Réus são ouvidos em audiência da “Caixa de Pandora”

por AF — publicado 2014-04-11T20:10:00-03:00

Depois de diversas tentativas de adiamento por parte das defesas dos réus, começou às 16h de hoje, 11/4, na 2ª Vara da Fazenda Pública do DF, o interrogatório de alguns dos supostos envolvidos no esquema de corrupção no governo do Distrito Federal, conhecido como Caixa de Pandora.

Estavam previstos os depoimentos dos réus Marcelo Toledo, do delator Durval Barbosa e do ex-governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda. No entanto, só os dois primeiros foram ouvidos, visto que a audiência se estendeu até as 22h10. A oitiva do ex-governador Arruda foi, então, redesignada para o dia 9 de maio, às 13h.

Além dos mencionados réus, também estiveram presentes os patronos dos réus Domingos Lamoglia, Omésio Pontes e do ex-governador do Distrito Federal, Joaquim Domingos Roriz, que não compareceram.

O primeiro a ser ouvido foi o ex-policial civil Marcelo Toledo, que informou ao juiz que, embora tivesse muito a falar, usaria seu direito constitucional de permanecer calado.

Às 16h15 começou a oitiva do delator do esquema delitivo, Durval Rodrigues Barbosa, que confirmou tudo que já falara em outros processos da mesma operação. Durante seu depoimento, três vídeos foram apresentados. Eles fazem parte do conjunto probatório usado pelo MPDFT na denúncia. 

No primeiro, Durval entrega a Arruda um pacote com 50 mil reais, segundo ele oriundo de “propina paga por empresas de informática”, que seria para despesas pessoais de Arruda. No segundo vídeo, aparecem Omésio Pontes e Domingos Lamoglia, "principais assessores de Roriz", recebendo de Durval vários pacotes de dinheiro para projetos de jornais alternativos, gráfica e Jornal da Comunidade, com a finalidade de financiar a campanha de Arruda para o pleito de 2006. No terceiro vídeo, aparecem Omésio Pontes e Marcelo Toledo entregando a Durval a quantia de R$110 mil, arrecadados da empresa Logan, no ano de 2009. O montante serviria para pagar escritórios de campanha mantidos por Arruda em Samambaia e na 502 Sul. 

Durval deixou claro que o esquema de arrecadação começou em 2002, depois que Arruda pediu ajuda a Roriz para "bater Paulo Octávio nas eleições ao governo do DF no ano de 2006". A propina, de acordo com ele, correspondia a 10% do valor dos contratos, que geralmente eram firmados na modalidade emergencial e com dispensa de licitação.

Além da área de informática, que era comandada por Durval, o esquema arrecadava propina de outras áreas: contratos da CEB, contratos da área de comunicação etc. Segundo Durval, de 2003 a 2009, passaram por sua mão cerca de 170 milhões arrecadados de propina só na área de informática.

Ainda segundo Durval, até 2006, Paulo Octávio não teria se beneficiado com o esquema. Mas, a partir de 2007,  já como vice-governador, ele também passou a se beneficiar.

A oitiva de Durval durou cerca de 6 horas.

 

Processo: 2011.01.1.188322-4