Dia do Bibliotecário: valorizando as bibliotecas jurídicas e os profissionais que conectam conhecimento, informação e cidadania
Ao considerar a crescente produção legislativa e a necessidade de decisões judiciais tecnicamente fundamentadas, pode-se afirmar que facilitar o acesso à informação jurídica contribui para o funcionamento eficiente do Poder Judiciário e para o fortalecimento da cidadania. Composta de modo geral por doutrina, legislação e jurisprudência, a informação jurídica passou, nas últimas décadas, a estar disponível não apenas em formato físico, mas também em ambientes digitais, ampliando as possibilidades de pesquisa e acesso ao conhecimento.
Diante dessa realidade, as bibliotecas jurídicas, tradicionalmente associadas à guarda e à organização de acervos jurídicos, passaram a desempenhar um papel mais estratégico. A biblioteca é, por natureza, um espaço de pesquisa que possibilita a geração de conhecimento; ainda em 2004, a obra "Informação jurídica: teoria e prática" organizada pela bibliotecária Edilenice Passos já descrevia a biblioteca jurídica como aglutinadora de conhecimento, um ambiente no qual diferentes fontes informacionais se articulam para apoiar o desenvolvimento das atividades jurídicas.
Atualmente, a função da biblioteca ultrapassa os limites do espaço físico ao se configurar como um ambiente híbrido, que integra acervos impressos, bases de dados digitais e outros sistemas especializados de conteúdo. Nesse sentido, as bibliotecas jurídicas podem ser vistas como verdadeiros centros de inteligência por selecionarem, organizarem e disponibilizarem informações que auxiliam a tomada de decisão no âmbito institucional.
No Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT), a Biblioteca Desembargador Antônio Mello Martins desempenha com dedicação esse papel. Como biblioteca jurídica especializada, apoia as atividades institucionais por meio de um acervo que reúne obras doutrinárias, legislação, periódicos especializados, bases de dados jurídicas, materiais digitais e documentos institucionais. Atende a um amplo público interno e externo, tendo como foco magistrados, servidores e estagiários.
O acervo da Biblioteca do TJDFT não é estático, mas dinâmico, acompanhando a constante evolução do conhecimento jurídico. A atualização permanente das coleções e das ferramentas de pesquisa garante que a informação disponibilizada permaneça adequada às necessidades do Tribunal.
Nesse cenário, destaca-se a atuação do bibliotecário, cuja missão é facilitar o acesso ágil e eficiente à informação. Neste século XXI, sua atuação transcende as atividades tradicionais, assumindo também o papel de gestor de informações estratégicas e facilitador tecnológico no acesso ao saber.
A expansão das tecnologias digitais, principalmente da inteligência artificial (IA), deu nova roupagem e ampliou ainda mais o volume e a velocidade de produção de informações. Embora a IA represente uma ferramenta útil de apoio à pesquisa, algumas informações podem conter imprecisões e dados desatualizados.
Assim, o bibliotecário assume também o papel de verificador da informação ao analisar criticamente conteúdos provenientes de diferentes fontes, colaborando para a confiabilidade dos materiais fornecidos pela biblioteca. Compromete-se também com a educação do usuário para o uso responsável e ético da IA.
O bibliotecário jurídico reúne especialmente competências como o conhecimento em gestão da informação, a familiaridade com o campo jurídico e o domínio de bases de dados especializadas. Sua atuação inclui atividades como seleção de material bibliográfico jurídico, gestão de bases informacionais, elaboração de bibliografias especializadas, letramento informacional e preservação da memória bibliográfica institucional, assim contribuindo para tornar acessíveis conteúdos relevantes e confiáveis, reduzindo o tempo de busca e apoiando a fundamentação de decisões e o fortalecimento das atividades jurisdicionais.
Neste dia 12 de março, Dia do Bibliotecário, a Biblioteca do TJDFT parabeniza todos os profissionais da área, reconhecendo a importância de seu trabalho para a organização, a mediação e a disseminação da informação e do conhecimento. Valorizar as bibliotecas jurídicas e os bibliotecários que nelas atuam é investir na qualidade dos dados e, consequentemente, no fortalecimento da cidadania, do Direito e da própria Justiça.
Marcelo Hilário de Moraes – Coordenador de Biblioteca