Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios
Depois do Sim: Considerações sobre relacionamento conjugal – parte 2

Depois do Sim: Considerações sobre relacionamento conjugal – parte 2

Os prejuízos advindos de crises nas relações amorosas podem ser enormes e afetar a saúde e até mesmo a produtividade no trabalho. Neste texto serão abordadas algumas ferramentas que servem para auxiliar os cônjuges, em conflito ou não, a melhorar a comunicação no relacionamento.

por PRÓ-VIDA — publicado 29/05/2019

 

A pílula da saúde anterior tratou sobre os prejuízos de crises nas relações amorosas no âmbito da saúde dos indivíduos e como isto pode afetar a produtividade no trabalho.

Nesta edição, abordam-se algumas ferramentas que servem para auxiliar os cônjuges, em conflito ou não, a melhorar a comunicação no relacionamento.

Os parceiros com problemas na relação experienciam dificuldade de expressar o que sentem, pensam e ouvem durante a interação conjugal. (Beck, 1995).

Todavia, o casal pode comportar-se de forma a dificultar a assimilação e compreensão do que o companheiro pensa e sente em uma situação especifica, seja por psicopatologias envolvidas, pensamentos disfuncionais, ambigüidade, postura, tom de voz ou outras mensagens não verbais.

Nesse contexto, a TCC – Terapia Cognitivo Comportamental, aponta para alguns comportamentos adaptativos a essa situação de crise, que remontam a um aprendizado de novas atitudes para os interlocutores.

 

Abaixo algumas dicas práticas de como falar e ouvir durante uma discussão:

 

Princípios para quem fala:

 

  • Ser breve
  • Ser especifico (evitar comentários vagos e genéricos).
  • Não insultar, xingar ou acusar (sugira atitudes corretivas, não acuse ou culpe o outro.
  • Não rotular (rótulos como “egoísta”, “irresponsável” são generalizações que só despertam reações agressivas)
  • Não seja absoluto (expressões como “nunca, “sempre” são inexatos e só pedem refutação).
  • Evitar críticas e afirmar de forma positiva (troque o “você nunca leva o lixo para fora” por “quero sua ajuda para jogar o lixo fora”)
  • Não tente ler as intenções do outro.

 

Princípios para quem ouve:

Descubra os pontos de acordo ou entendimento mutuo (não pareça um oponente).

Desconsidere as afirmações negativas do outro.

Faça perguntas a si mesmo (o que ele (a) está querendo me dizer?)

Esclareça os seus motivos.

Não receie dizer que sente muito (amar requer a manifestação de arrependimento quando se magoa o outro de forma deliberada.)

 

O casal funcional é aquele em que a comunicação é direta, as opiniões diferentes são respeitadas, a coesão é grande, as emoções podem ser expressas, os conflitos são resolvidos pela negociação, e não por ameaças e autoritarismo, e quando há filhos, estes não são envolvidos nos conflitos do casal e são protegidos das discussões que não lhes digam respeito.

Importante ressaltar que há situações em que o desgaste está instalado há muito tempo e os parceiros não conseguem conversar, ou algo muito grave ocorreu (traição, violência, etc.) onde a expectativa de resolução, ou as ferramentas para tal, diminuem a percepção dos envolvidos na persecução de uma comunicação de maior qualidade.   Nestes casos é importante procurar a ajuda de um psicólogo especializado.

O objetivo da psicoterapia com casais é auxiliar os parceiros a perceber os pensamentos disfuncionais que praticam na relação e que levam a conflitos no casamento, bem como melhorar a comunicação e a correta resolução de problemas.

 

Contribuidores
Kátia de Lima: Psicóloga do Núcleo Psicossocial Institucional/ SESA/ TJDFT Márcio Morais: Psicólogo do Núcleo Psicossocial Institucional/ SESA/ TJDFT