Dia Mundial de Luta contra a Aids

por pro vida — publicado 2020-12-02T18:53:00-03:00

Brasil tem 920 mil pessoas com HIV

No Dia Mundial de Luta contra a Aids, celebrado nesta terça-feira (1°), o Ministério da Saúde (MS) apresentou o Boletim Epidemiológico HIV/Aids 2020, que traz os dados de diagnósticos e infectados consolidados do ano de 2019 e um comparativo dos casos nos últimos anos no país.Imagem 2 Imagem 1

Segundo a pasta, atualmente cerca de 920 mil pessoas vivem com HIV no Brasil: 89% delas foram diagnosticadas, 77% fazem tratamento com antirretroviral e 94% das pessoas em tratamento não transmitem o HIV por via sexual, por terem atingido carga viral indetectável. Até outubro deste ano cerca de 642 mil pessoas estavam em tratamento com antirretroviral, enquanto em 2018, eram 593.594 pessoas em tratamento.

Jovens

O Ministério da Saúde estima que cerca de 10 mil casos de Aids foram evitados no país, no período de 2015 a 2019. Os jovens, de 25 a 39 anos, de ambos os sexos, com 492,8 mil registros, concentraram o maior número de casos. Nessa faixa etária, 52,4% são do sexo masculino e 48,4% são mulheres.

Queda

Durante a apresentação dos dados na manhã de hoje, especialistas comemoram o fato do Brasil ter registrado queda no número de casos de infecção por Aids nos últimos anos. Desde 2012 houve uma diminuição na taxa de detecção de Aids no país. O número passou de 21,9 casos por 100 mil habitantes, em 2012; para 17,8 casos por 100 mil habitantes em 2019, representando um decréscimo de 18,7%.

A taxa de mortalidade por Aids também apresentou queda de 17,1% nos últimos cinco anos. Em 2015, foram registrados 12.667 óbitos pela doença e em 2019 foram 10.565. Na avaliação do Ministério da Saúde, ações como a testagem para a doença e o início imediato do tratamento, em caso de diagnóstico positivo, são fundamentais para a redução do número de casos e óbitos por Aids.

Campanha

Como tradicionalmente faz no Dia Mundial de Luta Contra a Aids o ministério lançou a Campanha de Prevenção ao HIV/Aids. Com o slogan: HIV/Aids. Faça o teste. Se der positivo, inicie o tratamento.

A campanha terá filme para TV, peças de mídia, internet e mídias sociais, cartazes e spot para rádio.

Neste ano, a ação incentiva a busca pelo diagnóstico e tratamento da doença, reforçando que a camisinha é a forma mais fácil e simples de se prevenir contra o HIV. Caso não tenha utilizado camisinha, é de extrema importância realizar o teste de HIV, gratuito no Sistema Único de Saúde (SUS).

Em caso de diagnóstico positivo, a orientação é iniciar o tratamento o mais rápido possível para evitar o adoecimento por Aids. Com o tratamento adequado, o vírus HIV fica indetectável, ou seja, não pode ser transmitido.

Pandemia

Segundo o secretário de Vigilância em Saúde do MS, Arnaldo Medeiros, apesar da pandemia de covid-19, durante esse período a pasta expandiu a estratégia de entrega de antirretrovirais (ARV) de 30 para 60 ou até 90 dias.

Hoje, 77% dos pacientes em tratamento tem dispensação para 60 e 90 dias, em 2019 eram 48%. Além disso, Medeiros ressaltou que o uso de auto testes foi ampliado com o objetivo de reduzir o impacto na identificação de casos de HIV por conta da pandemia. A pasta também garantiu a oferta de teste anti-HIV para pacientes internados com síndrome respiratória.

Neste ano, até outubro, o Ministério da Saúde distribuiu 7,3 milhões de testes rápidos de HIV, 332 milhões de preservativos masculinos e 219 milhões de preservativos femininos.

Transmissão Vertical

Apesar da queda do número de casos nos últimos anos, em um período de 10 anos, houve um aumento de 21,7% na taxa de detecção de HIV em gestantes. Segundo o MS, essas estatísticas podem ser explicadas, em parte, pela ampliação do diagnóstico no pré-natal e a melhoria da vigilância na prevenção da transmissão vertical do HIV.

O maior número de gestantes infectadas com HIV (27,6%) está entre jovens de 20 a 24 anos. Em 2019 foram identificadas 8.312 gestantes infectadas com HIV no Brasil. O Ministério da Saúde atualizou o protocolo para prevenção de transmissão vertical do HIV, quando o vírus é passado de mãe para filho.

Vale lembrar que o Brasil é signatário do compromisso mundial de eliminar a transmissão vertical do HIV e optou por adotar uma estratégia gradativa de certificação de municípios. A eliminação da transmissão vertical do HIV, assim como a redução da sífilis e da hepatite B, é uma das seis prioridades do Departamento de Doenças de Condições Crônicas e Infecções Sexualmente Transmissíveis (DCCI) da Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde.

Menores de 5 anos

De 2015 a 2019, houve redução de 22% na taxa de detecção de Aids em menores de 5 anos. Passando de 2,4 casos por 100 mil habitantes em 2015 (348 casos no total) para 1,9/100 mil habitantes, em 2019 (270 casos). A taxa de detecção de aids em menores de 5 anos tem sido utilizada como indicador para o monitoramento da transmissão vertical do HIV, que inclui ainda a transmissão durante a gestação, o parto ou a amamentação.

 

AIDS

​Definição

A Aids, ou síndrome da imunodeficiência adquirida, é um quadro clínico extremamente grave, decorrente da infecção causada por um microrganismo da família dos retrovírus, denominado vírus da imunodeficiência humana (HIV). 

O ser humano é a única espécie que se infecta e desenvolve doença por esse agente, do qual se conhecem duas subespécies distintas: o HIV-1, mundialmente distribuído e o mais frequente no Brasil, e o HIV-2, predominante em alguns países da África Ocidental, entre os quais Costa do Marfim, Senegal e Guiné-Bissau.

​Características

Qualquer que seja a forma de contágio, depois que a pessoa se infecta o vírus torna-se um parasita no organismo, preferencialmente de células do sistema imunológico – entre as quais os chamados linfócitos auxiliadores (ou linfócitos T-4) , o que significa, na prática, destruir os agentes das defesas naturais do corpo contra infecções em geral. Essa destruição é lenta e progressiva: pode levar de oito a dez anos até que o indivíduo infectado perca a capacidade de proteção imunológica. Quando isso finalmente ocorre, ele fica sujeito a uma série de doenças por falta de proteção contra agentes infecciosos.

 

Qual a diferença entre ser portador do HIV e doente de AIDS?

A evolução dos danos causados pelo HIV varia entre os infectados, mas é possível identificar um padrão comum para esse desenvolvimento. Ao longo dos oito a dez anos mencionados, em regra a pessoa infectada não apresenta manifestações clínicas, mas há uma intensa multiplicação do vírus nas correntes sanguínea e linfática. Em mais de 50% dos casos, porém, podem surgir sintomas de infecção aguda logo após a contaminação, entre os quais febre, exantemas cutâneos (erupções na pele), aumento dos gânglios linfáticos (ínguas), discreta hepatoesplenomegalia (fígado e baço aumentados) e alterações de sangue semelhantes às que ocorrem na mononucleose infecciosa (ver neste capítulo o artigo “Síndrome da Mononucleose Infecciosa”). 

Quase sempre esse quadro se resolve espontaneamente, e então a pessoa se mantém apenas como portadora do HIV por períodos variáveis, que dependerão do grau de multiplicação viral no paciente infectado e que duram em geral de oito a dez anos. Nesse período, esses pacientes são praticamente assintomáticos, podendo ser identificados apenas por exames de sangue com testes apropriados.

A partir de um determinado ponto, a destruição acentuada das células do sistema imunológico afeta  a tal ponto as defesas orgânicas naturais que a pessoa passa a ser vítima de uma sucessão de doenças infecciosas – daí por diante, ela deixou de ser apenas portadora do HIV para transformar-se em doente de AIDS.

​O HIV pode causar a morte do doente de AIDS?

A alta mortalidade da AIDS não se deve diretamente ao HIV, mas às infecções (a vírus, protozoários ou bactérias) que o doente contrai sem que seu organismo reaja adequadamente a elas. Entre essas infecções destacam-se as chamadas oportunistas, ou seja, aquelas que normalmente não causam doença em pessoas com o sistema imunológico em boas condições: por exemplo, a monilíase oral e esofágica (o popular “sapinho”), a pneumonia causada pela Pneumocystis carinii  (pneumocistose), a retinite por citome-galovírus (que pode levar à cegueira) e a encefalite por Toxoplasma gondii (toxoplas-mose cerebral). No Brasil, é importante ressaltar também a grande incidência de tuberculose, pulmonar ou disseminada.

Diagnóstico

Há vários testes sorológicos disponíveis para detectar anticorpos específicos contra o HIV e, desse modo, identificar a presença desse retrovírus em portadores que ainda não apresentam os sintomas da AIDS. O principal deles – e que, quando associado à avaliação de possíveis comportamentos de risco, leva ao diagnóstico da contaminação – é o ensaio imunoenzimático, conhecido como ‘Elisa’. 

Trata-se do teste mais amplamente utilizado devido à sua sensibilidade e especificidade, ao baixo custo e à praticidade. 

O Elisa detecta a presença de anticorpos ao vírus HIV e não ao HIV propriamente dito, e sua positividade indica indiretamente que a pessoa encontra-se infectada pelo vírus. Como existe a possibilidade, ainda que pequena, de falsos-positivos (testes com resultado positivo para pessoas na realidade não infectadas), é preciso confirmar a positividade, especialmente em indivíduos que não tenham antecedentes e/ou quadro clínico compatíveis com o diagnóstico.

Além do diagnóstico sorológico da infecção, existem também métodos para a determinação do nível de destruição do sistema imunológico, que consistem em quantificar no sangue o número de linfócitos auxiliadores e o de linfócitos CD4 (ou dosagem de CD4). 

Sabe-se que a diminuição relativa, ou principalmente a absoluta, de linfócitos CD4 está associada ao aparecimento de infecções oportunistas.

Há também uma técnica que permite medir a carga viral (dosagem de carga viral). Além da confirmação da infecção, já que detecta diretamente a presença do vírus, essa dosagem é de grande utilidade na avaliação da multiplicação do vírus na corrente sanguínea, constituindo hoje um parâmetro fundamental para controle do tratamento.

Prevenção

Cientistas de vários países vêm se empenhando na tentativa de descobrir uma vacina contra a Aids. Enquanto isso não ocorre, as principais medidas para prevenir a contaminação com o HIV são:

Campanhas de prevenção – considerando a importância dessa pandemia e a alta mortalidade a ela associada, a principal responsabilidade da prevenção cabe às autoridades de saúde, que devem promover campanhas regulares de orientação à população mostrando os riscos de transmissão do agente infectante e as formas de impedir o contágio.

Sexo seguro – o uso de camisinha é o meio mais eficiente de evitar a contaminação durante as relações sexuais.

Agulhas e seringas descartáveis – é essencial o uso de agulhas e seringas descartáveis em toda situação em que se vá injetar qualquer tipo de droga no organismo, seja esta ilegal ou medicamentosa.

Controle dos bancos de sangue – é fundamental, para impedir a transmissão de sangue contaminado para pessoas sãs.

Tratamento da grávida infectada pelo HIV – diversos estudos demonstram redução drástica da transmissão do HIV para o recém-nascido – a taxa chega a cair de 30 para menos de 1% – quando a grávida infectada é tratada com medicações anti-retrovirais (coquetéis).

Tratamento

O tratamento da síndrome, que deve sempre ser conduzido por infectologista, supõe medidas contra as infecções oportunistas e, se possível, prevenção à ocorrência dessas infecções e administração de medicamentos anti-retrovirais (especificamente, contra o HIV).

A primeira droga anti-retroviral específica, a zidovudina ou AZT, surgiu em 1987. Posteriormente, outros medicamentos com mecanismo de ação semelhante ao do AZT foram aprovados para uso clínico: didanosina (ou ddl), zalcitabina (ou ddC), stavudina (ou D4T), lamivudina (ou 3TC), abacavir, tenofovir, nevirapina e efavirenz. Eles agem impedindo a incorporação do vírus ao núcleo da célula infectada e diferem entre si principalmente pelos efeitos colaterais. 

A partir de 1996 surgiu uma nova classe de drogas anti-HIV, inibidoras da protease, que impedem a liberação do vírus de células infectadas e, assim, dificultam o parasitismo de outras células. A associação desses medicamentos com o AZT ou semelhantes resulta nos chamados “coquetéis anti-AIDS”, que vêm demonstrando grande eficácia na reconstituição, ao menos parcial, do sistema imunológico das pessoas infectadas e na reversão da multiplicação do HIV na corrente sanguínea. Muitas pessoas conseguem, com boa aderência ao tratamento, cargas virais negativas no sangue, embora a multiplicação ainda ocorra em reservatórios celulares.

 

Convém lembrar que até o momento, com as drogas disponíveis, não existe possibilidade de suspensão do tratamento e que a falta de adesão completa a ele torna o vírus resistente aos medicamentos empregados.

Transmissão

O principal mecanismo de transmissão do HIV, que responde por aproximadamente 60% de todos os casos, é o contato sexual da pessoa sã com outra infectada, por relacionamento hetero ou homossexual. Outros 30% derivam de transmissão do vírus por sangue contaminado, mas essa taxa vem sendo reduzida graças ao controle que se passou a fazer do sangue utilizado em transfusões. Mas continuam muito comuns os casos de contágio entre usuários de drogas injetáveis, pelo compartilhamento de seringas e agulhas.

A transmissão do HIV da mãe infectada para o feto, que ocorre na gravidez, durante o trabalho de parto e no aleitamento, era insignificante no início da pandemia, mas hoje já contribui para cerca de 3 a 5% dos casos no Brasil. Existem também relatos de contágio por inseminação artificial, por doação de órgãos contaminados e até por saliva, embora todas essas formas de transmissão ocorram em porcentagens relativamente baixas. 

É importante mencionar que o convívio social com pessoas infectadas pelo HIV não significa risco de contaminação. Pelo mesmo motivo, não têm fundamento as crenças de que seria possível a contaminação pelo contato com tábuas de privada, roupas e outros objetos usados pelo doente.

Quais os principais comportamentos de risco em relação à transmissão do HIV?

No Brasil, os principais comportamentos de risco são as relações homo e heterossexuais sem prática de sexo seguro (ou seja, sem uso de camisinha) e o compartilhamento de agulhas e seringas por usuários de drogas injetáveis.

 

Fontes: agenciabrasil.ebc.com.br

Site do Hospital Israelita Albert Einstein