Dia Mundial de Luta contra a Aids
Há 30 anos, no dia 27 de outubro de 1988, a Assembleia Geral da ONU e a Organização Mundial de Saúde instituíram o dia 1º de dezembro como o Dia Mundial de Luta contra a Aids. Cinco anos após a descoberta do vírus causador da aids, o HIV, 65,7 mil pessoas já tinham sido diagnosticadas com o vírus e 38 mil já tinham falecido. Hoje, o tratamento com medicamentos antirretrovirais pode fazer a carga viral (vírus em circulação no sangue) chegar a níveis muito baixos, indetectáveis. Atingir a carga viral indetectável é um caminho que depende de vários aspectos. A pessoa que vive com HIV deve seguir o tratamento com todos os cuidados necessários, fazendo o uso correto dos medicamentos antirretrovirais.
O nome da doença pode ser compreendido da seguinte forma:
Síndrome – Grupo de sinais e sintomas que, uma vez considerados em conjunto, caracterizam uma doença.
Imunodeficiência – Inabilidade do sistema de defesa do organismo humano para se proteger contra micro-organismos invasores, tais como vírus, bactérias, protozoários, etc.
Adquirida – Que a pessoa adquire após ter nascido,por infecção pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV). O vírus destrói os linfócitos (células do sangue responsáveis pela defesa do nosso organismo) , tornando a pessoa vulnerável a outras infecções e doenças oportunistas, chamadas assim por aproveitarem a oportunidade do sistema imunológico do indivíduo estar enfraquecido para surgirem.
Atualmente a aids já pode ser considerada uma doença crônica, o que significa que uma pessoa infectada pelo HIV pode viver com o vírus, por um longo período, sem apresentar nenhum sintoma. Isso tem sido possível graças aos avanços tecnológicos e às pesquisas, que propiciaram o desenvolvimento de métodos diagnósticos e medicamentos cada vez mais eficazes. Deve-se, também, à experiência obtida ao longo dos anos por profissionais de saúde. Todos estes fatores possibilitam aos portadores do vírus ter uma sobrevida cada vez maior e de melhor qualidade.
Distribuição no Brasil e no mundo: A aids é uma doença emergente (ou seja, cuja incidência em seres humanos aumentou nas útimas décadas), que representa um dos maiores problemas de saúde da atualidade, em função do seu caráter pandêmico e de sua gravidade. Entre 1980, ano do primeiro caso de aids identificado no Brasil, e junho de 2006, foram identificados 433.067 casos no país. Houve crescimento acelerado no número de casos até o ano de 1998 e a partir deste ano verifica-se uma desaceleração.
Nos últimos anos, 2002 a 2005, foram identificados, em média, 35.000 casos/ano, com taxa média de incidência de 19,4 por 100 mil habitantes. Estima-se que cerca de 600 mil pessoas, entre 15 e 49 anos de idade, vivam com HIV/Aids no país.
Nomes populares: sida, aids, doença causada pelo HIV, síndrome da imunodeficiência adquirida.
O que é: A aids é uma doença que se manifesta após a infecção do organismo humano pelo Vírus da Imunodeficiência Humana, conhecido como HIV (da sigla em inglês Human Immunodeficiency Virus). Este nome deriva de outra sigla também em inglês, a Aids (Acquired Immune Deficiency Syndrome), que em português quer dizer Síndrome da Imunodeficiência Adquirida.
Transmissão
Agente causador: O HIV é um retrovírus que apresenta dois tipos conhecidos: o HIV-1, predominante no Brasil, e o HIV-2.
São fatores de risco associados aos mecanismos de transmissão do HIV: variações frequentes de parceiros sexuais, sem uso de preservativos; utilização de sangue ou seus derivados sem controle de qualidade; uso compartilhado de seringas e agulhas não esterilizadas (como acontece entre usuários de drogas injetáveis), gravidez em mulher infectada pelo HIV; e recepção de órgãos ou sêmen de doadores infectados.
Diagnóstico
Devido à importância do diagnóstico laboratorial, particularmente pelas consequências do resultado positivo para HIV, o Programa Nacional de DST e Aids, da Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, regulamentou os procedimentos de realização dos testes na Portaria nº. 59, GM/MS, de 28 de janeiro de 2003 e na Portaria nº. 34/SVS/MS de julho de 2005. Os quais devem ser rigorosamente seguidos, de acordo com a natureza de cada situação.
Clínico (principais sintomas): A aids não se manifesta da mesma forma em todas as pessoas. Entretanto, os sintomas iniciais são geralmente semelhantes e, além disso, comuns a várias outras doenças. São eles: febre persistente, calafrios, dor de cabeça, dor de garganta, dores musculares, manchas na pele, gânglios ou ínguas embaixo do braço, no pescoço ou na virilha e que podem levar muito tempo para desaparecer. Com a progressão da doença e com o comprometimento do sistema imunológico do indivíduo, começam a surgir doenças oportunistas, tais como: tuberculose, pneumonia, alguns tipos de câncer, candidíase e infecções do sistema nervoso (toxoplasmose e as meningites, por exemplo).
Laboratorial (exames realizados): A detecção laboratorial do HIV é realizada por meio de técnicas que pesquisam anticorpos, antígenos, material genético (biologia molecular) ou, que isolem o vírus (cultura). Os testes que pesquisam anticorpos (sorológicos) são os mais utilizados para pessoas com mais de 18 meses de idade. O aparecimento de anticorpos detectáveis por testes sorológicos ocorre em torno de 30 dias após a infecção em indivíduos imunologicamente competentes. Esse intervalo entre a infecção e a detecção de anticorpos por meio de exames laboratoriais é denominado “janela imunológica”. No entanto, nesse período, as provas sorológicas podem ter resultado falso-negativo.
Para os menores de 18 meses, pesquisa-se o RNA ou DNA viral, considerando-se que a detecção de anticorpos nesse período pode dever-se à transferência passiva de anticorpos maternos, ocorrida durante a gestação, razão pela qual os testes sorológicos não devem ser realizados.
Tratamento
Nos últimos anos, foram obtidos grandes avanços no conhecimento da forma como o HIV se comporta dentro do organismo. Várias drogas antirretrovirais em uso combinado – o chamado “coquetel” – se mostram eficazes na elevação da contagem de linfócitos T CD4+(linfócitos de defesa) e na redução na carga viral (títulos plasmáticos de RNA do HIV). Com isso, a progressão da doença tem sido controlada, evidenciada pela redução da incidência das complicações oportunistas, da mortalidade, por uma maior sobrevida, bem como por uma significativa melhora na qualidade de vida dos indivíduos.
Atualmente as recomendações do Ministérios da Saúde são de iniciar o tratamento com, pelo menos, três antirretrovirais (terapia tripla). São numerosas as possibilidades de esquemas terapêuticas indicados pelo Programa Nacional de IST e Aids, que variam, em adultos e crianças, de acordo com a presença ou não de doenças oportunistas e com as contagens da carga viral e dos linfócitos TCD4+.
Prevenção
As ações de prevenção têm origem na análise de tendências das epidemias e na identificação das populações mais vulneráveis. No caso das IST/Aids, as ações de prevenção estão baseadas nos seguintes parâmetros:
O uso consistente da camisinha é o meio mais seguro de se prevenir contra a infecção pelo HIV
Seringas,agulhas e objetos cortantes não devem ser compartilhadas
Toda gestante deve ser orientada a fazer o teste para detecção do HIV e, em caso de resultado positivo, ser orientada sobre os seus direitos e os do bebê, sobre a importância de receber os cuidados recomendados pelo Ministério da Saúde, antes, durante e após o parto, para controlar a doença e prevenir a transmissão do HIV para o seu filho (para mais informações ver item Pré-Natal)
Todo cidadão tem direito ao acesso gratuito aos antirretrovirais. A boa adesão ao tratamento é condição indispensável para o controle da doença, com efeitos positivos diretos na vida da pessoa com HIV/Aids
Uso da camisinha: Diversos estudos confirmam a eficiência do preservativo na prevenção da infecção do HIV e de outras infecções sexualmente transmissíveis. Em um estudo realizado recentemente na Universidade de Wisconsin (EUA), demonstrou-se que o correto e sistemático uso de preservativos em todas as relações sexuais apresenta uma eficácia estimada em 90 a 95% na prevenção da transmissão do HIV. Os autores desse estudo sugerem uma relação linear entre a frequência do uso de preservativos e a redução do risco de transmissão, ou seja, quanto mais se usa a camisinha menor é o risco de contrair o HIV.
Pré-natal: Toda mulher grávida deve fazer a testagem contra o HIV. Esse exame é especialmente importante durante os meses de gestação, pois, em caso positivo, a mãe poderá receber um tratamento adequado e, na hora do parto, evitar a transmissão vertical (de mãe para filho) do HIV. Se forem tomados todos os cuidados devidos, esse risco pode ser reduzido em até 67%. A prevenção da transmissão vertical é feita mediante o tratamento da gestante, sempre sob orientação médica, por meio do uso do AZT durante a gravidez e no momento do parto. O recém-nascido também deve fazer uso desse mesmo medicamento por um período de seis semanas. A transmissão do HIV também pode acontecer durante a amamentação, através do leite materno. Portanto, o leite da mãe deve ser substituído por leite artificial ou leite materno processado em bancos de leite que fazem aconselhamento e triagem das doadoras.
Uso de seringas descartáveis: O risco de um usuário de droga injetável (UDI) infectar-se pelo HIV, ou por qualquer outro agente de doença, está atrelado à forma como a droga é utilizada: se houver compartilhamento de seringas e agulhas, esse risco é elevado.
FONTES: https://www.infectologia.org.br (Revisão: Dra. Tania Vergara)
http://www.blog.saude.gov.br (Ministério da Saúde)