Proteger a amamentação: Semana Mundial do Aleitamento Materno 2021
A Aliança Mundial para Ação de Aleitamento Materno (WABA, na sigla em inglês) definiu o tema da Semana Mundial de Aleitamento Materno 2021(WBW, sigla em inglês): “Proteja a amamentação: uma responsabilidade compartilhada”. Segundo o presidente do Departamento Científico de Aleitamento Materno da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), dr. Luciano Borges Santiago, a campanha é uma política de incentivo à amamentação que já entrou, definitivamente, no calendário mundial. O tema escolhido está relacionado à Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, um plano de ação para pessoas, planeta e economia sem destruição da natureza, que orientará programas de desenvolvimento para os próximos anos. São 17 metas que se aplicam a todos os países, abrangendo questões amplas, como as alterações climáticas e a redução da pobreza.
A importância do aleitamento materno para a saúde da criança e de sua mãe é incontestável.
O processo de estabelecimento e continuidade do aleitamento materno é desafiador para inúmeras mães e recém-nascidos. É um aprendizado contínuo que depende de muitos fatores e, em especial, de “olhos protetores” para aquele binômio mãe-bebê que acaba de nascer. Olhos protetores da sociedade, dos serviços de saúde, da família, dos amigos e especialmente da rede de apoio mais próxima da mãe.
O papel desta rede de apoio é de extrema importância: oferecer cuidados à puérpera como pegar um copo d’água, auxiliar na dinâmica da casa, dar palavras de incentivo, ajudar no autocuidado da mãe e nos cuidados com o bebê.
Por que a amamentação é tão importante?
O aleitamento materno oferece diversos benefícios para os bebês, pois o leite materno contém tudo o que a criança precisa para se desenvolver com saúde: proteínas, carboidratos, gordura, vitaminas e minerais, hidratação, substâncias imunológicas e outras que ajudam no crescimento e desenvolvimento. Além disso, para as mães, amamentar previne hemorragia pós-parto, ajuda o útero a retornar ao tamanho normal e também diminui o risco de câncer de mama e de ovário. Sem falar no vínculo emocional que é criado e fortalecido e está relacionado ao desenvolvimento neuropsíquico.
Neste ano de vacinação contra a COVID-19, ressaltamos que o leite materno é também fonte de anticorpos protetores. Mãe vacinadas para COVID-19 transferem esta proteção através do leite materno para seus filhos. Por isso a importância de manter a vacinação em dia, pois diversos anticorpos são passados do leite para o bebê.
Até que idade devemos amamentar?
A recomendação da Organização Mundial da Saúde é que o aleitamento materno aconteça até os dois anos de idade ou mais, devendo o leite materno ser a única fonte de alimento do bebê em seus primeiros seis meses de vida.
O que é uma rede de apoio?
Rede de apoio é um conjunto de pessoas, grupos e instituições que apoiam a mulher durante a amamentação. Geralmente, mas não necessariamente, é composta por pessoas que já passaram pela experiência da maternidade, podendo incluir amigos, familiares e o pai da criança ou parceira da mãe.
Todos podem ajudar a proteger a amamentação de muitas maneiras diferentes: presença e disponibilidade para escuta ativa e sem julgamentos, demonstrando apoio, carinho e empatia, ajudando com as tarefas domésticas, providenciando alimentação para a mãe, cuidando do bebê ou irmãos para que a mãe descanse, entre outras. Esse apoio pode até ser mais direto, assegurando que o aleitamento materno possa acontecer em casa, com a família, no trabalho e em qualquer outro lugar.
Uma rede de apoio é importante?
Sim, ela é muito importante. A mulher precisa de tempo e tranquilidade para se dedicar ao novo filho, amamentá-lo e cuidar de si própria. É muito comum a mulher ficar mais sensível e sentir-se sozinha e cansada após o nascimento de um filho. Por isso, além do apoio com as tarefas do dia a dia, ela precisa de atenção, carinho e cuidados. Ela precisa ser ouvida, sem julgamentos, e compreendida nas suas angústias e necessidades. Deve ser elogiada pelo seu esforço de amamentar (quem não gosta de um elogio?). E, muito importante, ela precisa ter espaço para colocar as suas dúvidas e obter informações corretas e úteis. Isso só é possível se ela tiver uma rede de apoio.
Vale lembrar que esta rede de apoio não é importante somente no período neonatal: manter o aleitamento após os 6 meses é outro desafio que demanda olhares para aquele binômio, o retorno ao trabalho, a ansiedade da separação, o nascimento dos dentes, o bebê que adoece, a introdução alimentar, tudo isso pode influenciar na relação daquela mãe/mulher com o aleitamento.
Quem pode fazer parte da rede de apoio?
Uma boa rede de apoio costuma ter muita gente envolvida: o pai da criança ou parceira da mãe; os avós; outros familiares (de sangue ou afetivos); outras mulheres mais experientes; amigos; vizinhos; médicos, enfermeiros, psicólogos e outros profissionais que atendem as mães e seus bebês; creches; colegas de trabalho ou escola/faculdade; e a própria empresa onde a mulher trabalha. O governo, por meio de políticas públicas, também faz parte dessa rede de apoio, assim como os políticos, ao proporem leis de proteção à amamentação. Ninguém pode amamentar pela mulher, mas qualquer um pode participar fazendo parte da rede de apoio
Fontes: SBP - Sociedade Brasileira de Pediatria
Hospital Israelita Albert Einstein