Inovação: O que isto tem a ver com a Gestão de Pessoas?

Subsecretária de Gestão de Pessoas Luciana Varella e psicóloga Beatriz Medeiros
por Luciana Essinger Toledo Varella — publicado 2019-09-09T08:18:00-03:00

Pensar em inovação no setor público vem se tornando um ponto de sustentabilidade para a prestação de serviços eficientes. A pressão social por serviços de qualidade, exige que a gestão pública se modernize, se renove. E é neste contexto que a inovação se apresenta como recurso para gerar as mudanças ansiadas pelos cidadãos e pelos agentes públicos que querem agregar valor ao seu trabalho e servir ao propósito de construir uma sociedade melhor de se (con) viver.

Atualmente, verifica-se que a inovação está referenciada em diferentes normativos da gestão pública mundial e nacional e também que há um forte movimento envolvendo uma diversidade de atores sociais – setor público, privado, terceiro setor e setor acadêmico para gerar uma nova forma de pensar e resolver problemas, mais compatível com o mundo atual - marcado por um volume e rapidez de mudanças, incertezas, complexidade e ambiguidades (mundo VUCA).

No Judiciário brasileiro, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) define os investimentos em tecnologia e em soluções de inteligência artificial (IA) como um caminho para responder às demandas da sociedade por Justiça. No TJDFT, a inteligência artificial vem sendo utilizada para aprimorar a prestação jurisdicional por meio do projeto Hórus e do sistema de conciliação utilizado pelos Centros Judiciários de Solução de Conflitos e Cidadania –CEJUSCs, gerando celeridade nos trâmites processuais.

A transformação digital está em pauta, mas não ocorrerá apenas com a modernização de processos de trabalho conforme os avanços tecnológicos, pois são as pessoas que poderão fazer bom uso da tecnologia e gerar melhorias de resultados de forma sustentável. Mas a Gestão de pessoas, vêm se adaptando aos novos cenários do setor público?

A gestão por competências, tem sido a referência utilizada pela gestão pública. Mas, este modelo atende aos desafios trazidos pela transformação digital? Ele favorece o desenvolvimento profissional dos servidores para a geração de respostas mais eficientes para a sociedade?

Atenta a essas tendências, a área de gestão de pessoas do Judiciário do DF está em processo de reformulação do modelo de gestão por competências, com uma consultoria especializada em inovação no setor público e em parceria gradual com diversos atores institucionais. Ousamos compartilhar aqui algumas reflexões iniciais que estão nos viabilizando novos caminhos:

- A transformação digital gera impactos na forma que interagimos e (re)construímos nossa realidade, ela nos leva a melhores resultados e também pode levar a resultados indesejáveis (por exemplo, transtorno de ansiedade e isolamento social);

- A nova realidade aponta para um novo perfil de servidor público, do qual destacamos que as habilidades gerais (tais como, pensamento analítico/crítico, gerir dados e inteligência emocional) ganham grau de importância igual ou, as vezes, maior que as competências técnicas; os serviços públicos decorrentes da transformação digital exigirão papéis diferenciados dos servidores e a gestão das emoções será um diferencial valorizado;

- O modelo deve apresentar desafios futuros para orientar o desenvolvimento profissional que favoreça a trajetória do Judiciário rumo à excelência. O mapeamento das competências deve ser precedido de processo de modelagem, referenciado em melhores práticas de gestão de tribunais (mundiais e nacionais) e na realidade institucional local para definir uma estrutura de modelo que seja efetiva para a instituição;

- O propósito do trabalho precisa estar claro e concatenado com a realidade social atual para que as pessoas se motivem a adquirir e desenvolver competências. O modelo de gestão por competências precisa referenciar um propósito comum em que a instituição e as pessoas reconheçam como valendo a pena investir.

- O modelo deve ser de fácil compreensão e aplicação para a instituição como um todo, utilizando-se de recursos visuais e correlação com dados institucionais. É fundamental que haja uma orientação para resultados, para pessoas e para a inovação, além de propiciar a valorização do desempenho de excelência.

Enfim, somos cientes das barreiras e dificuldades enfrentadas por todos aqueles que trabalham pela inovação do setor público, mas também estamos cientes do papel da área de Gestão de Pessoas para que a transformação digital percorra o caminho de resultados efetivos e sustentáveis, especialmente com impacto positivo na vida dos cidadãos e também dos servidores.

Ainda não temos respostas às nossas indagações e, no momento, estamos em um processo de imersão sobre nosso modelo, mas certas de que é possível reformular a gestão por competências para contribuir de forma mais efetiva para a gestão de excelência no TJDFT e também que compartilhar estas indagações possam fortalecer o caminho que é de todos nós, servidores públicos que não abrimos mão de agregar valor ao nosso trabalho, a sociedade e às nossas vidas.

 

Luciana Essinger Toledo Varella – Subsecretária da área de Gestão de Pessoas do TJDFT

Beatriz Medeiros Martins – Psicóloga e gerente do projeto “gestão por competências para transformação digital”