Ouvidas as testemunhas de acusação do ex-deputado Carlos Xavier

por VS — publicado 2014-04-07T15:10:00-03:00

O ex-deputado distrital Carlos Pereira Xavier está sendo julgado nesta segunda feira, dia 7/4, pelo Tribunal do Júri de Samambaia. O ex-deputado é acusado de ser o mandante da execução de um adolescente em março de 2004, nas imediações de uma parada de ônibus, no Recanto das Emas. O réu responde por homicídio qualificado por recurso que dificultou a defesa da vítima (artigo 121, § 2º, inciso IV, c.c o artigo 29, ambos do Código Penal).

A denúncia foi apresentada pelo Procurador-Geral da Justiça do MPDFT. Na denúncia, o “auxiliar nos negócios ilícitos”, conhecido como Risadinha, de 52 anos à época, capoeirista e bicheiro, foi apontado como a pessoa com quem Xavier teria ajustado o crime. O motivo do crime, segundo a denúncia, estaria ligado à vida conjugal do réu.

O julgamento começou com a leitura da denúncia e com a oitiva das testemunhas arroladas pelo Ministério Público. A primeira testemunha a depor foi a ex-mulher de Xavier. Ela afirmou que nunca teve um relacionamento amoroso com a vítima. Ela negou envolvimento com a vítima, mas afirma ter tido um relacionamento com o amigo da vítima, à época com 18 anos. A testemunha pediu para ser ouvida com o plenário vazio e sem a presença do réu. 

Em seguida, houve o depoimento da segunda testemunha. A vizinha da família de Xavier afirmou ter visto, por diversas vezes, a ex do réu com menores. A testemunha diz que ex de Xavier presenteava os meninos e levava drogas e bebidas para eles. Em resposta à inquirição da Defesa, a testemunha disse que nunca viu o réu fazer ameaças para alguém. 

A terceira testemunha arrolada pelo Ministério Público a depor foi a mãe do amante da ex-mulher de Xavier. Ela afirmou ter ouvido o acusado dizer que a situação do envolvimento da mulher com rapazes iria ser resolvida.  Disse que o filho era comprado pela ex do acusado com créditos de celular, drogas e presentes. Disse, ainda, que, certa vez, presenciou o acusado muito nervoso com a situação da mulher.

Em seguida, começou o depoimento da quarta testemunha de acusação, a mãe de Ewerton da Rocha Ferreira (vítima do processo). A mãe da vítima iniciou o depoimento afirmando que Carlos Xavier proferiu ameaças ao seu filho, disse que o ex-deputado apontou o dedo para seu filho e disse, também, para tomar cuidado por mexer com a mulher dos outros. A mãe afirmou, ainda, que  o acusado chegou a dizer que várias pessoas tinham lhe oferecido serviços para "lavar a honra". A mãe da vítima afirmou ter recebido uma visita inesperada de Xavier em sua casa e presenciou o ex-deputado ameaçar seu filho. 

O pai da vítima foi ouvido em Plenário. Ele foi a última testemunha arrolada pelo Ministério Público. O pai de Ewerton diz ser verdade o relacionamento amoroso do filho adolescente com a mulher de Xavier. Emocionado, disse que o ex-deputado ameaçou seu filho de morte dentro de sua casa e disse, ainda, que várias pessoas se ofereceram para matar Ewerton. Declarou que 15 dias antes da morte do filho encontrou com Xavier na igreja e se trataram cordialmente, e que tempo depois soube que, na ocasião, o crime já estava encomendado.

Processo nº 2004.09.1.002546-4