Apenas um réu do caso Cachoeira se dispôs a falar em audiência no TJDFT

por JAA — publicado 2012-08-01T19:10:00-03:00

Gleyb Ferreira Cruz, que está preso na Papuda, foi o único réu que se dispôs a falar na audiência de instrução, realizada hoje, 1º/8, na 5ª Vara Criminal de Brasília. Ele confirmou que trabalhava para Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira, analisando a viabilidade de negócios das empresas do grupo com governos e outras empresas. Caso um negócio fosse concretizado, ele ganhava comissão. Essa comissão não era fixa.

Ele foi interrogado pela juíza que conduz o processo, e pelos promotores. A juíza leu um trecho das diversas escutas telefônicas, que foram realizadas com autorização judicial, no qual Cachoeira diz para ele que “nesse aí tem que ser cinqüenta a cinqüenta”.

Gleyb explicou que se tratava da tentativa do grupo de participar de uma licitação para compra de tornozeleiras eletrônicas que seria realizada em Goiânia. Segundo ele, o que Carlinhos estava dizendo é que se eles conseguissem intermediar a compra, seria 50% para a empresa que produz as tornozeleiras e cinqüenta por cento para o grupo de Cachoeira.

Em outra oportunidade, os promotores perguntaram o que significava um trecho da conversa entre ele e Cachoeira, no qual era mencionada a possibilidade de o grupo ter acesso antecipado a um edital de licitação e até de alterá-lo da forma como eles quisessem. Gleyb afirmou que se tratava apenas de uma tentativa dele de mostrar ao seu chefe que estava no comando do processo, nada mais do que isso.

O depoimento fez parte da audiência de instrução no processo a que ele, Carlinhos Cachoeira, Claudio Dias Abreu, Heraldo Puccini Neto, Valdir dos Reis, Geovani Pereira da Silva, Dagmar Alves Duarte e Wesley da Silva respondem por tráfico de influência e formação de quadrilha.

Ao final da audiência, o advogado de Gleyb pediu que a sua prisão preventiva fosse substituída por outra medida cautelar. O advogado de Geovani Pereira da Silva também pediu que o decreto de prisão preventiva de seu cliente, que se encontra foragido, fosse revogado. O ministério público pediu vistas para analisar os pedidos, antes de uma decisão da juíza.

Ao depor na condição de testemunha de acusação, o Secretário de Transportes do GDF, José Walter, afirmou conhecer três diretores do DFTRANS, ao responder perguntas de um dos promotores do caso. Sobre a relação entre DFTRANS e a Secretaria de Transportes, ele disse que monitorava os contratos de bilhetagem eletrônica, desde meados de junho de 2011, por Decreto do Governador, e que a licitação para contratar operadora de bilhetagem era de responsabilidade do DFTRANS e todo o processo licitatório foi publicado na internet para dar transparência ao processo. Afirmou ter conhecido Cláudio Abreu, quando era funcionário de uma empresa de construção. Disse não conhecer o réu Gleyb, mas disse ter participado de uma reunião com o outro réu Heraldo Puccini e que também conhece o réu Valdir dos Reis. Negou conhecer os réus Dagmar Alves Duarte e Wesley Silva. Disse ter tido uma reunião com Valdir dos Reis e Heraldo Puccini com um representante de uma empresa coreana, para mostrar o sistema de bilhetagem, solicitada por Valdir, um dos réus no caso Cachoeira.

Ele respondeu às perguntas do promotor sobre a licitação de bilhetagem, que corria em paralelo a licitação para a compra de novos ônibus. Ele afirmou que a licitação da bilhetagem envolvia, na época, 60 milhões de reais, mas que hoje poderia ocorrer por 1/3 disso. Esse valor era apenas para a instalação do sistema, e não o valor a ser pago todo mês. Negou ter tido reunião fora da Secretaria com qualquer um dos envolvidos no processo, a não ser com Waldir. Nessa reunião com Waldir, disse que a Delta tinha um representante coreano. Disse não ter recebido nenhuma proposta sobre o caso, e se soubesse de qualquer irregularidade denunciaria. Sustentou que receberia qualquer empresa para tratar do assunto da licitação de bilhetagem, se dentro da Secretaria.

O outro a falar na condição de testemunha de acusação foi Milton Martins, funcionário do DFTrans, que negou conhecer todos os réus. Ele era Diretor Administrativo Financeiro. Ele informou que participava das decisões do DFTrans, e que a bilhetagem era operada pela Fácil. Disse que o GDF encampou o sistema de bilhetagem que passou a ser operado pelo DFTrans. Indagado pelo Promotor sobre como conhecia o funcionamento da bilhetagem, disse que foi formado um grupo de funcionários do DFTrans para conhecer o funcionamento do sistema de bilhetagem,  operado pela empresa Transdata. Sustentou que ao sair do DFTrans, ainda não havia sido decidido como seria o processo de licitação do sistema de bilhetagem. Afirmou que assistiu a uma apresentação de Gleyb sobre um projeto de sistema de bilhetagem, assim como assistiu a outras. Chegou a apresentar um pen drive com a apresentação de Gleyb e da empresa coreana, que foi dada a ele naquela reunião. Também foram ouvidas as testemunhas Ricardo José Alves e José Antônio Ramalho, em defesa do réu Valdir dos Reis.

A próxima audiência para interrogatório dos réus foi marcada para o dia 29/8 às 14h. Os réus querem que mais uma testemunha seja ouvida por carta precatória.

Processo: 2012.01.1.051163-4