Juíza Soníria Rocha Campos D’Assunção - Posse Turma Recursal

por ACS — publicado 2017-03-17T11:28:00-03:00

(Brasília-DF, 13 de março de 2017)

Juíza Soníria Rocha Campos D’Assunção

 

     Excelentíssimo Sr. Presidente do egrégio Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios, eminente Desembargados Mário Machado, Excelentíssimos Senhores Desembargadores, juízes de direito e demais autoridades presentes, ilustres servidores da Casa, queridos familiares e amigos.

      Falar da magistratura e do  que ela significa para nós é como falar da nossa própria vida.     Porque de tal forma se mistura a ela, há exatos 23 anos. 1 mês e 10 dias, que com ela se confunde.

      Na nossa rotina, passamos mais tempo no nosso trabalho do que com nossos familiares ou em qualquer outro lugar.

     Quantas coisas se passaram, desde 3 de fevereiro de 1995, quando eu e meus nobres amigos Eustaquio, Fabrício e Almir, todos da mesma turma de concurso, tomávamos posse como juízes de direito substitutos do Tribunal de Justiça do Distrito Federal.

     Tomo a liberdade e peço licença aos meus caros amigos empossados para compartilhar um sentimento que, creio, era comum a todos, naquele dia.

     Um pouco mais jovens, ansiávamos por realizar o nosso ideal de justiça e não podíamos conter a emoção e o entusiasmo. Tudo estava envolvido numa atmosfera de encantamento e emoção de nos tornarmos um instrumento de transformação social, por meio de decisões que, desejávamos, se não ou pudessem mudar o mundo, ao menos mudaria a vida das pessoas a quem fossem dirigidas.

      Quanta expectativa, satisfação, alegria r, até mesmo, um certo temos reverencial nos envolvia naquele momento.Sentíamos como um soldado valente que iria levantar a espada pela primeira vez a -nossa caneta- e daria um grito de guerra para enfrentar o inimigo.

     Era a realização de um sonho.

     Sonhos...é exatamente sobre eles que eu gostaria de falar brevemente neste instante.

     A começar da minha própria história, lembro-me de como o sonho de ser juíza era tal que,aos 9 anos de idade, pedi minha mãe para me levar ao Tribunal para conhecer um juiz. Pois, no meu imaginário infantil, ele tinha cabelos brancos enrolados e usava um martelo na mão.Digo isso porque o meu sonho nasceu na infância, porém aprendi que sonhos nascem em qualquer momento e fase da vida.Não tem idade. E possuem uma característica interessante: sempre nos impulsionam a prosseguir, a não desistir de seguir um caminho e a lutar pelo que acreditamos.

    Quando tomamos posse, por mais que desejássemos aquele momento tão especial, os nossos sonhos, como é óbvio, não acabaram ali. Pelo contrário começamos a trabalhar por ele.

     E foi na lida cotidiana que constatamos, como é natural da vida, que nem tudo, ao longo desses anos, correu exatamente como imaginávamos. 

     Vieram as batalhas do dia-a-dia. Algumas foram vencidas. Em outras, fracassamos.

     Diversas alegrias, conquistas... e muitas decepções.

     Várias vezes, acertamos o alvo, fizemos gols de placa.

     Em outras, falhamos, erramos a mira e perdemos o jogo.

     E, em meio a tudo isso, pergunto: quando dos nossos sonhos temos deixado morrer ?

     Esta posse nos fez refletir;;;e, diante desses novos desafios, renovamos nossos sonhos e nos deixamos ser renovados por eles. Reascendemos as nossas expectativas, ajustamos os nossos passos e sentimos a chama daquele dia novamente arder no peito.

     Estamos prontos. Os sonhos não são estanques; eles nascem, crescem, e nunca devem morrer, assim como não morreram em nós.

   Descobri que nossos sonhos de justiça é, na verdade, é um ideal, do próprio Deus, pois Jesus, no sermão da montanha, afirmou serem bem-aventurados, felizes, os que tem fome e sede de justiça, prometendo que seriam fartos.

    De coração, agradecemos profundamente áqueles que nos apóiam, incentivam e caminham conosco nessa jornada.

    Muito obrigada.