Programa Justiça Comunitária participa de comemoração da Semana da Consciência Negra
O Programa Justiça Comunitária - PJC, do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios - TJDFT, participou, nos dias 18 e 19 de novembro, da comemoração da “Semana da Consciência Negra”, na Escola Classe n. 22, em Ceilândia, a convite do centro educacional.
Servidores e agentes comunitários do PJC realizaram com crianças e professores oficinas de contação de histórias e de montagem de bonecas negras de pano, as chamadas “Abayomi”, que significa em orubá “encontro precioso; aquele que traz, felicidade ou alegria”. Nessas atividades, as crianças souberam sobre a origem da boneca, feita pelas mães escravas, trazidas pelos navios negreiros da África para o Brasil, e que retiravam retalhos da própria roupa para produzir o brinquedo e distrair suas crianças. Para ensinarem aos alunos a confeccionar a boneca, os agentes aprenderam e treinaram a arte previamente.
“É minha primeira participação como agente comunitário num evento como esse, fiquei muito satisfeito. É muito bom podermos trabalhar esse tema com crianças, falar sobre miscigenação, sobre preconceito e contar com tanta interação e com a alegria delas. Tivemos muito apoio da direção da escola também. A recepção foi calorosa!”, comemora Suelenito dos Santos, agente comunitário credenciado em 2015.
Além das oficinas, o Justiça Comunitária apresentou a esquete teatral “Papo reto”. Encenada pelos próprios agentes comunitários, a peça aborda o tema racismo, bem como a mediação de conflitos, uma das frentes do Programa. A proposta é trazer a reflexão à comunidade sobre a discriminação, racial, social ou em razão das vestimentas, muitas vezes velada em nossa sociedade, e ainda estimular as pessoas a buscarem formas de resolução pacífica de seus conflitos no seu cotidiano.
Pelo comentário da aluna Ana Beatriz Nogueira, de 6 anos, a reflexão proposta foi bem lançada: “A gente não pode julgar as pessoas pela aparência delas. Se alguém julgar você pela sua roupa, você vai gostar disso?”. A colega de Ana Beatriz, Sabrina Juliana, de 9 anos, arremata: “Roupa não define personalidade nem caráter”.
Na avaliação da Coordenadora da Educação Integral da Escola Classe 22, Fabiana Monteiro, “o Justiça Comunitária conseguiu adaptar a linguagem da esquete para as diversas faixas etárias dos alunos. Assim, as crianças interagiram muito e captaram bem a mensagem transmitida”.
A peça “Papo reto” também foi apresentada em praça pública de Ceilândia, em setembro último, na Caravana da Juventude da Negra, numa parceria do PJC com a Secretaria da Mulher, da Igualdade Racial e Desenvolvimento Humano do GDF - SEMIDH.