Desembargador Lécio Resende na Aposição de sua foto na galeria de ex-Presidentes do TJDFT
Ouça o discurso na íntegra.
Senhoras e Senhores,
O propósito é a origem e o fundamento da bondade e da perfeição de todas as nossas ações. Os alicerces não são vistos, mas são eles que sustentam todo o edifício. Assim é o propósito.
Confesso, com verdadeira humildade, que jamais aspirei viver este momento, em que assisto a aposição de meu retrato, em meio aos de tão ilustres colegas, alguns já na mansão dos justos, e outros, ainda em peregrinação por esta existência.
Meu sonho era ser Juiz. As posições a que fui chamado a ocupar, os papéis a que fui chamado a desempenhar, após a realização desse sonho, acalentado desde a minha primeira infância, eu os atribuo à infinita misericórdia divina, a Deus de quem jamais me apartei.
E foi com Deus e é com Ele que sempre procurei cumprir todos os encargos e deveres, e foi com Ele e é com Ele que sempre enfrentei os empecilhos grandiosos, transformados miraculosamente em meras dificuldades
Muito embora o fato inesperado de minha eleição, já conhecia este egrégio Tribunal, e sabia o que pretendia realizar, e tanto assim que, constituída minha equipe, na reunião realizada logo após a escolha de meu nome, dei a conhecer as metas programadas para o biênio, e graças a essa equipe superamos todas, e desenvolvemos mais de uma centena de outras, reclamadas pelas dificuldades e desafios emergentes.
Estou certo que correspondi às expectativas dos eminentes Pares que sufragaram o meu nome, porque estou convicto, também, de haver dado o melhor de mim para o engrandecimento e respeitabilidade desta Instituição.
Dentre as metas programadas e realizadas, podem ser destacadas a recuperação e revitalização do Bloco A, a construção do Complexo Criminal, com quatro edifícios idênticos, e o Fórum de São Sebastião, perfazendo uma área total de 45.000 m2, aproximadamente, tudo a um custo global inferior a R$50.000.000,00 de reais, portanto, menos de 5% (cinco por cento) do Orçamento anual desta egrégia Corte.
Destaco, ainda, o desenvolvimento dos programas da Assinatura Digital Certificada, do Acórdão em Tempo Real e do Diário Oficial Eletrônico, todos desenvolvidos pela nossa Secretaria de Informática, e adotados, hoje, por diversos Tribunais, para os quais transferimos a tecnologia, e, inclusive, pela República do Panamá, neste caso, por força de Protocolo de Cooperação, no que resultou a Lei Federal Panamenha de número 15, de fevereiro de 2007, determinando a adoção dos dois primeiros programas pela Administração Pública e pelo Poder Judiciário daquela grande Nação amiga, tudo isto graças aos esforços desenvolvidos pelo Doutor JUAN BOSCO BERNAL e pelo Professor OSCAR CEVILLE, respectivamente, Embaixador no Brasil e Procurador-Geral da Administração, que nos visitaram e reivindicaram ditos programas.
Criamos e fizemos funcionar o Centro de Resolução Não-Adversarial de Conflitos, colocando em prática a Conciliação e a Mediação como instrumentos avançados na efetivação da Justiça, inspirados na experiência australiana, européia, da América do Norte e da Argentina, colocando nosso egrégio Tribunal na vanguarda dos Tribunais brasileiros, formando Conciliadores e Mediadores, e realizando o I Congresso Brasileiro de Mediação Judicial, ao qual compareceram, além de especialistas nativos, as maiores autoridades do mundo nessa área, na condição de conferencistas, oriundas dos Estados Unidos, do Canadá e da Espanha.
Por força de convênio celebrado com o Distrito Federal, instalamos um Juizado Especial destinado à quitação de precatórios e requisições de pequeno valor, e logramos verificar o pagamento de dívidas dos últimos dez anos,
Obtivemos da Terracap, tanto sob a presidência da Dra. Maria Júlia Monteiro da Silva quanto na atual administração, liderada pelo Dr. Antônio Gomes, a transferência de vários lotes de terrenos a este Tribunal, destinados a construções que permitam a expansão de suas atividades, sempre que o reclame o interesse público.
Adquirimos cerca de seis mil computadores de última geração, por preço abaixo do mercado de Brasília, e cerca de três mil laptops, nas mesmas condições.
Apesar dos contingenciamentos lamentavelmente ocorridos, logramos quitar cerca de 62% da dívida herdada relativamente aos servidores em atividade, bem assim a totalidade da dívida que encontramos em relação aos inativos e pensionistas.
Realizamos onze concursos para provimento e remoção de Notários e Registradores, e o concurso para admissão de Técnicos e Analistas Judiciários, e reservamos os recursos financeiros para a admissão de mais de oitocentos dos aprovados, todos presididos pelo eminente Desembargador LECIR MANOEL DA LUZ, sem que se verificasse qualquer anormalidade, permitindo suprir este Tribunal da enorme carência de servidores de que padecia, quando me vi investido na Presidência, e três concursos para provimento do cargo inicial da carreira da magistratura.
Essa extraordinária equipe, constituída pelos Secretários, Subsecretários, Assessores e Coordenadores, cujo trabalho ingente é digno de todos os louvores, homenageio neste instante nas pessoas do Dr. Guilherme Pavie Ribeiro, então ilustre Secretário-Geral e Dra. Raquel Villas Boas Teixeira de Carvalho Moller, então ilustre Chefe de Gabinete da Presidência, reconhecendo que se excederam no cumprimento do dever.
E me permito lembrar Rui Barbosa, cuja vida e obra estudo desde a infância, de quem digo que foi eleito para galgar os altos cimos do pensamento, tornando-se mestre entre os sábios, assombro da tribuna, encarnação viva do espírito liberal, idealista e evangelizador, a mais elevada expressão mental do país e do continente, posições conquistadas no trabalho que enobrece, madrugando nas lides e nas lutas do homem público, e que, coerente, procurou revelar aos bacharelandos da turma de 1920, da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, na célebre "Oração aos Moços:
"O amanhecer do trabalho há de antecipar-se ao amanhecer do dia. Não vos fieis muito de quem esperta já sol nascente, ou sol nado. Curtos se fizeram os dias, para que nós os dobrássemos, madrugando. Experimentai, e vereis quanto vai do deitar tarde ao acordar cedo. Sobre a noite o cérebro pende ao sono. Antemanhã, tende a despertar... Ouvi, no poema de Jô, a voz do Senhor, perguntando a seu servo, onde estava, quando o louvavam as estrelas da manhã: Ubi eras cum me laudarent simul astra matutina? E que têm mais as estrelas da manhã, dizia um grande escritor nosso, que têm mais as estrelas da manhã, que as da tarde, ou as da noite, para fazer Deus mais caso do louvor de umas que das outras? Não é ele o Senhor do tempo, que deve ser louvado a todo o tempo, não só da luz, senão também das trevas? Assim é: porém, as estrelas da manhã têm esta vantagem que madrugam, antecipam-se, e despertam aos outros, que se levantem a servir a Deus. Pois disto é que Deus se honra, e agrada em presença de Jô".
Sempre acreditei na justiça imanente e eterna, e por assim crer, terminei apaixonando-me pelo culto do Direito.
Recordo as palavras do saudoso Sumo Pontífice, João Paulo II, em entrevista coletiva concedida, respondendo à pergunta de um dos jornalistas, após celebrar a Missa pelas almas dos mortos, no antigo cemitério de Roma, em 1983, sobre o significado daquela cerimônia, quando disse: "Os mortos nos vêem, eles são mais poderosos do que nós, porque não mais sofrem as limitações impostas pelo corpo com que nos identificamos".
Recolhi as palavras proferidas, porque creio na verdade que encerram, e creio mais ainda que os ilustres e inesquecíveis Pares que se encontram nessa condição, acompanharam-me na minha caminhada, conhecendo cada pensamento que esbocei, no desempenho da grave missão de presidir esta egrégia Corte de Justiça, e ouso contar com o beneplácito e o veredicto absolutório de todos esses magníficos magistrados, que hoje não se encontram fisicamente entre nós, como espero dos que vivem a mesma indulgência.
As almas vêem, ouvem, sentem, pensam e têm saudades.
O mundo que é representação, que seria para nós, se lhe não déssemos nossas emoções e idéias, que o enfeitam e nos dão, tornados de novo à origem, os mais ternos e profundos pensamentos?
Como cristais que se defrontam, o fluxo e o refluxo dessas imagens, vezes e vezes uma na outra repetidas e refletidas, dão a dois objetos próximos, o afastamento prolongado e maravilhoso de uma galeria de espelhos.
Para mim, os ilustres Presidentes que não se encontram fisicamente entre nós, são imortais.
Tal é a imortalidade, que, à semelhança da árvore da vida em meio ao paraíso terrestre, floresce no mundo, através dos séculos, ao bafejo da aura gloriosa da posteridade. Esta é a que também viceja nesta egrégia Corte, e à sombra de suas frondes imarcescíveis, como aqueles vates que Virgílio pinta sob o arvoredo sempre em flor dos Campos Elíseos, vivem os grandes, que, mortos embora, este egrégio Tribunal consagrou com o selo da sua eleição e da sua glória.
Felizes nós que nos vemos, e revemos nas coisas, nelas fixamos o tempo que se escoa inexorável, na sucessão efêmera dos instantes, e podemos, pela imaginação e pela memória, reviver na saudade o que passou e não voltará mais.
Retifico: que voltará, sempre que for lembrada, porque só há uma morte inconsolável - a do esquecimento.
Lembrar é reviver. A saudade é uma presença e, não raro, uma ressurreição.
Se a consciência nos inspira em dado momento o temor, concede-nos igualmente segurança e confiança.
Posso afirmar que me conduzi em várias circunstâncias difíceis, com muito maior decisão, em virtude da convicção íntima em que me encontrava, da pureza de minhas intenções, e de minha vontade de não desistir, atento à sentença de OVÍDIO: "Enche-se a alma de esperança ou temor segundo o testemunho que damos de nós a nós mesmos".
Sou um homem feliz e em paz com a minha consciência.
Todo o meu propósito foi o de tentar retribuir ao Distrito Federal e a seu laborioso povo, o gesto magnânimo de haver concedido a mim e a minha família, a hospitalidade, a educação e instrução de minhas filhas Simone e Ana Paula, tanto nas escolas públicas quanto privadas, e o berço de meus netos Marcella, Giovanna e Guilherme.
Sou feliz, porque o exercício da Presidência me permitiu examinar o passado, viver o presente e perscrutar o futuro desta egrégia Corte de Justiça, propiciando aos contemporâneos e aos pósteros usufruírem as realizações em honra ao mandato que me foi confiado.
Sou eternamente grato ao eminente Presidente, Desembargador NÍVIO GONÇALVES pela lhaneza e presteza na efetivação desta cerimônia, sabedor da escassez de tempo com que conta Sua Excelência no exercício do honroso múnus.
Quero registrar os meus agradecimentos ao eminente Desembargador JOÃO MARIOSI, jurisfilósofo de escol, pela generosidade das palavras proferidas para este momento formal e solene, ditadas pelo seu grande coração, e pelo humanismo que as acrisolam, e que se revelam em suas decisões, ao tempo em que Sua Excelência, exerceu o cargo de Corregedor da Justiça, como agradeço aos eminentes Desembargadores EDUARDO DE MORAES OLIVEIRA e ROMÃO C. OLIVEIRA, eminentes Vice-Presidentes desta egrégia Corte, pela amizade, pela harmonia e pela concórdia, fatores que fizeram da convivência com esses três notáveis homens públicos verdadeiro privilégio, e a todos os eminentes Desembargadores desta egrégia Corte, pelo decidido apoio nas iniciativas que tomamos, todas em benefício de nossos jurisdicionados.
Não posso deixar de consignar a minha gratidão à Doutora MARIA DE LOURDES ABADIA, então ilustre Governadora do Distrito Federal, ao Doutor JOSÉ ROBERTO ARRUDA, ilustre Governador do Distrito Federal, ao Doutor TÚLIO MÁRCIO CUNHA E CRUZ ARANTES, então ilustre Procurador-Geral do Distrito Federal, à Doutora MARIA JÚLIA MONTEIRO DA SILVA, então ilustre Presidente da TERRACAP e ao Doutor ANTÕNIO GOMES, atual ilustre Presidente, pelo apoio decisivo emprestados durante a nossa administração, em um clima de independência e harmonia, e devo dizer que nos diversos convênios celebrados, sempre prevaleceu e orientou a vontade de servir ao povo do Distrito Federal.
Costumo dizer que muitas vezes se pensa na independência dos Poderes, e se esquece da harmonia. Na nossa gestão o binômio constitucional foi rigorosamente observado.
Os longos anos de convívio neste egrégio Tribunal, exposto constantemente à apreciação pública, deve ter permitido a muitos analisar a minha visão do mundo.
Para mim, toda a beleza do mundo visível, com o ritmo eterno das estações, com o múltiplo esplendor dos dias e a solidão misteriosa das noites, nenhum significado teria, se não fosse uma representação profusa do espírito.
Consideradas em si mesmas, as coisas não têm realidade emotiva, e é a sua correspondência com o cérebro e o coração que as tornam interessantes ao nosso destino.
Excluído da vida moral, que é uma volúpia do perfeito, o universo seria um grande nada.
É nossa natureza imortal que lhe ausculta as forças latentes, estuda-as e compreende, como nas folhas de um livro de ilustrações, os signos vivos deste mundo.
É com esse sentimento que registro, por igual, os meus agradecimentos ao Ministério Público do Distrito Federal e Territórios, nas pessoas dos Doutores LEONARDO BANDARRA e MARIA APARECIDA DONATI BARBOSA, eminentes Procurador-Geral e Vice-Procuradora Geral, pelo proveitoso relacionamento, permitindo que realizássemos muito em prol da sociedade do Distrito Federal, e devo dizer que todas as reivindicações da nobre Instituição foram atendidas, a despeito das preocupações da eminente Vice-Procuradora Geral com os pleitos formulados, e que por necessidade e por justiça, não foram poucos!
Devo registrar, neste instante, os meus agradecimentos à minha família, a minha esposa Edna, minhas filhas Simone e Ana Paula, meus netos Marcella, Giovanna e Guilherme, pelo apoio, pelo incentivo, pela paciência, pela tolerância e pela compreensão que tiveram, pelos momentos sacrificados no convívio durante o biênio.
Senhoras e Senhores,
É hora de terminar.
Seja-me permitido citar, ao final, as palavras do grande escritor libanês GIBRAN KHALIL GIBRAN: "A marcha do tempo estraga as obras dos homens, mas não apaga seus sonhos nem enfraquece seus impulsos criativos. Esses sonhos e impulsos sobrevivem porque pertencem ao espírito Eterno, embora se escondam ou adormeçam de tempos em tempos, imitando o sol ao crepúsculo e a lua ao amanhecer" (in MENSAGENS ESPIRITUAIS, trad. de Emil Farhat, pp.68/69).
Muito obrigado.
Senhoras e Senhores,
O propósito é a origem e o fundamento da bondade e da perfeição de todas as nossas ações. Os alicerces não são vistos, mas são eles que sustentam todo o edifício. Assim é o propósito.
Confesso, com verdadeira humildade, que jamais aspirei viver este momento, em que assisto a aposição de meu retrato, em meio aos de tão ilustres colegas, alguns já na mansão dos justos, e outros, ainda em peregrinação por esta existência.
Meu sonho era ser Juiz. As posições a que fui chamado a ocupar, os papéis a que fui chamado a desempenhar, após a realização desse sonho, acalentado desde a minha primeira infância, eu os atribuo à infinita misericórdia divina, a Deus de quem jamais me apartei.
E foi com Deus e é com Ele que sempre procurei cumprir todos os encargos e deveres, e foi com Ele e é com Ele que sempre enfrentei os empecilhos grandiosos, transformados miraculosamente em meras dificuldades
Muito embora o fato inesperado de minha eleição, já conhecia este egrégio Tribunal, e sabia o que pretendia realizar, e tanto assim que, constituída minha equipe, na reunião realizada logo após a escolha de meu nome, dei a conhecer as metas programadas para o biênio, e graças a essa equipe superamos todas, e desenvolvemos mais de uma centena de outras, reclamadas pelas dificuldades e desafios emergentes.
Estou certo que correspondi às expectativas dos eminentes Pares que sufragaram o meu nome, porque estou convicto, também, de haver dado o melhor de mim para o engrandecimento e respeitabilidade desta Instituição.
Dentre as metas programadas e realizadas, podem ser destacadas a recuperação e revitalização do Bloco A, a construção do Complexo Criminal, com quatro edifícios idênticos, e o Fórum de São Sebastião, perfazendo uma área total de 45.000 m2, aproximadamente, tudo a um custo global inferior a R$50.000.000,00 de reais, portanto, menos de 5% (cinco por cento) do Orçamento anual desta egrégia Corte.
Destaco, ainda, o desenvolvimento dos programas da Assinatura Digital Certificada, do Acórdão em Tempo Real e do Diário Oficial Eletrônico, todos desenvolvidos pela nossa Secretaria de Informática, e adotados, hoje, por diversos Tribunais, para os quais transferimos a tecnologia, e, inclusive, pela República do Panamá, neste caso, por força de Protocolo de Cooperação, no que resultou a Lei Federal Panamenha de número 15, de fevereiro de 2007, determinando a adoção dos dois primeiros programas pela Administração Pública e pelo Poder Judiciário daquela grande Nação amiga, tudo isto graças aos esforços desenvolvidos pelo Doutor JUAN BOSCO BERNAL e pelo Professor OSCAR CEVILLE, respectivamente, Embaixador no Brasil e Procurador-Geral da Administração, que nos visitaram e reivindicaram ditos programas.
Criamos e fizemos funcionar o Centro de Resolução Não-Adversarial de Conflitos, colocando em prática a Conciliação e a Mediação como instrumentos avançados na efetivação da Justiça, inspirados na experiência australiana, européia, da América do Norte e da Argentina, colocando nosso egrégio Tribunal na vanguarda dos Tribunais brasileiros, formando Conciliadores e Mediadores, e realizando o I Congresso Brasileiro de Mediação Judicial, ao qual compareceram, além de especialistas nativos, as maiores autoridades do mundo nessa área, na condição de conferencistas, oriundas dos Estados Unidos, do Canadá e da Espanha.
Por força de convênio celebrado com o Distrito Federal, instalamos um Juizado Especial destinado à quitação de precatórios e requisições de pequeno valor, e logramos verificar o pagamento de dívidas dos últimos dez anos,
Obtivemos da Terracap, tanto sob a presidência da Dra. Maria Júlia Monteiro da Silva quanto na atual administração, liderada pelo Dr. Antônio Gomes, a transferência de vários lotes de terrenos a este Tribunal, destinados a construções que permitam a expansão de suas atividades, sempre que o reclame o interesse público.
Adquirimos cerca de seis mil computadores de última geração, por preço abaixo do mercado de Brasília, e cerca de três mil laptops, nas mesmas condições.
Apesar dos contingenciamentos lamentavelmente ocorridos, logramos quitar cerca de 62% da dívida herdada relativamente aos servidores em atividade, bem assim a totalidade da dívida que encontramos em relação aos inativos e pensionistas.
Realizamos onze concursos para provimento e remoção de Notários e Registradores, e o concurso para admissão de Técnicos e Analistas Judiciários, e reservamos os recursos financeiros para a admissão de mais de oitocentos dos aprovados, todos presididos pelo eminente Desembargador LECIR MANOEL DA LUZ, sem que se verificasse qualquer anormalidade, permitindo suprir este Tribunal da enorme carência de servidores de que padecia, quando me vi investido na Presidência, e três concursos para provimento do cargo inicial da carreira da magistratura.
Essa extraordinária equipe, constituída pelos Secretários, Subsecretários, Assessores e Coordenadores, cujo trabalho ingente é digno de todos os louvores, homenageio neste instante nas pessoas do Dr. Guilherme Pavie Ribeiro, então ilustre Secretário-Geral e Dra. Raquel Villas Boas Teixeira de Carvalho Moller, então ilustre Chefe de Gabinete da Presidência, reconhecendo que se excederam no cumprimento do dever.
E me permito lembrar Rui Barbosa, cuja vida e obra estudo desde a infância, de quem digo que foi eleito para galgar os altos cimos do pensamento, tornando-se mestre entre os sábios, assombro da tribuna, encarnação viva do espírito liberal, idealista e evangelizador, a mais elevada expressão mental do país e do continente, posições conquistadas no trabalho que enobrece, madrugando nas lides e nas lutas do homem público, e que, coerente, procurou revelar aos bacharelandos da turma de 1920, da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, na célebre "Oração aos Moços:
"O amanhecer do trabalho há de antecipar-se ao amanhecer do dia. Não vos fieis muito de quem esperta já sol nascente, ou sol nado. Curtos se fizeram os dias, para que nós os dobrássemos, madrugando. Experimentai, e vereis quanto vai do deitar tarde ao acordar cedo. Sobre a noite o cérebro pende ao sono. Antemanhã, tende a despertar... Ouvi, no poema de Jô, a voz do Senhor, perguntando a seu servo, onde estava, quando o louvavam as estrelas da manhã: Ubi eras cum me laudarent simul astra matutina? E que têm mais as estrelas da manhã, dizia um grande escritor nosso, que têm mais as estrelas da manhã, que as da tarde, ou as da noite, para fazer Deus mais caso do louvor de umas que das outras? Não é ele o Senhor do tempo, que deve ser louvado a todo o tempo, não só da luz, senão também das trevas? Assim é: porém, as estrelas da manhã têm esta vantagem que madrugam, antecipam-se, e despertam aos outros, que se levantem a servir a Deus. Pois disto é que Deus se honra, e agrada em presença de Jô".
Sempre acreditei na justiça imanente e eterna, e por assim crer, terminei apaixonando-me pelo culto do Direito.
Recordo as palavras do saudoso Sumo Pontífice, João Paulo II, em entrevista coletiva concedida, respondendo à pergunta de um dos jornalistas, após celebrar a Missa pelas almas dos mortos, no antigo cemitério de Roma, em 1983, sobre o significado daquela cerimônia, quando disse: "Os mortos nos vêem, eles são mais poderosos do que nós, porque não mais sofrem as limitações impostas pelo corpo com que nos identificamos".
Recolhi as palavras proferidas, porque creio na verdade que encerram, e creio mais ainda que os ilustres e inesquecíveis Pares que se encontram nessa condição, acompanharam-me na minha caminhada, conhecendo cada pensamento que esbocei, no desempenho da grave missão de presidir esta egrégia Corte de Justiça, e ouso contar com o beneplácito e o veredicto absolutório de todos esses magníficos magistrados, que hoje não se encontram fisicamente entre nós, como espero dos que vivem a mesma indulgência.
As almas vêem, ouvem, sentem, pensam e têm saudades.
O mundo que é representação, que seria para nós, se lhe não déssemos nossas emoções e idéias, que o enfeitam e nos dão, tornados de novo à origem, os mais ternos e profundos pensamentos?
Como cristais que se defrontam, o fluxo e o refluxo dessas imagens, vezes e vezes uma na outra repetidas e refletidas, dão a dois objetos próximos, o afastamento prolongado e maravilhoso de uma galeria de espelhos.
Para mim, os ilustres Presidentes que não se encontram fisicamente entre nós, são imortais.
Tal é a imortalidade, que, à semelhança da árvore da vida em meio ao paraíso terrestre, floresce no mundo, através dos séculos, ao bafejo da aura gloriosa da posteridade. Esta é a que também viceja nesta egrégia Corte, e à sombra de suas frondes imarcescíveis, como aqueles vates que Virgílio pinta sob o arvoredo sempre em flor dos Campos Elíseos, vivem os grandes, que, mortos embora, este egrégio Tribunal consagrou com o selo da sua eleição e da sua glória.
Felizes nós que nos vemos, e revemos nas coisas, nelas fixamos o tempo que se escoa inexorável, na sucessão efêmera dos instantes, e podemos, pela imaginação e pela memória, reviver na saudade o que passou e não voltará mais.
Retifico: que voltará, sempre que for lembrada, porque só há uma morte inconsolável - a do esquecimento.
Lembrar é reviver. A saudade é uma presença e, não raro, uma ressurreição.
Se a consciência nos inspira em dado momento o temor, concede-nos igualmente segurança e confiança.
Posso afirmar que me conduzi em várias circunstâncias difíceis, com muito maior decisão, em virtude da convicção íntima em que me encontrava, da pureza de minhas intenções, e de minha vontade de não desistir, atento à sentença de OVÍDIO: "Enche-se a alma de esperança ou temor segundo o testemunho que damos de nós a nós mesmos".
Sou um homem feliz e em paz com a minha consciência.
Todo o meu propósito foi o de tentar retribuir ao Distrito Federal e a seu laborioso povo, o gesto magnânimo de haver concedido a mim e a minha família, a hospitalidade, a educação e instrução de minhas filhas Simone e Ana Paula, tanto nas escolas públicas quanto privadas, e o berço de meus netos Marcella, Giovanna e Guilherme.
Sou feliz, porque o exercício da Presidência me permitiu examinar o passado, viver o presente e perscrutar o futuro desta egrégia Corte de Justiça, propiciando aos contemporâneos e aos pósteros usufruírem as realizações em honra ao mandato que me foi confiado.
Sou eternamente grato ao eminente Presidente, Desembargador NÍVIO GONÇALVES pela lhaneza e presteza na efetivação desta cerimônia, sabedor da escassez de tempo com que conta Sua Excelência no exercício do honroso múnus.
Quero registrar os meus agradecimentos ao eminente Desembargador JOÃO MARIOSI, jurisfilósofo de escol, pela generosidade das palavras proferidas para este momento formal e solene, ditadas pelo seu grande coração, e pelo humanismo que as acrisolam, e que se revelam em suas decisões, ao tempo em que Sua Excelência, exerceu o cargo de Corregedor da Justiça, como agradeço aos eminentes Desembargadores EDUARDO DE MORAES OLIVEIRA e ROMÃO C. OLIVEIRA, eminentes Vice-Presidentes desta egrégia Corte, pela amizade, pela harmonia e pela concórdia, fatores que fizeram da convivência com esses três notáveis homens públicos verdadeiro privilégio, e a todos os eminentes Desembargadores desta egrégia Corte, pelo decidido apoio nas iniciativas que tomamos, todas em benefício de nossos jurisdicionados.
Não posso deixar de consignar a minha gratidão à Doutora MARIA DE LOURDES ABADIA, então ilustre Governadora do Distrito Federal, ao Doutor JOSÉ ROBERTO ARRUDA, ilustre Governador do Distrito Federal, ao Doutor TÚLIO MÁRCIO CUNHA E CRUZ ARANTES, então ilustre Procurador-Geral do Distrito Federal, à Doutora MARIA JÚLIA MONTEIRO DA SILVA, então ilustre Presidente da TERRACAP e ao Doutor ANTÕNIO GOMES, atual ilustre Presidente, pelo apoio decisivo emprestados durante a nossa administração, em um clima de independência e harmonia, e devo dizer que nos diversos convênios celebrados, sempre prevaleceu e orientou a vontade de servir ao povo do Distrito Federal.
Costumo dizer que muitas vezes se pensa na independência dos Poderes, e se esquece da harmonia. Na nossa gestão o binômio constitucional foi rigorosamente observado.
Os longos anos de convívio neste egrégio Tribunal, exposto constantemente à apreciação pública, deve ter permitido a muitos analisar a minha visão do mundo.
Para mim, toda a beleza do mundo visível, com o ritmo eterno das estações, com o múltiplo esplendor dos dias e a solidão misteriosa das noites, nenhum significado teria, se não fosse uma representação profusa do espírito.
Consideradas em si mesmas, as coisas não têm realidade emotiva, e é a sua correspondência com o cérebro e o coração que as tornam interessantes ao nosso destino.
Excluído da vida moral, que é uma volúpia do perfeito, o universo seria um grande nada.
É nossa natureza imortal que lhe ausculta as forças latentes, estuda-as e compreende, como nas folhas de um livro de ilustrações, os signos vivos deste mundo.
É com esse sentimento que registro, por igual, os meus agradecimentos ao Ministério Público do Distrito Federal e Territórios, nas pessoas dos Doutores LEONARDO BANDARRA e MARIA APARECIDA DONATI BARBOSA, eminentes Procurador-Geral e Vice-Procuradora Geral, pelo proveitoso relacionamento, permitindo que realizássemos muito em prol da sociedade do Distrito Federal, e devo dizer que todas as reivindicações da nobre Instituição foram atendidas, a despeito das preocupações da eminente Vice-Procuradora Geral com os pleitos formulados, e que por necessidade e por justiça, não foram poucos!
Devo registrar, neste instante, os meus agradecimentos à minha família, a minha esposa Edna, minhas filhas Simone e Ana Paula, meus netos Marcella, Giovanna e Guilherme, pelo apoio, pelo incentivo, pela paciência, pela tolerância e pela compreensão que tiveram, pelos momentos sacrificados no convívio durante o biênio.
Senhoras e Senhores,
É hora de terminar.
Seja-me permitido citar, ao final, as palavras do grande escritor libanês GIBRAN KHALIL GIBRAN: "A marcha do tempo estraga as obras dos homens, mas não apaga seus sonhos nem enfraquece seus impulsos criativos. Esses sonhos e impulsos sobrevivem porque pertencem ao espírito Eterno, embora se escondam ou adormeçam de tempos em tempos, imitando o sol ao crepúsculo e a lua ao amanhecer" (in MENSAGENS ESPIRITUAIS, trad. de Emil Farhat, pp.68/69).
Muito obrigado.