Desembargador João Mariosi na aposentadoria do Desembargador Nívio Gonçalves
DISCURSO PROFERIDO PELO DESEMBARGADOR JOÃO DE ASSIS MARIOSI POR OCASIÃO DA APOSENTADORIA DO DESEMBARGADOR NÍVIO GERALDO GONÇALVES
Nívio
Ex.mo Presidente.
Ex.ma Procuradora Geral do Ministério Público.
Ex.mos Desembargadores da Corte.
Ex.mo Desembargador Nívio Gonçalves.
Novamente nos reunimos, com o intuito oficioso de despedida e agradecimentos.
Esta é a oportunidade rara de manifestar o sentimento profundo do "obrigado por trabalharmos juntos". Foi um longo perpassar de anos, desde 1976. O mundo girou muitíssimas vezes, passeando pelo zodíaco e outras referências de duração.
Por opção, dá-se o afastamento do ágape e da função, jamais das amizades do órgão em que V.Ex.a se encontra. Estas permanecem in aeternum, porque consagram a simultaneidade do desejo-escolha dos amigos e do conatus em ser magistrado de carreira, administrador de escol, participante de todos segmentos da judicatura.
O importante não é querer eternizar o efêmero, mas de intensificar o momento dos convívios. Como ensinava Helder Câmara: "... não é fazer o impossível para parar o tempo, mas aproveitar o tempo para transforma-lo em eternidade." Mas, até nisso, Vossa Excelência é singular, pois sua vida é pontilhada de grandes momentos, portanto, de várias eternidades.
Nesta hora, as palavras são insuficientes para narrar, descrever e portar a conotação de quem se inspira nelas para reproduzir materialmente o abstrato da visão superior.
É suficiente recordar-se que são mais de três décadas de magistratura, de capixaba à candanga. O lastro diuturno de aperfeiçoamento do interior familiar, ao exercício da advocacia e ao magistério penal, tornou Vossa Excelência ímpar na composição do Tribunal de Justiça. Nessa estrada de e da vida, o tempo madureceu as madeixas e sulcou os dédalos faciais na abertura do verdadeiro direito que somente se aperfeiçoa na aplicação da Justiça.
Os conhecimentos fermentados como princípios morais na família como amálgama de sustentação e formação, nas escolas como aluno, nas salas de aula como mestre, nos artigos, livros e nas decisões individuais ou coletivas são hoje luminares a indicar a importância dos desejos buscados concretamente, portanto, fugazes, mas que se estiolam como frutos de boa árvore, ou faróis indicadores de rumos. A convivência com colegas, a correta administração tão perseguida e buscada trescalam agora o perfume dos canteiros em suas pétalas de repositórios valiosos que são caminhos para os que se iniciam e marcos a confirmar a certeza do julgamento dos confrades.
Do agreste Norte de Minas, onde um Rio Pardo dá nome a sua cidade natal até Brasília, tivemos o caminhar entre a seca e os cactus, entre o calor e a forma temperada e sem umidade destas terras centrais. Houve muitas mudanças no mundo, muitas conquistas sociais, muita modificação no fazer justiça. Saímos dos processos manuscritos com pena-de-molhar, luz de candieiro, com torcidas de panos e de cordas de sisal para os lampiões de querosene e de gás butano de Monte Cerúleo e das lindes espinosenses, para máquinas mecânicas de escrever, pois não havia força e luz, mas Vossa Excelência lá se encontrava nas audiências noturnas, nos júris das tépidas madrugadas. Passamos pela computação e pela internet e Vossa Excelência se diz presente na justiça pronta, sem reparos, já em órgãos colegiados do Tribunal. Inserido na massificação dos computadores individuais foi Presidente do Tribunal Regional Eleitoral e, com tenacidade medieval, competência einstaniana e metodologia cartesiana coloca o Distrito Federal entre as parcelas administrativas mais desenvolvidas com menor ônus na relação custo-e-benefício.
Como se observa, Vossa Excelência sobressai pela audácia de ser, humildade em conhecer, alegria em servir e felicidade em conviver. Vossa Excelência e Grande esposa são nossos compadres. Batizou nossos filhos, testemunhou casamentos, cumprimentou a todos nas tradicionais datas. Em tudo compareceu, fazendo um novo desenho, transformando o trivial em fotografias de saudade. Não foi um vento que mexeu, fez barulho e despareceu. É o orvalho que suavizou os sedentos de justiça, criou as hortaliças da esperança aos magistrados que chegam, desenvolveu a sombra que refrigera e descansa os colegas nos bancos da precisão jurídica e da certeza do dever cumprido.
Chegou, agitou e agora se vai, com sorriso da satisfação e o adeus do cargo, mas com a permanente presença do convívio. Concedemos-lhe o direito de dedicar tempos mais alongados a sua família, a final tínhamos que fazer alguma coisa, pelo menos devolvendo o tempo que lhe furtamos.
Sucesso nas novas linhas da página que se vira.
J.MariosA.
Nívio
Ex.mo Presidente.
Ex.ma Procuradora Geral do Ministério Público.
Ex.mos Desembargadores da Corte.
Ex.mo Desembargador Nívio Gonçalves.
Novamente nos reunimos, com o intuito oficioso de despedida e agradecimentos.
Esta é a oportunidade rara de manifestar o sentimento profundo do "obrigado por trabalharmos juntos". Foi um longo perpassar de anos, desde 1976. O mundo girou muitíssimas vezes, passeando pelo zodíaco e outras referências de duração.
Por opção, dá-se o afastamento do ágape e da função, jamais das amizades do órgão em que V.Ex.a se encontra. Estas permanecem in aeternum, porque consagram a simultaneidade do desejo-escolha dos amigos e do conatus em ser magistrado de carreira, administrador de escol, participante de todos segmentos da judicatura.
O importante não é querer eternizar o efêmero, mas de intensificar o momento dos convívios. Como ensinava Helder Câmara: "... não é fazer o impossível para parar o tempo, mas aproveitar o tempo para transforma-lo em eternidade." Mas, até nisso, Vossa Excelência é singular, pois sua vida é pontilhada de grandes momentos, portanto, de várias eternidades.
Nesta hora, as palavras são insuficientes para narrar, descrever e portar a conotação de quem se inspira nelas para reproduzir materialmente o abstrato da visão superior.
É suficiente recordar-se que são mais de três décadas de magistratura, de capixaba à candanga. O lastro diuturno de aperfeiçoamento do interior familiar, ao exercício da advocacia e ao magistério penal, tornou Vossa Excelência ímpar na composição do Tribunal de Justiça. Nessa estrada de e da vida, o tempo madureceu as madeixas e sulcou os dédalos faciais na abertura do verdadeiro direito que somente se aperfeiçoa na aplicação da Justiça.
Os conhecimentos fermentados como princípios morais na família como amálgama de sustentação e formação, nas escolas como aluno, nas salas de aula como mestre, nos artigos, livros e nas decisões individuais ou coletivas são hoje luminares a indicar a importância dos desejos buscados concretamente, portanto, fugazes, mas que se estiolam como frutos de boa árvore, ou faróis indicadores de rumos. A convivência com colegas, a correta administração tão perseguida e buscada trescalam agora o perfume dos canteiros em suas pétalas de repositórios valiosos que são caminhos para os que se iniciam e marcos a confirmar a certeza do julgamento dos confrades.
Do agreste Norte de Minas, onde um Rio Pardo dá nome a sua cidade natal até Brasília, tivemos o caminhar entre a seca e os cactus, entre o calor e a forma temperada e sem umidade destas terras centrais. Houve muitas mudanças no mundo, muitas conquistas sociais, muita modificação no fazer justiça. Saímos dos processos manuscritos com pena-de-molhar, luz de candieiro, com torcidas de panos e de cordas de sisal para os lampiões de querosene e de gás butano de Monte Cerúleo e das lindes espinosenses, para máquinas mecânicas de escrever, pois não havia força e luz, mas Vossa Excelência lá se encontrava nas audiências noturnas, nos júris das tépidas madrugadas. Passamos pela computação e pela internet e Vossa Excelência se diz presente na justiça pronta, sem reparos, já em órgãos colegiados do Tribunal. Inserido na massificação dos computadores individuais foi Presidente do Tribunal Regional Eleitoral e, com tenacidade medieval, competência einstaniana e metodologia cartesiana coloca o Distrito Federal entre as parcelas administrativas mais desenvolvidas com menor ônus na relação custo-e-benefício.
Como se observa, Vossa Excelência sobressai pela audácia de ser, humildade em conhecer, alegria em servir e felicidade em conviver. Vossa Excelência e Grande esposa são nossos compadres. Batizou nossos filhos, testemunhou casamentos, cumprimentou a todos nas tradicionais datas. Em tudo compareceu, fazendo um novo desenho, transformando o trivial em fotografias de saudade. Não foi um vento que mexeu, fez barulho e despareceu. É o orvalho que suavizou os sedentos de justiça, criou as hortaliças da esperança aos magistrados que chegam, desenvolveu a sombra que refrigera e descansa os colegas nos bancos da precisão jurídica e da certeza do dever cumprido.
Chegou, agitou e agora se vai, com sorriso da satisfação e o adeus do cargo, mas com a permanente presença do convívio. Concedemos-lhe o direito de dedicar tempos mais alongados a sua família, a final tínhamos que fazer alguma coisa, pelo menos devolvendo o tempo que lhe furtamos.
Sucesso nas novas linhas da página que se vira.
J.MariosA.