Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios

Palestrante Rossandro Klinjey fala sobre ética a servidores e magistrados do TJDFT

por ACS — publicado 13/08/2019

“Ética é uma construção que nos chama para a necessidade de respeito à diversidade”, destacou o palestrante, escritor e psicólogo Rossandro Klinjey em palestra no TJDFT sobre o desafio de se alcançar resultados institucionais com base em princípios éticos e no respeito às pessoas. Durante o evento, que foi aberto pelo Presidente do Tribunal, desembargador Romão C. Oliveira, nessa segunda-feira, 12/8, o renomado palestrante conquistou o olhar atento de uma plateia de quase 200 pessoas ao abordar temas como a origem da atual crise civilizatória e a importância de se fazer o bem e não sermos omissos, mas sim proativos na construção de uma sociedade melhor.

Ao abrir o evento, o Presidente do TJDFT destacou que a “ética repousa em postulados universalmente aceitos desde a mais remota antiguidade”. Ao abordar o tema, o magistrado falou sobre a importância da simplicidade, “locomotiva que nos conduz aos confins mais gloriosos”, e a coragem necessária para ser simples. Segundo o desembargador, “o essencial é simples enquanto o que é desnecessário, supérfluo, dificilmente inteligível, portanto complexo, não nos leva a lugar nenhum, em face do vendaval gerado em todas as direções”.

Na ocasião, o juiz do TJDFT Luis Carlos de Miranda, presidente do Comitê de Governança e Gestão de Pessoas, destacou o impacto das mudanças tecnológicas no trabalho e nas diferentes esferas da vida das pessoas, bem como a cobrança por produtividade e lembrou que, mais que prestar contas aos órgãos de controle, não podemos esquecer o maior cliente do Tribunal, o cidadão. 

“Temos que ser produtivos sim e o Tribunal precisa buscar a excelência na prestação de seus serviços. A equação imposta é desafiadora e por isso mesmo deve ser constantemente perseguida: equilibrar o alcance das metas com custos razoáveis a todos envolvidos. A governança de pessoas mostra-se imprescindível para alcançar o perfeito equilíbrio entre as necessidades institucionais e as individuais, sob a ótica de servidores e magistrados que integram essa Corte”, disse. 

O magistrado citou ainda o trabalho desenvolvido pela área de gestão de pessoas do Tribunal e pelo Comitê na busca pelas melhores ideias e práticas para alcançar os resultados institucionais e a importância do Plano Estratégico de Gestão de Pessoas, que orientará as práticas de gestão de pessoas no TJDFT até 2020, com base na Estratégia Nacional do Poder Judiciário e no Plano Estratégico do Tribunal. 

Para o juiz assistente da Presidência do TJDFT, Daniel Carnacchioni, presidente da Comissão de Ética do Tribunal, o mundo enfrenta uma grande crise civilizatória, onde o ser humano e a humanidade estão involuindo, onde as diferenças não são respeitadas e não há tolerância. Segundo o magistrado, a origem dos problemas tem a ver com nossas escolhas e só a ética pode nos salvar dessa crise da atualidade. “Acho que ética mais do que tudo condiciona nossas escolhas, nossa convivência, como nós queremos conviver, como nós queremos interagir com as pessoas”.

O juiz lembrou que, apesar de ser um “bebê e estar engatinhando”, a Comissão de Ética do TJDFT deu um salto na atual gestão. “Saímos do nada e hoje somos referência no âmbito dos tribunais”. O magistrado explicou que a Comissão tem um papel consultivo, deliberativo e subsidiário em relação a questões disciplinares e, atualmente, conta com um regimento interno e um canal de comunicação para denúncias, a Ouvidoria da Casa. Destacou que está em vias de ser aprovado o Código de Ética do Tribunal, segundo o juiz, uma espécie de código de conduta, uma vez que é impossível padronizar um comportamento ético. “Ética não é tabela pronta, um saber acabado. É uma ideia sempre em construção”, reforçou. 

Em sua palestra, Klinjey explicou que a atual crise civilizatória é necessária para construção de uma sociedade melhor e a falsa sensação de declínio total é causada pela substituição do velho modelo, que já não dirige a nossa escala de valores, por um novo modelo ainda em construção, o que causa angústia e gera mais perguntas que respostas. Destacou ainda que nesse novo modelo não há mais espaço para salvadores. “Não existe mais alguém que venha fazer o que toda civilização tem que fazer, não existe um ser que vai ser responsável por uma transformação que é coletiva. Existe uma sociedade proativa que responde a seus anseios de ampliação de seu estado civilizatório. Esse é o desafio que nos é lançado, agir para cumprir nosso papel sem parar porque o outro não faz o dele”.

Fotos: Daniel Coelho - NBastian/Divulgação TJDFT