Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios
Alerta: narguilé e cigarro eletrônico também são prejudiciais à saúde!

Alerta: narguilé e cigarro eletrônico também são prejudiciais à saúde!

Uma hora de uso do narguilé corresponde à nicotina de 100 cigarros comuns e, segundo estudos internacionais, o cigarro eletrônico pode induzir ao tabagismo

por Marcia — publicado 29/05/2019

O Conselho Federal de Medicina (CFM) chama atenção dos médicos e da sociedade sobre os riscos relacionados ao consumo do narguilé e do cigarro eletrônico, utilizados especialmente entre os jovens. A Comissão de Controle do Tabagismo do CFM produziu alerta – referendado pelo plenário da entidade – onde ressalta que todas as formas de uso do tabaco, mesmo aquelas apontadas - de forma equivocada - como menos nocivas, comprometem a saúde e uma melhor qualidade de vida. 

Há um acúmulo de evidências que sugerem que fumar narguilé e cigarros eletrônicos pode trazer riscos semelhantes ou mesmo maiores que outras formas de uso de tabaco, comprometendo a saúde de seus usuários. “Uma hora de uso do narguilé corresponde a 100 cigarros comuns. A concentração de nicotina nesses produtos é extremamente alta.”, aponta o membro da Comissão, Alberto José de Araújo.

No alerta, o CFM pede ainda que o Governo (em todas as suas esferas de decisão) elabore e implemente nas políticas públicas de combate ao tabagismo ações específicas relativas ao narguilé e ao cigarro eletrônico, com a adoção de campanhas de esclarecimento e definição de linhas de tratamento e orientação nos serviços específicos.

Outro ponto de preocupação é que o narguilé funciona como porta de entrada para o consumo de cigarros. “Há estudos demostrando o preocupante aumento de jovens consumindo-os. A grande parte dos fumantes de hoje começaram o vício com menos de 18 anos”, relata Araújo. O comércio do narguilé no Brasil não é proibido por ser considerado “produto artesanal”.

O alerta com relação aos cigarros eletrônicos (e-cigarros) está vinculado aos efeitos de longo prazo, sobretudo comportamentais.  O cigarro eletrônico é um produto eletrônico utilizado para fumar. Contém um cartucho recarregável, preenchido com um líquido composto de propilenoglicol, nicotina, substâncias aromatizantes e uma bateria. Como medida de precaução e proteção à saúde de nossa população, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proíbe a comercialização, importação e propaganda de quaisquer dispositivos eletrônicos para fumar.

De acordo com estudos internacionais, como produto que libera níveis mais baixos de toxinas do que os cigarros convencionais, o cigarro eletrônico é utilizado por alguns como subterfúgio para abandonar o tabagismo. Contudo, seu uso contínuo tem demonstrado efeito contrário, ou seja, seus usuários costumam se tornar fumantes intensos. Não há produto de tabaco seguro para o consumo humano! Todo e qualquer tipo de produto de tabaco causa prejuízo à saúde. Em países onde é permitido o consumo de cigarros eletrônicos são usadas as mesmas táticas de marketing que foram utilizadas no passado, relacionando o uso desses produtos ao glamour e à ostentação como forma de torná-lo atraente, especialmente aos jovens.

Além disso, o e-cigarro polui o ambiente e emite um vapor de água com componentes prejudiciais à saúde. “O e-cigarro coloca o fumante com as mesmas condições e problemas do cigarro comum. Não há indícios científicos que comprovem que este produto auxilia o fumante a largar o vício e as pessoas passivamente expostas ao aerossol (vapor) de e-cigarros também absorvem nicotina (medida como seu metabólito, a cotinina)”, alerta Araújo. Portanto, o cigarro eletrônico não é um produto para tratamento para ajudar a deixar de fumar. No Brasil temos tratamento no SUS para quem quer deixar de fumar de maneira segura.

Há uma cartilha, disponível na íntegra para leitura e download no site do CFM, cujo objetivo é demostrar as consequências do tabagismo que estão cientificamente comprovadas. Por exemplo, fumar aumenta seis vezes o risco de periodontite, o que leva à perda dos dentes. De acordo com a literatura médica, o consumo do tabaco está associado ao aumento do risco de morte súbita, acidente vascular encefálico, úlcera péptica, transtornos hepáticos, bem como à incidência de câncer “atingindo os pulmões e vários órgãos e sistemas do organismo humano”, entre outros problemas.

Qualquer produto derivado do tabaco é prejudicial à saúde, sob qualquer forma, aroma e sabor, causando adoecimento e morte da população. De acordo com estatísticas oficiais, apesar da queda do número de fumantes nos últimos anos, 25 milhões de brasileiros ainda mantém o hábito. Todos os anos, o tabagismo é corresponsável pela morte de aproximadamente 200 mil pessoas no país.

 

FONTE: Texto adaptado de informações extraídas de www.inca.gov.br e www.portal.cfm.org.br