Parceria da Rede Solidária capacita profissionais que lidam com público institucionalizado

por LF - SECOM/VIJ — publicado 2019-07-03T17:14:39-03:00

Rede Solidária aposta na afetividade para lidar com meninas e meninos acolhidos

vij tocar.jpegPromover a afetividade na interação com crianças e adolescentes é essencial, especialmente com aqueles que passaram por situações delicadas e estão afastados de seus lares. Com foco nesse propósito, a Rede Solidária Anjos do Amanhã, programa social da Vara da Infância e da Juventude do DF (VIJ/DF), em parceria com a ONG Instituto Tocar, acaba de encerrar um ciclo de oficinas direcionadas aos profissionais que atuam em quatro entidades do DF onde vivem meninos e meninas sob medida de acolhimento institucional.

O projeto Tocar Essencial, da ONG, trabalhou terapias do toque, com ênfase na comunicação afetiva e vivência do cuidado integral visando fortalecer a relação com os acolhidos. A iniciativa recebe apoio do Fundo dos Direitos da Criança e do Adolescente, por meio do Termo de Colaboração nº 31/2018, da Subsecretaria de Políticas para Crianças, Adolescentes e Juventude do DF.

Durante o período de setembro de 2018 a junho de 2019, as entidades Nosso Lar, Casa Batuíra, Lar de São José e Casa de Ismael receberam cada uma 32 oficinas promovidas pelo Tocar Essencial, que capacitou 99 cuidadores, assistentes sociais, psicólogos, entre outros profissionais dessas instituições, e realizou 1064 atendimentos a bebês, crianças e adolescentes. A equipe da Rede Solidária, nas pessoas do supervisor Gelson Leite e das servidoras Eliana Silva e Iara Lima, participou do encerramento das atividades em dois momentos: no dia 26/6, no Nosso Lar, e no dia 29/6, na Casa de Ismael.

Como funciona

Vij cuidar 2.jpegO objetivo da capacitação é propiciar a excelência no aprimoramento profissional por meio de oficinas teóricas e práticas de conhecimentos psicológicos, técnicas terapêuticas e de práticas integrativas em saúde, utilizando-se de recursos vivenciais de cuidados e autocuidados. Além disso, os encontros promovem um espaço de interação afetiva apoiada em técnicas de cuidado integral, como suporte para instrumentalizar os participantes nas intervenções cotidianas e na qualidade dos serviços prestados à criança e ao adolescente institucionalizado. 

As oficinas trabalham as seguintes temáticas: interação social e o desenvolvimento humano; terapia do toque no cuidado integral e como prática preventiva; o desenvolvimento humano nas suas diversas etapas; percepções em torno das vivências de institucionalização; experimentos da psicologia sobre o poder do toque na vinculação afetiva; estresse tóxico; percepção do cuidador – seu trabalho e o institucionalizado; processos da adolescência; técnicas de automassagem e shiatsu expresso; relaxamento progressivo; luto dos acolhidos; autoestima; E.F.T – técnica de liberação emocional; tempo de qualidade; comunicação afetiva. 

Cuidar de quem cuida 

vij cuidar 3.jpegSegundo Gelson Leite, o Projeto Tocar é um importante braço  operacional da Rede Solidária Anjos do Amanhã quando se trata de cuidar de quem cuida e do desenvolvimento de habilidades afetivas. Ele acrescenta: “Não podemos ignorar os fatores de estresse presentes no dia a dia das equipes técnicas e dos cuidadores sociais e o quanto isso afeta a qualidade de vida dos profissionais e, consequentemente, a prestação de serviço. Quando destinamos ações às equipes das instituições, isso se reverte em benefício indireto ao nosso público-alvo prioritário: crianças e adolescentes”.

Mas para quem passou pelo processo de acolhimento, o benefício se reverteu diretamente. Ivanilda Bastos Sobrinho, que já foi acolhida na Casa de Ismael e hoje é cuidadora social na entidade, participou de todas as oficinas e traz em suas palavras de agradecimento a emoção do resultado compensador da capacitação: "Gratidão por ter e fazer parte desta família Tocar. Hoje tive a certeza da minha cura interior quando consegui falar sem remorso, sem ressentimento pelo meu passado e sim como uma pessoa transformada e curada. Obrigada por me ajudarem a ajudar e a tocar os outros como nunca tinha tocado”. 

A aprovação da iniciativa foi traduzida em outros depoimentos dos participantes das oficinas. Bárbara Magalhães, cuidadora social da Casa de Ismael, confessa que inicialmente teve resistência ao curso. “Mas frequentando vi que ele toca realmente a gente. Foi uma oportunidade maravilhosa. Os profissionais eram dedicados, cuidadosos e pacientes em ensinar. Aprendi a importância de ter consciência do que estamos fazendo; aproveitar o tempo também para respirar, me cuidar, dar o melhor de mim, até para conseguir ajudar o acolhido, saber olhar pra ele e identificar suas necessidades”, declara. 

Outros depoimentos 

“Foi transformador, tanto para os técnicos quanto para os cuidadores e as crianças. Teve criança que chegou aqui e não gostava de ser tocada; logo depois corria atrás para participar das atividades e vivências”. Paulo César, administrador do Nosso Lar

“Somos muito gratos porque, com certeza, esse projeto veio pra agregar ao nosso trabalho e à nossa vida pessoal. Vimos que muitas pessoas foram beneficiadas durante esse tempo: crianças, equipe técnica e cuidadores”. Luana, psicóloga do Nosso Lar

“O projeto foi muito importante pra mim porque fez melhorar minha vida em tudo, até em termos de saúde”. Bernardo José, auxiliar de serviços gerais