Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios

A importância do espírito conciliatório nas relações continuadas

Juiz de Direito Substituto do TJDFT David Doudement Campos Pereira

por t317616 — publicado 14/12/2021

Este mês comemoramos o Dia Nacional do Vizinho. As relações de vizinhança são campos férteis à existência de conflitos. Desenvolver a cultura do entendimento e da compreensão é fundamental principalmente nas relações continuadas, ou seja, nas situações em que os interessados continuarão mantendo contato frequente. Tratar adequadamente esses conflitos é fundamental para que as relações entre os moradores, por exemplo, sejam saudáveis e construtivas.

Basta um olhar à nossa volta para constatarmos que os desejos e as necessidades pessoais e coletivas são variados, e que, naturalmente, todos esperamos que eles sejam atendidos. Assim é que, quando duas ou mais pessoas possuem interesses, vontades, e aspirações opostos, e não conseguem chegar a um entendimento, possivelmente dessa relação surgirá o conflito. Aliás, em uma sociedade globalizada, especialmente com a multiplicação de interações que estabelecemos em decorrência das mídias sociais, podemos igualmente concluir que o conflito é inevitável e frequente.

A boa notícia é que a forma de perceber esse fenômeno não mais se mostra estática e com contornos negativos, sendo perfeitamente possível, a partir da moderna teoria do conflito, entender essa relação de maneira positiva.

Alcançar essa percepção, no entanto, muitas vezes não é simples e exige constante busca pelo aperfeiçoamento pessoal e vigilância. Instintivamente, até mesmo para sobrevivência, desenvolvemos um mecanismo denominado estresse agudo ou procedimento de luta ou fuga, em que, nos momentos de tensão, há a liberação de adrenalina no corpo, causando, por exemplo, transpiração, taquicardia, sentimentos de impaciência, raiva e comportamento hostil. Essa resposta biológica, por sua vez, reduz a capacidade de lidar mais pacificamente com a divergência, possibilitando o nascimento ou o desenvolvimento da relação conflituosa e o seu crescimento. Daí a importância de, em uma visão conciliatória, enxergarmo-nos com outros olhos e adotarmos postura conciliatória, moderadora e compreensiva, colocando-nos sinceramente no lugar do outro, principalmente nas relações chamadas de continuadas, como as de vizinhança.

 Ao nos conscientizarmos de que o conflito é algo natural e de que será frequente em nossas vidas, podemos chegar a duas conclusões importantes: (1) é preciso desenvolver interesse em adquirir conhecimentos que melhorem a qualidade de nossa comunicação, como o estudo da chamada comunicação não violenta e das técnicas de conciliação, de mediação e de negociação; e (2) é necessário buscar, se o caso, apoio externo de pessoas capacitadas para mediar os interesses dos envolvidos.

Quanto ao segundo ponto, o Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT), por meio de sua 2ª Vice-Presidência, colocou à disposição da população o Canal Conciliar, por meio do qual  é possível a qualquer pessoa, mesmo nas situações em que não haja processo judicial, solicitar a realização de audiência de conciliação ou de mediação para tratar de problemas de vizinhança, recebimento de créditos, dívidas a pagar, acidente de trânsito questões familiares, como divórcio, pensão alimentícia,  guarda dos filhos e muitos outros.

Nesse ponto, quando o cidadão apresentar sua demanda no Canal Conciliar, o TJDFT disponibilizará profissional qualificado nas técnicas de composição mencionadas, denominado Conciliador ou Mediador Judicial, para conversar com os envolvidos e buscar soluções construtivas, especialmente que façam com que seja dado tratamento adequado ao conflito, para que haja uma melhor comunicação posterior entre os interessados. Para mais informações, acesse: https://www.tjdft.jus.br/informacoes/cidadania/nupemec/cidadao

Quanto à capacitação, a 2ª Vice-Presidência deste Tribunal tem ainda se notabilizado pela formação de profissionais capacitados para conciliar e mediar os mais variados conflitos. O curso passa por etapa teórica e, em seguida, por fase prática, momento em que, sob supervisão, os formandos terão a oportunidade de implementar os conteúdos adquiridos. É um grande laboratório de vida, que tem, com o passar dos anos, formado centenas de cidadãos mais capacitados para se relacionar no trabalho, em suas amizades, nas relações familiares e nas demais interações cotidianas. Havendo interesse em se tornar Conciliador ou Mediador Judicial voluntário, acesse: https://www.tjdft.jus.br/informacoes/cidadania/nupemec/area-do-conciliador/como-se-tornar-um-conciliador-mediador

Saber se relacionar bem é prazeroso e gera bons frutos. Junte-se ao Tribunal de Justiça na busca por uma sociedade mais compreensiva e sensata.

David Doudement Campos Joaquim Pereira, Juiz de Direito Substituto, Coordenador do 3º Núcleo Virtual de Mediação e Conciliação do TJDFT, pós-graduado em Direito e Jurisdição pela Escola da Magistratura do Distrito Federal.