O Momento Político Brasileiro e a Denúncia do Procurador Geral da República de 40 indiciados na CPI do Mensalão - José Maurício de Lima
Não dá para ignorar a crise política que assola o país. Até bem pouco tempo, milhares de brasileiros na frente da televisão, assistiam, indignados, ao vivo e a cores, a horas e horas de depoimentos nas CPI?s (Comissões Parlamentares de Inquérito) do Mensalão, dos Correios e dos Bingos e na Comissão de Ética da Câmara dos Deputados.
Hoje, porém, em plena copa do mundo, parece que por um toque mágico não se fala mais nisso. Ou, se se fala, é muito pouco, muito pouco mesmo, nem se percebe.
É compreensível! O povo se cansou e merece também seus raros momentos de descontração. Afinal, o futebol é uma das poucas alegrias que ainda temos. E olhe lá! Ressalvando, por óbvio, os problemas ?fenomenológicos?.
Então! Diante deste quadro negro, temos a obrigação de clarear as idéias dos nossos filhos, amigos, colegas, mostrando que o momento em que vivemos pode ser analisado dentro do histórico político do Brasil. O destaque que os livros de história darão no futuro começa a ser traçado agora. Mas, a interpretação dos fatos, já pode ser feita a partir da peça produzida pelo Procurador Geral da República, na denúncia que fez ao STF de quarenta indiciados no caso do mensalão. É de arripiar! A integra da peça poderá ser obtido sitio do Ministério Público Federal.
Segundo as palavras do Procurador, ?O conjunto probatório produzido no âmbito do presente inquérito demonstra a existência de uma sofisticada organização criminoso, dividida em setores de atuação, que se estruturou profissionalmente para a prática de crimes como peculato, lavagem de dinheiro, corrupção ativa, gestão fraudulenta, além das mais diversas formas de fraude?. E por ai vai. Não dá para deixar de ler. Na minha modesta opinião, temos a obrigação de fazê-lo.
Maquiavel, pensador renascentista, autor de ?O Príncipe?, ensinava que ?...deve o príncipe ler as histórias e nelas observar as ações dos grandes homens, ver como se conduziram nas guerras, examinar as causas de suas vitórias e de suas derrotas, para poder fugir às responsáveis por estas e imitar as causadoras daquelas;?
Acredito que os conselhos de Maquiavel podem se aplicar a cada um de nós. Temos que aprender com a história atual. Relacionarmos a atual crise política às características históricas do Estado republicano brasileiro: patrimonialismo, burocracia, clientelismo e a limitada participação política da população, que favorecem o desenvolvimento da corrupção. Relacionarmos as questões ético-políticas do mundo atual às mudanças provocadas pelo capitalismo selvagem expressas diariamente nos jornais, como: o consumismo, o individualismo, a competição, a crescente influência da economia e do pragmatismo na moral e nos costumes sociais. Discutirmos o papel e a responsabilidade de cada um de nós diante das questões éticas, tanto na vida pública quanto na vida privada, identificando algumas atitudes cotidianas que revelam a ?corrupção nossa de cada dia?.
Por outro lado, diante do fracasso e das limitações do modelo atual de democracia representativa, apontar alternativas que ampliem a participação direta da população, tais como: plebiscito, orçamento participativo, revogação de mandatos parlamentares, criação de mecanismos que permitam uma maior democratização e mais controle da população sobre os poderes.
(*)JOSÉ MAURICIO DE LIMA, é Analista Judiciário, Bacharel em Administração e Direito; está concluindo especialização em Filosofia na Universidade de Brasília ? UnB; foi Secretário de Orçamento e Finanças e Secretário de Controle Interno, entre outras funções. Atualmente é Supervisor da Seção de Controle de Custas Judiciais, na Corregedoria.
Hoje, porém, em plena copa do mundo, parece que por um toque mágico não se fala mais nisso. Ou, se se fala, é muito pouco, muito pouco mesmo, nem se percebe.
É compreensível! O povo se cansou e merece também seus raros momentos de descontração. Afinal, o futebol é uma das poucas alegrias que ainda temos. E olhe lá! Ressalvando, por óbvio, os problemas ?fenomenológicos?.
Então! Diante deste quadro negro, temos a obrigação de clarear as idéias dos nossos filhos, amigos, colegas, mostrando que o momento em que vivemos pode ser analisado dentro do histórico político do Brasil. O destaque que os livros de história darão no futuro começa a ser traçado agora. Mas, a interpretação dos fatos, já pode ser feita a partir da peça produzida pelo Procurador Geral da República, na denúncia que fez ao STF de quarenta indiciados no caso do mensalão. É de arripiar! A integra da peça poderá ser obtido sitio do Ministério Público Federal.
Segundo as palavras do Procurador, ?O conjunto probatório produzido no âmbito do presente inquérito demonstra a existência de uma sofisticada organização criminoso, dividida em setores de atuação, que se estruturou profissionalmente para a prática de crimes como peculato, lavagem de dinheiro, corrupção ativa, gestão fraudulenta, além das mais diversas formas de fraude?. E por ai vai. Não dá para deixar de ler. Na minha modesta opinião, temos a obrigação de fazê-lo.
Maquiavel, pensador renascentista, autor de ?O Príncipe?, ensinava que ?...deve o príncipe ler as histórias e nelas observar as ações dos grandes homens, ver como se conduziram nas guerras, examinar as causas de suas vitórias e de suas derrotas, para poder fugir às responsáveis por estas e imitar as causadoras daquelas;?
Acredito que os conselhos de Maquiavel podem se aplicar a cada um de nós. Temos que aprender com a história atual. Relacionarmos a atual crise política às características históricas do Estado republicano brasileiro: patrimonialismo, burocracia, clientelismo e a limitada participação política da população, que favorecem o desenvolvimento da corrupção. Relacionarmos as questões ético-políticas do mundo atual às mudanças provocadas pelo capitalismo selvagem expressas diariamente nos jornais, como: o consumismo, o individualismo, a competição, a crescente influência da economia e do pragmatismo na moral e nos costumes sociais. Discutirmos o papel e a responsabilidade de cada um de nós diante das questões éticas, tanto na vida pública quanto na vida privada, identificando algumas atitudes cotidianas que revelam a ?corrupção nossa de cada dia?.
Por outro lado, diante do fracasso e das limitações do modelo atual de democracia representativa, apontar alternativas que ampliem a participação direta da população, tais como: plebiscito, orçamento participativo, revogação de mandatos parlamentares, criação de mecanismos que permitam uma maior democratização e mais controle da população sobre os poderes.
(*)JOSÉ MAURICIO DE LIMA, é Analista Judiciário, Bacharel em Administração e Direito; está concluindo especialização em Filosofia na Universidade de Brasília ? UnB; foi Secretário de Orçamento e Finanças e Secretário de Controle Interno, entre outras funções. Atualmente é Supervisor da Seção de Controle de Custas Judiciais, na Corregedoria.