Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios

Programa Justiça Comunitária do TJDFT debate discriminação racial

por ACS — publicado 03/03/2016

No último sábado, 27/2, o Programa Justiça Comunitária - PJC trouxe mais uma vez, para debate na comunidade, o tema da discriminação racial, com a promoção do II Curso de Combate ao Racismo: Qual o seu Papel nessa História?

O encontro aconteceu na Escola Parque Anísio Teixeira, na Ceilândia, e reuniu pessoas do Distrito Federal e de outros estados. Contou com a parceria da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR) e da Secretaria de Estado de Políticas para as Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos (SEDESTMIDH) do DF.   

O curso foi ministrado por Ludmila Suaid, Conceição Aparecida Rezende e pela agente comunitária colaboradora Teresa Nascimento, da equipe do PJC, além de palestrantes convidados. As facilitadoras do Justiça Comunitária trouxeram o contexto histórico do preconceito racial e o seu impacto na subjetividade de quem se sente discriminado. Por explanações e dinâmicas de grupo, o público foi mobilizado para melhor compreender como funciona o racismo, sua construção como fato social e  ainda como ele se manifesta em nossas vidas.

O grupo de capoeira Expressão Brasileira animou os cursistas com  música e a beleza da dança. Entre os capoeiristas, Raoni, de 2 anos, filho da  servidora do PJC Thaís Andreozzi, a Beija-Flor. Thaís falou ao grupo sobre a origem da dança no Brasil e seu significado na cultura brasileira. Carlos Roberto Silva, o Mestre Tonelada, agradeceu:“ É uma alegria mostrar a nossa arte e ainda participar de um encontro que toca um tema tão importante nas nossas vidas, e que se faz diretamente presente no nosso dia a dia”.

A apresentação foi seguida pela palestra de Deise Benedito, especialista em Direitos Humanos e Relações Raciais da SDH/PR. A palestrante acentuou que “enquanto se estiver seguindo uma sociedade em que se impõe que é proibido envelhecer, engordar e ser preto, alisar o cabelo não fará alguém se sentir menos discriminado.  A mudança começa por si mesmo, pelos próprios preconceitos".

As mineiras Olga Basílio Teodoro, de 73 anos, e a filha Jaine da Silva vieram de Uberaba-MG para o curso promovido pelo PJC, após verem a sua divulgação no site do TJDFT. “Estou muito feliz por passar esse dia com esse grupo maravilhoso, aprender muito e somar a tudo isso a minha experiência”, afirmou Olga. Sua filha Jaine, militante contra o racismo há mais de 30 anos, comentou: “Foi um curso muito bom. Gostei muito da receptividade, das temáticas desenvolvidas e das pessoas envolvidas. Certamente esse será um dia que ficará na história da minha vida”.

Carlos Alberto de Paulo, Secretário Adjunto da SEDESTMIDH/DF, abriu  outro momento do encontro provocando os participantes para refletirem sobre como alguns médicos lidam com mulheres negras, a quem atribuem “ser mais fortes e dispensar menos cuidados que mulheres brancas”, resultando em violências cometidas sob o rótulo de “imperícias”. Segundo o Secretário, condutas como essas são reflexos da cultura escravagista que muitos ainda trazem  no imaginário. Carlo Alberto acentuou a importância de se realizar encontros de conscientização para uma população que aparenta viver relações harmoniosas, mas que viola direitos sem perceber que o faz, bem como não se sente violada quando de fato é.

A cursista Margarete da Silva, emocionada, compartilhou ao final: “Foi ótimo participar do curso. Tenho um filho de sete anos que é a única criança negra na sua sala, na escola particular. Estou estudando tudo sobre racismo para ajudá-lo a perceber que ele é lindo como ele é”.

 

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