Internet Segura: uma construção coletiva que requer ética e responsabilidade

Coordenador Geral de Tecnologia da Informação do TJDFT, Luiz Fernando Sirotheau Serique Junior
por Luiz Fernando Sirotheau Serique Junior — publicado 2021-02-09T10:06:00-03:00

A Internet foi criada em 1969, quando ainda era chamada de Arpanetuma rede que interligava vários centros de pesquisa do Departamento de Defesa norte-americano. Nasceu no auge da Guerra Fria, com o propósito de que a comunicação entre militares e cientistas fosse assegurada mesmo em caso de bombardeios em alguns pontos da rede A rede mundial surgiu em meio a vários desafios e ameaças, por isso a preocupação com segurança sempre fez parte de sua história.  

Com o passar do tempo, a rede deixou de ser militar e foi sendo expandida para universidadesórgãosempresas e indústrias, chegando, nos anos 90até as residências por meio de provedores de internet. Em 2020a rede mundial conectava cerca de 4,6 bilhões de usuários, segundo pesquisa We Are SocialO Brasil ocupa a 4ª posição de países mais “conectados” com cerca de 134 milhões de usuários, de acordo com a pesquisa TIC Domicílios, do Comitê Gestor da Internet do Brasil. 

Hoje em dia a rede mundial vai muito além do seu propósito inicial. Ela viabiliza transações financeiras, home office, plataformas de negócio digital, governos eletrônicos, redes sociais, educação a distância e um imenso catálogo de serviços em nuvem, permitindo a existência de empresa100% digitais, como as fintechs. 

Apesar da pandemia da COVID-19 estar deixando uma marca devastadora no planeta, ela também vem contribuindo para um aumento significativo do número de conectados, visto que várias organizações adotaram em peso a transformação digital e o home office. Em janeiro de 2021, houve um aumento de 316 milhões (7,3%) de pessoas conectadas em relação ao período homólogoTodas essas mudanças de comportamento fizeram com que a Internet se tornasse um dos recursos mais importantes na vida das pessoas. 

A imersão e capilaridade da Internet trouxe novos desafios para segurança em diferentes aspectosO volume de compras on-line e transações eletrônicas despertou o interesse de facções criminosas que agora usam malwares e ataques cibernéticos para cometer roubos e fraudes. A gama de aplicativos de rede social expõe gravemente a privacidade, colocando em risco os dados e a imagem das pessoas. Crianças hiperconectadas vêm apresentando déficits de atenção, atrasos na aprendizagem e desinteresse nas relações sociais. Os canais abertos dão lugar fake news, bullying, desrespeito, discriminação e violação de direitos humanos.  

No dia 09 de fevereiro é comemorado o Dia Mundial da Internet Segura, conhecido internacionalmente como Safer Internet DayA programação foi criada pela Rede Insafe na Europa, que reúne atualmente mais de 140 países para mobilizar usuários e instituições em torno da data e estimular um uso livre e seguro da Internet. Tem como objetivo “envolver e unir os diferentes atores, públicos e privados, na promoção de atividades de conscientização em torno do uso seguro, ético e responsável das TICs, nas escolas, universidades, ONG's e na própria rede”.  A realização conta com a parceria de várias empresas e órgãos públicos, inclusive brasileiros, como o NIC.br, MPF, TSE e Unicef. 

O site oficial do evento traz palestrasmateriais e atividades e faz um apelo para participação voluntária de todos, fornecendo um guia de ação para conscientização de cada público-alvo. Confira os recursos disponíveis e participe da campanha, divulgando os materiais a sua rede de contatos: https://www.safernet.org.br/site/sid2021/recursos

Aderindo à data comemorativa, o TJDFT, que vem continuamente investindo em ações de segurança e capacitação, por meio da Central Geral de Tecnologia da Informação - CGTI, também contribui para a melhoria da segurança e experiência no uso da Internet e da rede do Tribunal com essas dicas: 

  • Tenha cuidado e pense antes de postar algo em redes sociais e chats, pois qualquer mensagem pode se tornar pública, impactando sua imagem no futuro; 
  • Evite conceder acesso restrito aos aplicativos, como por exemplo, a leitura da sua localização, câmera e fotos armazenadas; 
  • Habilite sempre que disponível a autenticação de dois fatores (recurso que envia um código por SMS ou e-mail para verificação de identidade); 
  • Desconfie de todos e-mails de bancos, comunicados de órgãos e boletos não esperados; 
  • Conheça os termos de serviço dos sites e aplicativos, especialmente no tocante a privacidade e compartilhamento dos seus dados; 
  • Mantenha sempre seus dispositivos atualizados e só instale aplicativos originais; 
  • Faça regularmente backup dos dados armazenados nos seus dispositivos; 
  • Quando estiver trabalhando ou participando de reunião on-line, feche qualquer foto pessoal e aplicativos paralelos de mensagem, pois pode haver exposição de informações sensíveis; 
  • Ao navegar na Internet em computadores alheios, habilite a navegação anônima do navegador, pois assim informações sensíveis, como cookies, senhas e formulários, não serão armazenadas no computador; 
  • Confira as dicas de navegação segura do CERT.br: https://cartilha.cert.br/uso-seguro/ 
  • Fique atento às políticas de segurança e privacidade do TJDFT: https://www.tjdft.jus.br/transparencia/protecao-de-dados-pessoais 

  Luiz Fernando Serique é Coordenador Geral de Tecnologia da Informação do TJDFT