Servidores da Justiça Infantojuvenil trocam o carro pela bicicleta

por SECOM/VIJ — publicado 2015-03-06T19:20:00-03:00

Venha de bike você também!

Encontrar alternativas para o caótico trânsito das grandes cidades não é papel apenas do Estado. O cidadão comum pode e deve contribuir para melhorar a sua qualidade de vida e a do vizinho. Foi pensando numa forma de dar a sua contribuição social e também de reverter o diagnóstico de hipertensão arterial que o motorista terceirizado da Vara da Infância e da Juventude do DF (VIJ/DF) Cláudio Henrique Leal resolveu trocar o carro pela bicicleta para ir ao trabalho.

Em janeiro do ano passado, ao fazer exames de rotina, foi pego de surpresa com a informação de que estava com a pressão alta. Não teve dúvidas: investiu numa atividade física regular, comprou uma bicicleta e passou a utilizá-la nas rotinas do dia a dia, principalmente para ir ao trabalho.

Desde então, percorre aproximadamente 30 km para ir da Vila Planalto, onde mora, até à VIJ/DF, na Asa Norte, para trabalhar. Segundo ele, o tempo médio gasto no percurso vem diminuindo a cada dia. “No início, fazia em 30 minutos. Hoje chego à Vara em aproximadamente 20 minutos, sem grandes esforços”, afirma.

Cláudio diz que, apesar de ter carro, muitas vezes ia trabalhar de ônibus para economizar e o jeito era pegar quatro conduções. “O único ônibus direto da Vila Planalto para a Asa Norte passa poucas vezes ao dia. Então, a saída era pegar um para a Rodoviária e outro para a Asa Norte. Isso me fazia perder tempo e dinheiro”, assegura.

Além de usar a bicicleta para o trabalho, o servidor adotou a “magrela” para outras atividades do cotidiano, como ir ao comércio, e para o lazer. “Só não aderi à bicicleta durante a faculdade por questão de segurança. Como estudava à noite, fiquei receoso de andar no escuro por aí e preferi não me arriscar”, sustenta.

Hoje, depois de quase um ano nessa nova vida, Cláudio diz que ganhou muitas coisas: “Retomei a minha saúde, a pressão arterial não passa de 14x8 (média considerada normal pelos médicos), perdi peso e entrei em forma. Além disso, tenho o prazer de curtir a paisagem e de trabalhar a custo zero”, comemora.

O ciclista diz que, apesar de considerar a bicicleta um meio de transporte seguro, não vacila na hora de ir para as ruas. “Só saio de casa com capacete, lanterna, colete com luzes de segurança e, quando chove, uso capa de chuva também. Ele diz que percebe uma maior sensibilização dos motoristas e que, de um modo geral, eles estão respeitando mais os ciclistas. “Quando estamos por perto muitos motoristas diminuem a velocidade e param na faixa. Percebo mais conscientização”, opinou.

Ele garante que só foi possível adotar a bicicleta como meio de transporte graças à maravilhosa estrutura oferecida pela VIJ aos terceirizados. “Só pude fazer isso porque a VIJ/DF dispõe de um espaço apropriado para os servidores terceirizados com banheiros, vestiários, armários e cozinha. Isso me permite tomar banho, trocar de roupa e almoçar quando chego. Percebo que a Vara se preocupa com o bem-estar dos seus funcionários”, assegurou.

Uma mulher na magrela

A ala feminina da Vara de Execução de Medidas Socioeducativas do DF (VEMSE/DF) também vem fazendo bonito no pedal. A servidora do gabinete da VEMSE, Fernanda Pereira Barcellos,adotou a bicicleta como meio de transporte para o trabalho há quatro anos, quando foi lotada na VEMSE em 2012. Segundo ela, a motivação foi uma só: fugir do estresse gerado pelo caótico trânsito da capital.

Moradora da Asa Norte, Fernanda faz o percurso de bicicleta da sua casa, na 206 norte, até a Vara em aproximadamente 15 minutos. Segundo ela, o trânsito é bem complicado no horário do almoço. “Nesse horário, fica tudo engarrafado. Então, prefiro ir de bicicleta, mesmo tendo que andar no asfalto, junto com os outros carros, pois não existe ciclovia suficiente no meu trajeto”, relata.

Fernanda não considera suas pedaladas diárias uma atividade física propriamente dita, já que se exercita de outras formas. Ela diz que resolveu adotar esse meio de transporte por conta dos inúmeros congestionamentos que enfrentava para ir e voltar do trabalho e por se sentir muito bem. “Todo dia chego em casa relaxada, com uma sensação incrível de bem-estar e sem o estresse do trânsito”, pontua.

A servidora também utiliza a bicicleta para outras atividades do cotidiano como ir à faculdade, estudar na biblioteca e fazer compras no comércio local. Como uma criança que ganha um brinquedo novo, Fernanda está enamorada pela bicicleta elétrica que acabou de comprar. Apesar de ser mais pesada e de ter a necessidade de recarga, ela diz que está satisfeita com a nova aquisição, e que teve que fazer a mudança para amenizar o cansaço. “Com a bike elétrica, chego no trabalho menos cansada e suada, e assim consigo me arrumar em menos tempo”, assegura.

Segundo a servidora, um dos grandes obstáculos enfrentados no dia a dia é a falta de lugar apropriado na VIJ para o banho e a troca de roupa. Mas segundo a Diretora Administrativa da VIJ, Simone Resende, esse problema está prestes a ser resolvido. Ela autorizou a instalação de um chuveiro e de ganchos para objetos pessoais nos banheiros masculino e feminino dos servidores. Também estuda a possibilidade de colocar um secador e uma chapinha no banheiro feminino, para dar mais conforto. Para a diretora, o objetivo é incentivar a saúde. “A nossa intenção sempre foi incentivar a saúde e o bem-estar dos servidores e dos terceirizados. Com isso, providenciamos um espaço para os terceirizados no ano passado e estamos adequando os banheiros destinados aos servidores para atender àqueles que vêm de bicicleta. Em agosto de 2014, instalamos o bicicletário com a intenção de incentivar o uso das bicicletas como transporte para o trabalho, que já é uma tendência em Brasília”, assegura Simone.

A previsão da Diretora é de que as obras dos banheiros, que se iniciaram após o carnaval, sejam entregues até a segunda quinzena de março. Fernanda acredita que essas mudanças vão facilitar, e muito, a sua rotina diária. “Fazia tudo muito no improviso. Do jeito que dava. Agora vou poder trocar de roupa com mais calma e tomar um banho de verdade”, diz. Fernanda sai de casa preparada para o intenso dia. Leva no alforge (bagageiro) tudo o que precisa: roupas, sapatos, itens de higiene pessoal, marmita e livros, já que vai da faculdade direto para a VEMSE.

Ela diz que depois que adotou a “magrela” outras pessoas da família fizeram o mesmo. “Meu filho de 16 anos faz tudo de bike, tanto que conhece quase todas as ciclovias da cidade. Meu marido, sempre que pode, usa a bicicleta para ir ao trabalho e para cumprir a rotina diária também”, registra. Sobre as desvantagens de trocar o carro pela bicicleta, Fernanda diz que a maior delas é enfrentar as chuvas. “A capa de chuva que tenho esquenta muito e o rosto fica todo molhado quando chove, comprometendo a visibilidade. Nesses dias, então, fica tudo muito complicado e o jeito é ir de carro para o trabalho”, relata.

Mas assim que estiver totalmente acostumada com a bicicleta elétrica, a servidora diz que vai investir em equipamentos para a chuva. “Ser ciclista tem as suas dificuldades, mas nada que seja um empecilho para eu desistir. Adotar a bicicleta como meio de transporte me trouxe grandes benefícios pessoais, como contemplação da paisagem, sensação de relaxamento e bem-estar, além do fato de liberar uma vaga na VIJ para alguém”, finalizou.

Bicicletário

O bicicletário da VIJ/DF foi instalado, em agosto de 2014, ao lado das vagas para motos no estacionamento da Vara, oferecendo segurança por estar em área interna. De acordo com o Serviço de Administração Predial (SAP), o local surgiu a partir de uma demanda dos próprios servidores e comporta dez bicicletas. Hoje, cerca de dez pessoas (servidores, terceirizados e um defensor público) vêm para o trabalho de bicicleta. Existe a previsão de ser edificado um outro espaço próprio para os ciclistas no novo complexo da Vara, que será construído no antigo CAJE, com direito a bicicletário e vestiário.