Posse do des. Alfeu Gonzaga Machado - Presidente, Desembargador João Mariosi
Brasília, 21 de setembro de 2012
Excelentíssimos Senhores Desembargadores Primeiro Vice-Presidente do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios, Sérgio Bittencourt; Segundo Vice-Presidente, Lecir Manoel da Luz; Corregedor da Justiça do Distrito Federal, Dácio Vieira; nas pessoas de quem cumprimento todos os demais magistrados presentes e autoridades.
Ilustres familiares do nobre Desembargador empossado; senhoras e senhores.
Em nome do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios, congratulo o nosso mais recente desembargador, Dr. Alfeu Gonzaga Machado.
Mais um mineiro assume tão insigne cargo nesta gestão à frente da Corte de Justiça mais antiga do país. Há pouco tempo, recebemos a Drª Simone e, hoje, nesta tarde, o ilustre Dr. Alfeu Gonzaga.
Orgulhamo-nos de que nossas Gerais tenham mais uma representatividade nesta Casa. Por razões históricas, afirma-se que os mineiros são determinados. Determinação constitui virtude indispensável ao exercício da magistratura, e determinação foi a força propulsora que trouxe o Doutor Alfeu aqui, hoje, para tomar posse em um cargo para o qual possui vocação natural.
Homem diligente e expedito, franco e dinâmico é o seu conatus existendi. De presença e de palavras fortes, soube segurar com vigor as oportunidades que a vida lhe deu, e quando a vida não as concedeu, foi em busca delas.
Filho de Dona Anatália e de Seu Miguel Arcanjo, criado entre cinco irmãos na pequena Itutinga, ao Sul das Gerais, perto das cidades de Pouso Alegre, três Corações e da Campanha. Seus pais o ensinaram, desde cedo, o valor e a necessidade de se trabalhar arduamente não somente para sobreviver, mas também para crescer em domínio próprio, em fortaleza, em decisão. Dona Anatália e Seu Arcanjo ensinavam pelo exemplo, pois mineiro fala pouco, mas diz muito nos seus silêncios e nas suas ações.
Assim, o trabalho duro foi o alicerce sobre o qual, dia a dia, o menino Alfeu construía a certeza de que poderia alçar outros voos, pois era ousado, e ávido por novas paisagens. Mineiro, como o afirmava Tristão de thayde,
gosta de estar no espigão das serras para contemplar as alturas e as distâncias, depois desce o monte vai trabalhar a sua faina. De Itutinga, o adolescente alarga os horizontes em Lavras, onde fez seus estudos secundários em colégio evangélico. De Lavras, “TERRA DOS IPÊS E DAS ESCOLAS”, seu antigo professor José Alves o cumprimenta, deixando-o seguir em caminhos permeados por dificuldades que não o abatiam, antes o incentivavam a lutar por seus objetivos, o jovem se dirigiu para Uberlândia e obtém o grau de bacharel em Direito, enquanto trabalhava como escrevente no Fórum daquela comarca.
Como escrevente no Fórum de Uberlândia, outro arcanjo o acompanhou e por ele zelou: o Juiz de Direito Dr. José Elias Fonseca, que via o empenho de seu servidor e acreditava no potencial do “Gonzaga” para a carreira jurídica. Não media esforços para auxiliá-lo, inclusive com livros jurídicos, que eram muito caros à época.
Esses arcanjos na vida do Dr. Alfeu já partiram para outras dimensões. Mas de onde estiverem, encantados – pois, como dizia Guimarães Rosa, as pessoas não morrem, ficam encantadas – certamente resplandecem de orgulho do Gonzaga, pois, vejam, ele não os decepcionou.
E assim, o Dr. Alfeu se tornou Bacharel em Direito, advogado, professor da Universidade Federal de uberlândia, mestrando em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, juiz de direito, Desembargador Eleitoral, Desembargador.
Recentemente, atuava na 5ª Vara de Família de Brasília e exercia a função de Diretor do Fórum, administrando-o com muita competência, sendo reconhecido como um dos diretores mais atuantes e produtivos com os quais já pudemos contar. Parabéns, Dr. Alfeu!
A partir de hoje, o Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios se orgulhará de sua participação nos
julgamentos de Segundo Grau. Seremos beneficiados não somente de sua vasta experiência, mas também dessa determinação propulsora que, acredito, contagiará a todos nós.
Não poderia me esquecer de parabenizar e enaltecer a esposa do Dr. Alfeu, Dona Geralda Maria, e os filhos, Alfredo e Lígia: foram a base sólida que garantiu ao Desembargador a serenidade para exercer a magistratura. Sabemos o quanto uma família bem estruturada representa para que o magistrado possa desempenhar o seu múnus com equilíbrio.
Já que toda data é importante, fixando passados, abrindo o instantâneo do presente e buscando o futuro que sempre é o melhor, relembro: O Poder Judiciário é um poder, que surge dos embates da sociedade e ali se pontifica para minorá-los ou resolvê-los. Ou seja, é um poder diuturno do ser combativo. A Justiça que o povo busca está mais no consentimento de convivência e partilha do que um ideal. A Justiça é um abstrato que se modifica diacrônicamente.
Há os que se aproveitam e seus dédalos para a prática do mal, na certeza de que a punição a ser imposta observará parâmetros protetivos. No tempo dos romanos, Cícero já advertia que o máximo da Justiça, é uma
injustiça grave: máxima justitia, summa injuria.
O filósofo russo Steimberg, em 1906, já ensinava que há mil maneiras de se fazer a injustiça, sem violar
nenhuma lei. Realmente evoluímos de um milênio para outro. Nas Minas Gerais, Benedito Valadares já aconselhava Getúlio Vargas: aos amigos tudo, aos outros a lei. No mundo globalizado já existem os
que pactuam o tudo para os infratores e para as vítimas o direito, se o conseguirem.
Nesse arancel jurídico inicia Vossa Excelência, que restrição do poder judicante que passa de singular para
coletivo. O Decido de ontem, será o de acordo para o futuro, que já começou.
Da direção do fórum, Vossa Excelência passa a gestão compartilhada do Poder Judiciário do Distrito Federal Finalizo essas palavras com os versos de um poeta rondoniense, talvez pouco conhecido, Augusto Branco: Bom mesmo é ir à luta
Com determinação
Vencer com ousadia
Porque o mundo pertence
A quem se atreve E a vida é muito
Para ser insignificante.
Muito obrigado!