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Dormir mal pode causar depressão? Saiba como os problemas se relacionam

Dormir mal pode causar depressão? Saiba como os problemas se relacionam

A relação entre sono e transtornos mentais tem sido amplamente investigada nas últimas décadas. Do ponto de vista neurobiológico, o descanso noturno promove funções essenciais na regulação emocional, na consolidação da memória e no equilíbrio dos sistemas neurotransmissores. Contudo, quando o sono é interrompido de forma recorrente, ocorre uma disfunção que afeta mecanismos hormonais, cognitivos e comportamentais. Esses desequilíbrios aumentam significativamente a probabilidade de transtornos como depressão e ansiedade.

por Pró-Vida — publicado 14/01/2026

A relação entre sono e transtornos mentais tem sido amplamente investigada nas últimas décadas. Do ponto de vista neurobiológico, o descanso noturno promove funções essenciais na regulação emocional, na consolidação da memória e no equilíbrio dos sistemas neurotransmissores.

Contudo, quando o sono é interrompido de forma recorrente, ocorre uma disfunção que afeta mecanismos hormonais, cognitivos e comportamentais. Esses desequilíbrios aumentam significativamente a probabilidade de transtornos como depressão e ansiedade.

Para muitas pessoas, o início do problema começa sempre da mesma maneira: ao anoitecer, surge uma tensão antecipatória. Em vez de ser associado ao descanso, o horário de dormir vira sinônimo de preocupação. O indivíduo se deita, mas o sono não vem. Minutos viram horas, e a frustração cresce.

Esse padrão cria um processo psicológico nocivo, em que a mente passa a associar a cama a sentimentos de fracasso, medo e vigilância. A simples proximidade da hora de dormir desperta ansiedade, que, por sua vez, impede o adormecimento, em um ciclo às vezes difícil de romper.

Dentre os fatores mais frequentes que desencadeiam insônia está o pensamento excessivo. O cérebro revisita eventos do dia, antecipa problemas do amanhã e produz emoções como frustração, culpa, raiva ou apreensão.

Tais emoções ativam o sistema nervoso autônomo, elevando adrenalina e catecolaminas e deixando o corpo em “modo de alerta” quando deveria estar desacelerando. Com o tempo, noites maldormidas deixam de ser pontuais e podem se tornar um quadro persistente de insônia.

Via de mão dupla

A ciência demonstra que a insônia e a depressão se influenciam mutuamente. A alteração do ciclo sono-vigília é um dos critérios diagnósticos de transtornos depressivos. Pessoas deprimidas frequentemente relatam despertares noturnos prolongados, sono leve e fragmentado, despertar precoce e dificuldade para iniciar o sono.

Já quando a privação de sono se torna crônica, ocorre sobrecarga emocional e diminuição da resiliência psicológica. O cérebro passa a ter menor capacidade de regular sentimentos, tornando o indivíduo mais suscetível a quadros depressivos.

Mesmo quando a pessoa trata os sintomas depressivos, recuperando energia, humor e motivação, a insônia pode persistir isoladamente. É por isso que, em muitos casos, recomenda-se tratar a insônia como uma condição independente, mesmo quando surge junto de transtornos de humor.

Quebrando o ciclo

Criar um “ritual pré-sono” é uma das estratégias mais eficazes para reeducar o cérebro. Entre as práticas recomendadas estão:

  • Diminuir luzes e evitar telas próximo ao horário de dormir;
  • Adotar atividades relaxantes, como leitura leve ou banho quente;
  • Estabelecer horários regulares para deitar e acordar (mesmo nos fins de semana);
  • Evitar discussões, preocupações ou tarefas estimulantes à noite.

Fonte: Vida Saudável/Hospital Israelita Albert Einstein