Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios

Presidente do TJDFT, Des. Otávio Augusto Barbosa, na posse como Presidente do TJDFT

por ACS — publicado 22/04/2010
CERIMÔNIA DE POSSE DO DESEMBARGADOR OTÁVIO AUGUSTO BARBOSA NO CARGO DE PRESIDENTE DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO DISTRITO FEDERAL E DOS TERRITÓRIOS

Apenas umas breves palavras, pois que, tudo que podia falar já o fiz no momento em que prestei o juramento solene de continuar a honrar esta Casa de Justiça.

É com grande satisfação, nesta tarde do dia 22 de abril de 2010, que assumo o honroso cargo de Presidente do Egrégio Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios, escolhido que fui para essa missão pelos meus eminentes Pares.

Faço-o com a plena consciência dos enormes desafios que me aguardam, mas também repleto de incomensurável satisfação e certo de que sempre poderei contar com o apoio dos Excelentíssimos Magistrados que compõe este Tribunal de Justiça em 1º e 2º Graus de Jurisdição, formando uma das Cortes mais íntegras e honradas deste País, bem como com o valoroso empenho de todos os nossos servidores, para o desenvolvimento de uma administração profícua.

Esta qualificada platéia é sabedora de que o atual cenário enfrentado pela Justiça do Distrito Federal é digno de muitas reflexões, reflexões essas que nos obrigam a imaginar distintas possibilidades de um novo amanhã.

Há tempos que o Poder Judiciário tem se firmado como a última trincheira do cidadão de bem, e dado a esse fato inquestionável, temos que nos preparar constantemente para a nova quadra que se descortina. Infelizmente, um tempo novo em que muitas vezes a quantidade é mais importante do que a qualidade.

Mas, para dividir tão grandes responsabilidades, foram indicados para a nova Administração do Tribunal, como Vice-Presidente, o eminente Desembargador Dácio Vieira, e, como Corregedor, o também eminente Desembargador Sérgio Bittencourt, que, assim como eu, comungam dos mesmos sonhos e ideais, de uma Justiça cada dia mais eficiente e cumpridora dos seus mandamentos constitucionais.

Nesse passo, quis o destino, ou Aquele que o controla, que eu fosse alçado à Administração do Tribunal acompanhado de dois magistrados de conduta irreparável e de notório saber jurídico, comprometidos com a Justiça e com o dever de honrá-la cada dia de suas vidas. Com certeza, os Desembargadores Dácio Vieira e Sérgio Bittencourt não medirão esforços para o desenvolvimento de uma gestão que se pretende zelosa, frutífera e agregadora.

Brasília, capital da República, merece de nossa parte todo o esforço e dedicação que seu idealizador pretendeu.

Aliás, o Presidente Juscelino Kubitschek, mesmo com sua conhecida sabedoria e visão de futuro, não imaginaria que, no cinquentenário da sua Capital, o Judiciário local seria comandado por três de seus conterrâneos. Um mineiro de Andradas e dois de Araguari.
Mas esses mineiros terão enorme dificuldade, maior do que se pode imaginar. Terão que suceder a três grandes homens públicos, com quem este Tribunal já teve a honra de contar em seus quadros. Homens repletos de valores éticos e morais.

O eminente Desembargador Nívio Geraldo Gonçalves é sabidamente homem culto, justo, probo e administrador nato. Devemos agradecer de público a forma honrada e eficiente com que o eminente Desembargador liderou este Tribunal.

O Desembargador Romão Cícero Oliveira é daqueles homens que fazem a diferença. Conviver com um julgador da envergadura moral de Sua Excelência nos faz acreditar que existem homens moldados à difícil arte de julgar.

O Excelentíssimo Desembargador Getúlio Pinheiro, por sua vez, é um magistrado que nos enche de orgulho, pois apresenta todas as qualidades que um bom juiz deve possuir. Em todas as suas ações à frente da douta Corregedoria, descortinou para a sociedade brasiliense o que já sabíamos desde sempre: tratar-se de um magistrado de escol, probo e cioso de suas responsabilidades.

Desembargadores Nívio, Romão e Getúlio, esta nova direção tem mais um encargo, pois manter a atuação harmoniosa e sóbria de Vossas Excelências será o primeiro desafio a vencer.

Deixo registrados os nossos mais sinceros agradecimentos a Vossas Excelências.
Aos servidores e magistrados, em primeiro lugar, agradeço o trabalho realizado. Em segundo lugar, faço um convite: vamos dar continuidade aos trabalhos desenvolvidos e labutar com a seriedade e a dedicação que a Administração Pública merece. Saibam que esta administração não medirá esforços para dotá-los de todos os instrumentos que os auxiliem em seu mister, exigindo em troca apenas a lealdade inarredável ao interesse público. Inclusive repito aqui o que já havia dito na ocasião de minha posse na Presidência do Colendo Tribunal Regional Eleitoral: todos precisam de todos. Sempre trabalhei em equipe, pois não posso admitir que interesses particulares venham sobrepujar o interesse do Estado. O trabalho só pode obter êxito quando magistrados e servidores têm um ideal comum e, no nosso caso, esse ideal será engrandecer ainda mais o nome do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios.

Tranquiliza-me muito, nesta nova missão, saber que contamos com um Ministério Público ativo e presente, bem como uma seccional da Ordem dos Advogados do Brasil combativa e competente. Destaco ainda a atividade da Defensoria Pública do Distrito Federal, sempre atuante e prestativa. Convido essas insignes Instituições a continuarem a ser nossas parceiras nesta empreitada ora renovada.

Neste momento, quero registrar a presença mais ilustre desta solenidade, ainda que materialmente não possa ser percebida. Falo de meu amado pai, Desembargador Milton Sebastião Barbosa. Sentar-me na cadeira que um dia foi por ele ocupada, é motivo de orgulho e felicidade. Que os céus me ajudem a desenvolver um trabalho que, ao menos, se aproxime do por ele realizado, pois superá-lo, sei que jamais será possível.

Aliás, neste momento impar, permitam-me relembrar rápidas pinceladas do ilustre historiador Sebastião Roberto de Campos em seu livro "Andradas e sua Trajetória Luminosa", escrito no ano seguinte ao falecimento de meu pai: "Milton Sebastião Barbosa - Advogado competentíssimo, de vasta cultura humanista, desembargador em Brasília. Após ter se formado em direto, lá pelos idos de 1945, aqui iniciou vida prática e permaneceu por algum tempo. Colaborou com o jornal "A Gazeta de Andradas" (único da época), sempre se ocupando de causas justas e dignificantes.

Trabalhou com entusiasmo em prol do ensino profissionalizante em Andradas. Naquele tempo, criou o Ginásio Andradense e Escola Comercial, enfatizando sempre a necessidade de encaminhar nossa juventude na senda do saber. Foi aclamado o "REPRESENTANTE GENUÍNO DA MOCIDADE ANDRADENSE", quando ainda era acadêmico em São Paulo.

Poeta dos mais apreciados, sensibilizou seus contemporâneos. Na homenagem que lhe prestamos durante a instalação da Subseção da Ordem dos Advogados em Andradas, lemos uma poesia de sua autoria denominada "INTERROGAÇÃO", que é de uma expressividade sem igual. Seu falecimento, ocorrido em 18 de janeiro de 1995, consternou toda a população local. Foi também candidato a Deputado Estadual pela U.D.N. em 1946, ao lado de Milton Campos, seu ?slogan? era "DESEJAMOS UMA NOVA ERA ONDE OS RICOS SEJAM MENOS PODEROSOS E OS POBRES SEJAM MENOS SOFREDORES!" Amava a música, tendo composto canções de alto sentimentalismo.

Temos grata recordação de sua pessoa, desde o tempo em que trabalhávamos como aprendiz no cartório do saudoso Joaquim Ribeiro Gonçalves (Tito), após a paralisação da imprensa local. Sua esposa D. Dalila Vicente Barbosa também é compositora."

Também marcante é a presença de minha mãe, Dalila Vicente Barbosa, de quem sempre colhi ensinamentos de honradez e dignidade. Nossa matriarca, na ausência de nosso pai, tem mantido nossa família sempre unida. Na pessoa de minha mãe, agradeço a presença de meus irmãos, Alberto, Márcia e Milton, bem como a de meus sobrinhos.

Destaco ainda a querida presença de meus sogros, João Donati e Terezinha, diletos amigos e conselheiros na jornada de minha vida. Aproveito para, em nome do casal, homenagear todos os andradenses, prometendo-lhes honrar as mais solidificadas tradições da família mineira.

Seguindo os exemplos de meus pais e sogros, tive a graça de constituir uma família abençoada. Casei-me com Maria Aparecida Donati Barbosa. Culta, íntegra, companheira, excelente mãe e co-autora de uma carreira que neste momento chega a seu ponto mais alto e que me deu o maior presente que qualquer pessoa pode desejar: nossos filhos Rodrigo e Frederico. Eles me dão a cada dia a certeza de que sou um homem abençoado e de que por mim vela Nossa Senhora Aparecida, minha madrinha de batismo.

Nesse passo, não poderia olvidar minhas noras, Rachel e Paula, nas quais se revelam simbioticamente presentes a beleza, a doçura e a inteligência.

Agora também, mais maduro, entendo o amor de um avô por um neto. Entre os meus convidados, há um que ignora o momento solene, porém, para mim, é uma das presenças mais ilustres neste recinto.

Refiro-me a meu neto, Enzo Innecco Santos Donati Barbosa, motivo de minha alegria constante.

Finalmente, aproveito para agradecer a presença de todos e dizer que este Tribunal não se furtará a honrar sua história.

Para tanto, evoco nossa missão institucional: "proporcionar à sociedade do Distrito Federal e dos Territórios o acesso à Justiça e à resolução de conflitos, por meio de um atendimento de qualidade, promovendo a paz social." Evoco porque nela buscarei sempre nortear meus passos.

Muito obrigado.

Desembargador OTÁVIO AUGUSTO BARBOSA
Presidente