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Dia Mundial sem Tabaco

Dia Mundial sem Tabaco

O Dia Mundial Sem Tabaco – 31 de maio – foi criado em 1987 pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para alertar sobre as doenças e mortes evitáveis relacionadas ao tabagismo.

por Pró-Vida — publicado 29/05/2018

O TEMA DA CAMPANHA 2018 — “TABACO E DOENÇA CARDÍACA”

A epidemia global do tabaco mata mais de sete milhões de pessoas por ano, das quais cerca de 900 mil são não-fumantes que morrem por respirar o fumo passivo. Quase 80% dos mais de 1 bilhão de fumantes em todo o mundo vivem em países de baixa e média renda, nos quais o peso das doenças relacionadas ao tabagismo é maior. Anualmente, em 31 de maio, a OMS e seus parceiros comemoram o Dia Mundial sem Tabaco para alertar sobre os riscos do tabagismo e defender políticas para reduzir o consumo de tabaco.

Para 2018, a OMS definiu o tema “Tabaco e doença cardíaca” para ser trabalhado internacionalmente. A campanha deste ano pretende aumentar a conscientização sobre:

• A ligação entre tabaco e doenças do coração e outras doenças cardiovasculares (DCV), incluindo acidentes vasculares cerebrais, que, combinados, são as principais causas de morte no mundo;

• Ações viáveis e medidas que os principais públicos alvos, incluindo governos e a população, podem tomar para reduzir os riscos para a saúde do coração que o tabaco representa;

• O impacto que o uso do tabaco e a exposição ao fumo passivo têm sobre a saúde cardiovascular;

• As oportunidades que o público, governos e sociedade civil têm para assumir compromissos a fim de promover a saúde do coração, protegendo as pessoas contra o uso de produtos de tabaco;

“TABACO E DOENÇAS CARDÍACAS”

De acordo com a Revisão da Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde (CID-10, 1997), o tabagismo integra o grupo de transtornos mentais e comportamentais devido ao uso de substância psicoativa e também, é considerado a maior causa isolada evitável de adoecimento e mortes precoces em todo o mundo.

O tabagismo é reconhecido como uma doença epidêmica que causa dependência física, psicológica e comportamental semelhante ao que ocorre com o uso de outras drogas como álcool, cocaína e heroína. A dependência ocorre pela presença da nicotina nos produtos à base de tabaco. A dependência obriga os fumantes a inalarem mais de 4.720 substâncias tóxicas — como monóxido de carbono, amônia, cetonas, formaldeído, acetaldeído, acroleína —, além de 43 substâncias cancerígenas sendo as principais: arsênio, níquel, benzopireno, cádmio, chumbo, resíduos de agrotóxicos e substâncias radioativas.

Algumas dessas substâncias tóxicas também são conhecidas como potenciais irritativos, pois produzem irritação nos olhos, no nariz e na garganta, além de paralisia nos cílios dos brônquios. Desse modo, o tabagismo é causa de aproximadamente 50 doenças, muitas delas incapacitantes e fatais, como câncer, doenças cardiovasculares e respiratórias crônicas.

A nicotina presente no cigarro, por exemplo, ao ser inalada, produz alterações no Sistema Nervoso Central, modificando assim o estado emocional e comportamental dos indivíduos, da mesma forma como ocorre com a cocaína, heroína e álcool. A nicotina, ao atingir o cérebro (entre sete a 19 segundos), libera várias substâncias (neurotransmissores) que são responsáveis por estimular a sensação de prazer que o fumante tem ao fumar. Com a inalação contínua da nicotina, o cérebro se adapta e passa a precisar de doses cada vez maiores para manter o nível de satisfação que tinha no início. Esse efeito é chamado de "tolerância à droga". Com o passar do tempo, o fumante passa a ter necessidade de consumir cada vez mais cigarros. Com a dependência, cresce também o risco de se contrair doenças crônicas não transmissíveis, que podem levar à invalidez e à morte.

Segundo a OMS, o tabagismo é a principal causa de morte evitável em todo o mundo, sendo responsável por 63% dos óbitos relacionados às doenças crônicas não transmissíveis. Desses, o tabagismo é responsável por 85% das mortes por doença pulmonar crônica (bronquite e enfisema), 30% por diversos tipos de câncer (pulmão, boca, laringe, faringe, esôfago, pâncreas, rim, bexiga, colo de útero, estômago e fígado), 25% por doença coronariana (angina e infarto) e 25% por doenças cerebrovasculares (acidente vascular cerebral). Além de estar associado às doenças crônicas não transmissíveis, o tabagismo também é um fator importante de risco para o desenvolvimento de outras doenças tais como tuberculose, infecções respiratórias, úlcera gastrintestinal, impotência sexual, infertilidade em mulheres e homens, osteoporose, catarata, entre outras.

O consumo de tabaco e seus derivados matam milhões de indivíduos a cada ano. Se a tendência atual continuar, a previsão é de que em 2030 o tabaco matará cerca de oito milhões de pessoas por ano, sendo que 80% dessas mortes ocorrerão nos países da baixa e média renda.

COMO O TABACO PÕE EM PERIGO A SAÚDE CARDÍACA DAS PESSOAS EM TODO O MUNDO

O consumo do tabaco é um fator de risco importante para o desenvolvimento de doença cardíaca coronária, acidente vascular cerebral e doença vascular periférica.

Apesar dos danos conhecidos do tabaco à saúde cardíaca e da disponibilidade de soluções para reduzir mortes e doenças relacionadas, o conhecimento da população de que o tabaco é uma das principais causas de doenças cardiovasculares é baixo.

Segundo a OMS, as doenças cardiovasculares matam mais pessoas do que qualquer outra causa de morte em todo o mundo, e o uso do tabaco e a exposição ao fumo passivo contribuem para aproximadamente 12% de todas as mortes por doenças cardíacas. O uso de tabaco é a segunda principal causa de doenças cardiovasculares, após a hipertensão arterial.

Segundo Rosemberg (2004), o principal agente do tabaco condutor dos distúrbios cardiovasculares é a nicotina. Análises em série das concentrações de nicotina no sangue revelam sua elevação rápida após cada tragada, podendo o pico máximo atingir a 10ng/ml ao cabo de cinco a 10 minutos. Há intenso efeito colinérgico no sistema nervoso central, assim como produção de adrenalina, catecolaminas, vasopressina e outros hormônios. Desencadeia-se, assim, a aceleração da frequência cardíaca e a vasoconstrição elevando-se a pressão arterial.

Por outro lado, o monóxido de carbono — que possui cerca de 250 vezes maior afinidade pelo oxigênio do que a hemoglobina, formando carboxihemoglobina — diminui a oxigenação do miocárdio e dos tecidos em geral. Aumentando a frequência cardíaca, o miocárdio trabalha mais e necessita consumir mais oxigênio. E este lhe é negado devido à vasoconstrição e pela elevação da carboxihemoglobina no sangue. Assim, o coração entra rapidamente em sofrimento. Nos fumantes regulares, o tabagismo causa aumento da pressão sanguínea, que geralmente está elevada entre 6% e 16% desses indivíduos. Em suma, a nicotina desencadeia um quadro de alterações patológicas no sistema cardiocirculatório que conduz ao infarto do miocárdio.

Um fato é constante em ambos os sexos: a incidência das doenças coronarianas está associada ao número dos cigarros fumados e ao tempo que se fuma, sendo maior nos que se iniciam no tabaco na adolescência. Quando a nicotina é pesquisada e encontrada em maior concentração sanguínea, tanto mais alta ela for, mais severo o distúrbio cardiocirculatório.

COMO O TABAGISMO ESTÁ RELACIONADO A DOENÇAS CARDIOVASCULARES (DOENÇA CARDÍACA E O ACIDENTE VASCULAR CEREBRAL)?

Fumar é um dos principais fatores de doenças cardiovasculares e causa uma em cada três mortes por tais enfermidades.

Fumar pode:

• Aumentar os triglicerídeos (um tipo de gordura no sangue);

• Diminuir a quantidade do "bom" colesterol (HDL);

• Tornar o sangue pegajoso e mais propenso a coagular, o que pode bloquear o fluxo sanguíneo para o coração e o cérebro;

• Danificar as células que revestem os vasos sanguíneos;

• Aumentar o acúmulo de placa (gordura, colesterol, cálcio e outras substâncias) nos vasos sanguíneos e

• Causar espessamento e estreitamento dos vasos sanguíneos.

DADOS NO BRASIL

De acordo com a Pesquisa Nacional de Saúde PNS (2013), conduzida pelo Ministério da Saúde e IBGE, “as doenças cardiovasculares são a principal causa de morte no Brasil”. Apesar de a mortalidade causada por essas doenças ter diminuído ao longo dos anos, elas ainda são as enfermidades que geram os maiores custos com relação a internações hospitalares. Entre os anos de 2004 a 2014, as doenças cardiovasculares foram responsáveis POR 3.493.459 ÓBITOS, 29% DO TOTAL NO PERÍODO.

Ressalta-se, novamente, que o tabagismo é um importante fator de risco para o desenvolvimento dessas enfermidades, sendo a sua segunda causa principal (depois apenas da pressão arterial elevada) e a responsável por aproximadamente 12% de todas as mortes por doenças cardíacas.

 

Neste contexto, campanhas de prevenção e estímulo a uma vida mais saudável, não exposta a fatores de risco, são de suma importância.

 

Fonte: INCA