Juíza de Direito Carmen Nícea Bittencourt na implantação do Projeto Justiça Comunitária em Taguatinga
Cumprimento autoridades
Hoje é um dia muito importante para todos nós envolvidos no Projeto de Justiça Comunitária. É um dia em que o reconhecimento do nosso trabalho, desenvolvido com sucesso até aqui, nos dá a certeza de que valeu a pena acreditar que éramos capazes de promover transformação, gerar mudança, melhorar o mundo. Nos dá a certeza de que cada um de nós colaborou para que a crença na Justiça fosse fortalecida, a crença na capacidade da comunidade de solucionar seus conflitos de forma mais satisfatória e criativa fosse colocada em prática. A crença de que é possível realizar os sonhos quando se acredita neles.
Uma de nossas parceiras - Dra. Yares - certa feita narrou uma estória que me chamou muita atenção e marcou para sempre. Contava ela a sua neta, de 14 anos, que iria acompanhada de um grupo de colegas até a Embaixada da Síria pleitear o fim de conflitos armados na região, quando obteve dela como resposta: "A sra. Acredita que um grupo como o seu tem força para evitar uma guerra?, é claro que isso não é possível!!". Dra. Yares então disse a neta: "Como posso com 64 anos, tendo visto e vivido tanto ainda acreditar que as coisas são possíveis e você com tão pouco idade já ser tão descrente?" Acredito ser esse o ponto que quero destacar aqui! Se pudermos trilhar o caminho da vida mantendo a fé na possibilidade de um mundo melhor, certamente ele se tornará melhor. José Saramago, em um texto produzido para o encerramento do 2 Fórum Social Mundial, falou sobre a Justiça e de como ela é morta todos os dias, destacando: "De cada vez que morre, é como se afinal nunca tivesse existido para aqueles que nela tinham confiado, para aqueles que dela esperavam o que da Justiça todos temos o direito de esperar: Justiça, simplesmente justiça. Não a que se envolve em túnicas de teatro e nos confunde com flores de vã retórica judicialista, não a que permitiu que lhe vendassem os olhos e viciassem os pesos da balança, não a da espada que sempre corta mais para um lado que para o outro, mas uma justiça pedestre, uma justiça companheira quotidiana dos homens, uma justiça para quem o justo seria o mais exato e rigoroso sinônimo do ético, uma justiça que chegasse a ser tão indispensável à felicidade do espírito como indispensável à vida é o alimento do corpo. Uma justiça exercida pelos tribunais, sem dúvida, sempre que a isso os determinasse a lei, mas também, e sobretudo, uma justiça que fosse a emanação espontânea da própria sociedade em ação, uma justiça em que se manifestasse, como ineludível imperativo moral, o respeito pelo direito a ser que a cada ser humano assiste."
A coincidência e afinidade das palavras de Saramago com a filosofia do projeto não me parecem vãs. É que surge hoje no espírito das pessoas a mesma inquietação, sejam elas moradoras do Brasil ou de outras localidades. A mesma constatação de que é preciso solucionar a crise ética que vivemos com proximidade e afeto, cujo consectário máximo é o respeito pelo outro. O projeto de Justiça Comunitária emana dessa constatação, de que a própria comunidade seja capaz de construir o conteúdo normativo contido na lei, baseada nos conceitos da alteridade, respeito mútuo e manutenção de vínculos. De fabricar justiça sem jurisdição. De ser a justiça pedestre, de que nos fala Saramago.
E continua, apropriadamente, o escritor mencionado, provando que dele também são as nossas preocupações: "Outros e diferentes são os sinos que hoje defendem e afirmam a possibilidade, enfim, da implantação no mundo daquela justiça companheira dos homens, daquela justiça que é condição da felicidade do espírito e até, por mais surpreendente que possa parecer-nos, condição do próprio alimento do corpo. Houvesse essa justiça, e nenhum só ser humano mais morreria de fome ou de tantas doenças que são curáveis para uns, mas não para outros. Houvesse essa justiça, e a existência não seria, para mais da metade da humanidade, a condenação terrível que objetivamente tem sido. Esses sinos novos cuja voz vem se espalhando por todo o mundo são os múltiplos movimentos de resistência e ação social que pugnam pelo estabelecimento de uma nova justiça distributiva e comutativa que todos os seres humanos possam chegar a reconhecer como intrinsecamente sua, uma justiça protetora da liberdade e do direito, não de nenhuma de suas negações." Pessoalmente, creio que o projeto encerra uma carga de afeto pelo próximo que eu jamais vivenciei e creio que aí está e estará a solução para a crise moderna, buscada e intuída por todos os seres humanos: o amor, PORQUE A inteligência sem amor cria perversão. A justiça sem amor torna as pessoas implacáveis.
A diplomacia sem amor gera hipocrisia. O êxito sem amor provoca arrogância. A riqueza sem amor cria avaria. A pobreza sem amor transforma-se em orgulho. A beleza sem amor torna-se futilidade. A autoridade sem amor é tirania. O trabalho sem amor escraviza. A simplicidade sem amor deprecia os envolvidos. A lei sem amor aprisiona. A política sem amor gera egoísmo. A fé sem amor fanatiza. A cruz sem amor se converte em tortura.
A vida sem amor...
... não tem sentido!
Queria em especial agradecer em nome de todos os envolvidos no Projeto de Justiça Comunitária ao nosso maior entusiasta e líder, sem o qual esse sonho não seria possível - nosso Presidente - que com sua crença e amor nos trouxe até aqui, nos mostrou que é possível acreditar mesmo tendo visto tanto da vida. O meu especial amor e agradecimento à oportunidade de estar envolvida nessa cruzada
Obrigada!!!
Hoje é um dia muito importante para todos nós envolvidos no Projeto de Justiça Comunitária. É um dia em que o reconhecimento do nosso trabalho, desenvolvido com sucesso até aqui, nos dá a certeza de que valeu a pena acreditar que éramos capazes de promover transformação, gerar mudança, melhorar o mundo. Nos dá a certeza de que cada um de nós colaborou para que a crença na Justiça fosse fortalecida, a crença na capacidade da comunidade de solucionar seus conflitos de forma mais satisfatória e criativa fosse colocada em prática. A crença de que é possível realizar os sonhos quando se acredita neles.
Uma de nossas parceiras - Dra. Yares - certa feita narrou uma estória que me chamou muita atenção e marcou para sempre. Contava ela a sua neta, de 14 anos, que iria acompanhada de um grupo de colegas até a Embaixada da Síria pleitear o fim de conflitos armados na região, quando obteve dela como resposta: "A sra. Acredita que um grupo como o seu tem força para evitar uma guerra?, é claro que isso não é possível!!". Dra. Yares então disse a neta: "Como posso com 64 anos, tendo visto e vivido tanto ainda acreditar que as coisas são possíveis e você com tão pouco idade já ser tão descrente?" Acredito ser esse o ponto que quero destacar aqui! Se pudermos trilhar o caminho da vida mantendo a fé na possibilidade de um mundo melhor, certamente ele se tornará melhor. José Saramago, em um texto produzido para o encerramento do 2 Fórum Social Mundial, falou sobre a Justiça e de como ela é morta todos os dias, destacando: "De cada vez que morre, é como se afinal nunca tivesse existido para aqueles que nela tinham confiado, para aqueles que dela esperavam o que da Justiça todos temos o direito de esperar: Justiça, simplesmente justiça. Não a que se envolve em túnicas de teatro e nos confunde com flores de vã retórica judicialista, não a que permitiu que lhe vendassem os olhos e viciassem os pesos da balança, não a da espada que sempre corta mais para um lado que para o outro, mas uma justiça pedestre, uma justiça companheira quotidiana dos homens, uma justiça para quem o justo seria o mais exato e rigoroso sinônimo do ético, uma justiça que chegasse a ser tão indispensável à felicidade do espírito como indispensável à vida é o alimento do corpo. Uma justiça exercida pelos tribunais, sem dúvida, sempre que a isso os determinasse a lei, mas também, e sobretudo, uma justiça que fosse a emanação espontânea da própria sociedade em ação, uma justiça em que se manifestasse, como ineludível imperativo moral, o respeito pelo direito a ser que a cada ser humano assiste."
A coincidência e afinidade das palavras de Saramago com a filosofia do projeto não me parecem vãs. É que surge hoje no espírito das pessoas a mesma inquietação, sejam elas moradoras do Brasil ou de outras localidades. A mesma constatação de que é preciso solucionar a crise ética que vivemos com proximidade e afeto, cujo consectário máximo é o respeito pelo outro. O projeto de Justiça Comunitária emana dessa constatação, de que a própria comunidade seja capaz de construir o conteúdo normativo contido na lei, baseada nos conceitos da alteridade, respeito mútuo e manutenção de vínculos. De fabricar justiça sem jurisdição. De ser a justiça pedestre, de que nos fala Saramago.
E continua, apropriadamente, o escritor mencionado, provando que dele também são as nossas preocupações: "Outros e diferentes são os sinos que hoje defendem e afirmam a possibilidade, enfim, da implantação no mundo daquela justiça companheira dos homens, daquela justiça que é condição da felicidade do espírito e até, por mais surpreendente que possa parecer-nos, condição do próprio alimento do corpo. Houvesse essa justiça, e nenhum só ser humano mais morreria de fome ou de tantas doenças que são curáveis para uns, mas não para outros. Houvesse essa justiça, e a existência não seria, para mais da metade da humanidade, a condenação terrível que objetivamente tem sido. Esses sinos novos cuja voz vem se espalhando por todo o mundo são os múltiplos movimentos de resistência e ação social que pugnam pelo estabelecimento de uma nova justiça distributiva e comutativa que todos os seres humanos possam chegar a reconhecer como intrinsecamente sua, uma justiça protetora da liberdade e do direito, não de nenhuma de suas negações." Pessoalmente, creio que o projeto encerra uma carga de afeto pelo próximo que eu jamais vivenciei e creio que aí está e estará a solução para a crise moderna, buscada e intuída por todos os seres humanos: o amor, PORQUE A inteligência sem amor cria perversão. A justiça sem amor torna as pessoas implacáveis.
A diplomacia sem amor gera hipocrisia. O êxito sem amor provoca arrogância. A riqueza sem amor cria avaria. A pobreza sem amor transforma-se em orgulho. A beleza sem amor torna-se futilidade. A autoridade sem amor é tirania. O trabalho sem amor escraviza. A simplicidade sem amor deprecia os envolvidos. A lei sem amor aprisiona. A política sem amor gera egoísmo. A fé sem amor fanatiza. A cruz sem amor se converte em tortura.
A vida sem amor...
... não tem sentido!
Queria em especial agradecer em nome de todos os envolvidos no Projeto de Justiça Comunitária ao nosso maior entusiasta e líder, sem o qual esse sonho não seria possível - nosso Presidente - que com sua crença e amor nos trouxe até aqui, nos mostrou que é possível acreditar mesmo tendo visto tanto da vida. O meu especial amor e agradecimento à oportunidade de estar envolvida nessa cruzada
Obrigada!!!