TJDFT debate igualdade racial pelo segundo ano consecutivo

por ACS — publicado 2018-11-20T10:15:00-03:00

Justiça ComunitáriaNo último dia 24/10, chegou ao fim a segunda edição do curso O Judiciário e o Compromisso com a Promoção da Igualdade Racial, promovido pelo Programa Justiça Comunitária (PJC), por meio da Escola de Formação Judiciária do TJDFT. A ação, que integra ainda o Projeto Ubuntu, teve como público-alvo os servidores do Tribunalcom o propósito de abrir espaço para o debate crítico e o reconhecimento do racismo como fato social estruturante da sociedade brasileira, gerador de impactos nas relações interpessoais, familiares, de trabalho e de acesso à Justiça.

Magistrados e servidores integraram o corpo docente da ação formativa, aberta pela juíza Coordenadora do PJC, Gláucia Falsarella Foley. No primeiro dia do encontro, os servidores  Cida Santos e Calimério Junior, atuantes no PJC, abriram o debate com o vídeo da escritora nigeriana Chimamanda Ngozi, “O perigo da história única”. Com base nele, abordaram a construção histórica do racismo e suas especificidades no contexto brasileiro, trazendo a igualdade racial como um compromisso de todos os cidadãos, principalmente dentre aqueles que exercem a função pública de promover a Justiça.

Palestrante do segundo dia, a juíza Gláucia Falsarella Folely convidou o público para reflexões abordando aspectos jurídicos do preconceito racial, bem como suas manifestações na mídia, nas instituições públicas, entre outros espaços sociais.

No terceiro e último dia, o juíz Fábio Esteves, que também é presidente da Amagis e um dos coordenadores do Encontro Nacional de Juízas e Juízes Negros – ENAJUN, trouxe sua visão de magistrado negro e as diferentes vertentes do racismo que impactam os julgamentos de réus negros e questões raciais no Poder Judiciário.

Entre os aspectos que motivou a realização da ação educacional pelo TJDFT está o que culmina com a construção de um estereótipo que correlaciona o negro com atos criminosos, e como isso se reflete nos julgamentos do Poder Judiciário.

O evento foi encerrado com uma oficina entre os participantes, em que foram convidados a descobrir a história das bonecas Abayomi. Feitas em tecido, elas relembram a saga das mulheres escravizadas que durante as terríveis viagens a bordo dos navios tumbeiros que realizavam o transporte de escravos entre África e Brasil, rasgavam retalhos de suas saias e, a partir deles, criavam pequenas bonecas feitas de traças ou nós para acalentar suas crianças. As bonecas se tornaram símbolo de resistência e ganharam o nome de Abayomi – que significa ‘Encontro precioso’ em Iorubá. Os participantes ganharam retalhos e fizeram, eles próprios, suas bonecas, para relembrar do precioso encontro entre os colegas do TJDFT e a importância do debate sobre a questão racial na Casa.

Como produto final do curso, os alunos criaram textos em que relatam suas impressões sobre a questão racial. Durante o mês de novembro alguns desses textos serão divulgados na Internet do TJDFT, na página de Artigos, a fim de reforçar o Mês da Consciência Negra no TJDFT.  Confira aqui o primeiro deles, intitulado Por que termos um “Dia da Consciência Negra”?

II Encontro de Juízes e Juízas Negros

Presidente da Associação dos Magistrados do DF, o juiz Fábio Esteves coordenou a organização do II Encontro de Juízes e Juízas Negros, sediado em novembro último pelo TJDFT e promovido pela Associação dos Magistrados do Brasil, com parcerias. “Sentir-se representado é essencial à democracia. Precisamos de ‘molas’ de diversas proporções para se nivelar pessoas em situações tão diferentes a um mesmo patamar”, pontuou o magistrado. E complementou: “Não adianta brigar com quem, por desconhecimento, reproduz representações sociais aprendidas ao longo de uma história. Essa é uma luta, também, pedagógica".