Projeto esportivo apoiado pela VIJ-DF amplia número de vagas para atender crianças acolhidas

por LC/SECOM/VIJ-DF — publicado 2015-06-05T14:15:00-03:00

Projeto esportivo apoiado pela VIJ-DFProjeto Gol - Transformando vidas pretende, por meio da VIJ-DF, inserir mais 25 crianças em oficinas esportivas

Hoje é um dia alegre, pois vou ter a oportunidade de fazer futebol de campo e academia." Com essa fala, o adolescente descendente de Pataxó Rodrigo*, de 16 anos, expressou seu contentamento em participar do Projeto Gol –  Transformando vidas, apoiado pela Vara da Infância e da Juventude do DF (VIJ-DF), por meio do seu programa de voluntariado, Rede Solidária Anjos do Amanhã. O Projeto oferece oficinas esportivas a 41 crianças e adolescentes das entidades de acolhimento do DF. A intenção é abrir mais 25 vagas para esse público, para os adolescentes indicados pelo Conselho Tutelar do Guará e para os filhos de terceirizados do TJDFT, até o fim do ano. A Rede Solidária atua indicando as crianças e os adolescentes beneficiados das entidades de acolhimento, bem como volunários para o Projeto.

Na manhã da última terça-feira, 2 de junho, Rodrigo*, as outras 40 crianças do Projeto e mais alguns novatos estiveram no Clube da Celacap, próximo ao Casa Park, para fazer o treino habitual e também para participar de uma aula experimental das novas modalidades que serão oferecidas. Inicialmente trabalhando com futebol de campo, a organização ampliou as atividades e agora vai ofertar futebol de salão, judô para ambos os sexos e academia, que foi montada e patrocinada pela rede Runway. A intenção é disponibilizar também natação, assim que conseguirem um instrutor para se juntar ao time de cinco voluntários que hoje levam a iniciativa para frente.

Para o professor de judô e voluntário iniciante do Projeto Eduardo Almeida, esses meninos são joias que precisam ser lapidadas . “Espero de verdade que eles tenham interesse e que a gente consiga fechar uma turma, às terças e quintas. O judô desenvolve a disciplina, a autoestima, a amizade, o companheirismo, além de mostrar que podem ter sucesso em tudo que fizerem na vida, basta se dedicar”, diz o voluntário indicado pela Rede Solidária Anjos do Amanhã.

Representantes da Bancorbrás também estiveram no clube para conhecer a iniciativa e, quem sabe, estreitar parcerias. A assessora do Instituto Bancorbrás Leandra Santos disse que para este ano o apoio pode ficar um pouco limitado por conta do Planejamento Estratégico de 2015, que já está fechado. Entretanto, para o ano que vem, novas parcerias poderão ser estabelecidas. “Gostamos muito do que vimos. Vamos tentar alguma ajuda ainda este ano. Mas, para 2016, poderemos dar um apoio maior, por meio de parcerias”, diz.

Antes de abrir a aula experimental de futebol de salão feminino, a coordenadora da atividade, de 23 anos, Daniele Mendes, fez um discurso de empoderamento, fé e garra às adolescentes que ouviram atentamente as palavras da líder. “Acreditem, um dia estarei aqui para ver o sucesso de vocês. Podem contar comigo para o que precisarem. Eu sei o quanto é difícil fazer com que as pessoas acreditem na gente. Mas eu acredito em vocês e vocês também devem acreditar em vocês”, conclamou a professora, acompanhada pelo instrutor Adenil Santos, que completou a fala dizendo que vão trabalhar ancorados nos três “F”: Foco, Força e Fé.

Pioneiro do Projeto, o instrutor de futebol de campo Flávio da Silva diz que é visível a mudança de comportamento dos meninos desde que começou a treiná-los, em setembro de 2014. “Acho que por ter muita carência afetiva, esses meninos acolhidos chegam aqui com dificuldades de relacionamento e, às vezes, dificuldades cognitivas. Alguns são agressivos. O que faço é canalizar esses sentimentos para o esporte. No início, eles se desentendiam por tudo, agora conseguem administrar os sentimentos e a agressividade”, diz.

O professor também relata que fala muito com os garotos sobre a questão dos relacionamentos. “Falo que não basta ser bom de bola. Tem que ser parceiro, amigo e saber ganhar e perder”, diz o treinador abraçado a um de seus pupilos, Rafael*, de 9 anos. O garoto tem o sonho de se profissionalizar e jogar na seleção do Santos. Se depender do professor, isso vai acontecer, com certeza, já que, além de voluntário no Projeto, é sócio proprietário da Escolinha do Santos, uma franquia oficial, que funciona no mesmo clube.

Ele diz que há mais de 20 anos atua na área do futebol e que, ao ver o alcance do Projeto, resolveu abrir mão de dois dias por semana da Escolinha para treinar os meninos acolhidos. “Por obrigação contratual, temos que fazer um trabalho social e reservar 10% das vagas para alunos carentes. Contudo, percebemos que isso não era suficiente para atender as crianças em acolhimento. Então, com base na amizade e na parceria, vamos abrir mão por dois dias do Santos para o Gol – Transformando vidas, já que o futebol é um grande movimento de transformação social”, conclui.

Tudo nasceu de um sonho

O Projeto Gol – Transformando vidas nasceu do sonho da servidora do Tribunal de Justiça do DF Deiza Carla Leite. Depois de trabalhar por 16 anos na VIJ-DF, percebeu que poderia fazer algo, fora do contexto laboral, pelas crianças e adolescentes das entidades de acolhimento.

Arregaçou as mangas e fundou, em setembro de 2014, o Projeto focado no esporte inclusivo e na cultura, com a finalidade de desenvolver a formação integral dos meninos acolhidos, dando-lhes oportunidades de praticarem um esporte e de formarem novos referenciais.

Hoje, treinam no clube 41 crianças e adolescentes das entidades de acolhimento Casa de Ismael, Nosso Lar e Aldeias Infantis. Segundo Deiza, o Projeto caminha graças ao apoio e à dedicação de voluntários, mas precisa de ajuda para atingir a meta de atender 70 crianças ainda este ano. Deiza diz que se realiza ajudando-as. “O Projeto Gol – Transformando vidas é a realização de um sonho. Construí uma vida profissional e familiar edificante e que me trouxe muitas alegrias. Agora que os filhos estão criados, pude me dedicar a esse sonho. Sinto que contribuo para um começar diferente na vida deles. Essas crianças precisam de referenciais novos, de se profissionalizar e de ter um novo olhar sobre a vida”, conclui.

Você também pode contribuir, ajudando no transporte das crianças para as aulas, na compra dos kits de uniforme, do material para os treinos (cones, bolas, coletes) e de tatames ou ainda sendo voluntário (preferencialmente nas áreas de Educação Física e Administração). Se quiser ajudar, ligue para 9658-0889 ou mande um e-mail para deiza.leite@tjdft.jus.br.

 

*Nomes fictícios em respeito ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).