Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios

As testemunhas de defesa do ex-deputado distrital Carlos Xavier são ouvidas

por VS — publicado 07/04/2014

O deputado Wellington Silva foi a primeira testemunha da defesa do ex deputado distrital Carlos Xavier a depor. Ele disse que, na época do crime, conversou com Leandro, já condenado no processo, no Departamento de Polícia Especializada, em companhia de outras pessoas. De acordo com o depoente, Leandro, a princípio, disse que o crime tinha sido um latrocínio e depois afirmou que era homicídio. 

Em seguida, houve o depoimento da segunda testemunha de defesa, Miguel, que afirmou que tinha um comércio perto da delegacia e por este motivo mantinha amizade com policias. Ele disse que a amizade próxima com os policiais lhe permitia saber detalhes da investigação. 

O policial civil Hertz Caldas, terceira testemunha, afirmou que teve conhecimento de que o crime se tratava de latrocínio e que queriam incriminar o réu. Caldas lembrou que solicitou que a equipe dele investigasse o crime na época, mas outra delegacia comandou a investigação. Hertz afirmou que viu o delegado Damião perguntar várias vezes para Xavier se ele tinha envolvimento no crime, o que foi negado. Hertz contou que viu Xavier dizer que, se fosse matar todos que tiveram caso com sua ex, teria que matar metade de Samambaia. 

A quarta testemunha de defesa, o policial Luiz, disse ter se comovido com a história do réu. 

A última testemunha de defesa foi Laerte Bessa, Diretor Geral da Polícia Civil à época dos fatos, que afirmou não acreditar no envolvimento do acusado no crime. Bessa disse acreditar que a advogada de Leandro aconselhou o cliente a modificar a dinâmica do crime para abrandar sua pena. O depoente afirmou que, durante investigações, não acharam nenhum vínculo entre o suposto mandante e autores do crime. Apontando para o réu, Bessa afirmou: "Tenho maior certeza do mundo que esse homem ali é inocente". O Ministério Público questionou Bessa se, na condição de advogado, orientaria o réu a mudar o crime de latrocínio para homicídio, mas ele negou. O Promotor questionou se, quando Diretor da Polícia, Bessa fez uso de escuta ilegal, mas ele também negou.

Xavier é acusado de ser o mandante da execução de um adolescente. O motivo do crime, segundo a denúncia, estaria ligado à vida conjugal do réu. O ex-deputado responde por homicídio qualificado por recurso que dificultou a defesa da vítima (artigo 121, § 2º, inciso IV, c.c o artigo 29, ambos do Código Penal).

O julgamento prossegue agora com o interrogatório do réu.

 

Processo nº 2004.09.1.002546-4