Ex-mulher e envolvidos na morte de policial vão a júri
O Tribunal do Júri de Ceilândia leva a julgamento nesta segunda-feira, 27/5, a partir das 8h30, duas mulheres e um homem acusados de envolvimento no homicídio de um sargento da Polícia Militar do DF, em julho de 2010, na QNO 9 de Ceilândia. O motivo do crime seria a intenção de sua ex-mulher, apontada como mandante, de ficar com a pensão do marido.
Segundo a denúncia, a partícipe Elismária Correia Pinheiro, previamente acordada com um menor, “prestou auxílio para que este efetuasse disparos de arma de fogo contra a vítima Luís Ramos Urcino”. Relata que a vítima estava dentro de seu carro conversando com uma amiga, quando Elismária e o menor chegaram ao local, perguntando informações sobre a quadra em que estavam. Então, o menor teria sacado a arma e efetuado disparos contra Luís, matando-o. Para a acusação, o crime teve como mandantes Patrícia Abreu Urcino e Jeová Rodrigues dos Santos, “sendo que o valor acordado para que houvesse a morte da vítima seria de sessenta mil reais (R$ 60.000,00)”. “Apurou-se, outrossim”, conclui o MP, “que o crime foi praticado mediante recurso que dificultou a defesa da vítima, pois Luís Ramos Urcino foi surpreendido e alvejado por disparo de arma de fogo quando se encontrava no interior do veículo”. Testemunha ouvida durante a instrução processual afirmou que Elismária teria permanecido parada olhando para a esquina, o que, segundo a decisão de pronúncia, poderia evidenciar “sua intenção de dar auxílio para o êxito da empreitada”.
A vítima e a suposta mandante do crime foram casados por cerca de 17 anos e encontravam-se em processo de separação judicial, estando separados de fato há mais de um ano antes do crime. Depois da separação, Patrícia teria passado a viver com Jeová. Consta do processo que o policial havia comunicado a duas pessoas que vinha sofrendo ameaças da ex-mulher por causa da divisão dos bens do casal, pois ela desejaria ficar com todos os bens, apesar de ele ter a guarda dos filhos. Uma outra testemunha afirmou que Patrícia teria dito que ficaria recebendo a pensão do ex-marido. O menor autor dos disparos contou que fora contratado para executar a vítima.
Patrícia, 40 anos, Jeová, 29, e Elismária, 22, foram pronunciados para responder perante júri popular por participação em homicídio qualificado por motivo torpe e mediante recurso que dificultou a defesa da vítima (artigo 121, § 2º, incisos I e IV, na forma do artigo 29, ambos do Código Penal).
Processo nº 2010.03.1.023271-2