Maio Vermelho: prevenção e diagnóstico precoce contra o câncer de boca
Neste mês, campanha nacional de conscientização sobre o câncer de boca, Maio Vermelho, reforça a importância da prevenção, da observação atenta aos sinais persistentes na cavidade oral e do diagnóstico precoce. A iniciativa ganha ainda mais relevância por coincidir com o Dia Mundial Sem Tabaco, celebrado em 31 de maio, uma vez que o tabagismo é um dos principais fatores de risco para esse tipo de câncer. No que toca à prevenção, a mensagem central da campanha é simples, porém necessária: feridas, manchas ou caroços persistentes na boca não devem ser ignorados.
O câncer de boca é um tumor maligno que pode atingir os lábios e diferentes regiões da cavidade oral, como língua, gengivas, bochechas, céu da boca e assoalho da boca, podendo alcançar até mesmo estruturas mais profundas, como garganta, base da língua e amígdalas. Apesar de muitas vezes começar com alterações aparentemente simples, como uma ferida que não cicatriza, a doença pode evoluir de forma importante quando não é identificada precocemente.
Entre os principais sinais de alerta estão feridas na boca ou nos lábios que não cicatrizam em até 15 dias, manchas vermelhas ou esbranquiçadas, caroços na boca, no pescoço ou nos lábios, sangramentos, dor persistente, rouquidão e dificuldade para mastigar, engolir ou falar. Esses sintomas também podem estar presentes em outras condições, mas precisam ser avaliados por dentista ou médico quando persistentes.
Os fatores de risco mais conhecidos incluem o tabagismo e o consumo de álcool, especialmente quando associados. A exposição frequente dos lábios ao sol sem proteção aumenta o risco de câncer de lábio, enquanto a infecção pelo HPV tem relação importante com tumores da orofaringe, isto é, da região mais ao fundo da boca e da garganta, especialmente amígdalas e base da língua. Pessoas imunossuprimidas, incluindo pessoas vivendo com HIV ou em uso de medicamentos imunossupressores, também merecem atenção especial diante de lesões persistentes na boca, lábios ou garganta.
A boa notícia é que parte importante desses casos pode ser prevenida ou diagnosticada em fase inicial. Medidas como não fumar, evitar bebidas alcoólicas, usar protetor labial com filtro solar, manter alimentação rica em frutas e verduras, vacinar-se contra o HPV, usar preservativo inclusive no sexo oral e realizar consultas regulares com dentista fazem diferença na redução de riscos.
Quando identificado precocemente, o câncer de boca tem maiores chances de tratamento efetivo e menor risco de sequelas. Em casos suspeitos, a confirmação costuma ser feita por biópsia, e o tratamento pode envolver cirurgia, radioterapia, quimioterapia e acompanhamento multiprofissional.
O Instituto Nacional do Câncer (Inca) estima que no triênio 26-28 serão mais de 17 mil novos casos anuais o Brasil
Secretaria da Saúde do Rio Grande do Sul
Publicação: 10/04/2026 às 15h16min
Maio Vermelho
Em 2026, o Projeto Maio Vermelho completa 16 anos de ações, coincidindo com os 20 anos do Dia Estadual de Luta Contra o Câncer Bucal, instituído pela Lei 12.535 de 2006. O mês de maio foi escolhido para a campanha justamente porque o Dia Mundial Sem Tabaco ocorre nele (31/5), já que o consumo do cigarro é um dos principais fatores de risco para esse tipo de câncer.
Para o triênio 2026-2028, o Inca estima mais de 17 mil novos casos anuais de câncer de boca no Brasil. Embora mais comum em homens acima de 40 anos, dados têm mostrado indicado um aumento de casos entre mulheres.
Estratégia para redução de casos
A campanha aposta na capacitação de profissionais de odontologia dos municípios do Estado para que sejam capazes de identificar lesões suspeitas e encaminhar os pacientes para diagnóstico e tratamento em estomatologia.
Para facilitar e agilizar o acesso dos usuários, os profissionais contam com o programa Estomatonet, que permite o telediagnóstico de lesões bucais, agilizando o acesso dos usuários do Sistema único de Saúde ao diagnóstico precoce de lesões com potencial cancerígeno.
O cirurgião-dentista realiza um exame bucal simples como rotina nas consultas, que podem ser realizadas nas unidades de saúde. Em casos suspeitos, ele indica a realização de biópsia para confirmação diagnóstica. O câncer de boca é diagnosticado a partir da análise microscópica do tecido coletado.
Fatores de risco
São fatores de risco para os cânceres de lábio e de cavidade oral:
Tabagismo (principal causa);
consumo de álcool (segunda principal causa);
Sexo e idade, pois acomete principalmente homens brancos acima de 40 anos;
Exposição frequente dos lábios à radiação solar;
Imunossupressão, já que indivíduos HIV positivos ou que fazem o uso de imunossupressores possuem maior risco de desenvolver câncer de lábio e da cavidade oral;
Infecção por HPV.
Disponível em: reportagem da Secretaria da Saúde do Rio Grande do Sul.
Demais referências
- Instituto Nacional de Câncer - INCA. Estimativa 2026-2028: o Brasil deve registrar 781 mil novos casos de câncer por ano até 2028; entre os homens, o câncer de cavidade oral aparece entre os cinco tipos mais incidentes.
- Tribunal de Justiça de Pernambuco - Diretoria de Saúde. Material informativo sobre câncer de boca, sinais de alerta, prevenção, diagnóstico e tratamento, com fontes indicadas como Ministério da Saúde e INCA.
Demais referências:
https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/c/cancer-de-boca