TJDFT conclui curso de capacitação para integrantes da comunidade escolar de Ceilândia
O Programa Justiça Comunitária - PJC, do TJDFT, concluiu mais um curso de capacitação para integrantes da comunidade de escolas públicas da Ceilândia, realizado nas manhãs e tardes dos dias 16, 19 e 23 de maio. Cerca de 100 pessoas participaram da ação pedagógica, vinculada a um dos principais projetos do PJC, o Vozes da Paz, que se dedica a fomentar o diálogo como meio de promoção da paz social a partir das escolas.
Nessa formação, alunos, pais, funcionários, professores e gestores da rede pública de ensino daquela cidade tiveram a oportunidade de aprender, compartilhar ideias e experiências sobre diversos temas envolvendo respeito a diferenças, conflitos e violência, muito presentes na rotina de alguns centros escolares. A capacitação é uma ferramenta para atuarem no Círculo da Paz e se tornarem “protagonistas” do projeto. O Círculo é formado por voluntários dos vários segmentos da escola que, juntos, traçam diretrizes, atividades envolvendo mediação comunitária, capacidade de diálogo, compreensão das diferenças e conflitos interpessoais, com vista a uma convivência mais pacífica aliada à cooperação e à corresponsabilidade na transformação da cultura escolar.
Ao abordar princípios da mediação comunitária e da comunicação não-violenta, o supervisor do Núcleo de Formação do PJC, Daniel Catta Preta, instigou: “Nosso projeto não fala da paz ‘calada’, aquela paz do ‘deixa pra lá’; trazemos uma paz que se manifesta. Daí vem o nome Vozes da Paz”. “A mediação está em cada ação do Vozes, vai muito além de um procedimento”, concluiu.
A Professora Joana Diogo, supervisora do Centro de Ensino Fundamental (CEF) 35, apresentou algumas boas práticas e os sucessos obtidos na escola, que tem parceira com PJC desde 2013. Com o apoio da então supervisora, Valéria Sá, alunos daquela escola criaram o “quadradinho da mediação”, num dos canteiros do pátio, sob a sombra de uma árvore. Ali, relata Joana, os alunos se sentam com as pernas para dentro do canteiro, “de costas para o mundo”, e buscam conversar sobre suas brigas e dificuldades de relação antes de levá-los para a direção da escola. “A transformação de cultura ficou forte em nossa escola. É a mudança de uma postura hierarquizada, de relações tão verticais”, afirma Joana.
Os cursistas conheceram também um pouco do trabalho dos Agentes Comunitários, voluntários que, capacitados e vinculados ao PJC, atuam em suas comunidades, tanto na mediação comunitária, quanto na educação para os direitos e na articulação de redes sociais. Antônio Lemes, Liciane Sampaio, Maria José Meneses, Suely Ribeiro e Valdeci Silva representaram o time de agentes do Programa, trazendo os eixos de suas atuações e como interagem com o Vozes da Paz. A aluna Tainara Damasceno, de 17 anos, refletiu: “Às vezes ficamos descrentes diante de um mundo egoísta... E então vemos aqui esses agentes comunitários, se doando por tantas causas que são de todos! Isso é inspiração para nós jovens! Pra mim, são exemplos de generosidade”.
Luís Gustavo Ramos, estudante do 3º ano, acrescentou: “A gente aqui passa a perceber melhor o valor e o efeito da comunicação”. Seu irmão gêmeo, João Guilherme, completou: “Vi a importância de ouvir todos os lados envolvidos. Às vezes, as pessoas querem dizer algo que sentem que é diferente ou que vai além daquilo que falam”. Professor de Educação Física do Centro de Ensino Médio 12, Jeferson Carvalho afirmou que o curso veio a atender a uma grande curiosidade sua sobre mediação: “No cotidiano da escola, ficamos tão presos a regras e, ainda assim, sem saber como agir. Com as técnicas de mediação, a gente percebe questões como necessidades, flexibilidade, empatia. A mediação comunitária nos traz formas diferentes de vermos as situações e diferentes caminhos para as soluções".
Os coordenadores do Vozes da Paz, Rogério Gonçalves e Cláudio Benício, servidores do PJC, comemoram o sucesso do curso: “Foi excelente! Ter um público de escolas classes, centros de ensino fundamental e de ensino médio enriquece o debate. O relato dos alunos já engajados no Projeto e os resultados que trazem demonstram o protagonismo deles na construção da escola que desejam ter”, afirma Cláudio. O colega Rogério reforça: “Para nós, a escola é um lugar de formação de pessoas e é a qualidade das relações entre elas é que é trabalhada, inclusive com um olhar mais produtivo sobre os conflitos, inerentes à convivência, e estimulando a autonomia e o protagonismo dessas pessoas nessa transformação”.