Ética médica e desafios à sustentabilidade dos planos de saúde foram os temas de hoje no Seminário Saúde Suplementar
Responsabilidade profissional, ética médica e desafios à sustentabilidade dos planos de saúde foram os temas abordados, nesta quinta-feira, 28/6, durante o segundo dia do Seminário Saúde Suplementar - Desafios da Judicialização, promovido pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios - TJDFT, por meio da Escola de Administração Judiciária - Instituto Ministro Luiz Vicente Cernicchiaro.
Com o objetivo de aprimorar os conhecimentos técnicos sobre a saúde suplementar e discutir os desafios da judicialização da saúde, o seminário será realizado até sexta-feira, 29/6, no período da manhã, no Auditório Sepúlveda Pertence, bloco A do Fórum Desembargador Milton Sebastião Barbosa, em Brasília.
O vice-presidente do Conselho Federal de Medicina - CFM, Carlos Vital Tavares Corrêa, destacou, em sua apresentação, resoluções do CFM e o Código de Ética Médica, o qual, em seu capítulo III, art. 20, diz que o médico, no exercício da profissão, não permitirá que interesses pecuniários, políticos, religiosos ou quaisquer outros interfiram na escolha dos melhores meios de prevenção, diagnóstico ou tratamento disponíveis e cientificamente reconhecidos de interesse da saúde do paciente ou da sociedade. Segundo pesquisa do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo, que analisou o relacionamento dos médicos paulistas com a indústria de medicamentos, órteses, próteses e equipamentos médico-hospitalares, 93% dos médicos recebem benefícios de empresas farmacêuticas e de equipamentos.
Para reforçar o compromisso ético dos médicos com os pacientes e com a sociedade, Corrêa citou Guimarães Rosa: “Ninguém entre nós, para bem de todos, representa os exemplares do médico comercializado, taylorizado, standardizado, aperfeiçoadissima machina mercantil de diagnósticos (...)”. O vice-presidente do CFM destacou, ainda, que “o passo a passo para ser um bom médico é afastar-se da sala de aula e aproximar-se dos ambulatórios e das enfermarias”.
Já a médica e especialista em Gestão de Saúde e Auditoria, Alba Valéria Fleury, falou sobre os desafios à sustentabilidade dos planos de saúde. “O custo da medicina chegará a um valor infinito se continuarmos utilizando a tecnologia como fazemos”, ressaltou. Segundo Fleury, hoje, as consultas estão sendo substituídas por exames, muitas vezes, desnecessários. Além disso, os pacientes ficam mais tempo nas Unidades de Tratamento Intensivo - UTI, enquanto podiam estar em quartos; e os médicos estão prescrevendo remédios e procedimentos mais caros, com a mesma eficiência dos mais baratos. Tudo isso, aliado ao envelhecimento da população brasileira, que, segundo a especialista, está chegando a padrões europeus, faz com que seja cada vez mais difícil custear a medicina.
Por fim, o professor e doutor em Direito pela Universidade de São Paulo – USP, Ivo Gico Júnior, abordou a função social do Judiciário e a imposição da cobertura aos planos de saúde. A esse respeito, Gico destacou as consequências advindas dessa imposição, como o aumento do preço do seguro e a diminuição de opções de planos.
Confira o currículo dos palestrantes e a programação do evento no site da Escola.