Semana do Bebê: palestrantes falam sobre como lidar emocionalmente com crianças

por LF SECOM/VIJ-DF — publicado 2019-06-04T11:22:00-03:00

VIJ1.jpgA criança é o que ela sente. O tema foi debatido em dois eventos promovidos pela Coordenadoria da Infância e da Juventude do DF (CIJ-DF) que integram a IV Semana do Bebê, nesta segunda-feira, dia 3 de junho. Pela manhã, os cuidadores, técnicos de instituições de acolhimento e servidores da Vara da Infância e da Juventude (VIJ-DF) assistiram palestra com a master coach e treinadora Febracis Cristiane Sousa. À tarde, um público diversificado interagiu com a educadora parental e influenciadora digital Julyana Mendes, conhecida como @maedesete.

Cristiane Sousa proferiu a palestra “A importância do cuidado com os cuidadores – aportes da Inteligência Emocional”, no auditório da Febracis, na Asa Norte. Ela discorreu sobre as diferenças dos lados do cérebro: o esquerdo, responsável pela razão e planejamento. O direito, pela emoção e execução. “O filtro da criança é completamente emocional, tudo o que vê, ouve ou sente é lido por ela como verdades, absorvidas pelo lado emocional, pois o lado esquerdo de seu cérebro ainda está em desenvolvimento”, disse.

Segundo a palestrante, se a criança for elogiada e validada, ela cresce se sentindo capaz. Ao contrário, se ela vive em ambiente de brigas, sendo desacreditada, pode vir a se tornar um jovem ou adulto disfuncional, sem limites. “À medida que crescemos, vamos diminuindo a nossa emoção e aumentando a nossa razão. Hoje eu consigo entender a minha infância e a razão prevalece. Mas nem sempre emocionalmente isso ocorre e vamos buscar nossas crenças adquiridas na infância”, pontuou.

VIJ2.jpgConforme Cristiane, esses sentimentos e crenças são ativados ainda na fase adulta. “Você faz aquilo que aprendeu a fazer”, afirmou. E lançou a questão aos cuidadores e técnicos: “Como você vai cuidar de crianças e adolescentes se não estiver bem consigo mesmo? É preciso ter equilíbrio emocional”, alerta. Ela propõe trabalhar a inteligência emocional, para adotar uma comunicação empática e positiva diante dos meninos e meninas institucionalizados, a fim de mudar comportamentos e sentimentos.

A palestrante pediu que os presentes pensassem nas crenças que as crianças e adolescentes possuem de si mesmos e aconselhou: “Vocês podem reverter esse quadro, com amor, respeito e carinho. Vocês têm um trabalho muito importante, mas para desempenharem é preciso tirar o peso das costas. Tomar consciência é o que nos liberta e fortalece”.

Compartilhar conhecimento

Ao final,  a diretora-geral administrativa da Vara e assessora da CIJ-DF, Simone Resende, proferiu algumas palavras e relembrou sua trajetória no TJDFT antes de chegar à Vara da Infância e da Juventude. Ela falou da campanha em prol das instituições de acolhimento que mobilizou todo o Tribunal, enquanto estava na Corregedoria, e conseguiu arrecadar expressiva doação. A diretora se dirigiu aos cuidadores e técnicos das entidades: “Estou certa de que vocês estão saindo daqui melhores do que entraram. A Cris adquiriu esse conhecimento durante anos mas hoje ela quis dividir generosamente com vocês. Quanto mais tivermos pessoas melhores, melhor para o mundo e para o futuro do nosso País”, finalizou.

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@mãedesete

No período da tarde, o auditório da VIJ-DF recebeu a educadora parental e influenciadora digital Julyana Mendes (@maedesete), que proferiu a palestra “Um novo modelo de educação parental: como se tornar um pai ou mãe positivos e conseguir os melhores resultados na educação”. Julyana é conhecida nas redes sociais por relatar as experiências com seus sete filhos. Há três anos, ela compartilha as situações vivenciadas em família, por meio de cursos, palestras e workshops.

VIJ4.jpgPara Julyana, o modelo de educação parental compartilhada não é permissivo nem autoritário. Fica no meio do caminho. “Precisamos dar limites às crianças, mas também compreender o que está acontecendo com elas”. Ela vai além: “Nossos filhos não são propriedades. Eles não nos pertencem. Somos uma espécie de guia deles. São seres humanos com direitos desde sempre e não somente quando se tornam adultos. As crianças podem querer e podem sonhar”.

Ela criticou a quantidade de meninos e meninas que fazem uso de medicamentos para lidarem com as emoções. Segundo Julyana, ficar triste, sentir raiva, ciúmes ou medo não pode ser considerado algo inadequado, pois faz parte da vida experienciar esses sentimentos. Ao citar especialistas, a palestrante disse que o cérebro não nasce pronto e se desenvolve até por volta dos 25 anos de idade. A área do córtex pré-frontal, que controla os impulsos e molda as perspectivas de futuro, amadurece mais devagar.

VIJ5.jpgEla comenta sobre as habituais reações dos pais na educação dos filhos: “Bater, discutir, humilhar, castigar. Precisamos ampliar essa caixa de ferramentas e entender o que está se passando com as crianças”. Conforme a “Mãe de Sete”, o choro e a birra são formas que a criança encontra para comunicar o que sente porque não tem ainda a maturidade de controlar as suas insatisfações. “Ser amado, pertencente, valorizado e reconhecido é o objetivo de todo mundo. Para a criança de 3 anos também é assim, mas ela não está conseguindo dizer isso a você. Ela faz birra porque não está bem. Crianças são ótimas observadoras e péssimas intérpretes”. Para reforçar a sua fala, ela contou o caso do menino que fugiu de casa porque tirou notas baixas e das filhas que achavam que a mãe deixou de amá-las após o nascimento da caçula.

Estabelecer conexão com filhos

VIJ6.jpgJulyana incentiva ensinar e estimular os filhos a participar das tarefas de casa desde cedo. “As crianças pequenas adoram ser úteis”, afirma. Ela diz ser preciso reconhecer a suas próprias limitações como pai ou mãe e aceitar o perfil de cada filho. “Precisamos olhar para as nossas necessidades e as dele e dizer se você dá conta ou não. O fato de o filho questionar não é ruim, é uma oportunidade de estabelecer um relacionamento.Eles precisam ter conexão com você. Eu não tenho filhos obedientes, mas colaborativos. Às vezes, eles não concordam mas fazem algo por ser importante pra você”, afirma a palestrante alertando que é salutar estabelecer um relacionamento de confiança mútua com as crianças e adolescentes para estabelecer abertura de diálogo.

Ao final, Julyana respondeu a diversas colocações trazidas pela plateia. Julyana tem 333 mil seguidores no Instagram. Cerca de 18% têm até 22 anos de idade.

Fotos: TJDFT