no Sangue Run” e as orientações para quem deseja doar. Confira as informações e veja como participar dessa mobilização em favor da vida.
A doação de sangue é um gesto simples, seguro e capaz de ajudar pessoas em situações muito diferentes: vítimas de acidentes, pacientes em cirurgias, pessoas em tratamento contra o câncer, mulheres com complicações no parto, recém-nascidos, pacientes com doenças hematológicas e pessoas que precisam de transfusões de forma regular. De fato, os bancos de sangue precisam manter estoques constantes, variados (para atender qualquer tipo sanguíneo) e seguros (para evitar contaminações). Ocorre que em algumas emergências, uma única pessoa pode precisar de várias bolsas de sangue ou de diferentes hemocomponentes, como concentrado de hemácias, plaquetas e plasma.
Nesse contexto, a doação regular é especialmente importante porque a renovação do sangue não ocorre em escala para substituir as doações humanas. Além disso, alguns componentes têm validade curta, o que torna indispensável a participação contínua de novos doadores, além dos doadores frequentes.
Para doar, é preciso levar documento oficial com foto e estar em boas condições de saúde. Imediatamente antes da doação é importante dormir pelo menos seis horas na noite anterior e alimentar-se adequadamente. Hidrate-se e prefira a ingestão de comidas leves. Evite alimentos gordurosos como açaí, abacate, leite e derivados, massas, frituras, ovos, maionese, sorvete e chocolate. Não faça uso de bebida alcoólica nas doze horas anteriores à doação e não fume nas duas horas antes da doação. Algumas situações impedem e / ou exigem adiamento temporário, como infecções recentes, uso de medicamentos, como alguns hormônios, procedimentos como tatuagem ou piercing em período recente, amamentação ou consumo de bebida alcoólica nas horas anteriores.
Assim sendo, diante de todos esses cuidados e requisitos, o Junho Vermelho nos lembra que salvar vidas não depende apenas de boa vontade individual, mas de uma verdadeira mobilização coletiva e a campanha representa uma valiosa oportunidade para transformar atitudes e conscientizar a sociedade sobre a importância real da doação de sangue.
Hemocentro de Brasília lança programação do Junho Vermelho com campanha nacional
Agência Brasília* | Edição: Paulo Soares
Iniciativas ao longo de todo o mês de junho buscam ampliar a doação voluntária de sangue no Distrito Federal em ano de Copa do Mundo
Em ano de Copa do Mundo, a Fundação Hemocentro de Brasília (FHB) entra em campo por uma causa que não para: a doação voluntária de sangue. A instituição lança sua programação do Junho Vermelho 2026 com ações distribuídas por todo o mês no DF - a campanha nacional “O Jogo Mais Importante do Ano”, um game interativo inédito para doadores, coletas externas em parceria com o Governo do Distrito Federal e a segunda edição da corrida Tá no Sangue Run, em parceria com o Grupo Band.
“Junho Vermelho é o momento em que toda a sociedade volta a atenção para a doação de sangue, e este ano queremos aproveitar o clima da copa para ampliar ainda mais esse alcance. Estamos chegando às pessoas em diferentes frentes - nas redes sociais, nos órgãos de governo, nas ruas - porque precisamos que mais brasilienses entendam que doar sangue é um gesto simples e que faz diferença real na vida de quem depende de uma transfusão”, afirma Osnei Okumoto, presidente da FHB.
O Hemocentro de Brasília, único banco de sangue público do Distrito Federal, é responsável por 100% das transfusões realizadas pelo SUS no DF, atendendo hospitais como o Hospital da Criança, o Instituto de Cardiologia e Transplantes do DF, o Hospital das Forças Armadas, o Sarah Kubitschek e o HUB, entre outros. A instituição recebe mais de 50 mil doações voluntárias por ano.
Desenvolvida pela iniciativa Hemocentros Unidos, a campanha “O Jogo Mais Importante do Ano” conecta o espírito coletivo do futebol à causa da doação: assim como uma seleção depende de cada jogador, o sistema público de saúde depende de doadores regulares. A FHB adere à campanha com publicações ao longo de todo este mês, com destaque para o Dia Mundial do Doador de Sangue, em 14 de junho.
Ainda neste mês, a instituição lança uma ferramenta de gamificação interativa desenvolvida em parceria com a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação do DF (Secti-DF), que transforma o tempo de espera nas dependências do Hemocentro em experiência educativa, com quiz, desafios e conteúdos sobre doação.
Coletas externas: o Hemocentro vai até o doador
Em 25 de junho, a coleta acontece na Faculdade Mackenzie Brasília, também das 9h às 16h, em ação simultânea à entrega de kits da corrida Tá no Sangue Run.
Corrida
No dia 27 de junho, às 17h30, a FHB e o Grupo Band realizam a segunda edição da Tá no Sangue Run, no Memorial dos Povos Indígenas, com percursos de 3 km, caminhada, e 6 km, corrida. Os inscritos recebem kit com sacochila, cantil, boné, camiseta e medalha, além de premiação por categoria. As inscrições podem ser realizadas pelo site Brasil Corrida.
Como doar
Pode ser doador de sangue qualquer pessoa saudável entre 16 e 69 anos, que pese mais de 51 kg e apresente documento oficial com foto. Doadores de 16 e 17 anos precisam de autorização dos pais ou responsáveis.
Alguns critérios impedem temporariamente a doação: ter ingerido bebida alcoólica nas 12 horas anteriores, estar em uso de antibióticos, ter se tatuado ou feito piercing nos últimos doze meses, ter tido gripe ou resfriado recentemente, ou estar em período de amamentação. A lista completa de critérios está disponível no site da FHB.
O agendamento é recomendado e pode ser feito pelo site agenda.df.gov.br ou pelo telefone 160, opção 2.
Serviço
Coleta externa - Mackenzie Brasília
Data: 25 de junho de 2026
Horário: 9h às 16h
Local: Faculdade Mackenzie Brasília - SGAS 902, Asa Sul, Brasília (DF)
2ª Tá no Sangue Run
Data: 27 de junho de 2026
Horário: largada às 17h30
Local: Memorial dos Povos Indígenas - Brasília (DF)
Percursos: 3 km, caminhada, e 6 km, corrida
Inscrições: brasilcorrida.com.br
Doação de sangue - Fundação Hemocentro de Brasília
Agendamento: agenda.df.gov.br ou 160, opção 2
Com informações do Hemocentro de Brasília
Disponível em: https://www.agenciabrasilia.df.gov.br/w/hemocentro-de-brasilia-lanca-programacao-do-junho-vermelho-com-campanha-nacional
Demais referências:
- Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde. Dia Mundial do Doador de Sangue: https://www.paho.org/pt/dia-mundial-doador-sangue
- Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde. 14/6 - Dia Mundial do Doador de Sangue: https://bvsms.saude.gov.br/14-6-dia-mundial-do-doador-de-sangue-2/
- Ministério da Saúde. Dia Mundial do Doador de Sangue é celebrado nesta sexta, 14: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2024/junho/dia-mundial-do-doador-de-sangue-e-celebrado-nesta-sexta-14
- Ministério do Trabalho e Emprego. O que você precisa saber para doar sangue.: https://www.gov.br/trabalho-e-emprego/pt-br/assuntos/semana-do-trabalho/hemocentro.pdf.
Comportamento sedentário no ambiente de trabalho: riscos e estratégias práticas de enfrentamento
Longos períodos sentado fazem parte da rotina de muitos ambientes administrativos, mas esse hábito, muitas vezes visto como inevitável, pode trazer riscos importantes à saúde. O comportamento sedentário é caracterizado pelo tempo acordado passado sentado ou reclinado, com baixo gasto de energia. No trabalho, ele costuma estar associado ao uso prolongado do computador, reuniões extensas, acúmulo de tarefas administrativas e poucas pausas durante o dia. Com o tempo, esse padrão pode contribuir para maior risco de doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2, alguns tipos de câncer e piora da circulação e do metabolismo. Nesse contexto, embora a atividade física regular seja fundamental, ela não elimina completamente os efeitos de permanecer sentado por muitas horas seguidas. No ambiente de trabalho, cuidar da saúde também passa por escolhas pequenas e repetidas. Sentar-se menos, movimentar-se mais e interromper longos períodos de inatividade são atitudes acessíveis, baseadas em evidências, que podem melhorar a qualidade de vida, a energia e o bem-estar dos servidores.
O ambiente de trabalho contemporâneo, especialmente em atividades predominantemente administrativas, tem se caracterizado por longos períodos na posição sentada. Esse padrão comportamental, denominado comportamento sedentário, é definido como o tempo acordado gasto sentado ou reclinado, com baixo gasto energético.
Embora muitas vezes naturalizado na rotina laboral, o acúmulo de horas sentado constitui um fator de risco independente para a saúde.
Por que o tempo sentado importa?
Evidências científicas consolidadas, como as diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS), demonstram que maiores níveis de comportamento sedentário estão associados a:
· aumento da mortalidade por todas as causas;
· maior risco de doenças cardiovasculares;
· maior incidência de câncer e
· maior risco de diabetes tipo 2.
Além disso, sabe-se que a prática de exercícios físicos, embora essencial, não elimina completamente os efeitos negativos de permanecer sentado por muitas horas ao longo do dia. Ou seja, é possível ser fisicamente ativo e, ainda assim, sofrer os impactos de um comportamento sedentário prolongado.
Outro ponto relevante é que o corpo humano foi projetado para o movimento frequente. A contração muscular regular desempenha papel importante no metabolismo da glicose, na circulação sanguínea e na regulação de processos inflamatórios. Quando permanecemos sentados por longos períodos, esses mecanismos tornam-se menos eficientes.
Quanto ao tempo máximo recomendado na posição sentada, não existe um “tempo seguro” universal — mas existe um consenso. As diretrizes internacionais não estabelecem um limite exato de horas sentado considerado seguro, devido à variabilidade entre indivíduos e contextos. No entanto, há um consenso claro: quanto menor o tempo sedentário, melhor para a saúde — e qualquer movimento já traz benefício. Substituir parte do tempo sentado por atividades leves (como levantar, caminhar ou alongar-se) já está associado a ganhos relevantes.
O que pode ser feito na prática no ambiente do tribunal?
A boa notícia é que não são necessárias mudanças radicais para reduzir o comportamento sedentário. Pequenas interrupções ao longo do dia têm impacto significativo.
Estratégias simples e viáveis no contexto laboral:
· interromper o tempo sentado regularmente;
· levantar-se por 2 a 5 minutos a cada 30–60 minutos;
· inserir pausas ativas breves - alongamentos, mobilidade de coluna, tornozelos e ombros;
· aproveitar atividades rotineiras para se movimentar:
. ir pessoalmente falar com um colega (quando possível);
. levantar-se para atender telefonemas;
. utilizar escadas em vez de elevador;
· alternar posturas sempre que possível - variar entre sentado e em pé (sem permanecer imóvel em nenhuma delas);
. realizar caminhadas curtas ao longo do expediente (pequenos deslocamentos já contribuem para reduzir o tempo sedentário total).
Mensagem-chave:
· Fazer atividade física é fundamental — mas não é suficiente se o restante do dia for predominantemente sedentário.
· O corpo responde melhor à frequência de movimento ao longo do dia do que a longos períodos de inatividade compensados por um único momento de exercício.
· Movimentar-se mais e sentar-se menos deve ser entendido como uma estratégia contínua de promoção de saúde no trabalho.
Conclusão:
· Reduzir o comportamento sedentário no ambiente do tribunal não depende apenas de grandes intervenções estruturais, mas sobretudo de mudanças comportamentais acessíveis e sustentáveis.
· Promover pausas, incentivar o movimento e conscientizar sobre os riscos do tempo prolongado sentado são medidas simples, baseadas em evidência, e com potencial real de impacto na saúde e na qualidade de vida dos servidores.

Vacinação: uma proteção que atravessa gerações
O dia 9 de junho marca o Dia Nacional da Imunização, data lembrada pelo Ministério da Saúde para reforçar a importância de manter a vacinação em dia em todas as fases da vida. A imunização é uma das estratégias mais eficazes já desenvolvidas para prevenir doenças, reduzir complicações, evitar internações e proteger a coletividade. Ao longo da história, as vacinas transformaram a saúde pública. Doenças que antes causavam mortes, sequelas e medo nas famílias passaram a ser controladas, eliminadas ou drasticamente reduzidas graças à vacinação em massa, à vigilância epidemiológica e à confiança da população na ciência. A reportagem a seguir destaca esse impacto de forma concreta: desde 1974, as vacinas evitaram milhões de mortes no mundo, principalmente entre crianças pequenas, e seguem sendo fundamentais para proteger a infância e impedir o retorno de doenças já controladas.
Vacina é uma preparação biológica desenvolvida para ensinar o sistema imunológico a reconhecer e a combater determinados agentes infecciosos, como vírus ou bactérias. Em vez de esperar que a pessoa adoeça para só então produzir defesa, a vacinação antecipa esse aprendizado de forma controlada e segura, reduzindo o risco de formas graves, complicações e transmissão de doenças.
A história moderna das vacinas tem como marco o trabalho do médico inglês Edward Jenner, no fim do século XVIII, a partir da observação de que pessoas expostas à varíola bovina pareciam ficar protegidas contra a varíola humana. Em 1796, Jenner realizou o experimento que ficou conhecido como o início da vacinação moderna, abrindo caminho para uma das maiores conquistas da saúde pública mundial.
Em algumas crianças, é possível haver reações leves e passageiras após a vacinação, como dor, vermelhidão ou inchaço no local da aplicação, febre baixa, irritabilidade, sonolência ou redução temporária do apetite. Na maior parte das vezes, esses sintomas melhoram espontaneamente em pouco tempo e indicam uma resposta esperada do organismo. Os cuidados costumam incluir hidratação, repouso, compressa no local, quando indicada, e uso de antitérmico ou analgésico apenas conforme orientação do pediatra ou profissional de saúde. Outras reações mais intensas e persistentes devem motivar avaliação médica. Mas a regra é que a vacinação, quando mantida em dia, protege a criança, a sua família e toda a comunidade.
Vacinas evitaram 154 milhões de mortes e seguem essenciais na infância
Jéssica Andrade
Apesar do impacto histórico na redução da mortalidade infantil, queda na cobertura vacinal preocupa o Brasil e no mundo
A vacinação infantil já evitou 154 milhões de mortes no mundo desde 1974, sendo 95% entre crianças com menos de 5 anos, um dos dados mais contundentes da saúde pública global e que reforça a importância de manter altas coberturas vacinais.
Mesmo com esse impacto histórico, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) alerta para uma queda recente na adesão às vacinas, cenário que preocupa autoridades sanitárias no Brasil e no exterior. A imunização na primeira infância, considerada uma das estratégias mais eficazes para salvar vidas, enfrenta desafios que vão desde desinformação até dificuldades de acesso em alguns contextos.
O debate ganhou força após os Estados Unidos suspenderem, no início de 2026, a recomendação de seis das 17 vacinas do calendário infantil, incluindo imunizantes contra gripe, hepatites A e B e rotavírus. A decisão gerou preocupação entre especialistas, que veem risco de aumento na hesitação vacinal e possíveis impactos globais na proteção coletiva.
“A diminuição da imunização em um país com a influência dos Estados Unidos ressoa como um alerta sanitário global”, afirmou o presidente do Departamento de Imunizações da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), Eduardo Jorge da Fonseca Lima, em artigo.
No Brasil, o histórico de sucesso das campanhas de vacinação é amplamente reconhecido. O país erradicou a poliomielite, eliminou a rubéola congênita e reduziu drasticamente mortes por doenças infecciosas ao longo das últimas décadas, graças ao alcance do Programa Nacional de Imunizações (PNI) e à oferta gratuita pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
No entanto, os índices recentes mostram sinais de alerta. Dados do Ministério da Saúde indicam que apenas duas vacinas obrigatórias para recém-nascidos (BCG e hepatite B) alcançaram cobertura acima de 95%. Ainda assim, houve queda em relação ao ano anterior.
O cenário não é exclusivo do Brasil. Segundo estimativas do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e da Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 2,7 milhões de crianças no mundo estão com vacinas atrasadas ou sequer iniciaram o esquema vacinal, em comparação ao período pré-pandemia.
O Anuário VacinaBR, relatório estatístico de vacinação no Brasil 2000 – 2023, destaca que nas últimas cinco décadas, as vacinas tiveram um papel central na redução da mortalidade infantil, representando 40% da queda global dessa estatística. “Desde 1974, os imunizantes evitaram 154 milhões de mortes, 95% delas entre crianças menores de 5 anos”, aponta o documento desenvolvido pelo Instituto Questão de Ciência (IQC).
Especialistas destacam que a vacinação vai além da proteção individual. Ao reduzir a circulação de vírus, ela protege toda a comunidade e evita o ressurgimento de doenças já controladas.
Além disso, a imunização precoce tem efeitos duradouros: diminui o risco de sequelas neurológicas e respiratórias, reduz hospitalizações e contribui para uma vida adulta mais saudável.
Disponível em:
Demais fontes:
• https://bvsms.saude.gov.br/09-6-dia-da-imunizacao/
• https://www.ccms.saude.gov.br/revolta/personas/jenner.html
• https://familia.sbim.org.br/vacinas/duvidas-frequentes
• https://www.ccms.saude.gov.br/revolta/personas/jenner.html
Transtornos alimentares: reconhecer os sinais é o primeiro passo para buscar cuidado
O dia 2 de junho marca o Dia Mundial de Conscientização dos Transtornos Alimentares, uma data dedicada à informação, ao acolhimento e ao combate ao preconceito contra pessoas que convivem com essas condições. Transtornos como anorexia nervosa, bulimia nervosa e compulsão alimentar são doenças relacionadas à saúde mental, têm tratamento e podem afetar de forma importante a saúde física, emocional e social. Falar sobre o tema ajuda a ampliar o reconhecimento dos sinais de alerta, reduzir estigmas e incentivar a busca por apoio especializado. No TJDFT, servidoras, servidores, magistradas e magistrados também podem contar com o Programa Pró-Vida - Saúde além da balança, que oferece acolhimento e orientação em questões relacionadas à saúde física e mental, contribuindo para a identificação de necessidades de cuidado e para os encaminhamentos adequados.
No Brasil, fontes recentes e materiais técnicos costumam destacar como transtornos alimentares mais comuns: anorexia nervosa, bulimia nervosa e transtorno de compulsão alimentar. Todos eles envolvem sofrimento psíquico, alterações no comportamento alimentar e impacto na saúde mental, mas se manifestam de formas diferentes e exigem atenção individualizada.
A anorexia nervosa costuma envolver restrição alimentar intensa, medo persistente de ganhar peso e percepção distorcida do próprio corpo. A pessoa pode reduzir drasticamente a alimentação, evitar grupos de alimentos, pesar-se repetidamente, praticar exercícios de forma excessiva ou negar a gravidade da perda de peso. Suas causas são multifatoriais, envolvendo vulnerabilidade genética, ansiedade, perfeccionismo, pressão estética, experiências de bullying, traumas e fatores familiares ou socioculturais. Quando não tratada, pode levar a desnutrição, alterações hormonais, osteopenia, arritmias, infertilidade, isolamento social e risco aumentado de morte.
A bulimia nervosa é marcada por episódios de ingestão alimentar com sensação de perda de controle, seguidos por tentativas de compensação, como vômitos provocados, uso indevido de laxantes ou diuréticos, jejuns prolongados ou exercício físico excessivo. Muitas vezes, a pessoa mantém peso dentro da faixa esperada, o que pode atrasar o diagnóstico. Entre os sinais de alerta estão idas frequentes ao banheiro após as refeições, culpa intensa depois de comer, preocupação excessiva com forma corporal, oscilações de humor e lesões relacionadas aos vômitos, como desgaste dentário e inflamação na garganta. As consequências podem incluir desequilíbrios hidroeletrolíticos, alterações cardíacas, problemas gastrointestinais, ansiedade, depressão e prejuízo importante da autoestima.
O transtorno de compulsão alimentar envolve episódios recorrentes de comer uma quantidade maior do que a habitual, em pouco tempo, com sensação de perda de controle e sofrimento depois. Diferentemente da bulimia, não há comportamentos compensatórios regulares. A compulsão pode estar associada a estresse, ansiedade, tristeza, privação alimentar, dietas muito restritivas, alterações do sono, impulsividade e dificuldade de lidar com emoções. Seus desfechos possíveis incluem ganho de peso, obesidade, diabetes tipo 2, hipertensão, piora da autoestima, isolamento, culpa e maior risco de depressão e ansiedade.
Embora esses transtornos tenham apresentações diferentes, eles não devem ser reduzidos a “falta de força de vontade” ou “exagero com a aparência”. São condições complexas, que envolvem corpo, emoções, hábitos, ambiente e história de vida. Por isso, informação de qualidade é essencial para reconhecer sinais precoces, evitar julgamentos e incentivar a busca por cuidado.
Estratégias para uma relação mais saudável com a alimentação
Algumas atitudes podem ajudar a construir uma relação mais equilibrada com a alimentação e a perceber quando o comportamento alimentar está deixando de ser apenas um hábito cotidiano para se tornar fonte de sofrimento.
- Observar emoções associadas à comida: ansiedade, tristeza, estresse, culpa ou tédio podem influenciar a forma como a pessoa se alimenta.
- Evitar dietas extremamente restritivas sem acompanhamento: restrições rígidas podem aumentar a sensação de privação e favorecer episódios de descontrole.
- Manter uma rotina alimentar possível e regular: longos períodos sem se alimentar podem aumentar a fome intensa e dificultar escolhas conscientes.
- Reduzir julgamentos sobre o corpo e sobre a comida: classificar alimentos ou comportamentos como “proibidos”, “fracasso” ou “culpa” pode aumentar o sofrimento.
- Buscar apoio quando houver perda de controle, vergonha ou sofrimento recorrente: quando a alimentação passa a gerar angústia, isolamento ou prejuízo à saúde, é importante procurar ajuda especializada.
- Valorizar o cuidado integral: sono, saúde mental, rotina, vínculos, acompanhamento médico, orientação nutricional e psicoterapia podem fazer parte do processo de recuperação.
Quando procurar ajuda?
Mudanças persistentes na relação com a alimentação, preocupação excessiva com peso e imagem corporal, episódios frequentes de perda de controle ao comer, comportamentos compensatórios após as refeições ou sofrimento emocional relacionado à comida merecem atenção.
Buscar ajuda precocemente aumenta as chances de recuperação e reduz os impactos desses transtornos na saúde física, emocional e social. O tratamento geralmente envolve acompanhamento multiprofissional, podendo incluir médicos, nutricionistas, psicólogos e outros profissionais de saúde, conforme cada caso.
No TJDFT, servidoras, servidores, magistradas e magistrados podem contar com o apoio do Programa Pró-Vida - Saúde além da balança, que oferece acolhimento e orientação em situações relacionadas à saúde física e mental. O programa pode auxiliar na identificação de necessidades de cuidado e nos encaminhamentos adequados para acompanhamento especializado.
Cuidar da saúde mental também é cuidar da relação com a alimentação.
Fique atento aos sinais de alerta:
- Restrição alimentar intensa ou medo excessivo de ganhar peso;
- Episódios recorrentes de perda de controle ao comer;
- Culpa, vergonha ou sofrimento após as refeições;
- Uso de vômitos, laxantes, jejuns prolongados ou exercícios excessivos para compensar a alimentação;
- Isolamento social relacionado à comida ou à imagem corporal;
- Oscilações importantes de peso e humor.
Referências:
24 dias pela visão
No mês em que o Brasil celebra o Dia Nacional de Combate ao Glaucoma, celebrado em 26 de maio e instituído pela Lei nº 10.456/2002, a campanha “24 Dias pelo Glaucoma” reforça a importância do diagnóstico precoce, do acompanhamento oftalmológico regular e da adesão ao tratamento. A doença pode evoluir de forma silenciosa, sem sintomas no início, e causar perda visual irreversível quando não identificada e tratada a tempo. Em 2026, a campanha nacional, iniciativa do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) e da Sociedade Brasileira de Glaucoma (SBG), foi ampliada: a mobilização antes concentrada em 24 horas passou a ocorrer ao longo de 24 dias, com ações educativas, entrevistas, conteúdos informativos e participação de especialistas. O site oficial da campanha reúne informações acessíveis, materiais educativos e vídeos sobre glaucoma, fatores de risco, prevenção, diagnóstico e tratamento. O conteúdo promete apoiar, de forma bastante robusta, nossa comunidade, na busca por informação segura sobre saúde ocular. A proposta é fazer a informação chegar a mais pessoas e reforçar uma mensagem simples: cuidar da visão antes dos sintomas aparecerem pode evitar perdas irreversíveis. Para ampliar o cuidado com a saúde ocular, consulte a Cartilha sobre Glaucoma na página de Manuais e Cartilhas da SESA (https://tjdf.sharepoint.com/sites/intranet-sesa/SitePages/Manuais-e-cartilhas.aspx) e compartilhe informação segura com colegas e familiares.
O glaucoma é uma doença ocular crônica que compromete o nervo óptico, estrutura responsável por conduzir as informações visuais dos olhos até o cérebro. Em muitos casos, está relacionado ao aumento da pressão intraocular, mas também pode ocorrer por outros mecanismos. Por isso, a avaliação oftalmológica é indispensável para identificar alterações antes que a pessoa perceba perda de visão.
Uma das características mais preocupantes do glaucoma é sua evolução silenciosa. Nas fases iniciais, a pessoa geralmente não sente dor, não nota vermelhidão e pode continuar enxergando aparentemente bem. Com o avanço da doença, a perda costuma atingir primeiro a visão periférica, aquela que permite perceber objetos e movimentos ao redor, podendo passar despercebida por bastante tempo.
Entre os principais fatores de risco estão idade acima de 40 anos, histórico familiar de glaucoma, pressão intraocular elevada, alta miopia, diabetes, hipertensão arterial, uso prolongado de corticoides e maior predisposição em alguns grupos populacionais. A presença de fatores de risco não significa que a pessoa terá glaucoma, mas indica a necessidade de maior atenção e acompanhamento periódico.
Quando diagnosticado cedo, o glaucoma pode ser controlado com tratamento adequado, que pode incluir colírios, laser ou cirurgia, conforme a avaliação médica. O ponto central é que a visão já perdida não costuma ser recuperada. Por isso, prevenir a progressão da doença depende de informação, exames regulares e continuidade do tratamento.
24 dias pelo glaucoma
24 dias de cuidado e conscientização
Glaucoma
O glaucoma é frequentemente chamado de "o ladrão silencioso da visão". Por ser uma doença que, na maioria das vezes, não apresenta sintomas em seu estágio inicial, muitas pessoas só descobrem o problema quando já houve perda visual irreversível.
Nesta página, você entenderá o que é a doença, quem faz parte dos grupos de risco e a importância do diagnóstico precoce.
O que é o glaucoma?
O glaucoma é uma doença que causa danos progressivos ao nervo óptico, a estrutura responsável por levar as informações visuais do olho até o cérebro. Se o nervo for danificado, a conexão entre o olho e o cérebro é interrompida, resultando em perda de visão.
Na maioria dos casos, esse dano ocorre devido ao aumento da pressão intraocular. Isso acontece quando o líquido que circula dentro do olho (humor aquoso) não é drenado corretamente.
Atenção: A perda de visão causada pelo glaucoma é irreversível. No entanto, com o tratamento adequado, é possível estacionar a doença e preservar a visão restante.
Fatores de risco
Alguns grupos apresentam maior propensão ao desenvolvimento da doença:
- Idade: Pessoas acima de 40 anos (risco acentuado após os 60).
- Histórico familiar: Parentes de primeiro grau com a doença.
- Etnia: Ascendência africana, hispânica ou asiática.
- Pressão intraocular elevada: Principal fator modificável.
- Condições Médicas: Diabetes, hipertensão e problemas cardíacos.
- Medicamentos: Uso prolongado de corticoides.
Tipos de Glaucoma
Ângulo Aberto: Tipo mais comum (80%). Perda lenta da visão periférica.
Ângulo Fechado: Emergência médica com dor intensa e náuseas.
Congênito: Má-formação presente desde o nascimento.
Secundário: Decorrente de traumas, tumores ou cirurgias.
Tratamentos disponíveis
O foco é reduzir a pressão intraocular através de:
1. Colírios: Uso contínuo para reduzir produção ou melhorar drenagem.
2. Laser: Procedimentos como o SLT para melhorar o fluxo ocular.
3. Cirurgias: Trabeculectomia, Implantes de drenagem ou MIGS.
A CAMPANHA
O que é o 24 Dias pelo Glaucoma?
O 24 Dias pelo Glaucoma é uma grande mobilização nacional organizada pelo Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) e pela Sociedade Brasileira de Glaucoma (SBG) para falar com todo o Brasil sobre o glaucoma — uma doença silenciosa que pode causar cegueira, mas que pode ser controlada com diagnóstico e tratamento adequados.
Durante os 24 dias de campanha, especialistas, profissionais da saúde, órgãos públicos e a população se unem para compartilhar informações, tirar dúvidas e reforçar a importância de cuidar da saúde dos olhos.
Disponível em: https://www.24diaspeloglaucoma.com.br/
Demais referências:
• Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde. 26/5 – Dia Nacional de Combate ao Glaucoma. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/26-5-dia-nacional-de-combate-ao-glaucoma-6/
• Agência Brasil. Oftalmologistas lançam campanha 24 Horas pelo Glaucoma. Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2026-05/oftalmologistas-lancam-campanha-24-horas-pelo-glaucoma
• Universo Visual. 24 dias pelo glaucoma: CBO amplia campanha e reforça importância do diagnóstico e tratamento no Brasil.
Disponível em: https://universovisual.com.br/cbo-lanca-24-dias-pelo-glaucoma-conscientizacao-diagnostico-tratamento/
Maio Roxo: entender os sinais das doenças inflamatórias intestinais ajuda no diagnóstico precoce
19 de maio é o Dia Mundial da Doença Inflamatória Intestinal, data que integra a campanha “Maio Roxo” e chama a atenção para condições crônicas que ainda são pouco conhecidas pela população, como a doença de Crohn e a retocolite ulcerativa. Essas doenças provocam inflamação persistente no trato digestivo e podem se manifestar por sintomas como dor abdominal recorrente, diarreia crônica, perda de peso, anemia e cansaço. Embora não exista uma forma única de prevenção, a informação é uma das principais ferramentas de cuidado: reconhecer sinais de alerta, não normalizar sintomas intestinais persistentes, evitar o tabagismo, manter acompanhamento médico e buscar diagnóstico precoce ajudam a reduzir complicações e melhorar a qualidade de vida.
As doenças inflamatórias intestinais (DII) são condições crônicas que causam inflamação no trato digestivo. As duas formas mais comuns são a doença de Crohn e a retocolite ulcerativa (RCU). Embora compartilhem sintomas como dor abdominal e diarreia, elas diferem quanto à localização, extensão e profundidade da inflamação, o que influencia o diagnóstico, o acompanhamento e o tratamento.
Na doença de Crohn, a inflamação é descontínua (áreas inflamadas alternam com trechos saudáveis) e pode afetar qualquer parte do trato gastrointestinal, desde a boca até o ânus. A inflamação é transmural, profunda, ou seja, pode comprometer todas as camadas da parede intestinal. Já na retocolite ulcerativa, a inflamação é contínua e limitada ao cólon e ao reto, afetando apenas a camada mais superficial da mucosa.
As diferenças ajudam no reconhecimento clínico: dor abdominal recorrente, especialmente no lado direito, e diarreia crônica sem sangue sugerem doença de Crohn. A doença de Crohn tem predileção pelo íleo terminal (a parte final do intestino delgado), que fica localizado exatamente no lado direito inferior do abdômen. Por outro lado, diarreia com sangue e muco, urgência evacuatória e sensação de evacuação incompleta apontam mais para retocolite ulcerativa.
As causas das doenças inflamatórias intestinais (ainda não são completamente conhecidas. Sabe-se que envolvem uma resposta imunológica inadequada, influenciada por fatores genéticos, ambientais e desequilíbrios na microbiota intestinal. Dieta e estresse não causam a doença, mas podem agravar os sintomas. O tabagismo é um fator de risco importante, especialmente para a doença de Crohn, e deve ser evitado.
Não existe prevenção específica. A principal recomendação é não ignorar sintomas persistentes e buscar avaliação médica. Dor abdominal frequente, diarreia por várias semanas, sangue nas fezes, perda de peso inexplicada, anemia, fadiga intensa ou alterações significativas no hábito intestinal merecem investigação. O diagnóstico geralmente combina avaliação clínica, exames laboratoriais, endoscopia e exames de imagem.
Quando não tratadas adequadamente, as doenças inflamatórias intestinais podem levar a crises recorrentes, anemia, desnutrição, fístulas, estreitamentos intestinais, internações hospitalares e, em alguns casos, necessidade de cirurgia. Por outro lado, com acompanhamento especializado, a maioria das pessoas consegue controlar a inflamação, reduzir as crises e manter boa qualidade de vida. Nesse contexto, a reportagem a seguir explica, mais detalhadamente, as diferenças entre doença de Crohn e retocolite ulcerativa.
Maio Roxo
Doença de Crohn ou retocolite? O detalhe que muda o diagnóstico
Elas são frequentemente confundidas, mas os sinais no corpo são bem diferentes. Conheça os sintomas iniciais que a maioria das pessoas prefere ignorar
De acordo com o Ministério da Saúde, o país registrou um aumento de 61% nas internações por doenças inflamatórias intestinais
O Maio Roxo, mês de conscientização sobre as doenças inflamatórias intestinais (DII), chama a atenção para um problema de saúde que cresce de forma silenciosa no Brasil. Segundo a Sociedade Brasileira de Coloproctologia, mais de 100 mil brasileiros convivem atualmente com essas doenças crônicas, que afetam o trato digestivo e impactam diretamente a qualidade de vida.
Os números acendem um sinal de alerta: de acordo com o Ministério da Saúde, o país registrou um aumento de 61% nas internações por doenças inflamatórias intestinais nos últimos dez anos — um crescimento que acompanha mudanças no estilo de vida, alimentação e níveis de estresse da população.
O cirurgião do aparelho digestivo Rodrigo Barbosa explica que as principais doenças desse grupo são a doença de Crohn e a retocolite ulcerativa, condições que podem evoluir de forma progressiva e, muitas vezes, passam despercebidas nos estágios iniciais.
Veja a diferença entre as duas condições:
Doença de Crohn
O que é: doença inflamatória crônica que pode afetar qualquer parte do trato digestivo, da boca ao ânus, sendo mais comum no intestino delgado e no início do intestino grosso.
Principais sinais
- Dor abdominal recorrente (principalmente no lado direito)
- Diarreia crônica (nem sempre com sangue)
- Perda de peso
- Fadiga intensa
- Febre em fases de atividade
- Fístulas e lesões na região anal (em casos mais avançados)
Tratamento
- Medicamentos anti-inflamatórios e imunossupressores
- Terapias biológicas (para controle da inflamação)
- Antibióticos (em complicações específicas)
- Cirurgia (em casos de obstrução, fístulas ou falha do tratamento clínico)
Apesar de não ter cura, a doença pode entrar em remissão com tratamento adequado.
Retocolite ulcerativa
O que é: doença inflamatória que afeta exclusivamente o intestino grosso (cólon e reto), com inflamação contínua da mucosa intestinal.
Principais sinais
- Diarreia com sangue e muco
- Urgência para evacuar
- Sensação de evacuação incompleta
- Dor abdominal (mais difusa)
- Anemia (devido à perda de sangue)
- Cansaço
Tratamento
- Anti-inflamatórios intestinais (como mesalazina)
- Corticoides (em crises)
- Imunossupressores
- Terapias biológicas
- Cirurgia (em casos graves ou refratários — pode ser curativa ao remover o cólon)
De modo geral, Rodrigo ressalta que a sensação de estufamento e desconforto abdominal, o acúmulo de gases (flatulência), as cólicas intestinais, diarreia ou constipação, falta de apetite, perda abrupta de peso, enjoos, sangue nas fezes ou grande mudanças nos hábitos de evacuação precisam ser investigados a partir dos primeiros sinais.
Disponível em: https://www.em.com.br/bem-viver/2026/04/7408818-doenca-de-crohn-ou-retocolite-o-detalhe-que-muda-o-diagnostico.html#google_vignette
Demais referências:
• ABCD - Associação Brasileira de Colite Ulcerativa e Doença de Crohn:
https://www.abcd.org.br/institucional/sobre-a-abcd/
• GEDIIB - Maio Roxo:
https://gediib.org.br/maio-roxo/maio-roxo-2023-vai-dar-visibilidade-as-doencas-inflamatorias-intestinais/
• Mayo Clinic - Doença inflamatória intestinal:
https://newsnetwork.mayoclinic.org/pt/2024/05/07/a-doenca-inflamatoria-intestinal-pode-afetar-mais-do-que-os-intestinos-especialista-explica-como/
• ABCD - Fumo/nicotina e doença inflamatória intestinal:
https://abcd.org.br/wp-content/uploads/2017/11/ED_57.pdf
Maio Vermelho: prevenção e diagnóstico precoce contra o câncer de boca
Neste mês, campanha nacional de conscientização sobre o câncer de boca, Maio Vermelho, reforça a importância da prevenção, da observação atenta aos sinais persistentes na cavidade oral e do diagnóstico precoce. A iniciativa ganha ainda mais relevância por coincidir com o Dia Mundial Sem Tabaco, celebrado em 31 de maio, uma vez que o tabagismo é um dos principais fatores de risco para esse tipo de câncer. No que toca à prevenção, a mensagem central da campanha é simples, porém necessária: feridas, manchas ou caroços persistentes na boca não devem ser ignorados.
O câncer de boca é um tumor maligno que pode atingir os lábios e diferentes regiões da cavidade oral, como língua, gengivas, bochechas, céu da boca e assoalho da boca, podendo alcançar até mesmo estruturas mais profundas, como garganta, base da língua e amígdalas. Apesar de muitas vezes começar com alterações aparentemente simples, como uma ferida que não cicatriza, a doença pode evoluir de forma importante quando não é identificada precocemente.
Entre os principais sinais de alerta estão feridas na boca ou nos lábios que não cicatrizam em até 15 dias, manchas vermelhas ou esbranquiçadas, caroços na boca, no pescoço ou nos lábios, sangramentos, dor persistente, rouquidão e dificuldade para mastigar, engolir ou falar. Esses sintomas também podem estar presentes em outras condições, mas precisam ser avaliados por dentista ou médico quando persistentes.
Os fatores de risco mais conhecidos incluem o tabagismo e o consumo de álcool, especialmente quando associados. A exposição frequente dos lábios ao sol sem proteção aumenta o risco de câncer de lábio, enquanto a infecção pelo HPV tem relação importante com tumores da orofaringe, isto é, da região mais ao fundo da boca e da garganta, especialmente amígdalas e base da língua. Pessoas imunossuprimidas, incluindo pessoas vivendo com HIV ou em uso de medicamentos imunossupressores, também merecem atenção especial diante de lesões persistentes na boca, lábios ou garganta.
A boa notícia é que parte importante desses casos pode ser prevenida ou diagnosticada em fase inicial. Medidas como não fumar, evitar bebidas alcoólicas, usar protetor labial com filtro solar, manter alimentação rica em frutas e verduras, vacinar-se contra o HPV, usar preservativo inclusive no sexo oral e realizar consultas regulares com dentista fazem diferença na redução de riscos.
Quando identificado precocemente, o câncer de boca tem maiores chances de tratamento efetivo e menor risco de sequelas. Em casos suspeitos, a confirmação costuma ser feita por biópsia, e o tratamento pode envolver cirurgia, radioterapia, quimioterapia e acompanhamento multiprofissional.
O Instituto Nacional do Câncer (Inca) estima que no triênio 26-28 serão mais de 17 mil novos casos anuais o Brasil
Secretaria da Saúde do Rio Grande do Sul
Publicação: 10/04/2026 às 15h16min
Maio Vermelho
Em 2026, o Projeto Maio Vermelho completa 16 anos de ações, coincidindo com os 20 anos do Dia Estadual de Luta Contra o Câncer Bucal, instituído pela Lei 12.535 de 2006. O mês de maio foi escolhido para a campanha justamente porque o Dia Mundial Sem Tabaco ocorre nele (31/5), já que o consumo do cigarro é um dos principais fatores de risco para esse tipo de câncer.
Para o triênio 2026-2028, o Inca estima mais de 17 mil novos casos anuais de câncer de boca no Brasil. Embora mais comum em homens acima de 40 anos, dados têm mostrado indicado um aumento de casos entre mulheres.
Estratégia para redução de casos
A campanha aposta na capacitação de profissionais de odontologia dos municípios do Estado para que sejam capazes de identificar lesões suspeitas e encaminhar os pacientes para diagnóstico e tratamento em estomatologia.
Para facilitar e agilizar o acesso dos usuários, os profissionais contam com o programa Estomatonet, que permite o telediagnóstico de lesões bucais, agilizando o acesso dos usuários do Sistema único de Saúde ao diagnóstico precoce de lesões com potencial cancerígeno.
O cirurgião-dentista realiza um exame bucal simples como rotina nas consultas, que podem ser realizadas nas unidades de saúde. Em casos suspeitos, ele indica a realização de biópsia para confirmação diagnóstica. O câncer de boca é diagnosticado a partir da análise microscópica do tecido coletado.
Fatores de risco
São fatores de risco para os cânceres de lábio e de cavidade oral:
Tabagismo (principal causa);
consumo de álcool (segunda principal causa);
Sexo e idade, pois acomete principalmente homens brancos acima de 40 anos;
Exposição frequente dos lábios à radiação solar;
Imunossupressão, já que indivíduos HIV positivos ou que fazem o uso de imunossupressores possuem maior risco de desenvolver câncer de lábio e da cavidade oral;
Infecção por HPV.
Disponível em: reportagem da Secretaria da Saúde do Rio Grande do Sul.
Demais referências
- Instituto Nacional de Câncer - INCA. Estimativa 2026-2028: o Brasil deve registrar 781 mil novos casos de câncer por ano até 2028; entre os homens, o câncer de cavidade oral aparece entre os cinco tipos mais incidentes.
- Tribunal de Justiça de Pernambuco - Diretoria de Saúde. Material informativo sobre câncer de boca, sinais de alerta, prevenção, diagnóstico e tratamento, com fontes indicadas como Ministério da Saúde e INCA.
Demais referências:
https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/c/cancer-de-boca
Memória que salva vidas: o trânsito também é uma questão de saúde pública
No mês de mobilização pela segurança no trânsito, o Maio Amarelo chama a atenção para uma realidade que pode ser prevenida: mortes, lesões e sequelas causadas por sinistros de trânsito. A Organização Mundial da Saúde e a OPAS destacam que fatores como excesso de velocidade, álcool ao volante, distração, ausência de cinto de segurança, capacete e dispositivos de retenção infantil estão entre os principais riscos evitáveis nas vias. A instituição do Dia Nacional em Memória das Vítimas de Trânsito reforça que cada número representa uma vida, uma família e uma história interrompida. Mais do que lembrar, a data convida à responsabilidade coletiva e à adoção de escolhas seguras no trânsito.
Os sinistros de trânsito não são uma doença, mas representam um grave problema de saúde pública. Eles podem causar mortes, traumas físicos, sequelas neurológicas, amputações, dor crônica, sofrimento emocional e impactos profundos nas famílias e comunidades. Por isso, falar sobre vítimas de trânsito é também falar sobre prevenção, cuidado, responsabilidade e proteção da vida.
As consequências para quem sobrevive podem ser imediatas ou duradouras. Entre os principais desfechos estão fraturas, traumatismo cranioencefálico, lesões medulares, limitações motoras, internações prolongadas, necessidade de cirurgias e reabilitação. Além das marcas físicas, muitas pessoas desenvolvem medo de dirigir, ansiedade, sintomas depressivos, luto traumático e dificuldade de retomar a rotina após o evento.
Grande parte desses episódios está relacionada a fatores evitáveis. Excesso de velocidade, consumo de álcool ou outras substâncias, uso do celular ao volante, desrespeito à sinalização, fadiga, não utilização de capacete, cinto de segurança ou cadeirinha infantil aumentam o risco de mortes e lesões graves. A OPAS/OMS destaca que medidas simples, como o uso correto de capacete, cinto e sistemas de retenção para crianças, reduzem significativamente o risco de morte e de lesões graves no trânsito.
A prevenção depende de ações individuais e coletivas. Respeitar os limites de velocidade, não dirigir após consumir álcool, evitar distrações, usar equipamentos de proteção, cuidar da manutenção do veículo e adotar uma postura de atenção e empatia nas vias são atitudes que protegem motoristas, passageiros, motociclistas, ciclistas e pedestres. A segurança no trânsito começa antes do deslocamento e envolve escolhas feitas por todos.
Nesse contexto, a criação de uma data nacional em memória das vítimas de trânsito tem um valor simbólico e educativo. Ela ajuda a transformar estatísticas em histórias, reforça a importância do acolhimento às famílias e amplia a consciência de que mortes e lesões no trânsito não devem ser tratadas como inevitáveis. A memória das vítimas pode e deve inspirar políticas, comportamentos e práticas mais seguras.
Lei institui Dia Nacional em Memória das Vítimas de Trânsito
Vitória Clementino, sob supervisão de Dante Accioly
Agência Senado
Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado
O mês de conscientização do trânsito passa a contar com o Dia Nacional em Memória das Vítimas de Trânsito. A data será celebrada em 7 de maio e tem o objetivo de manter viva a memória das vítimas e reforçar o alerta para a segurança no trânsito.
Sancionada pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e publicada nesta quinta-feira (16) no Diário Oficial da União (DOU), a Lei 15.389 tem origem no PL 5.189/2019, do senador Fabiano Contarato (PT-ES). A proposta foi aprovada pelo Senado em 2022, com relatório favorável do senador Zequinha Marinho (Podemos-PA), e seguiu para a Câmara dos Deputados, onde foi aprovada em março deste ano.
O autor destacou que a criação do projeto foi motivada pela gravidade do problema dos acidentes de trânsito no Brasil. Segundo ele, a escolha do dia 7 de maio remete a um caso ocorrido em Curitiba, em que o então deputado estadual Fernando Ribas Carli Filho, dirigindo embriagado, em alta velocidade e com a carteira de habilitação cassada, colidiu com o carro em que estavam Gilmar Rafael Souza Yared e Carlos Murilo de Almeida.
— Fui delegado de trânsito por 14 anos e presenciei a dor das famílias. Eu fiquei ali recebendo pais e mães, para fazerem a liberação de vítimas fatais. Aquelas dores me motivaram a instituir no estado o Dia Estadual em Memória das Vítimas de Acidente de Trânsito. Hoje o presidente sanciona essa lei, porque passou da hora de a gente entender que as estatísticas têm rosto, têm voz, têm história — afirmou Contarato no Plenário do Senado, na quarta-feira (15), dia da sanção da lei.
Disponível em: https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2026/04/16/lei-institui-dia-nacional-em-memoria-das-vitimas-de-transito
Demais referências
- OPAS/OMS - Segurança no trânsito: https://www.paho.org/pt/topicos/seguranca-no-transito
- OPAS - Relatório sobre segurança viária e fatores de risco: https://www.paho.org/pt/noticias/22-1-2025-novo-relatorio-da-opas-sobre-seguranca-viaria-destaca-progresso-lento-e-desigual
- Ministério dos Transportes - Campanhas de Trânsito: https://www.gov.br/transportes/pt-br/assuntos/transito/campanhas-de-transito
- Ministério dos Transportes - Maio Amarelo: https://www.gov.br/transportes/pt-br/assuntos/transito/maio-amarelo-2023
A CANPAT 2026 destaca os riscos psicossociais e reforça o cuidado com a saúde mental no TJDFT
O Abril Verde é uma campanha de conscientização sobre segurança e saúde no trabalho, voltada à prevenção de acidentes e doenças ocupacionais. O movimento tem como referência o Dia Mundial em Memória das Vítimas de Acidentes de Trabalho e promove ações educativas, incentivo ao uso de EPIs e o fortalecimento da cultura de prevenção nas organizações. A CANPAT, promovida pelo Ministério do Trabalho e Emprego, traz em 2026, o enfoque nos riscos psicossociais e na saúde mental, ampliando o debate sobre fatores como estresse, assédio, sobrecarga e organização do trabalho, e reforçando a necessidade de ambientes laborais mais saudáveis e sustentáveis.
Cuidar da saúde mental no trabalho é promover segurança, respeito e ambientes mais humanos para todos.
A NR-1 estabelece as disposições gerais de Segurança e Saúde no Trabalho no Brasil, incluindo os princípios e diretrizes para o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO). A atualização recente da norma incorpora explicitamente os fatores de risco psicossociais, ampliando o conceito de saúde do trabalhador para além dos riscos físicos, químicos e biológicos. Passam a ser considerados elementos como sobrecarga, assédio, falta de suporte e organização do trabalho, exigindo que a saúde mental seja integrada de forma estruturada à gestão de riscos.
No contexto do TJDFT, essa diretriz se materializa em ações institucionais coordenadas pela SESA, com destaque para o Programa de Saúde Mental – Saúde-se, que integra o portfólio estratégico e atua na promoção do cuidado psicossocial de forma preventiva, contínua e alinhada às diretrizes do Conselho Nacional de Justiça.
O Saúde-se promove espaços de escuta qualificada, ações coletivas de reflexão e iniciativas voltadas ao fortalecimento de competências emocionais, contribuindo para a construção de ambientes de trabalho mais saudáveis, colaborativos e respeitosos. A proposta é avançar de uma lógica reativa para uma abordagem estruturada de prevenção, tornando visível o cuidado com a saúde mental no cotidiano institucional.
Complementarmente, a SESA incentiva a participação nos Exames Periódicos de Saúde, entendidos como uma estratégia essencial de autocuidado e prevenção. Por meio deles, é possível monitorar a saúde de forma integral, identificar precocemente fatores de risco e promover intervenções oportunas, fortalecendo a qualidade de vida e a capacidade funcional ao longo do tempo.
Esse conjunto de ações reforça que a gestão dos riscos ocupacionais, especialmente os psicossociais, não é apenas uma exigência normativa, mas um compromisso institucional com o bem-estar, a dignidade e a sustentabilidade das relações de trabalho.
Convite institucional
Como parte desse compromisso, o TJDFT convida magistradas, magistrados, servidoras e servidores a participarem da Semana de Combate ao Assédio e à Discriminação, que será realizada de 4 a 8 de maio.
A iniciativa promove reflexão, conscientização e fortalecimento de uma cultura institucional baseada no respeito, na equidade e na valorização das pessoas.
Participar é um ato de cuidado — consigo, com o outro e com o ambiente de trabalho.
Abril Azul celebra o Mês Mundial da Conscientização sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA)
Celebrado em 2 de abril, o Dia Mundial da Conscientização sobre o Autismo integra as ações do mês “Abril Azul”, preconizado pelo Ministério da Saúde, e reforça a necessidade de compreender o Transtorno do Espectro Autista (TEA) como uma condição do neurodesenvolvimento. A abordagem contemporânea destaca a importância do diagnóstico precoce, do cuidado multiprofissional e da promoção de inclusão social, com foco na dignidade, autonomia e qualidade de vida das pessoas autistas ao longo de todo o ciclo de vida.
O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma condição do neurodesenvolvimento que afeta a forma como a pessoa percebe o mundo, se comunica e interage socialmente. Trata-se de um espectro, ou seja, pode se manifestar de maneiras bastante variadas, com diferentes níveis de necessidade de suporte. Algumas pessoas apresentam dificuldades mais evidentes na comunicação e na interação social, enquanto outras desenvolvem estratégias que permitem maior autonomia.
Entre os principais sinais, especialmente na infância, estão dificuldades na comunicação verbal e não verbal, menor interesse por interações sociais, padrões de comportamento repetitivos e sensibilidade aumentada ou reduzida a estímulos sensoriais, como sons, luzes ou texturas. Esses sinais costumam aparecer nos primeiros anos de vida, sendo fundamental a observação atenta do desenvolvimento infantil.
As causas do autismo ainda não são completamente conhecidas, mas a ciência aponta para uma combinação de fatores genéticos e ambientais que influenciam o desenvolvimento do cérebro. Não se trata de uma doença adquirida nem de uma condição causada por fatores isolados. Por isso, o entendimento atual se afasta de explicações simplistas e valoriza a complexidade do funcionamento neurobiológico envolvido.
O diagnóstico precoce permite intervenções mais eficazes, com impacto positivo no desenvolvimento da comunicação, das habilidades sociais e da autonomia. O acompanhamento multiprofissional, envolvendo áreas como saúde, educação e assistência social, é essencial para oferecer suporte adequado às necessidades de cada indivíduo, respeitando suas particularidades.
Ao longo da vida, pessoas com TEA podem apresentar diferentes trajetórias, que variam conforme o nível de suporte recebido e o acesso a oportunidades de inclusão. Com intervenções adequadas e ambientes acolhedores, é possível promover desenvolvimento, participação social e qualidade de vida, reforçando que cada pessoa tem potencialidades que devem ser reconhecidas e valorizadas.
“Autismo e Humanidade: toda vida tem valor”
O Dia Mundial da Conscientização sobre o Autismo, celebrado em 2 de abril, anualmente, foi designado pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 2007 para destacar a necessidade de aumentar a conscientização pública sobre o autismo.
Hoje, o movimento global expandiu-se para além da sensibilização, promovendo ativamente a aceitação, a valorização e a inclusão, reconhecendo as contribuições que as pessoas autistas fazem para as suas comunidades e para o mundo em geral.
Ao longo dos anos, progressos significativos foram alcançados, impulsionados em grande parte por aqueles que defendem os direitos das pessoas com autismo, que trabalharam incansavelmente para trazer as experiências vividas por elas para o centro dos debates mundiais.
Em 2026, a campanha será realizada sob o tema “Autismo e Humanidade: toda vida tem valor”, destacando a dignidade e o valor de todas as pessoas autistas como parte do futuro humano compartilhado.
Fundamentada nos princípios dos direitos humanos e alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU), esta visão considera crucial a inclusão da neurodiversidade para o desenvolvimento sustentável – quando as sociedades a abraçam, fortalecem a criatividade, a resiliência e a inovação, lançando as bases para comunidades mais justas, inclusivas e sustentáveis.
Ao afirmar que as vidas de pessoas autistas são parte integrante do progresso coletivo e da conquista dos ODS, a celebração clama por um futuro onde a diferença seja respeitada, a dignidade seja protegida e todas as pessoas possam prosperar.
O autismo, também chamado de Transtorno do Espectro Autista (TEA), é uma condição do desenvolvimento do cérebro que afeta a comunicação, a interação social e os comportamentos, influenciando a forma como a pessoa percebe, processa e interage com o mundo ao seu redor.
Ao longo das décadas, o TEA passou por diferentes classificações: inicialmente relacionado à esquizofrenia infantil, foi reconhecido nas décadas de 1970 e 1980 como um transtorno distinto do neurodesenvolvimento, com múltiplos níveis de intensidade e apresentações clínicas.
É considerado um espectro porque se manifesta de formas diversas, com diferentes níveis de suporte necessários para cada pessoa.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o autismo não é uma doença e não tem cura. Trata-se de uma condição que acompanha o indivíduo ao longo da vida.
Globalmente, 1 em cada 127 pessoas recebe o diagnóstico de autismo, condição que está entre os 10 principais problemas cerebrais responsáveis por perda de saúde em todo o mundo.
No Brasil, o Censo Demográfico 2022, do IBGE, identificou 2,4 milhões de pessoas com diagnóstico de transtorno do espectro autista (TEA), o que corresponde a 1,2% da população brasileira. A prevalência foi maior entre os homens (1,5%) do que entre as mulheres (0,9%): 1,4 milhões de homens e 1,0 milhão de mulheres foram diagnosticados com autismo por algum profissional de saúde. Entre os grupos etários, o de maior prevalência foi o de 5 a 9 anos (2,6%).
O TEA é hoje compreendido como parte dos transtornos do neurodesenvolvimento, reconhecendo a diversidade de sintomas, comorbidades e trajetórias individuais. Essa abordagem permite que intervenções e apoio sejam personalizados, considerando as potencialidades e necessidades de cada pessoa, ao mesmo tempo em que valoriza o diagnóstico precoce e a inclusão social.
Os sinais desta condição costumam ser observados na primeira infância, embora possam se tornar mais evidentes ao longo do desenvolvimento, especialmente quando as demandas sociais aumentam.
Identificar o transtorno precocemente é essencial para promover intervenções eficazes. Existem indicadores de desenvolvimento esperados em cada faixa etária, e há sinais de alerta quando esses marcos não são atingidos:
– 0 a 6 meses: contato visual, sorrisos sociais, atenção para rostos.
– 6 a 12 meses: balbucio, resposta ao nome, imitação simples.
– 12 a 24 meses: primeiras palavras, apontar para mostrar interesse, brincar de faz-de-conta simples.
– 2 a 3 anos: combinação de palavras, interesse por outras crianças, brincadeiras simbólicas.
Sinais de alerta para o autismo:
– Ausência de contato visual ou expressões faciais.
– Não responder ao nome até os 12 meses.
– Atraso na fala ou regressão de habilidades já adquiridas.
– Pouco ou nenhum interesse por interações sociais.
– Comportamentos repetitivos (como balançar o corpo ou alinhar objetos).
– Resistência a mudanças na rotina.
– Hiper ou hipossensibilidade a sons, luzes, texturas.
Obs.: Esses sinais não garantem o diagnóstico de TEA, mas indicam a necessidade de avaliação multiprofissional.
Ciclos de vida no TEA
– Infância: Crianças com TEA podem apresentar dificuldades na identificação e na expressão de emoções, o que pode gerar comportamentos desafiadores como birras, agressividade ou isolamento. Esses comportamentos estão ligados à dificuldade de lidar com frustrações e situações sociais. A intervenção precoce com estratégias definidas pela equipe multiprofissional que acompanha a criança é essencial para promover a autorregulação emocional. Histórias sociais elaboradas enquanto curtas narrativas e jogos com expressões emocionais auxiliam a criança a compreender situações sociais, sentimentos e reconhecimento de expressão de emoções básicas.
Diante disso, quanto mais breve for iniciada a intervenção, por meio de apoio psicossocial, mais resultados positivos a criança terá, no sentido da construção de sua identidade e controle de seus sentimentos.
– Adolescência: Os adolescentes passam por uma fase de significativas mudanças nos contextos hormonais, sociais, físicos e cognitivos e, com isso, a dificuldade em identificar e expressar emoções, podendo surgir autocobrança, pressões por independência, aceitação e autoestima, aumento de comportamentos relacionados a ansiedade e até isolamento social.
É importante focar na saúde mental, na construção da identidade e no apoio psicossocial durante a transição para a vida adulta, envolvendo o adolescente, a família e a escola no processo terapêutico, com acompanhamento psicológico contínuo, com ênfase na saúde emocional, orientação vocacional e formação da identidade.
– Vida adulta e envelhecimento: A busca por autonomia, inserção no trabalho e relações pessoais tornam-se situações prioritárias na fase adulta e ganham destaque. A pessoa com TEA nessa fase pode vir a enfrentar dificuldades com rotina flexível, sensibilidade a barulhos ou toques, ou dificuldade em lidar com emoções no trabalho ou nos relacionamentos, afetando suas relações e provocando sentimentos de solidão. Com o passar dos anos e o avançar da idade, os desafios emocionais podem persistir ou se intensificar.
No processo de envelhecimento, os desafios emocionais podem persistir ou se intensificar, exigindo apoio contínuo e ambientes previsíveis. Muitos desenvolvem comportamentos e rotinas rígidas, a depender de sua autonomia, do suporte recebido e se há outras comorbidades correlacionadas.
É recomendado o acompanhamento terapêutico contínuo, focado na autoconfiança, gestão da ansiedade e inclusão social e profissional.
Atenção às crises
As crises são respostas involuntárias e intensas a sobrecargas sensoriais, emocionais ou de comunicação, resultantes de um limite extrapolado de estresse. Elas ocorrem quando o cérebro do indivíduo com TEA não consegue processar estímulos como luzes, sons, mudanças de rotina. Dividem-se em meltdown (explosão externa) e shutdown (desligamento interno).
A reação externa intensa caracteriza-se por gritos, choro, agressividade (consigo ou com outros), fuga ou agitação motora. É uma forma de liberar a sobrecarga acumulada.
A crise interna ocorre muitas vezes de forma silenciosa. A pessoa se isola, fica com o “olhar vazio”, deita-se no chão, congela ou para de falar, pois o sistema a “desliga” devido ao excesso de estímulos.
Ter a companhia de uma pessoa de confiança, ouvir música, utilizar recursos lúdicos e a imaginação, dentre outros, são alternativas eficazes em momentos de crise, cabendo um planejamento de estratégias junto aos familiares e cuidadores, respeitando a individualidade da pessoa com TEA.
Em casos de urgência envolvendo pessoas com TEA, o atendimento deve ocorrer em Unidade de Pronto Atendimento (UPA 24h) ou para serviços hospitalares de urgência, excluindo hospitais psiquiátricos. O objetivo inicial é a estabilização do indivíduo, realização de diagnóstico preliminar e definição das necessidades de encaminhamento para serviços como Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), Centros Especializados em Reabilitação (CER), Unidades Básicas de Saúde (UBS) ou hospitais.
Em casos de crise aguda, marcada por quadro de agitação psicomotora com necessidade de contenção, hiperatividade, inquietação, angústia, irritabilidade, fala em excesso ou atitude hostil, física e/ou verbal, ameaçadora ou em franca agressão, torna-se necessário acionar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU 192), por considerar a situação de risco à pessoa.
Recomendações
– Prevenção: Identificar sinais de alerta (agitação, ruídos, isolamento).
– Ambiente: Reduzir estímulos (apagar luzes, diminuir o som, dar espaço).
– Segurança: Garantir que a pessoa não se machuque durante a explosão.
– Acolhimento: Oferecer um local calmo para a recuperação e não forçar o diálogo durante a crise.
Rede de Apoio e Intersetorialidade no Sistema Único de Saúde (SUS)
A Rede de Apoio e a Intersetorialidade são formas de organizar o cuidado em saúde, garantindo que as pessoas recebam atendimento completo e coordenado dentro do SUS. A Rede de Apoio é formada por diferentes serviços e ações que se conectam para acompanhar os usuários ao longo do tempo. Já a Intersetorialidade reconhece que a saúde não depende só do atendimento médico, mas também de fatores como moradia, alimentação, renda, educação e acesso a serviços básicos.
Para pessoas com Transtorno do Espectro Autista, isso significa que o cuidado precisa envolver não apenas a saúde, mas também áreas como educação, esporte, lazer, assistência social e cultura. O atendimento deve garantir encaminhamentos rápidos, profissionais preparados para identificar sinais precoces do TEA, uso de terapias e tecnologias adequadas, além de acesso a atividades que promovam inclusão e qualidade de vida.
A Lei nº 12.764/20212 assegura às pessoas com TEA direitos como acesso à educação, trabalho, moradia, assistência social e previdência. Por isso, a saúde tem o papel de articular ações com os outros setores para facilitar esse acesso. Um exemplo é o Programa Saúde na Escola (PSE), que une saúde e educação, e pode incluir atividades sobre autismo junto à comunidade escolar, fortalecendo a cidadania e a inclusão.
Importante: O cuidado não se limita à pessoa com TEA: é essencial olhar para a saúde e o bem-estar dos cuidadores. Muitas vezes, mães e responsáveis ficam sobrecarregados quando não têm rede de apoio, o que pode gerar sofrimento para eles e para a criança. Por isso, é necessário cuidar tanto da criança quanto de quem cuida dela, fortalecendo os vínculos familiares e comunitários.
Onde buscar atendimento para pessoas com TEA no SUS:
– Unidades Básicas de Saúde (UBS);
– Centros de Atenção Psicossocial (CAPS/CAPSi);
– Centros de Especialidades / Policlínicas locais;
– Centros Especializados em Reabilitação (CER);
– Hospitais de referência.
Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/autismo-e-humanidade-toda-vida-tem-valor-2-4-dia-mundial-de-conscientizacao-sobre-o-autismo-2026/
Demais referências:
- Ministério da Saúde – Abril Azul 2026: https://bvsms.saude.gov.br/
- Organização Mundial da Saúde (OMS): https://www.who.int/
Endometriose - alerta para diagnóstico tardio
A endometriose é uma doença inflamatória crônica que ainda enfrenta atraso significativo no diagnóstico. A naturalização da dor menstrual como algo esperado contribui para que muitas mulheres convivam por anos com sintomas que exigiriam avaliação especializada. Esse atraso no diagnóstico não só prolonga o sofrimento desnecessário, como pode agravar lesões e comprometer a qualidade de vida, a fertilidade e o bem-estar emocional de quem vive com endometriose.
A endometriose é uma doença inflamatória crônica caracterizada pela presença de tecido semelhante ao endométrio fora do útero, podendo atingir estruturas como ovários, trompas, intestino e bexiga. Esse tecido responde aos estímulos hormonais do ciclo menstrual, provocando inflamação, dor e, em alguns casos, alterações estruturais nos órgãos afetados.
Embora seja relativamente frequente, acometendo cerca de 1 em cada 10 mulheres em idade reprodutiva, a doença ainda é subdiagnosticada. Um dos principais fatores para esse atraso é a crença de que a dor menstrual intensa faz parte da rotina feminina, o que leva muitas pacientes a postergarem a busca por avaliação médica.
Diferentemente da cólica menstrual habitual, que tende a ser controlada com analgésicos simples e não interfere significativamente nas atividades diárias, a dor associada à endometriose costuma ser progressiva, incapacitante e pode se manifestar em diferentes contextos. Entre os principais sinais de alerta estão dor pélvica intensa, dor durante a relação sexual, dor ao evacuar ou urinar no período menstrual, distensão abdominal, alterações intestinais cíclicas e, em alguns casos, sangramentos irregulares.
Além da dor, a endometriose pode gerar impactos importantes na qualidade de vida. A doença está associada a prejuízos no desempenho profissional, nas relações interpessoais e na saúde mental, podendo contribuir para quadros de ansiedade, alterações do sono e isolamento social. Em algumas situações, a infertilidade pode ser a primeira manifestação percebida.
O diagnóstico da doença baseia-se em avaliação clínica cuidadosa, exame físico e exames de imagem específicos. O tratamento é individualizado e pode incluir controle da dor, terapias hormonais, fisioterapia pélvica e, em alguns casos, cirurgia, com abordagem multidisciplinar. Nesse cenário, o reconhecimento precoce dos sintomas é essencial para reduzir atrasos diagnósticos e melhorar a qualidade de vida das pacientes.
Março Amarelo alerta para diagnóstico tardio da endometriose
Entenda os sintomas que indicam a doença e quando a dor precisa de investigação especializada
Maurício Simões Abrão (CRM 52842 | RQE 61894), head nacional da Brazil Health
A dor menstrual intensa ainda é frequentemente tratada como algo esperado na vida das mulheres. Essa naturalização contribui para que a endometriose, doença inflamatória crônica que pode comprometer diferentes órgãos da pelve, leve anos para ser diagnosticada.
Muitas pacientes passam por consultórios, pronto atendimentos e emergências antes de receber orientação adequada. A ideia de que se trata apenas de cólica comum retarda a investigação e prolonga o sofrimento. Dor incapacitante é sinal de alerta e deve ser avaliada.
Muito além da cólica comum
A cólica menstrual habitual costuma ser previsível, responde a analgésicos simples e não impede as atividades diárias. Na endometriose, o quadro tende a ser diferente. A dor pode se tornar progressiva ao longo dos meses ou anos, provocar faltas ao trabalho ou à escola, surgir durante a relação sexual e aparecer ao evacuar ou urinar, principalmente no período menstrual. Também podem ocorrer distensão abdominal, alterações intestinais ou urinárias cíclicas e, em alguns casos, sangramento anormal.
Quando esses sintomas se repetem ou se intensificam, é recomendável buscar investigação especializada. O atraso no diagnóstico impacta a qualidade de vida, favorece quadros de ansiedade e pode afetar a fertilidade.
Impactos silenciosos na qualidade de vida
A doença vai além da dor pélvica. Pode comprometer relações afetivas, desempenho profissional, sono, humor e vida sexual. Em formas profundas, atinge intestino, bexiga e estruturas nervosas, o que gera sintomas complexos e muitas vezes confundidos com outros problemas clínicos.
Em parte das pacientes, a infertilidade é a primeira manifestação percebida. Mesmo quando não há desejo imediato de engravidar, preservar a saúde reprodutiva integra o cuidado adequado. A limitação imposta pela dor recorrente também leva ao isolamento social e à redução de atividades físicas e profissionais.
Diagnóstico baseado em escuta e precisão
O diagnóstico começa com escuta qualificada e avaliação clínica detalhada. Exame físico direcionado e histórico bem conduzido orientam a solicitação de exames de imagem apropriados. Ultrassonografia com mapeamento específico e protocolos de ressonância magnética permitem identificar a extensão da doença e planejar o tratamento.
Nos últimos anos, o Brasil avançou na padronização de protocolos e na integração entre equipes clínicas, de imagem e cirúrgicas, o que aumentou a precisão diagnóstica e reduziu condutas baseadas apenas em suspeitas.
Tratamento individualizado e abordagem multidisciplinar
O tratamento varia de acordo com a gravidade dos sintomas, a extensão da doença e os planos reprodutivos da paciente. Em muitos casos, a abordagem clínica com controle da dor, terapia hormonal, fisioterapia pélvica e ajustes no estilo de vida é suficiente para estabilizar o quadro.
Quando há doença profunda, obstruções ou falha do tratamento clínico, a cirurgia minimamente invasiva pode ser indicada, desde que realizada por equipe experiente e inserida em uma linha de cuidado que inclua preparo e acompanhamento. A tendência atual privilegia decisões compartilhadas, metas claras e atuação multidisciplinar.
Reconhecimento precoce muda o curso da doença
A endometriose exige reconhecimento precoce, acompanhamento contínuo e avaliação de resultados. O avanço tecnológico amplia as possibilidades diagnósticas, mas a mudança mais importante é cultural. Levar a dor a sério, combater a desinformação e garantir acesso a equipes capacitadas são medidas centrais para reduzir o tempo até o diagnóstico e melhorar a qualidade de vida das pacientes.
Disponível em
https://www.cnnbrasil.com.br/saude/marco-amarelo-alerta-para-diagnostico-tardio-da-endometriose/
Demais referências:
Câncer de intestino no Brasil: silencioso e frequente
O câncer colorretal está entre os tumores mais incidentes no Brasil, ocupando posição de destaque entre as doenças oncológicas mais frequentes no País. Atualmente, conforme dados do Instituto Nacional de Câncer, figura como o segundo tipo de câncer mais comum entre as mulheres e o terceiro entre os homens.
O câncer colorretal está entre os tumores mais incidentes no Brasil, ocupando posição de destaque entre as doenças oncológicas mais frequentes no País. Atualmente, conforme dados do Instituto Nacional de Câncer, figura como o segundo tipo de câncer mais comum entre as mulheres e o terceiro entre os homens.
Esse tipo de tumor se desenvolve no intestino grosso e no reto e está associado, na maior parte dos casos, a fatores ligados ao estilo de vida e ao envelhecimento. Embora nem sempre seja possível identificar uma causa única, estudos apontam como principais fatores de risco:
• alimentação pobre em fibras e rica em carnes vermelhas ou processadas;
• obesidade e sedentarismo;
• consumo excessivo de álcool e tabagismo;
• idade acima de 50 anos; E
• histórico familiar, pólipos intestinais ou doenças inflamatórias intestinais
De acordo com o INCA e entidades médicas especializadas, o desenvolvimento da doença costuma estar relacionado à combinação desses fatores, sobretudo aqueles ligados aos hábitos alimentares, ao peso corporal e ao estilo de vida.
A reportagem a seguir trata dessas relações do câncer colorretal.
Campanha Março Azul alerta para o câncer colorretal
Neoplasia também está relacionada à microbiota intestinal e seu metaboloma, e probióticos podem colaborar durante ou após o tratamento.
(atualizado em 3/3/2026 às 10h58)
Realizada no Brasil pela Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva (SOBED), Sociedade Brasileira de Coloproctologia (SBCP) e Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG), a campanha Março Azul chama a atenção para a importância do diagnóstico precoce do câncer de intestino. Também chamado de câncer colorretal (CCR), a neoplasia está entre os tumores malignos mais prevalentes no mundo.
A campanha internacional National Colorectal Cancer Awareness Month foi iniciada nos Estados Unidos no início dos anos 2000 para prevenir e diagnosticar precocemente a doença, que tem altas chances de cura se detectada precocemente. De acordo com a última estimativa divulgada pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil deverá registrar 53.810 novos casos de câncer colorretal para cada ano do triênio 2026-2028.
Neste ano, o tema da campanha Março Azul é 'Jornada da Vida'. A mobilização nacional visa ampliar a detecção precoce da doença e tem como público-alvo homens e mulheres entre 45 e 70 anos de idade. Um dos objetivos é difundir um gesto simples no cuidado com a saúde: a realização do teste FIT, exame utilizado para detectar sangue oculto nas fezes. Apesar disso, a colonoscopia é considerada o padrão-ouro para a detecção do câncer de intestino, uma vez que o exame permite a visualização detalhada da mucosa intestinal e a identificação precoce de lesões.
Recentemente, pesquisadores japoneses realizaram uma revisão de literatura com o objetivo de fornecer uma visão geral do papel da microbiota intestinal relacionada ao câncer colorretal. Segundo os cientistas, a carcinogênese da neoplasia está associada a fatores genéticos e ambientais, como variantes genômicas patogênicas, metilação do DNA genômico, dieta ou tabagismo. "Mas, além disso, está ficando claro que a microbiota intestinal também está associada à carcinogênese do câncer colorretal", afirmam.
Microbiota e probióticos
No artigo 'Probiotics and cancer', os cientistas acentuam que, na medicina, vários estudos já desenvolvidos demonstraram que os probióticos podem ajudar a melhorar o sistema imunológico e a saúde intestinal. Os autores resumem, nesta revisão científica, as interações entre os probióticos e o hospedeiro, bem como o conhecimento atual sobre os prós e contras da utilização de probióticos em pacientes com câncer.
Segundo os autores da revisão, os estudos já desenvolvidos mostram, por exemplo, que os ácidos graxos de cadeia curta (AGCC) produzidos pelas bactérias intestinais são a fonte de energia das células do cólon. Dessa forma, conseguem manter o ambiente ácido do intestino, inibindo a formação de altos níveis de ácidos biliares secundários e promovendo acidose e apoptose (morte celular programada) de células cancerígenas.
Ainda de acordo com esses cientistas, embora os AGCC sejam derivados da microbiota intestinal, devido a diferenças individuais, a quantidade produzida pode não ser suficiente para inibir o desenvolvimento do câncer colorretal. "Portanto, o consumo de probióticos pode ajudar a aumentar a produção diária de ácidos graxos de cadeia curta no intestino", sinalizam.
Adjuvantes no tratamento
Em geral, a maioria dos casos de câncer de intestino é tratada com uma combinação de quimioterapia, cirurgia (colectomia), terapia direcionada a moléculas e imunoterapia. O tratamento mais prevalente, entretanto, é uma combinação de cirurgia e quimioterapia. Embora seja uma terapia fundamental no tratamento, a quimioterapia pode trazer efeitos colaterais desconfortáveis que prejudicam a qualidade de vida dos pacientes. "Estudos e dados clínicos mostram que a quimioterapia pode levar a complicações gastrointestinais como náuseas, refluxo ácido, dor abdominal, distensão abdominal, constipação e diarreia", sinaliza a engenheira de alimentos Helena Sanae Kajikawa, gerente da Divisão Ciências & Pesquisas da Yakult do Brasil.
Um estudo desenvolvido na China avaliou os papéis potenciais do uso de probióticos no pós-operatório para atenuar as complicações gastrointestinais e da microbiota intestinal perturbada em pacientes com câncer colorretal submetidos à quimioterapia. Para o experimento, foram recrutados 100 pacientes tratados com cirurgia radical e que precisavam receber quimioterapia. "Os resultados mostraram que a administração de probióticos poderia efetivamente reduzir as complicações gastrointestinais induzidas pela quimioterapia, particularmente na diarreia", comenta a gerente da Yakult. Além disso, os autores do estudo mostraram que a quimioterapia reduziu os índices de diversidade bacteriana da microbiota intestinal em pacientes com CCR, o que poderia ser significativamente aumentado pela ingestão de probióticos.
No estudo 'Probiotics in colorectal cancer prevention and therapy: mechanisms, benefits, and challenges' (Probióticos na prevenção e terapia do câncer colorretal: mecanismos, benefícios e desafios), cientistas do Cazaquistão afirmam que os probióticos têm apresentado efeitos benéficos na saúde, como imunomodulação, atividade antioxidante, antagonismo contra espécies patogênicas, exclusão por adesão à barreira mucosa e produção de compostos antimicrobianos, como bacteriocinas. "Ademais, os probióticos demonstraram exibir atividades anticarcinogênicas in vitro (laboratório) e in vivo (estudo com animais)", relatam os autores. Além disso, também já foram demonstradas atividades anti-inflamatórias e manutenção da barreira mucosa. Devido a essas qualidades funcionais ligadas direta ou indiretamente ao CCR, os cientistas acreditam que os probióticos poderiam ser uma terapia adjuvante adequada para o câncer colorretal.
De acordo com a gerente da Divisão Ciências & Pesquisas da Yakult do Brasil, Helena Sanae Kajikawa, o consumo de probióticos deve ser acompanhado pelo médico responsável pelo tratamento. Isso porque, apesar de auxiliarem na manutenção do equilíbrio da microbiota intestinal, cada probiótico proporciona benefícios únicos e específicos da cepa. "Todos os estudos citados, assim como muitos outros, mostram que os probióticos possuem potencial para auxiliar no tratamento do câncer colorretal. Porém, é fundamental ressaltar que qualquer intervenção deve ser feita apenas com orientação e prescrição médica", acentua.
Fonte:
Campanha Março Azul alerta para o câncer colorretal. Portal Terra, 2026.
Demais fontes:
Instituto Nacional de Câncer (INCA). Ministério da Saúde. Governo Federal.
Obesidade e saúde mental
Celebrado em 4 de março, o Dia Mundial da Obesidade reforça a necessidade de compreender que essa condição envolve mecanismos complexos, incluindo alterações hormonais e inflamatórias, além de uma relação bidirecional com a saúde mental. Por isso, seu manejo exige uma abordagem integrada, não estigmatizante e voltada para resultados sustentáveis a longo prazo.
A obesidade é uma doença complexa e multifatorial, caracterizada pelo acúmulo excessivo de gordura corporal que representa risco à saúde. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Centers for Disease Control and Prevention (CDC), ela é definida principalmente pelo Índice de Massa Corporal (IMC): para adultos, obesidade ocorre quando o IMC é igual ou superior a 30 kg/m² (sobrepeso é de 25 a 29,9 e a faixa de peso saudável vai de 18,5 a 24,9 de IMC). Trata-se de uma condição não apenas estética, mas de saúde pública global e multifatorial, influenciada por fatores genéticos, biológicos, ambientais, comportamentais e psicossociais.
Embora a obesidade seja frequentemente associada a causas como excesso calórico e sedentarismo, evidências científicas mostram que sua regulação envolve mecanismos biológicos mais profundos. Ocorre, por exemplo, uma relação bidirecional entre obesidade e saúde mental – depressão aumenta risco para obesidade e obesidade aumenta risco para depressão. Transtornos como depressão, insônia e ansiedade, entre outros, podem levar à falta de motivação para atividade física, a comportamentos emocionais compulsivos e, de forma secundária, levar à obesidade. Além disso, alterações inflamatórias e desregulações hormonais também reforçam o elo com om aumento de peso.
Portanto, abordar a obesidade de forma eficaz exige uma visão integrada, que considere não só os aspectos biológicos e nutricionais, mas também o acolhimento psicológico, o combate ao estigma e o suporte à saúde mental - elementos que melhoram a adesão ao tratamento e os resultados sustentáveis a longo prazo.
Esse entendimento científico reforça a importância de tratamentos não estigmatizantes e multidisciplinares, alinhados ao que será explorado na reportagem a seguir.
"Obesidade não se trata apenas de força de vontade", afirma especialista
Pesquisa aponta que sete em cada dez (71%) pessoas vivendo com a condição no Brasil sentem-se frequentemente ansiosas em relação ao próprio estado de saúde
André Nicolau, da CNN Brasil05/03/26 às 15:15 | Atualizado 05/03/26 às 15:15
Mais de 60% da população brasileira está acima do peso e que 25% já apresentam quadro de obesidade, indica Ministério da Saúde,
A obesidade atinge cerca de 1 bilhão de pessoas em todo o mundo, segundo dados da OMS (Organização Mundial da Saúde).
Uma nova pesquisa global da Ipsos aponta que sete em cada dez (71%) pessoas vivendo com a condição no Brasil sentem-se frequentemente ansiosas em relação ao próprio estado de saúde devido ao seu peso.
O que pode causar obesidade?
A obesidade, no entanto, segundo especialistas, não se trata apenas de uma questão de força de vontade.
Fábio Carra, endocrinologista do Hospital Nove de Julho, explica que a regulação do peso corporal é controlada por mecanismos biológicos complexos, incluindo circuitos neuroendócrinos que regulam fome, saciedade e gasto energético, muitos dos quais não estão sob controle consciente. “Quando tentamos perder peso existem adaptações fisiológicas, como aumento do apetite e redução do gasto energético, o que dificulta a manutenção da perda de peso, independentemente da motivação individual. Nós não fomos feitos para perder peso.”
O especialista lembra que os principais mecanismos biológicos envolvidos na obesidade incluem fatores como predisposição genética, alterações no hipotálamo – uma região do nosso cérebro, resistência de alguns hormônios como a leptina – hormônio associado à saciedade, aumento de hormônios intestinais (como grelina e peptídeo YY) relacionados ao aumento do apetite, inflamação crônica de baixo grau, alterações da microbiota intestinal e influência de fatores ambientais.
“O corpo tende a defender um “set point” de adiposidade (obesidade), que é sempre o nosso peso máximo, promovendo respostas fisiológicas que favorecem o reganho de peso”, explica.
Ainda de acordo com o endocrinologista, a visão de que obesidade é falta de esforço e que basta mudar o estilo de vida para tratar obesidade pode restringir o acesso a tratamentos baseados em evidências, como farmacoterapia e cirurgia bariátrica, além de reforçar o estigma e a discriminação. “Essa abordagem simplista ignora a complexidade biológica da doença, perpetua a ideia de culpa individual e contribui para o sofrimento psicológico, menor adesão ao tratamento e pior prognóstico. Além disso, o estigma associado à obesidade está relacionado a piores desfechos em saúde, aumento do risco de depressão, desistência de acompanhamento médico e perpetuação de desigualdades em saúde.”
Obesidade e saúde mental
A cultura de exposição nas redes sociais é um denominador global, não só exclusivo do Brasil. Porém, quando vinculada principalmente a questões como clima ou festas populares como o Carnaval, a demanda por questões estéticas faz com que o corpo “ideal” se torne uma prioridade mais significativa aqui do que em comparação a outros países.
Gustavo Yamin Fernandes, psiquiatra do Hospital Samaritano Higienópolis, afirma que essa tendência por medidas padrões pode funcionar como um fator negativo.
“A ansiedade faz com que procuremos por comportamentos que nos acalmem e nos tragam gratificação e recompensa de maneira mais imediata - a alimentação inadequada que se transforma em compulsão é uma das mais frequentes, o que acaba criando uma ambivalência - a demanda por cuidados alimentares, porém com escapes compulsivos”, explica Fernandes.
Uma das consequências deste processo, segundo o psiquiatra, é que o julgamento social recorrente tende a ser internalizado. Ou seja, quando a pessoa passa a se perceber sob constante avaliação negativa, isso impacta diretamente sua autoestima e sua autoconfiança.
“Não se trata apenas do receio de não atingir metas de peso, mas do temor de confirmar estereótipos negativos já vivenciados socialmente - mesmo o julgamento cessando ou não sendo algo constante, acaba sendo introjetado na pessoa em uma situação de maior sensibilidade e ansiedade”, afirma.
Esse medo, alerta o especialista em saúde mental, pode reduzir a iniciativa tanto para iniciar como para manter tratamentos, pois cada tentativa passa a ser emocionalmente carregada de expectativas e autocrítica. “A antecipação de um possível insucesso gera evitamento — e o evitamento, por sua vez, perpetua o problema”, diz.
Qual o melhor caminho para tratar a obesidade sem prejudicar a saúde mental?
O sistema de saúde tem papel central na quebra desse ciclo, assegura o psiquiatra. Isso envolve adotar uma abordagem não estigmatizante, evitar discursos moralizantes sobre peso e reconhecer a obesidade como condição multifatorial, com componentes biológicos, psicológicos e sociais. “O acolhimento deve priorizar metas realistas, reforço de pequenas conquistas e separação clara entre valor pessoal e peso corporal. Quando o cuidado é estruturado a partir do respeito e da validação, reduz-se o sentimento de culpa e aumenta-se a probabilidade de adesão e de resultados sustentáveis a longo prazo”, finaliza.
Disponível em:
Demais Referências:
Revisão sobre estresse e comer emocional: "Why stress causes people to overeat" (Harvard Health, baseado em evidências). Link: https://www.health.harvard.edu/staying-healthy/why-stress-causes-people-to-overeat
Meta-análise mais recente sobre bidirecionalidade: "Is there a bi-directional relationship between depression and obesity among adult men and women?" (Mannan et al., 2016) — deprimidos têm 37% mais risco de obesidade; obesos têm 18% mais risco de depressão (mais forte de depressão para obesidade). https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/27208458/ (ou https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S1876201815300976)
Saúde emocional da mulheres
No mês da mulher, multiplicam-se flores, homenagens e presentes. Mas será que é disso que as mulheres realmente precisam? Uma pesquisa do Think Olga revela um alerta: 45% das brasileiras já receberam diagnóstico de algum transtorno mental, e 6 em cada 10 convivem com a ansiedade. Esse sofrimento não surge isoladamente — ele está profundamente ligado às desigualdades de gênero.
No mês da mulher, multiplicam-se flores, homenagens e presentes. Mas será que é disso que as mulheres realmente precisam?
Uma pesquisa do Think Olga revela um alerta: 45% das brasileiras já receberam diagnóstico de algum transtorno mental, e 6 em cada 10 convivem com a ansiedade. Esse sofrimento não surge isoladamente — ele está profundamente ligado às desigualdades de gênero.
Sobrecarga de cuidados, insegurança financeira, violência ou o medo constante de sofrê-la fazem parte da realidade de muitas mulheres. Dados do Sistema Único de Saúde mostram que 75% das vítimas de violência física e sexual no Brasil são mulheres. A Organização Mundial da Saúde destaca que essas desigualdades impactam diretamente a saúde mental.
Mas, afinal, o que as mulheres realmente precisam?
Mais do que homenagens simbólicas, é necessário escuta, acolhimento, equidade e responsabilidade coletiva. Cuidar da saúde mental das mulheres exige compromisso do Estado, das instituições, das organizações e da sociedade.
Perguntar genuinamente como alguém está, oferecer apoio e incentivar a busca por ajuda profissional são gestos simples, mas transformadores.
O NUPSI – Núcleo Psicossocial Institucional (SESA/TJDFT) conta com profissionais capacitados para atendimento em saúde mental.
Contato pelo Teams: NUPSI.agendamento@tjdft.jus.br.
✨ Cuidar da saúde mental das mulheres é uma responsabilidade de todos.
Fonte: Núcleo de Psicologia do TJDFT
Mulheres na ciência
No mês em que se celebra o Dia Internacional da Mulher, ganha destaque uma importante contribuição feminina para a ciência brasileira com potencial impacto na área da saúde: a pesquisa sobre a polilaminina, conduzida pela cientista da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Tatiana Sampaio.
Mulheres na ciência - Caso todos os pacientes voltem a andar, você teria coragem de fazer um estudo com um grupo placebo?
No mês em que se celebra o Dia Internacional da Mulher, ganha destaque uma importante contribuição feminina para a ciência brasileira com potencial impacto na área da saúde: a pesquisa sobre a polilaminina, conduzida pela cientista da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Tatiana Sampaio.
A polilaminina é uma versão recriada em laboratório da laminina, proteína natural do organismo que exerce papel essencial na conexão entre os neurônios. Trata-se de um biomaterial bioinspirado - isto é, um material desenvolvido a partir da observação de como o próprio corpo humano funciona.
Em termos simples, os cientistas não criaram algo totalmente novo e estranho ao organismo. Eles estudaram uma substância que já existe naturalmente no sistema nervoso e entenderam como ela ajuda as células a se organizar, crescer e se conectar. A partir desse conhecimento, desenvolveram em laboratório uma molécula que imita esse comportamento natural. Assim, em vez de substituir ou forçar o funcionamento do corpo, a polilaminina busca oferecer ao tecido nervoso um ambiente semelhante ao que ele teria em condições saudáveis. Ela funciona como uma espécie de estrutura de apoio que orienta o crescimento das células nervosas, favorecendo sua reorganização e contribuindo para a regeneração neural. Esse mecanismo abre caminho para possíveis recuperações funcionais após traumas medulares.
Mais do que um avanço científico, a pesquisa simboliza o lugar das mulheres na construção do conhecimento que transforma vidas. Em meio aos desafios éticos que acompanham toda inovação, a própria pesquisadora sintetizou essa responsabilidade ao lançar uma reflexão que ecoa para além dos laboratórios: se todos os pacientes voltarem a andar, você teria coragem de fazer um estudo clínico controlado?
Em pesquisas médicas, um estudo clínico controlado é aquele em que se compara um grupo que recebe o novo tratamento com outro que não o recebe, para saber se o efeito observado realmente foi causado pela intervenção e não por acaso ou expectativa. Muitas vezes, esse segundo grupo recebe placebo - uma substância sem efeito terapêutico real, usada apenas para permitir essa comparação. Surge então um dilema ético-científico: se há certeza do benefício, é correto deixar parte dos participantes sem acesso ao tratamento?
A pergunta revela não apenas rigor científico, mas também sensibilidade humana - qualidades que, neste Dia Internacional da Mulher, convidam à valorização das contribuições femininas que unem ciência e compromisso com o cuidado.
https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/redacao/2026/02/25/o-que-e-grupo-controle-e-por-que-ele-e-pivo-de-polemica-na-polilaminina.htm