Presidente do TJDFT, Des. Otávio Barbosa, proferido durante aposição da foto do Desembargador Nívio Gonçalves
Hoje é um dia de júbilo para o Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios, pois, irmanados, prestamos uma justa homenagem ao nosso querido Desembargador Nívio Geraldo Gonçalves, que me antecedeu na Presidência desta Corte.
A simples leitura da biografia do homenageado já consumiria enorme tempo, coisa tão escassa nos dias de hoje. Por isso, peço licença para salientar apenas os pontos mais marcantes.
Nívio Geraldo Gonçalves nasceu em Minas Gerais, na aprazível Rio Pardo de Minas, onde conheceu suas primeiras letras, transferindo-se em 1951 para Montes Claros, município em que cursou os primeiro e segundo graus. Formou-se em Direito na Faculdade Federal de Juiz de Fora em 1967.
Ainda em Juiz de Fora, casou-se com Maria Zélia de Carvalho Gonçalves, em março de 1968, completando neste mês quarenta e três anos de um bonito enlace. Da união, nasceram Cristiane, hoje dentista, e as bacharéis em Direito Aline e Michelle. O casal criou, ainda, com o mesmo carinho, Cristine, pedagoga e advogada.
O Dr. Nívio exerceu a advocacia em Montes Claros, ocupando os cargos de Assessor Jurídico da Associação Comercial e Industrial e o de Procurador Municipal. Advogou, ainda, para instituições bancárias. Abraçou o magistério na Faculdade de Direito do Norte de Minas, lecionando na cadeira de Direito Penal, daí sua familiaridade com a matéria, mesmo exercendo suas funções na área cível.
Logrou êxito no concurso público para o cargo de Promotor de Justiça do Estado do Espírito Santo.
Porém, Brasília significava o sonho de realização profissional e não tardou para que o jovem Nívio se dispusesse a enfrentar a carreira que sempre almejara. Após excruciante concurso, tomou posse no honroso cargo de Juiz de Direito Substituto do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios, no longínquo ano de 1979.
Em 31 de outubro de 1981, foi titularizado na Vara Criminal da Circunscrição Judiciária do Gama. No ano seguinte, foi removido a pedido para a Vara de Menores de Brasília, hoje 1ª Vara da Infância e da Juventude, oportunidade em que começou a demonstrar um talento que hoje todos reconhecem: o de grande administrador.
Neste longo período, publicou diversos trabalhos em revistas especializadas, escrevendo, em parceria, os livros: "Conselho Tutelar", "Justiça da Infância e da Juventude" e "Liberdade Assistida", tendo proferido palestras em diversas Unidades da Federação.
Em 29 de novembro de 1991, foi chamado em definitivo, por merecimento e à unanimidade, para tomar assento no Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios.
Sempre preocupado com a classe, presidiu a AMAGIS/DF no biênio 1995/1996, oportunidade em que realizou uma profícua gestão.
O Desembargador Nívio Gonçalves possui inúmeras condecorações, merecendo destaque, dentre outras, a de Cidadão Honorário de Brasília e Personalidade do Ano de 1992, na área da Justiça.
Eleito Corregedor da Justiça do Distrito Federal e dos Territórios, no biênio 2000/2002, Corregedor Eleitoral na gestão 2002/2004 e Presidente do TRE/DF entre os anos de 2008 e 2010, imprimiu a marca da competência e honradez como selo identificador de todos esses cargos exercidos.
Em março de 2008, veio o coroamento definitivo da vitoriosa carreira: sua eleição para a Presidência deste colendo TJDFT, motivo de nossa merecida homenagem na tarde de hoje, pois passaremos a contar com sua foto na honrosa galeria de Ex-Presidentes da Casa, imortalizando sua presença em nossas mentes e corações.
Como Presidente do TJDFT, Sua Excelência demonstrou o que já há muito se sabia, sua administração seria marcada pelo dinamismo, profissionalismo e defesa intransigente do interesse público.
Repito neste momento o que disse por ocasião de minha posse na Presidência:
"O eminente Desembargador Nívio Geraldo Gonçalves é sabidamente homem culto, justo, probo e administrador nato. Devemos agradecer de público a forma honrada e eficiente com que o eminente Desembargador liderou este Tribunal."
Dentre as inúmeras ações que marcaram sua gestão, merece destaque a aprovação da nossa Lei de Organização Judiciária, que possibilitou a posse de dezenas de Magistrados e milhares de servidores. Sem a habilidade de Sua Excelência, não poderíamos, no dias de hoje, estar funcionando na plenitude com que a sociedade nos exige.
Com o advento da nova Lei, o TJDFT pôde finalmente se expandir e criou diversas unidades judiciais e administrativas imprescindíveis ao bom funcionamento da Casa. Destaco, dentre outras, a criação de inúmeras Varas, o aumento de mais um cargo de Assessor para o Gabinete dos senhores Desembargadores e a implantação do Instituto de Formação Luiz Vicente Cernicchiario, reconhecido centro de excelência dentre as chamadas "faculdades coorporativas" no serviço público.
Acentuo, por oportuno, que a gestão do Desembargador Nívio conviveu com minuciosas auditorias externas que terminaram por concluir o que de todos já era consabido: a Casa vinha sendo administrada de forma absolutamente correta.
Para mim, suceder o Presidente Nívio, além de um desafio, é uma enorme tranquilidade, pois Sua Excelência deixou o Tribunal de Justiça em ordem. Tanto que fiz questão de incorporar ao meu plano bienal várias ações iniciadas na gestão que se findara, pois tenho o firme entendimento de que as boas práticas administrativas devam ser continuadas.
Meu prezado amigo Nívio, esta solenidade de hoje não deixa de ter um gosto amargo de antecipada saudade. Vossa Excelência, em breve, deixará nosso convívio diário. Ficará para nós, seus colegas, a ausência do trato cortês, da palavra amiga e da convivência harmoniosa. Os servidores desta Casa certamente irão guardar na memória os gestos de afeto e o respeito que sempre foram marca indelével de sua personalidade. Para os jurisdicionados, a perda é ainda maior, pois deixarão de contar com um dos seus mais céleres e competentes julgadores.
Tenho certeza, Senhor Desembargador, que Vossa Excelência irá gozar de um merecido descanso. O mineiro Nívio irá desfrutar da convivência familiar que tanto preza, até encontrar as forças necessárias para abraçar, se assim o desejar, uma nova carreira. Se o fizer, sabemos que sua caminhada será vitoriosa, como todas as ações que já empreendeu em sua vida. Caso opte por "pendurar a chuteiras", expressão popular que marca a aposentadoria dos craques, fica a convicção de que todos saberão respeitar sua decisão, ainda que a lamentem.
Agora, livre das centenas de processos que clamam sua decisão, O Juiz Nívio poderá se dedicar, ainda mais, à família que tanto ama. O pai, marido e avô dedicado, continuará zelando por sua exemplar família.
Desembargador Nívio, peço licença para citar uma reflexão escrita pelo poeta Paulo Roberto Gaefke, que retrata muito bem a sua passagem por este Tribunal e reflete um desejo sincero de toda a Casa no caminho que Vossa Excelência passará a percorrer em breve:
"Por onde quer que você vá, leve a alma cheia de delicadeza, gestos amorosos de gentileza, uma palavra amiga que conforta, um exercício diário de paciência, um amor próprio que contagia."
Seremos eternamente agradecidos por tudo o que Vossa Excelência fez pelo tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios.
Que Deus o abençoe hoje e sempre!
Muito obrigado!
A simples leitura da biografia do homenageado já consumiria enorme tempo, coisa tão escassa nos dias de hoje. Por isso, peço licença para salientar apenas os pontos mais marcantes.
Nívio Geraldo Gonçalves nasceu em Minas Gerais, na aprazível Rio Pardo de Minas, onde conheceu suas primeiras letras, transferindo-se em 1951 para Montes Claros, município em que cursou os primeiro e segundo graus. Formou-se em Direito na Faculdade Federal de Juiz de Fora em 1967.
Ainda em Juiz de Fora, casou-se com Maria Zélia de Carvalho Gonçalves, em março de 1968, completando neste mês quarenta e três anos de um bonito enlace. Da união, nasceram Cristiane, hoje dentista, e as bacharéis em Direito Aline e Michelle. O casal criou, ainda, com o mesmo carinho, Cristine, pedagoga e advogada.
O Dr. Nívio exerceu a advocacia em Montes Claros, ocupando os cargos de Assessor Jurídico da Associação Comercial e Industrial e o de Procurador Municipal. Advogou, ainda, para instituições bancárias. Abraçou o magistério na Faculdade de Direito do Norte de Minas, lecionando na cadeira de Direito Penal, daí sua familiaridade com a matéria, mesmo exercendo suas funções na área cível.
Logrou êxito no concurso público para o cargo de Promotor de Justiça do Estado do Espírito Santo.
Porém, Brasília significava o sonho de realização profissional e não tardou para que o jovem Nívio se dispusesse a enfrentar a carreira que sempre almejara. Após excruciante concurso, tomou posse no honroso cargo de Juiz de Direito Substituto do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios, no longínquo ano de 1979.
Em 31 de outubro de 1981, foi titularizado na Vara Criminal da Circunscrição Judiciária do Gama. No ano seguinte, foi removido a pedido para a Vara de Menores de Brasília, hoje 1ª Vara da Infância e da Juventude, oportunidade em que começou a demonstrar um talento que hoje todos reconhecem: o de grande administrador.
Neste longo período, publicou diversos trabalhos em revistas especializadas, escrevendo, em parceria, os livros: "Conselho Tutelar", "Justiça da Infância e da Juventude" e "Liberdade Assistida", tendo proferido palestras em diversas Unidades da Federação.
Em 29 de novembro de 1991, foi chamado em definitivo, por merecimento e à unanimidade, para tomar assento no Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios.
Sempre preocupado com a classe, presidiu a AMAGIS/DF no biênio 1995/1996, oportunidade em que realizou uma profícua gestão.
O Desembargador Nívio Gonçalves possui inúmeras condecorações, merecendo destaque, dentre outras, a de Cidadão Honorário de Brasília e Personalidade do Ano de 1992, na área da Justiça.
Eleito Corregedor da Justiça do Distrito Federal e dos Territórios, no biênio 2000/2002, Corregedor Eleitoral na gestão 2002/2004 e Presidente do TRE/DF entre os anos de 2008 e 2010, imprimiu a marca da competência e honradez como selo identificador de todos esses cargos exercidos.
Em março de 2008, veio o coroamento definitivo da vitoriosa carreira: sua eleição para a Presidência deste colendo TJDFT, motivo de nossa merecida homenagem na tarde de hoje, pois passaremos a contar com sua foto na honrosa galeria de Ex-Presidentes da Casa, imortalizando sua presença em nossas mentes e corações.
Como Presidente do TJDFT, Sua Excelência demonstrou o que já há muito se sabia, sua administração seria marcada pelo dinamismo, profissionalismo e defesa intransigente do interesse público.
Repito neste momento o que disse por ocasião de minha posse na Presidência:
"O eminente Desembargador Nívio Geraldo Gonçalves é sabidamente homem culto, justo, probo e administrador nato. Devemos agradecer de público a forma honrada e eficiente com que o eminente Desembargador liderou este Tribunal."
Dentre as inúmeras ações que marcaram sua gestão, merece destaque a aprovação da nossa Lei de Organização Judiciária, que possibilitou a posse de dezenas de Magistrados e milhares de servidores. Sem a habilidade de Sua Excelência, não poderíamos, no dias de hoje, estar funcionando na plenitude com que a sociedade nos exige.
Com o advento da nova Lei, o TJDFT pôde finalmente se expandir e criou diversas unidades judiciais e administrativas imprescindíveis ao bom funcionamento da Casa. Destaco, dentre outras, a criação de inúmeras Varas, o aumento de mais um cargo de Assessor para o Gabinete dos senhores Desembargadores e a implantação do Instituto de Formação Luiz Vicente Cernicchiario, reconhecido centro de excelência dentre as chamadas "faculdades coorporativas" no serviço público.
Acentuo, por oportuno, que a gestão do Desembargador Nívio conviveu com minuciosas auditorias externas que terminaram por concluir o que de todos já era consabido: a Casa vinha sendo administrada de forma absolutamente correta.
Para mim, suceder o Presidente Nívio, além de um desafio, é uma enorme tranquilidade, pois Sua Excelência deixou o Tribunal de Justiça em ordem. Tanto que fiz questão de incorporar ao meu plano bienal várias ações iniciadas na gestão que se findara, pois tenho o firme entendimento de que as boas práticas administrativas devam ser continuadas.
Meu prezado amigo Nívio, esta solenidade de hoje não deixa de ter um gosto amargo de antecipada saudade. Vossa Excelência, em breve, deixará nosso convívio diário. Ficará para nós, seus colegas, a ausência do trato cortês, da palavra amiga e da convivência harmoniosa. Os servidores desta Casa certamente irão guardar na memória os gestos de afeto e o respeito que sempre foram marca indelével de sua personalidade. Para os jurisdicionados, a perda é ainda maior, pois deixarão de contar com um dos seus mais céleres e competentes julgadores.
Tenho certeza, Senhor Desembargador, que Vossa Excelência irá gozar de um merecido descanso. O mineiro Nívio irá desfrutar da convivência familiar que tanto preza, até encontrar as forças necessárias para abraçar, se assim o desejar, uma nova carreira. Se o fizer, sabemos que sua caminhada será vitoriosa, como todas as ações que já empreendeu em sua vida. Caso opte por "pendurar a chuteiras", expressão popular que marca a aposentadoria dos craques, fica a convicção de que todos saberão respeitar sua decisão, ainda que a lamentem.
Agora, livre das centenas de processos que clamam sua decisão, O Juiz Nívio poderá se dedicar, ainda mais, à família que tanto ama. O pai, marido e avô dedicado, continuará zelando por sua exemplar família.
Desembargador Nívio, peço licença para citar uma reflexão escrita pelo poeta Paulo Roberto Gaefke, que retrata muito bem a sua passagem por este Tribunal e reflete um desejo sincero de toda a Casa no caminho que Vossa Excelência passará a percorrer em breve:
"Por onde quer que você vá, leve a alma cheia de delicadeza, gestos amorosos de gentileza, uma palavra amiga que conforta, um exercício diário de paciência, um amor próprio que contagia."
Seremos eternamente agradecidos por tudo o que Vossa Excelência fez pelo tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios.
Que Deus o abençoe hoje e sempre!
Muito obrigado!