Saúde Mental: caminhando entre nossas forças e fraquezas
Quais as primeiras ideias que vem à sua mente quando você ouve o termo saúde mental? Talvez termos como: depressão, ansiedade, burnout, síndrome de pânico ou outros transtornos mentais sejam os primeiros a surgirem. Afinal, somos bombardeados com informações e estatísticas acerca do aumento dessas patologias em nosso contexto social atual. E, SIM, este conhecimento é necessário para tratarmos dos quadros já instalados, que requerem tratamento especializado, mas vamos falar sobre saúde olhando apenas para a “doença”? Será que na nossa cultura, quando falamos de saúde mental no trabalho, associamos essa temática apenas as pessoas que consideramos terem um quadro de transtorno? Talvez sim, porque a própria ciência, por décadas seguidas, dedicou-se, quase que exclusivamente, a classificar e tratar os transtornos mentais.
Para iniciar nossa conversa, gostaria que respondesse: quais as primeiras ideias que vem à sua mente quando você ouve o termo saúde mental?
Talvez termos como: depressão, ansiedade, burnout, síndrome de pânico ou outros transtornos mentais sejam os primeiros a surgirem. Afinal, somos bombardeados com informações e estatísticas acerca do aumento dessas patologias em nosso contexto social atual. E, SIM, este conhecimento é necessário para tratarmos dos quadros já instalados, que requerem tratamento especializado, mas vamos falar sobre saúde olhando apenas para a “doença”? Será que na nossa cultura, quando falamos de saúde mental no trabalho, associamos essa temática apenas as pessoas que consideramos terem um quadro de transtorno? Talvez sim, porque a própria ciência, por décadas seguidas, dedicou-se, quase que exclusivamente, a classificar e tratar os transtornos mentais.
Mas talvez possa ter vindo a sua mente termos relacionados a saúde e bem-estar: meditação, atividade física, relações positivas, etc. Se não veio, pense agora: o que você considera importante para manter sua saúde mental, especialmente no trabalho? Meu convite aqui é para ampliarmos nossa visão, olhando para as pessoas saudáveis que se envolvem com o seu trabalho de modo positivo. E este tem sido o enfoque da Psicologia Positiva: se já mapeamos a dor e o sofrimento trabalho, vamos fazê-lo também em relação ao prazer e a felicidade no trabalho. Afinal, nossas vivências cotidianas nos revelam que a vida e o trabalho apresentam cenários com luzes e sombras onde cada um de nós, dentro de nossas possibilidades, com lentes individualizadas, enxerga e realiza a sua realidade única e pessoal. Concorda?
Nesta perspectiva, neste pequeno espaço irei trazer algumas ideias fundamentadas em estudos que consideram a complexidade do sujeito trabalhador e o percebe em sua integralidade - sujeito que integra suas forças e fraquezas em busca de estar no mundo com o seu melhor. Como sobre fraquezas já sabemos muito, vamos focar em nossas experiências positivas. Combinado?
Segundo Csikszentmihalyi (2000), os melhores momentos de nossas vidas não são passivos e relaxantes, mas costumam ocorrer quando temos o corpo e a mente completamente empenhados em um esforço voluntário para realizar algo desafiador e que valha a pena, é algo que fazemos acontecer. Sendo assim, o trabalho pode ser também uma poderosa fonte de prazer.
Vejamos: você já teve alguma experiência em que se dedicou integralmente a uma ação, ficando totalmente absorvido pela atividade, perdendo a noção do tempo e experimentando uma satisfação profunda (sensação de prazer)? Se já teve essa experiência, você experimentou o estado de “Flow”. Este estado emocional permite um fluxo constante, gerando foco, aumento de produtividade e bem-estar. A pessoa se sente a pessoa certa, no lugar certo e fazendo a coisa certa. Seria muito bom experimentar isso com alguma frequência, não é verdade?
O autor supracitado descreveu as condições e características do estado de Flow e esse conhecimento nos ajuda a criar condições favoráveis para que tenhamos esta experiência. Mas é claro que não é possível estar em Flow de forma perene e perpétua. Aliás, os estados mentais, no geral, sejam de prazer ou sofrimento, são transitórios. Aqui nos interessa conhecer e propiciar as condições mais adequadas para experimentarmos este estado emocional positivo ou pelo menos se aproximar dele, o quanto pudermos.
São duas as condições essenciais para a experiência do Flow:
As metas são claras e o feedback é imediato - Segundo esse enfoque para que a pessoa se envolva por inteiro em qualquer atividade é preciso que o indivíduo tenha conhecimento preciso das tarefas que devem completar para chegar a sua meta final. Ou seja, a cada ação é preciso buscar clareza se seu desempenho te aproxima da sua meta. A satisfação reside em cada passo dado no caminho em direção a meta, mas do que na conquista final propriamente dita.
Há equilíbrio entre habilidades e desafios - as habilidades da pessoa devem estar totalmente envolvidas em superar um desafio que está no limiar de sua capacidade de controle. Quanto maior for um nível de habilidades, maior será o controle e humor; quanto maior o desafio, maior será a concentração na atividade.
No estado de Flow, as habilidades e desafios estão acima do nível médio e em equilíbrio (gráfico abaixo), gerando a experiência mais positiva: sujeitos concentrados, no controle da situação, mais felizes, ativos envolvidos, criativos e satisfeitos com seu desempenho. Interessante como a relação entre habilidades e desafios podem interferir no nosso estado mental/emocional, não acham?
Convido você a explorar o gráfico abaixo e refletir sobre situações práticas do seu trabalho: encontre momentos que experimentou ansiedade, excitação, apatia ou tédio e os análise com o gráfico abaixo. Por exemplo, você está em momento de tédio no trabalho? Provavelmente, sua concentração, criatividade estão baixos como reflexo de baixos desafios laborais para as habilidades que você tem. Neste caso, que tal refletir sobre novos desafios que possa assumir e propor para o seu gestor? Ou se você é gestor, que tal chamar alguém da sua equipe que você percebe entediado e refletir junto com ele, sobre os talentos que possui e como empregá-los no trabalho?

Exemplos:
Ansiedade Baixa Habilidade e Alto Desafio
Ajustes: treinar/aprimorar habilidades e graduar desafios.
Apatia Baixa Habilidade e Baixo desafio
Ajustes: novos desafios, ligeiramente acima das habilidades atuais (com oferta de como incrementar a habilidade necessária para o novo desafio)
| Finalizo nossa conversa, com o intuito de que você realize as reflexões propostas, encontre respostas e novos questionamentos, reconhecendo a Saúde Mental como algo a ser construído e fortalecido a cada dia. Conte conosco neste canal e fique de olho nas próximas edições, pois conversaremos sobre virtudes tais como sabedoria, coragem, temperança e como otimismo, esperança e resiliência são fundamentais para as organizações e o bem-estar no trabalho. |
Texto escrito por: Beatriz Medeiros Martins, psicóloga do TJDFT