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Proteger a amamentação: Semana Mundial do Aleitamento Materno 2021

Proteger a amamentação: Semana Mundial do Aleitamento Materno 2021

A Aliança Mundial para Ação de Aleitamento Materno (WABA, na sigla em inglês) definiu o tema da Semana Mundial de Aleitamento Materno 2021(WBW, sigla em inglês): “Proteja a amamentação: uma responsabilidade compartilhada”. Segundo o presidente do Departamento Científico de Aleitamento Materno da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), dr. Luciano Borges Santiago, a campanha é uma política de incentivo à amamentação que já entrou, definitivamente, no calendário mundial. O tema escolhido está relacionado à Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, um plano de ação para pessoas, planeta e economia sem destruição da natureza, que orientará programas de desenvolvimento para os próximos anos. São 17 metas que se aplicam a todos os países, abrangendo questões amplas, como as alterações climáticas e a redução da pobreza.

por Pró-Vida — publicado 02/08/2021

A importância do aleitamento materno para a saúde da criança e de sua mãe é incontestável.

O processo de estabelecimento e continuidade do aleitamento materno é desafiador para inúmeras mães e recém-nascidos. É um aprendizado contínuo que depende de muitos fatores e, em especial, de “olhos protetores” para aquele binômio mãe-bebê que acaba de nascer. Olhos protetores da sociedade, dos serviços de saúde, da família, dos amigos e especialmente da rede de apoio mais próxima da mãe.

O papel desta rede de apoio é de extrema importância: oferecer cuidados à puérpera como pegar um copo d’água, auxiliar na dinâmica da casa, dar palavras de incentivo, ajudar no autocuidado da mãe e nos cuidados com o bebê.

Por que a amamentação é tão importante?

O aleitamento materno oferece diversos benefícios para os bebês, pois o leite materno contém tudo o que a criança precisa para se desenvolver com saúde: proteínas, carboidratos, gordura, vitaminas e minerais, hidratação, substâncias imunológicas e outras que ajudam no crescimento e desenvolvimento.  Além disso, para as mães, amamentar previne hemorragia pós-parto, ajuda o útero a retornar ao tamanho normal e também diminui o risco de câncer de mama e de ovário. Sem falar no vínculo emocional que é criado e fortalecido e está relacionado ao desenvolvimento neuropsíquico.

Neste ano de vacinação contra a COVID-19, ressaltamos que o leite materno é também fonte de anticorpos protetores. Mãe vacinadas para COVID-19 transferem esta proteção através do leite materno para seus filhos. Por isso a importância de manter a vacinação em dia, pois diversos anticorpos são passados do leite para o bebê.  

Até que idade devemos amamentar?

A recomendação da Organização Mundial da Saúde é que o aleitamento materno aconteça até os dois anos de idade ou mais, devendo o leite materno ser a única fonte de alimento do bebê em seus primeiros seis meses de vida.

O que é uma rede de apoio?

Rede de apoio é um conjunto de pessoas, grupos e instituições que apoiam a mulher durante a amamentação. Geralmente, mas não necessariamente, é composta por pessoas que já passaram pela experiência da maternidade, podendo incluir amigos, familiares e o pai da criança ou parceira da mãe.

Todos podem ajudar a proteger a amamentação de muitas maneiras diferentes: presença e disponibilidade para escuta ativa e sem julgamentos, demonstrando apoio, carinho e empatia, ajudando com as tarefas domésticas, providenciando alimentação para a mãe, cuidando do bebê ou irmãos para que a mãe descanse, entre outras. Esse apoio pode até ser mais direto, assegurando que o aleitamento materno possa acontecer em casa, com a família, no trabalho e em qualquer outro lugar.

Uma rede de apoio é importante?

Sim, ela é muito importante. A mulher precisa de tempo e tranquilidade para se dedicar ao novo filho, amamentá-lo e cuidar de si própria. É muito comum a mulher ficar mais sensível e sentir-se sozinha e cansada após o nascimento de um filho. Por isso, além do apoio com as tarefas do dia a dia, ela precisa de atenção, carinho e cuidados. Ela precisa ser ouvida, sem julgamentos, e compreendida nas suas angústias e necessidades. Deve ser elogiada pelo seu esforço de amamentar (quem não gosta de um elogio?).  E, muito importante, ela precisa ter espaço para colocar as suas dúvidas e obter informações corretas e úteis. Isso só é possível se ela tiver uma rede de apoio.

Vale lembrar que esta rede de apoio não é importante somente no período neonatal: manter o aleitamento após os 6 meses é outro desafio que demanda olhares para aquele binômio, o retorno ao trabalho, a ansiedade da separação, o nascimento dos dentes, o bebê que adoece, a introdução alimentar, tudo isso pode influenciar na relação daquela mãe/mulher com o aleitamento.

Quem pode fazer parte da rede de apoio?

Uma boa rede de apoio costuma ter muita gente envolvida: o pai da criança ou parceira da mãe; os avós; outros familiares (de sangue ou afetivos); outras mulheres mais experientes; amigos; vizinhos; médicos, enfermeiros, psicólogos e outros profissionais que atendem as mães e seus bebês; creches; colegas de trabalho ou escola/faculdade; e a própria empresa onde a mulher trabalha. O governo, por meio de políticas públicas, também faz parte dessa rede de apoio, assim como os políticos, ao proporem leis de proteção à amamentação. Ninguém pode amamentar pela mulher, mas qualquer um pode participar fazendo parte da rede de apoio

Fontes: SBP - Sociedade Brasileira de Pediatria

                 Hospital Israelita Albert Einstein