10/11 – Dia Nacional de Prevenção e Combate à Surdez

A data comemorativa foi instituída pela Portaria de Consolidação MS nº 1/2017, art. 527, como símbolo de luta cujo propósito principal é educar, conscientizar e prevenir a população brasileira para os problemas advindos da surdez, que afeta, em algum grau, aproximadamente 5,8 milhões de pessoas. Surdez é o nome dado à impossibilidade ou à dificuldade de ouvir. A audição é constituída por um sistema de canais que conduz o som até o ouvido interno, onde essas ondas são transformadas em estímulos elétricos e enviadas ao cérebro, órgão responsável pelo reconhecimento daquilo que se ouve.
por Pró-Vida — publicado 2023-11-07T17:24:16-03:00

A data comemorativa foi instituída pela Portaria de Consolidação MS nº 1/2017, art. 527, como símbolo de luta cujo propósito principal é educar, conscientizar e prevenir a população brasileira para os problemas advindos da surdez, que afeta, em algum grau, aproximadamente 5,8 milhões de pessoas. De acordo com dados de 2015 da OMS (Organização Mundial da Saúde), 10% da população mundial tem alguma perda auditiva, seja adquirida ou congênita. No Brasil são mais de 28 milhões de pessoas nessa situação.
Surdez é o nome dado à impossibilidade ou à dificuldade de ouvir. A audição é constituída por um sistema de canais que conduz o som até o ouvido interno, onde essas ondas são transformadas em estímulos elétricos e enviadas ao cérebro, órgão responsável pelo reconhecimento daquilo que se ouve.

Uma pessoa pode desenvolver uma deficiência auditiva de várias formas. Quando é congênita, significa que a pessoa já nasceu com essa deficiência. A deficiência congênita pode ser detectada nos primeiros dias de vida e ser tratada com sucesso. Quando é adquirida, a pessoa passou por alguma situação durante sua vida que ocorreu um dano em seus sistemas auditivos.
 
Surdez Congênita
Estatisticamente, a surdez congênita ocorre em 1 a 3 bebês para cada 1000 nascimentos, e é mais predominante em neonatos portadores de fatores de risco. A surdez de origem genética corresponde a 50% dos casos de surdez congênita e são transmitidas pelos pais através de seus genes que podem conter informações que darão as características de deficiência auditiva.

Existe uma série de doenças que quando ocorrem durante a gestação afetam a audição do bebê. Algumas destas doenças são doenças infecciosas e, portanto, podem ser prevenidas. Cuidados como vacinação, assistência pré-natal e alimentação, podem fazer a diferença, evitando-se complicações que vão durar por toda a vida.  Várias infecções adquiridas durante a gestação são causas de surdez congênita. Exemplo: Rubéola, Citomegalovirus, Toxoplasmose, Sífilis, Herpes, AIDS.

Surdez Adquirida
Existem vários fatores que podem levar ao surgimento de alterações auditivas; algumas são permanentes e outras transitórias. Vale a pena ressaltar que o aparecimento súbito de uma perda auditiva (surdez súbita) deve ser rapidamente diagnosticado para que o tratamento seja efetivo e a alteração ser revertida. Estes pacientes devem se dirigir ao pronto atendimento e serem avaliados por um médico otorrinolaringologista.

Alterações metabólicas, Doença de Méniere, Otosclerose, Exposição a ruído, uso contínuo de medicamentos ototóxicos, alguns quimioterápicos, idade avançada, tumores cerebrais, acidentes com traumas na cabeça ou face,  infecções de ouvido repetidas vezes (otites de repetição), dentre outras doenças, são possíveis causas de perda auditiva.

Os sintomas mais comuns são:
  • Dificuldade para compreender a fala - "escuta mas não entende";
  • Dificuldade para compreender em locais com ruído;
  • Falar muito alto;
  • Aumentar volume de TV e rádio;
  • Aparecimento de zumbido.
O tratamento para a surdez depende da sua causa, e pode ser desde limpeza ou drenagem do ouvido quando há acúmulo de cera ou secreção, até a realização de cirurgia em casos de tímpano perfurado ou para correção de alguma deformidade, por exemplo. Quem determina qual é o melhor  tratamento para o seu caso é o seu médico.​

No entanto, há alguns tratamentos que visam compensar a perda da audição, com o uso de  próteses auditivas, que amplificam o som ou até implante coclear, no qual um equipamento eletrônico implantado cirurgicamente transmite o sinal sonoro. Quando o médico opta por aparelho auditivo, o fonoaudiólogo  entra em ação para verificar o tipo de aparelho auditivo mais indicado para cada paciente, acompanha o momento de adaptação, fazendo os ajustes necessários e orientando a melhor forma de cuidar do seu aparelho. Tambem é responsável por reabilitar a função auditiva, a fala ou a linguagem, por meio de treinamentos específicos para os casos que necessitarem. ​
 
Além disso, alguns pacientes podem também se beneficiar com algumas formas de reabilitação que incluem a leitura labial ou linguagem de sinais, que melhoram a qualidade de comunicação e interação social destas pessoas.
 
Como identificar?
A perda auditiva pode ser detectada num percentual de 80% a 90 % com um simples teste auditivo, que deve ser feito mesmo que seu filho tenha passado na triagem auditiva para recém-nascido. A perda auditiva genética ou progressiva pode manifestar-se quando seu filho é bebê ou quando está mais velho.
 
É recomendado aos pais observarem, de um modo crítico, o dia a dia do desenvolvimento na criança, os quais funcionam como detectadores de perda auditiva.
O sintoma mais importante que indica a possibilidade de perda auditiva é atraso de aquisição de fala e ausência de diálogo. Além disso, podemos observar:
 
  • Seu filho parece ouvir bem algumas vezes e outra vezes não responde ao ser indagado;
  • Seu filho assiste TV num volume mais alto que outros membros da família;
  • Seu filho fala com frequência  “o que?”;
  • Seu filho posiciona um dos ouvidos para frente quando está ouvindo e reclama que só escuta com o “ouvido bom”;
  • O rendimento escolar de seu filho cai ou seus professores falam que ele parece não ouvir  ou responder bem como os colegas de classe;
  • Seu filho diz que não lhe escuta e é obvio que muitos pais acham que seus filhos não são atenciosos quando de fato deve existir uma perda auditiva não identificada;
  • Seu filho parece ser desatento;
  • Seu filho começa a falar mais alto que anteriormente;
  • Seu filho olha para você com muita intensidade quando você fala com ele, como se dependesse mais dos sinais visuais para interpretar a conversa;
Se você suspeita que seu filho possa apresentar algum problema auditivo, deve contatar o médico otorrinolaringologista e pediram juntos um exame de audiometria (leia mais abaixo).
 
O que é o teste da orelhinha?
É uma avaliação que pode e deve ser feita ainda na maternidade, cerca de 24 horas após o nascimento. Indolor e rápido, no teste é inserida uma pequena sonda com uma oliva de borracha na ponta, no conduto auditivo externo, não gerando nenhum risco para o bebê, pois é colocado apenas superficialmente, no canal auditivo.
 
Com o bebê quietinho o aparelho dispara um sinal e recebe de volta os resultados sobre a integridade das vias auditivas. Caso o bebê falhe neste primeiro teste deve-se realizar o procedimento novamente posteriormente. Líquidos remanescentes do parto podem atrapalhar o resultado, por exemplo.
 
Se a falha persistir deve-se fazer uma investigação diagnóstica sobre sua a saúde auditiva. A importância deste teste ainda na maternidade é que caso haja de fato uma deficiência auditiva congênita, isto é, desde o nascimento, com o diagnóstico precoce você consegue iniciar o tratamento o quanto antes para que por meios de dispositivos eletrônicos ou outro tratamento, o bebê possa receber os estímulos auditivos para vivenciar aprendizagens pertinentes a cada etapa de seu desenvolvimento infantil. 
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Audiometria
A avaliação audiológica engloba vários testes, e a Audiometria é apenas um deles. 
 
Audiometria tonal
Tem como finalidade determinar, em cada frequência sonora testada, a menor quantidade de energia acústica audível.
 
Na audiometria vocal temos duas mensurações principais:
  1. Limiar de Reconhecimento de Fala (LRF) – menor intensidade em que o indivíduo consegue identificar 50% das palavras que lhe são apresentadas
  2. Índice Percentual de Reconhecimento de Fala (IPRF) - avalia a habilidade em repetir palavras (monossílabos ou dissílabos) em uma intensidade mais elevada e confortável ao paciente.
A audiometria pode ser realizada em qualquer faixa etária, de maneiras diferentes. Por exemplo, a Audiometria de Observação comportamental, é uma técnica que se baseia na observação de mudanças no comportamento da criança desencadeadas pelos estímulos sonoros apresentados. Pode ser realizada para crianças até os 12, 18 meses de idade.
 
Audiometria com Reforço visual
Procedimento que tem como princípio o condicionamento da criança com estímulo sonoro associado a um luminoso, sendo que quando a criança procura a fonte sonora o examinador oferece um estímulo visual, como reforço. Os estímulos podem ser apresentados em campo livre, através de alto-falantes, ou com fones auriculares. Pode ser realizada dos 6 aos 30 meses de idade.
 
Audiometria lúdica ou tonal condicionada
Técnica que atribuímos um significado ao som, associando um ato motor ao estímulo sonoro; transformando o exame em uma atividade lúdica, para que a criança se divirta e responda adequadamente ao teste.
 
Normalmente, o exame é prescrito quando há a necessidade de avaliar a audição do paciente, também é indicado em idade escolar, em suspeita de perda auditiva ou quando ocorrem traumas, perfuração timpânica, uso excessivo de diversos medicamentos, infecções, história hereditária de perda auditiva, entre outras questões.

Importância da linguagem de sinais:

No Brasil, a Lei nº 10.436/2002 foi um marco para a comunidade surda, ao reconhecer a Língua Brasileira de Sinais (Libras) como meio legal de comunicação e expressão e determinar o apoio na sua difusão e uso pelo poder público.

Na comunicação por Libras é utilizada a ‘datilologia’ – um sistema de representação simbólica das letras do alfabeto, soletradas com as mãos. Nessa linguagem existem sinais para quase todas as palavras conhecidas e, para a execução dos sinais, usa-se o movimento das mãos, além das expressões facial e corporal, quando necessário.

A língua de sinais não é universal, sendo diferente de um país para outro e muitas vezes de uma cidade para outra, pois sofre variações de acordo com as peculiaridades regionais.

Prevenção da surdez:

– em gestantes, doenças como sífilis, rubéola e toxoplasmose podem provocar a surdez nos bebês, daí a necessidade dos cuidados pré-natais. Mulheres devem tomar a vacina contra a rubéola antes da adolescência, para que durante a gravidez estejam protegidas;
– teste da orelhinha: exame feito nos recém-nascidos que permite verificar a presença de anormalidades auditivas;
– cuidado com objetos pontiagudos, como canetas e grampos, pois, se introduzidos nos ouvidos, podem causar sérias lesões;
– atraso no desenvolvimento da fala das crianças pode indicar problemas auditivos, sendo motivo para uma consulta com um médico especialista;
– uso de equipamentos de proteção para trabalhadores expostos aos riscos ocupacionais provocados pelo ruído;
– acompanhamento da saúde auditiva dos trabalhadores, por parte das empresas, visando eliminar ou reduzir o ruído no ambiente de trabalho;
– evitar ambientes com ruído excessivo, especialmente por tempo prolongado;
– evitar ouvir música em volume muito alto, especialmente com fones de ouvido;
–  infecções de ouvido, especialmente de repetição, são riscos potenciais de perda auditiva. O ideal é procurar um médico especializado e fazer o tratamento indicado com seriedade, sem automedicação;
– procurar atendimento médico ao perceber alterações na audição, por exemplo, ao notar que está precisando aumentar o volume mais do que o usual.

Fontes: Biblioteca Virtual em Saúde

                  Site do Hospital Albert Einstein