Estante Livre do TJDFT recebe doação de livros escritos pelo desembargador Romeu Jobim
A partir desta sexta-feira, 16/12, o Projeto "Estante Livre" desenvolvido pela Biblioteca do TJDFT, vinculada à 1ª Vice-Presidência, passa a disponibilizar à população várias edições de alguns dos livros de autoria do saudoso desembargador Romeu Barbosa Jobim, doados por sua família.
São quatro as obras doadas: “Pássaros de Meus Bosques” e “Em Tom Menor”, ambas de poesia, na forma de quadrinhas e haicais; “Amanhã Cedo é Primavera”, na qual o autor reúne 25 contos de temática variada, alguns com ambientação urbana, outros em que ressoam ecos da selva amazônica, lugar que conheceu em sua infância; já em "Cantos do Caminho", o autor reúne poemas escritos ao longo da vida.
Nascido no Acre, o desembargador do TJDFT, professor e escritor Romeu Barbosa Jobim formou-se em Filosofia e Direito no Rio de Janeiro, e veio para Brasília nos primórdios da cidade, em 1960. Na nova capital, foi professor de História e Português, na antiga Prefeitura do DF, e Redator da Câmara dos Deputados, cargo que exerceu até ser nomeado Juiz de Direito Substituto do TJDFT, em 20/1/1976, onde ingressou por concurso público. Romeu Jobim foi promovido a Juiz de Direito em 1979, e a Desembargador, em 1991. Foi eleito Vice-Presidente e Corregedor do TRE-DF, em 1996. Atuou como titular da 1ª Vara Criminal e como membro titular da 2ª Turma e Câmara Criminais. Cidadão Honorário de Brasília, foi agraciado com muitos títulos, entre eles as comendas da Ordem do Mérito Judiciário do Distrito Federal e dos Territórios e do Mérito Eleitoral. Aposentou-se no Cargo de Desembargador, em 1997, e faleceu aos 88 anos, no dia 30 de abril de 2015.
A literatura sempre o acompanhou e, mesmo exercendo a magistratura, nunca deixou de escrever. Membro fundador e conselheiro da Associação Nacional de Escritores – ANE; cofundador da Academia Brasiliense de Letras e membro do Instituto Histórico e Geográfico do DF. Era reconhecido como uma das vozes de maior credibilidade junto ao meio literário do DF. Todas as suas publicações primavam pelo domínio culto da língua portuguesa, sendo considerado um escritor machadiano e sua obra de jurista e homem de letras como uma honra à cultura de Brasília. Ao todo foram sete livros, além de participações em inúmeras antologias. Por ter sido sempre aberto a iniciativas de vanguarda, seu nome foi dado à Biblioteca-Ponto da 710/711 Norte, homenagem do Projeto "Paradas Culturais", que montou bibliotecas populares em vários pontos de ônibus do DF.
Nesse contexto, a família do desembargador entende que a disseminação de seus livros, por meio dos Projetos do TJDFT, à população e as partes no processo, que sempre estiveram presentes em sua jornada, o dignifica e representa um significado especial para o Tribunal. Como ressalta o autor em seu livro: "aí vão meus cantos do caminho - áfonos itercantos, álgidas cinzas do caminho, inascitura fênix... -, na esperança de algum proveito aos eventuais leitores. A partir de agora, não são mais meus: pertencem a vocês".