Decretada prisão preventiva de membros do MRP ocupantes do hotel Torre Palace

por BEA — publicado 2015-12-03T18:40:00-03:00

O juiz do Núcleo de Audiências de Custódia do TJDFT decretou a prisão preventiva de 8 membros do Movimento Resistência Popular Pelo Direito à Cidade.

Os indiciados Edson Francisco da Silva, Ylka Conceição de Carvalho, Edmilson Gonçalves do Nascimento, Berto Florencio dos Santos, Gilson Arcanjo da Silva, Diego Barbosa de Souza, Valdenilson Alves da Silva e Sandra Pereira Meireles foram presos em flagrante, pela prática, em tese, de crimes previstos na  Lei 12.850/2013, por constituírem uma organização criminosa.

O magistrado registrou que já havia investigação tramitando na 2ª Vara Criminal de Samambaia onde são apuradas a ocorrência de diversos crimes pelos indiciados, como extorsão, tráfico de drogas, porte ilegal de armas: “O procedimento investigativo deflagrado perante a 2ª Vara Criminal de Samambaia apontou, a partir de depoimentos, para a ocorrência de extorsões ocorridas no interior do Movimento de Resistência Popular. De acordo com as informações, os líderes do movimento exigiam dinheiro das famílias participantes do movimento. A partir desses depoimentos, instaurou-se procedimento de interceptação telefônica, apontando a participação de todos os indiciados nos fatos. Uma das testemunhas relatou que foi ameaçada por BERTO, EDMILSON e GILSON, a mando de EDSON. No caso de SANDRA, esposa de GILSON, foram encontradas armas em seu poder,  por ocasião do cumprimento do mandado de busca e apreensão. Ainda de acordo com os indícios, YLKA transportava armas de fogo a pedido de EDSON até a casa de GILSON e, anteriormente, havia participado de furtos em um hotel. Na casa de FRANCINALDO e de VALDENILSON foram encontradas listas com o nome de pessoas beneficiárias de auxílios do governo e alvo das extorsões. No mais, na casa de FRANCINALDO foi encontrada a quantia de R$26,000 (vinte e seis mil  reais). Na posse de VALDENILSON foi localizado um envelope com R$250,00 (duzentos e cinquenta reais), com o nome de uma pessoa, havendo indícios de que se trata de pagamento oriundo das extorsões. Na residência de DIEGO foi encontrada uma balança de precisão e, segundo depoimentos dos policiais, ele praticava tráfico de drogas dentro do movimento e, conforme afirmado por ele, chegou a guardar armas de fogo pertencentes a EDSON. Como se vê, há indícios da ocorrência de extorsões e liame subjetivo entre todos os indiciados, que delas participaram em maior ou menor medida, notadamente diante do que foi dito por testemunhas e do que foi apurado nas interceptações. Trata-se a extorsão de delito grave, mormente nas circunstâncias em que foi praticado, tomando-se dinheiro de famílias carentes que recebem benefícios do governo. Não bastasse isso, as informações dão conta de que a conduta era comum e praticada reiteradamente.”

O movimento MRP continua ocupando o hotel Torre Palace. A reintegração já foi determinada, mas o mandado de reintegração foi recolhido temporariamente, para que os autores cumpram algumas determinações do juiz, referentes à sua legitimidade processual.

Processo: 2015.01.1.136849-0

Processo: 2015.09.1.026455-4


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