Juíza Lilia Vieira - Solenidade de Titularização de Magistrados
Excelentissimo sr. Desembargador OTAVIO AUGUSTO, eminente presidente deste EG TJDF;
Excelentissimo sr. Desembargador SÉRGIO BITTENCOURT, eminente Corregedor de Justiça DO TJDFT, DEMAIS DESEMBARGADORES
Excelentissimo sr. PEDRO YUNG TANG, Juiz de Direito, na pessoa de quem saúdo os demais colegas magistrados;
Senhoras e senhores, caros familiares, amigos, servidores da casa e todos aqueles que aqui estão para conosco compartilhar de momento tão importante em nossas carreiras.
"O que é o bom, o belo e o justo senão a conveniência do mais forte?"
A desconcertante pergunta de Trasímaco a Sócrates encontra eco nos corredores de nossos fóruns até os dias de hoje. Dias esses nos quais o olhar da sociedade inspira a convicção de que vivemos tempos de poucas esperanças.
Isso porque a "bondade" parece estar sofrendo de uma fragmentariedade sem precedentes. Afinal, ao mesmo tempo em que o que é "bom" se mostra evidente no plano subjetivo, onde cada um é convicto do que é melhor para si, o "bom" se mostra profundamente turvo no plano coletivo. E nesse sentido as compreensões morais de mundo seguem sua marcha de escolhas como que alheias à realidade de que o melhor para um pode não ser o melhor para os demais.
O "bem comum", a "vontade do povo" são expressões que, por vezes, aparentam vazias, inalcançáveis ou até mesmo inexistentes. Perante esse cenário, teríamos de responder a Trasímaco, de fato o que é "bom" tem se confundido com a conveniência do individualismo que se apresenta muito mais forte que os insipientes lampejos de amor e solidariedade.
Vivemos tempos de poucas esperanças também porque a "beleza" tem se esvaziado. As mídias de massa, veículos produtores e propagandistas de nossa cultura estética contemporânea, são especialistas em fazer sentir sem refletir.
As pessoas têm sido alienadas da faculdade de perceber a beleza com os próprios olhos, trocando a sensibilidade pela utilidade daqueles que financiam a aparente despretensiosa indústria do entretenimento. O "belo", haveremos de responder a Trasímaco, nos aparenta ter sucumbido à tirania do mercado e da eficiência econômica.
E o justo? Essa é a pergunta que, acredito eu, mais nos aflige desde mesmo antes nossa posse como juízas de direito substitutos. Nossa pátria nos outorga hoje, como representantes do Estado que somos na qualidade de Juízas de Direito, prerrogativas com o escopo de que sejamos valentes guardiãs desse valor tão caro à sociedade. Ao refletir sobre o que é justo, reafirmo neste momento e o faço em meu nome e de minhas colegas Wanessa e Luciana, oito anos após nossa posse como juízas substitutas, o firme propósito de exercer a função com intrepidez, arvorando a mensagem de que o império da Lei jamais se submeterá ao império da força, da utilidade ou da mesquinhez.
Hoje abraçamos novamente a Magistratura, agora como juízas de direito, com a mesma vontade, com os mesmos sonhos e com os mesmos ideais de oito anos atrás. As armas, que tentam nos intimidar ceifando a vida de nossos colegas, não irão subverter nossas convicções, nosso ofício e muito menos nosso dever de sermos justos.
Por amor à escolha que fizemos, diremos, por meios de nossas decisões, o quanto baste, e sem temor, que o justo não há de se confundir com a conveniência da violência que demonstra sua força à debilidade de nossos corpos. Muito pelo contrário, com integridade de caráter e o grande desejo de fazer com que as armas cedam às togas, mostraremos que o vigor de nossos ideais transcende à fragilidade de nossas vidas. Aos diversos ouvidos que esperam ouvir a resposta do judiciário mostraremos, pelos nossos atos, que a justiça não é a conveniência do mais forte.
Forçoso reconhecer que esta busca incessante pela justiça não seria possível, porém, sem o apoio estrutural daqueles que amamos e é por isso que gostaríamos de fazer alguns agradecimentos, numa tentativa, talvez, de minimizar nossas constantes e inevitáveis ausências em razão da carreira que escolhemos. Por isso, gostaríamos de manifestar nosso reconhecimento e agradecimento àqueles que participaram da construção desse sonho que se transmudara em realidade. O agradecimento inicial é endereçado a Deus, que, nos deu a vida, nos escolheu e nos preparou para aqui estarmos.
A nossos pais, Antonio e Fátima (coloca os nomes), nossos primeiros educadores, exemplos de vida, de integridade, de doação incondicional e de força.
Aos maridos e namorados, Edson, Henaldo e , que com carinho e de forma solidaria, compartilham conosco as alegrias e angústias decorrentes do exercício de nossas atividades. Quando se tem um companheiro de jornada todas as dificuldades, que, conquanto inerentes à vida, são imprevisíveis, se tornam mais fáceis de serem contornadas. Assim é que esta conquista hoje alcançada é também de vocês.
Aos nossos filhos, Letícia, Marianas e Guilherme, tesouros de nossa existência, para os quais esperamos deixar a lição de que o maior legado é o do exemplo e da educação.
Aos amigos, que com carinho, tornam a jornada menos pesada.
Aos servidores, auxiliares indispensáveis para o exercício de nossas atividades judicantes.
Encerro minhas palavras manifestando o mais sincero desejo de que o número cada vez mais crescente dos feitos e das estatísticas não nos tire a clareza de que somos procurados por pessoas que anseiam por justiça e não por petições que pedem um provimento jurisdicional qualquer. Tragamos conosco a aptidão de nos aproximarmos dos fatos sociais com empatia, sem o uso estratégico da nossa linguagem, tão repleta de bondade e beleza quando utilizada com sensibilidade e engajamento social.
Sejamos sempre dignas da nobreza do cargo que ocupamos, agindo com a responsabilidade que lhe é inerente, e quem sabe assim continuaremos levando esperança aos que ansiosamente esperam que o direito julgue sempre com justiça, porque, como disse Martin Luther King "A injustiça em qualquer lugar é uma ameaça à justiça por toda parte".
OBRIGADA.
Excelentissimo sr. Desembargador SÉRGIO BITTENCOURT, eminente Corregedor de Justiça DO TJDFT, DEMAIS DESEMBARGADORES
Excelentissimo sr. PEDRO YUNG TANG, Juiz de Direito, na pessoa de quem saúdo os demais colegas magistrados;
Senhoras e senhores, caros familiares, amigos, servidores da casa e todos aqueles que aqui estão para conosco compartilhar de momento tão importante em nossas carreiras.
"O que é o bom, o belo e o justo senão a conveniência do mais forte?"
A desconcertante pergunta de Trasímaco a Sócrates encontra eco nos corredores de nossos fóruns até os dias de hoje. Dias esses nos quais o olhar da sociedade inspira a convicção de que vivemos tempos de poucas esperanças.
Isso porque a "bondade" parece estar sofrendo de uma fragmentariedade sem precedentes. Afinal, ao mesmo tempo em que o que é "bom" se mostra evidente no plano subjetivo, onde cada um é convicto do que é melhor para si, o "bom" se mostra profundamente turvo no plano coletivo. E nesse sentido as compreensões morais de mundo seguem sua marcha de escolhas como que alheias à realidade de que o melhor para um pode não ser o melhor para os demais.
O "bem comum", a "vontade do povo" são expressões que, por vezes, aparentam vazias, inalcançáveis ou até mesmo inexistentes. Perante esse cenário, teríamos de responder a Trasímaco, de fato o que é "bom" tem se confundido com a conveniência do individualismo que se apresenta muito mais forte que os insipientes lampejos de amor e solidariedade.
Vivemos tempos de poucas esperanças também porque a "beleza" tem se esvaziado. As mídias de massa, veículos produtores e propagandistas de nossa cultura estética contemporânea, são especialistas em fazer sentir sem refletir.
As pessoas têm sido alienadas da faculdade de perceber a beleza com os próprios olhos, trocando a sensibilidade pela utilidade daqueles que financiam a aparente despretensiosa indústria do entretenimento. O "belo", haveremos de responder a Trasímaco, nos aparenta ter sucumbido à tirania do mercado e da eficiência econômica.
E o justo? Essa é a pergunta que, acredito eu, mais nos aflige desde mesmo antes nossa posse como juízas de direito substitutos. Nossa pátria nos outorga hoje, como representantes do Estado que somos na qualidade de Juízas de Direito, prerrogativas com o escopo de que sejamos valentes guardiãs desse valor tão caro à sociedade. Ao refletir sobre o que é justo, reafirmo neste momento e o faço em meu nome e de minhas colegas Wanessa e Luciana, oito anos após nossa posse como juízas substitutas, o firme propósito de exercer a função com intrepidez, arvorando a mensagem de que o império da Lei jamais se submeterá ao império da força, da utilidade ou da mesquinhez.
Hoje abraçamos novamente a Magistratura, agora como juízas de direito, com a mesma vontade, com os mesmos sonhos e com os mesmos ideais de oito anos atrás. As armas, que tentam nos intimidar ceifando a vida de nossos colegas, não irão subverter nossas convicções, nosso ofício e muito menos nosso dever de sermos justos.
Por amor à escolha que fizemos, diremos, por meios de nossas decisões, o quanto baste, e sem temor, que o justo não há de se confundir com a conveniência da violência que demonstra sua força à debilidade de nossos corpos. Muito pelo contrário, com integridade de caráter e o grande desejo de fazer com que as armas cedam às togas, mostraremos que o vigor de nossos ideais transcende à fragilidade de nossas vidas. Aos diversos ouvidos que esperam ouvir a resposta do judiciário mostraremos, pelos nossos atos, que a justiça não é a conveniência do mais forte.
Forçoso reconhecer que esta busca incessante pela justiça não seria possível, porém, sem o apoio estrutural daqueles que amamos e é por isso que gostaríamos de fazer alguns agradecimentos, numa tentativa, talvez, de minimizar nossas constantes e inevitáveis ausências em razão da carreira que escolhemos. Por isso, gostaríamos de manifestar nosso reconhecimento e agradecimento àqueles que participaram da construção desse sonho que se transmudara em realidade. O agradecimento inicial é endereçado a Deus, que, nos deu a vida, nos escolheu e nos preparou para aqui estarmos.
A nossos pais, Antonio e Fátima (coloca os nomes), nossos primeiros educadores, exemplos de vida, de integridade, de doação incondicional e de força.
Aos maridos e namorados, Edson, Henaldo e , que com carinho e de forma solidaria, compartilham conosco as alegrias e angústias decorrentes do exercício de nossas atividades. Quando se tem um companheiro de jornada todas as dificuldades, que, conquanto inerentes à vida, são imprevisíveis, se tornam mais fáceis de serem contornadas. Assim é que esta conquista hoje alcançada é também de vocês.
Aos nossos filhos, Letícia, Marianas e Guilherme, tesouros de nossa existência, para os quais esperamos deixar a lição de que o maior legado é o do exemplo e da educação.
Aos amigos, que com carinho, tornam a jornada menos pesada.
Aos servidores, auxiliares indispensáveis para o exercício de nossas atividades judicantes.
Encerro minhas palavras manifestando o mais sincero desejo de que o número cada vez mais crescente dos feitos e das estatísticas não nos tire a clareza de que somos procurados por pessoas que anseiam por justiça e não por petições que pedem um provimento jurisdicional qualquer. Tragamos conosco a aptidão de nos aproximarmos dos fatos sociais com empatia, sem o uso estratégico da nossa linguagem, tão repleta de bondade e beleza quando utilizada com sensibilidade e engajamento social.
Sejamos sempre dignas da nobreza do cargo que ocupamos, agindo com a responsabilidade que lhe é inerente, e quem sabe assim continuaremos levando esperança aos que ansiosamente esperam que o direito julgue sempre com justiça, porque, como disse Martin Luther King "A injustiça em qualquer lugar é uma ameaça à justiça por toda parte".
OBRIGADA.