Juíza do TJDFT conquista 3º lugar em prêmio literário da AMB
A juíza de Direito do TJDFT Rachel Adjuto Bontempo Brandão conquistou o 3ª lugar, na categoria Poesia, do 1º Prêmio Nacional de Literatura para Magistrados, promovido pela Associação dos Magistrados Brasileiros – AMB em parceria com a Academia Paulista de Letras. A magistrada, que é titular do 1º Juizado Especial Cível e Criminal do Gama, concorreu com a poesia intitulada “A Resposta do Menor Infrator”.
Os ganhadores foram anunciados durante a abertura do VII Encontro Nacional de Juízes Estaduais – Enaje, realizado em Foz do Iguaçu, no Paraná, na última quinta-feira, 23/5. O concurso teve a participação de 141 magistrados. No total, foram encaminhadas 59 poesias, 45 contos e 37 crônicas. Além da premiação, as obras vencedoras serão reunidas em um livro que será publicado pela AMB, ainda neste ano, em comemoração ao aniversário de 70 anos da Associação.
A juíza conta que a inspiração para escrever a poesia veio do tempo em que atuou no Núcleo de Apoio ao Atendimento Integrado Judicial ao Adolescente em Conflito com a Lei – NAIJUD. Magistrada do TJDFT desde 2009, Rachel Adjuto Bontempo Brandão tornou-se juíza titular do 1º Juizado Especial Cível e Criminal do Gama em 2017.
O prêmio será entregue no mês de setembro, em Brasília.
Confira abaixo a íntegra da poesia da magistrada do TJDFT.
A resposta do Menor Infrator
Um dia me falaram que eu seria alguém.
Quem?
Quis ser bombeiro, quis ser professor, quis ser doutor.
Um dia me falaram que eu seria amado.
Amado por quem?
Não conheci meu pai e minha mãe...
Minha mãe precisou me deixar com a vizinha.
A vida a levou por estreitos caminhos e meus irmãos seguiram seu
exemplo.
Não sei quem sou e nem para onde vou.
Estou por aí.
O que vier, é lucro.
A perder, não tenho nada.
Perdeu você, playboy, perdeu você, que me roubou a educação, me
roubou os sonhos, me roubou a família.
Perdeu você, playboy, que não me deu escola, ao invés,
disse que eu não sirvo pra nada.
Perdeu, você, playboy, que me levou meu pai, que não me deu o
direito de ser filho, nem de ser criança.
Nunca brinquei. Sempre pelejei.
Perdeu você, playboy, que endureceu a minha mãe e retirou dela a
capacidade de me amar.
Perdeu você, playboy, que acha que me tirando tudo vai ficar impune.
Eu sei revidar e sei te mostrar que sua ação recai em seu próprio colo.
Com informações da AMB/TJDFT