"O sistema de Justiça que emergirá desse momento de crise será mais transparente, eficiente e acessível"

Juiz Jayder Ramos Araújo, coordenador do Laboratório de Inovação do TJDFT
por ACS — publicado 2021-04-13T15:24:00-03:00

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No início do mês de outubro de 2020, mais precisamente no dia 2 daquele mês, era lançado o Laboratório de Inovação do Judiciário do DF - o Aurora. A implantação do laboratório foi o primeiro projeto estratégico idealizado e concluído nesta gestão, o que é motivo de grande orgulho. Sob as premissas de colaboração, empatia e experimentação, e com o objetivo de desenvolver soluções hábeis para aperfeiçoar os serviços da Justiça, a  unidade é coordenada pelo Juiz de Direito e Assistente da Presidência do TJDFT Jayder Ramos de Araújo, que nos fala nessa entrevista sobre essa importante iniciativa. 

 

O TJDFT passa, certamente, por uma transformação na sua forma de trabalhar, centrado na evolução tecnológica e na ampla conectividade, cenário antecipado em decorrência da pandemia da Covid-19. Que impacto essa mudança traz aos membros do Judiciário e à sociedade em geral?

Nesse momento, todos assistimos a uma transformação profunda nas relações de trabalho e no dia a dia das pessoas. A tecnologia, sem dúvida, tem sido uma das grandes responsáveis por isso. Em nosso Tribunal, por exemplo, a manutenção da prestação jurisdicional em patamares de excelência só foi possível em razão de quase 100% do acervo de processos da Corte já se encontrarem digitalizados. A realização e transmissão ao vivo de sessões e audiências, bem como o atendimento remoto das partes e advogados, também se tornaram realidade pela adoção de novas ferramentas de trabalho e investimento constante em evolução tecnológica. Assim, em que pese todos os desafios impostos pela pandemia, nossa experiência tem demonstrado que o sistema de Justiça que emergirá desse momento de crise será mais transparente, eficiente e acessível.

 

Nesse contexto, a implantação de laboratórios de inovação vem se consolidando como uma boa prática no Judiciário, diante da necessidade de modernizar a entrega da prestação judicial. Mas o que o jurisdicionado pode esperar de um laboratório de inovação?

O diferencial de um laboratório de inovação é o foco no usuário. No contexto do Poder Judiciário, esse espaço busca trazer para dentro dos Tribunais as expectativas e necessidades da sociedade, a fim de proporcionar uma prestação jurisdicional mais aderente aos anseios sociais. Para isso, o laboratório se vale de processos de colaboração, empatia e experimentação, que se apoiam na reunião de diferentes pessoas e ideias organizadas para um objetivo comum, que, no nosso caso, é aproximar a Justiça do cidadão.

 

Lançado em outubro do ano passado, num cenário bastante desafiador, o laboratório Aurora está prestes a completar seis meses de implantação. Já é possível fazer um balanço das atividades realizadas desde então?

Nesses primeiros meses, o Aurora, cumprindo sua vocação de sempre atuar com foco no usuário, buscou conhecer a percepção do público interno e externo e ouviu mais de 220 magistrados e servidores, além de 2 mil advogados e jurisdicionados sobre o atendimento prestado pela Casa, consolidando-se como uma ponte entre o Tribunal e a sociedade. O Laboratório também realizou encontros com vários Tribunais, tanto da esfera estadual como federal, com o objetivo de compartilhar experiências e boas práticas, atuando como facilitador. Nesse sentido, ele tem se mostrado um grande promotor do diálogo entre as áreas e coordenador de esforços, trabalhando de forma colaborativa, com escuta ativa e visão sistêmica, para o alcance dos objetivos do Tribunal. E essa atuação colaborativa tem se tornado uma marca fundamental do Aurora. Após contribuir para a implantação do Balcão Virtual, no momento, o Laboratório está trabalhando no design de serviços a serem ofertados na modalidade digital, além de ter recentemente lançado mais um grande desafio, a Expedição 4.0, que buscará desenvolver soluções inovadoras na área de expedição de documentos e cumprimento de mandados.

 

A Expedição 4.0 integra os processos de trabalho do Cartório 4.0, que desponta como principal projeto do Aurora, e teve seu pioneirismo reconhecido pelo Secretário-Geral do Conselho Nacional de Justiça - CNJ, Valter Shuenquener. Qual o objetivo do Cartório 4.0 e qual a sua principal contribuição ao Judiciário?

De início, é importante destacar que o nome do programa foi inspirado na quarta revolução industrial, mais conhecida como Indústria 4.0, que representou um salto da humanidade na sua relação com a máquina. Nesse contexto, o Programa Cartório 4.0 foi criado para auxiliar o TJDFT na transição para a era digital, a partir do desenvolvimento de soluções inovadoras para modernizar as atividades cartorárias. Assim, acredito que a grande contribuição desse programa seja colocar a tecnologia a serviço da prestação jurisdicional, de acordo com os anseios e necessidades da sociedade, a fim de criarmos novos horizontes às atividades cartorárias e judiciárias das Cortes de Justiça.

 

Atendimento ao público foi o tema eleito como o primeiro desafio a ser enfrentado para a implantação do Cartório 4.0. E no tocante a esse assunto, o Aurora teve papel fundamental também na recente implantação do Balcão de Atendimento Virtual do TJDFT. Como foi essa experiência?

Nesse projeto, o Aurora mediou o contato e contribuiu para a atuação conjunta das equipes de tecnologia da informação (TI), servidores das unidades jurisdicionais, Ouvidoria e áreas de atendimento ao jurisdicionado. Atuar com equipes diversas unidas por um desafio em comum foi uma experiência muito enriquecedora, uma vez que uma das atividades assumidas pelo Aurora  foi facilitar a comunicação entre as unidades envolvidas, buscando o alinhamento e a integração de todos. Além disso, o Aurora teve uma participação intensa no aperfeiçoamento da experiência do usuário, promovendo a simplificação da linguagem adotada e do próprio caminho a ser percorrido para acessar a plataforma. Nesse contexto, foram elaborados pelo Laboratório o Manual de Instalação do Fundo Institucional, utilizado na padronização das salas virtuais, o Manual de Acesso ao Balcão Virtual do público externo e o Manual do Balcão Virtual, este último em parceria com a área de TI. Com o Balcão instalado, o Aurora tem se dedicado a coletar feedback de magistrados, servidores, partes e advogados, com vistas à melhoria contínua da ferramenta.

O TJDFT tem se destacado pela utilização de Inteligência Artificial em vários projetos, conforme constatado também pelo CNJ. O Aurora já vislumbra a utilização de IA em algum de seus projetos?

Atualmente, o Aurora tem auxiliado o desenvolvimento do Sistema de Apresentação Remota com Reconhecimento Facial – SAREF, projeto de inteligência artificial de autoria do Serviço de Ciência de Dados – SERCID em resposta à demanda da Vara de Execuções das Penas em Regime Aberto – VEPERA. A participação do Laboratório se concentra no aperfeiçoamento da experiência do usuário, a partir do design tanto das telas do sistema que serão apresentadas nos totens de autoatendimento como do próprio modelo de suporte físico do equipamento, observando acessibilidade, linguagem simples e inclusão. Considerando os avanços que se pretende realizar na prestação jurisdicional ofertada por nosso Tribunal, vislumbro grandes oportunidades de utilização da inteligência artificial e de outras tecnologias em projetos futuros do Aurora.

   

Apesar de haver um espaço físico destinado ao laboratório de inovação do TJDFT, no térreo do Fórum de Brasília, o trabalho remoto imposto pela pandemia da Covid-19, fez com que o site do Aurora seja, atualmente, seu principal canal de comunicação com os colaboradores. Como tem sido feita essa interação com os usuários e como as pessoas interessadas podem participar?

O Aurora nasceu na pandemia e, desde o seu início, tem realizado todas as suas atividades no meio remoto. Esse, sem dúvida, foi um dos grandes desafios enfrentados pelo Laboratório, pois sua atuação tem como premissa o contato com os usuários dos serviços do Tribunal, contato esse drasticamente reduzido em face da Covid-19. Mas como uma das premissas do Laboratório é se reinventar, dessa vez não foi diferente. Assim, o Laboratório se valeu de todas as mídias e espaços remotos disponíveis para se comunicar com o usuário, a partir de análises prévias de qual seria a melhor ferramenta para cada público. O site tem sido o maior repositório de informações acerca das atividades do Aurora, enquanto as videoconferências têm sido bastante utilizadas em oficinas com o público interno. O contato com o público externo, por outro lado, tem sido realizado por meio de consultas na internet, no Instagram e até pelo sistema do Processo Judicial Eletrônico (PJe). Vale destacar que é constante a busca pelo aperfeiçoamento da comunicação do Aurora e, no momento, estamos explorando a solução do Microsoft 365 recentemente adquirida pelo Tribunal para verificamos como podemos utilizá-la para esse propósito.

Para todos aqueles que gostaram de tudo que leram até aqui e desejam contribuir com o Aurora, basta acessar o site www.auroralab.tjdft.jus.br e se inscrever nos nossos projetos!