Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios

Presidente do TJDFT, Des. José Jerônymo Bezerra de Sousa, em sua posse como Presidente do TJDFT

por ACS — publicado 23/04/2004
DISCURSO PROFERIDO PELO EXCELENTÍSSIMO SENHOR DESEMBARGADOR JOSÉ JERONYMO BEZERRA DE SOUSA, AO TOMAR POSSE NO CARGO DE PRESIDENTE DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO DISTRITO FEDERAL E DOS TERRITÓRIOS NO DIA 22 DE ABRIL DE 2004.
MINHAS SENHORAS!
MEUS SENHORES!
Agradecemos, do fundo do coração, as amáveis palavras a nós dirigidas pelo eminente desembargador ROMÃO CÍCERO DE OLIVEIRA, saudando-nos em nome do Tribunal. A grande amizade que nos une tornou Sua Excelência bastante generoso para conosco, realçando nossas poucas virtudes e esquecendo nossos muitos defeitos. Eu, o desembargador ESTEVAM CARLOS LIMA MAIA e o desembargador EDUARDO ALBERTO DE MORAES OLIVEIRA guardaremos na memória, pelo resto da vida, tudo o que de nós aqui foi dito com tanta generosidade e bondade!
Manifesto minha profunda gratidão aos eminentes desembargadores, meus queridos colegas e amigos, por terem, através de eleição, me alçado à Presidência do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios.
Prometo envidar todos os esforços para bem desempenhar e cumprir as funções do elevado cargo para o qual fui eleito, sabendo que sempre contarei com o inestimável apoio, estímulo e conselho dos meus eminentes pares, a cujas lições de experiência e sabedoria estarei sempre atento.
Sei que a tarefa não será fácil, mesmo porque cumpre-me substituir na direção desta Colenda Corte de Justiça o prezado amigo, colega de concurso, companheiro leal e corajoso de tantos combates - alguns muito duros e difíceis - em favor do Direito e da Justiça, o eminente desembargador NATANAEL CAETANO FERNANDES, Juiz de excepcionais qualidades e administrador de insuperável competência.
Estou plenamente consciente da imensa responsabilidade que recairá sobre os meus ombros, contudo, tranqüilizo-me ao saber que dividirei tão pesado encargo com o Vice-Presidente, desembargador ESTEVAM CARLOS LIMA MAIA e o Corregedor da Justiça, desembargador EDUARDO ALBERTO DE MORAES OLIVEIRA, juízes de profundo saber jurídico, inteligentes, serenos, prudentes, equilibrados, austeros e corajosos, com os quais mantenho laços de fraterna amizade e sincera admiração.
Ademais, tal sentimento se consolida em mim ao constatar que contarei sempre com a valiosíssima colaboração, vigilância e assistência do combativo, valoroso e altivo Ministério Público do Distrito Federal e dos Territórios, ora representado pelo Dr. JOSÉ EDUARDO SABO PAES, dedicado, experiente e culto Procurador Geral da Justiça.
Finalmente, conforta-me saber que terei como companheiros de jornada um corpo de excelentes Juízes de Direito e o apoio de uma seleta equipe de servidores públicos.
Chego à Presidência do Tribunal de Justiça após percorrer uma longa caminhada, iniciada em abril de 1961, como funcionário da Secretaria do Tribunal, fazendo parte do seu primeiro quadro de servidores. Exerci a advocacia por muitos anos, ingressei no Ministério Público do Distrito Federal e, depois, na Magistratura local através de aprovação em concursos públicos de provas e títulos.
No exercício dos diversos cargos públicos, procurei sempre agir com total dedicação à causa pública, mantendo-me fiel aos ensinamentos e aos conselhos que recebi dos meus sábios e inesquecíveis mestres da gloriosa FACULDADE NACIONAL DE DREITO DA UNIVERSIDADE DO BRASIL, cujo curso de Direito tive a honra de freqüentar de 1956 a 1960.
Então, vêm à lembrança as notáveis figuras de HANEMAN GUIMARÃES, PEDRO CALMON, HERMES LIMA, SAN TIAGO DANTAS, MIGUEL MARIA DE SERPA LOPES, GODIM NETO, ARNOLD WALD, GUILHERME ESTELITA, HAROLDO VALADÃO e tantos outros, todos grandes juristas e humanistas. Sim, porque naquela época a Faculdade de Direito formava juristas e humanistas. Estudava-se Filosofia, Ética e Economia Política. Exigia-se conhecimento razoável de grego e profundo de Latim, matéria obrigatória do vestibular, cuja prova escrita e oral era toda feita no idioma de CÍCERO, VIRGÍLIO e PLÍNIO. Aprendia-se ORATÓRIA com PEDRO CALMON, considerado um dos maiores oradores brasileiros de todos os tempos!
Os estudantes de Direito de então eram incentivados a assistirem às sessões da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, sediados no Palácio Tiradentes e no Palácio Monroe, respectivamente, para presenciarem o seu funcionamento, acompanharem o processo legislativo e testemunharem memoráveis discursos feitos por CARLOS LACERDA, VIEIRA DE MELO, AFONSO ARINOS DE MELLO E FRANCO, ALIOMAR BALEEIRO, ADAUTO LÚCIO CARDOSO, NEREU RAMOS e tantos outros parlamentares de escol e oradores de brilho e inteligência inigualáveis. Também éramos estimulados a acompanhar os trabalhos do Tribunal do Júri da então Capital da República que, não raras vezes, varavam as madrugadas a dentro e, eventualmente, assistir inesquecíveis atuações de um EVARISTO MORAIS FILHO, de um EVANDRO LINS E SILVA e muitos outros grandes criminalistas.
Ao longo de minha vida tenho procurado honrar os ensinamentos de meus pais, JOSÉ JACAÚNA DE SOUZA e CLÉA MAIA CONSUELO BEZERRA DE SOUZA. Deles recebi sólida formação centrada no respeito e na obediência a valores éticos e a princípios religiosos.
Minha personalidade se amoldou em contacto amigável com meus queridos irmãos EDUARDO, PAULO e MAIRA TERESA. Ao constituir família, recebi a graça divina de casar-me com MARIA DA CONCEIÇÃO MACÊDO DE SOUZA, esposa adorável e companheira exemplar, que me deu os queridos filhos LELIANE, RAIMUNDO e CLÉA MARIA. Depois vieram ANNA PAULA, estimada nora, FISCHER, genro amigo, e os netos DANIEL, GIOVANNA e JOÃO VITOR, encantos de minha vida.
Quero neste momento fazer uma referência toda especial ao meu inesquecível sogro, Desembargador RAIMUNDO FERREIRA DE MACÊDO, que me ensinou a ser juiz, um juiz sereno, tranqüilo, mas firme, austero e corajoso como ele foi. Proclamo que se algum mérito tenho como magistrado devo ao exemplo e à lição de vida que ele me proporcionou.
Se ousei falar um pouco de minha vida, foi para testemunhar em favor da família, tão agredida e tão menosprezada em nossos dias e em memória e respeito aos professores e mestres tão esquecidos e maltratados no tempo em que vivemos!
Finalmente, dirijo-me aos senhores Juízes, que somos todos nós, exortando-os à luta, ao combate sem trégua contra o crime, a injustiça, a corrupção, a improbidade , a imoralidade, a desigualdade, a hipocrisia, a miséria, enfim, a todas as mazelas morais e materiais do ser humano, odiando o crime, mas amando o criminoso, seguindo o ensinamento de nosso senhor JESUS CRISTO, de tal sorte que, ao julgarmos o nosso irmão que caiu em tentação, que pecou, que transgrediu a lei, tenhamos a coragem de, quando necessário, sentenciarmos com misericórdia e compaixão.
Vamos, pois, nós juízes, como o apóstolo PAULO, combater o bom combate, lembrados da advertência de RUDOLF VON JHERING neste trecho de sua inesquecível obra "A LUTA PELO DIREITO": "A paz é o fim que o direito tem em vista, a luta é o meio de que se serve para o conseguir. Por muito tempo pois em que o direito ainda esteja ameaçado pelos ataques da injustiça - e assim acontecerá enquanto o mundo for mundo - nunca ele poderá subtrair-se à luta. A vida do direito é uma luta: luta dos povos, do Estado, das classes, dos indivíduos.
Todos os direitos da humanidade foram conquistados na luta; todas as regras importantes do direito devem ter sido, na sua origem, arrancadas àqueles que a elas se opunham, e todo o direito, direito de um povo ou direito de um particular, faz presumir que se esteja decidido a mantê-lo com firmeza.
O direito não é uma pura teoria, mas uma força viva.
Por isso, a justiça sustenta numa das mãos a balança em que pesa o direito, e na outra a espada de que se serve para o defender.
A espada sem a balança é a força bruta; a balança sem a espada é a impotência do direito. Uma não pode avançar sem a outra, nem haverá ordem jurídica perfeita sem que a energia com que a justiça aplica a espada seja igual à habilidade com que maneja a balança".
Eu, o desembargador ESTEVAM MAIA e o desembargador EDUARDO MORAES DE OLIVEIRA registramos nosso profundo agradecimento a todos quantos - parentes, amigos, colegas e funcionários - unidos a nós pelos laços do companheirismo e da amizade, para nossa grande alegria, compareceram a esta solenidade.
A todas as eminentes autoridades dos Poderes Judiciário, Legislativo e Executivo aqui presentes, expressamos a nossa grande honra e satisfação pelo seu comparecimento, numa demonstração de apreço, por certo não merecida por estes modestos Juízes, mas devida ao Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios.
A todos, muito obrigado!